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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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<journal-id journal-id-type="publisher-id">QPs</journal-id>
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<journal-title>Quaderns de Psicologia</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">qpsicologia</abbrev-journal-title>
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<issn pub-type="ppub">0211-3481</issn>
<issn pub-type="epub">2014-4520</issn>
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<publisher-name>Universitat Aut&#x00F2;noma de Barcelona</publisher-name>
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<article-id pub-id-type="publisher-id">QPs.2221</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.5565/rev/qpsicologia.2221</article-id>
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<subject>Art&#x00ED;culos</subject>
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<article-title>Stalking no Interior do Estado de S&#x00E3;o Paulo: Preval&#x00EA;ncia ap&#x00F3;s a Promulga&#x00E7;&#x00E3;o da Lei 14.132/2021</article-title>
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<trans-title xml:lang="en">Stalking in the Interior of S&#x00E3;o Paulo State: Prevalence After Law No. 14.132/2021</trans-title>
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<contrib-id contrib-id-type="orcid">https://orcid.org/0009-0003-9659-5917</contrib-id>
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<surname>M&#x00FC;ller Rossi</surname>
<given-names>Milaidy</given-names>
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<bio><p>Doutoranda do Programa de P&#x00F3;s-Gradua&#x00E7;&#x00E3;o em Psicologia (PPGPsi) da Universidade Federal de S&#x00E3;o Carlos (UFSCar). Especialista em Criminologia e Direito Penal pela Pontif&#x00ED;cia Universidade Cat&#x00F3;lica do Rio Grande do Sul, Rio Grande do Sul, RS, Brasil.</p></bio>
<email>mmrossi@estudante.ufscar.br</email>
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<institution content-type="original">Universidade Federal de S&#x00E3;o Carlos</institution>
<institution content-type="orgname">Universidade Federal de S&#x00E3;o Carlos</institution>
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<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
<day>25</day>
<month>04</month>
<year>2026</year>
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<year>2026</year>
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<volume>28</volume>
<issue>1</issue>
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<copyright-statement>&#x00A9; 2026 Els autors / The authors</copyright-statement>
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<license-p>Aquesta obra est&#x00E0; sota una llic&#x00E8;ncia internacional Creative Commons Reconeixement 4.0. CC BY</license-p>
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<abstract>
<title>R<sc>esumo</sc></title>
<p>O termo <italic>stalking</italic> tem sido utilizado para caracterizar atos de persegui&#x00E7;&#x00E3;o que geram desconforto ou medo na v&#x00ED;tima. Os comportamentos mais frequentemente mencionados como formas de persegui&#x00E7;&#x00E3;o incluem uma combina&#x00E7;&#x00E3;o de comunica&#x00E7;&#x00E3;o insistente, aproxima&#x00E7;&#x00E3;o inoportuna e vigil&#x00E2;ncia constante. O presente estudo teve por objetivo mensurar as notifica&#x00E7;&#x00F5;es de crimes de <italic>stalking</italic> documentadas nos Registros Digitais de Ocorr&#x00EA;ncias feitos em delegacias localizadas no interior do estado de S&#x00E3;o Paulo, no per&#x00ED;odo de 2021 at&#x00E9; agosto de 2024, e identificar a distribui&#x00E7;&#x00E3;o desses casos ao longo dos dias da semana. Verificou-se elevados &#x00ED;ndices de <italic>stalking</italic>, sendo que esse tipo de comportamento ocorre com mais frequ&#x00EA;ncia nos finais de semana, principalmente aos domingos. Isso sugere uma rela&#x00E7;&#x00E3;o com h&#x00E1;bitos sociais que favorecem tentativas de contato ou aproxima&#x00E7;&#x00E3;o com a v&#x00ED;tima. Com base nos achados, nota-se a import&#x00E2;ncia de desenvolver estrat&#x00E9;gias de preven&#x00E7;&#x00E3;o com o intuito de impedir que esse tipo de viol&#x00EA;ncia ocorra.</p>
</abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<title>A<sc>bstract</sc></title>
<p>The term stalking has been used to describe acts of persistent pursuit that cause discomfort or fear in the victim. The behaviors most frequently cited as forms of stalking include a combination of intrusive communication, unwanted proximity, and constant surveillance. The present study aimed to measure the reports of stalking crimes documented in Digital Police Reports filed at police stations located in the interior of the state of S&#x00E3;o Paulo, between 2021 and August 2024, and to identify the distribution of these cases across the days of the week. High rates of stalking were observed, with such behavior occurring more frequently on weekends, particularly on Sundays. This finding suggests a possible relationship with social routines that may facilitate attempts at contact or proximity with the victim. Based on these results, the need to develop preventive strategies to inhibit the occurrence of this form of violence becomes evident.</p>
</trans-abstract>
<kwd-group xml:lang="pt">
<title>Palavras-chave:</title>
<kwd><bold>Persegui&#x00E7;&#x00E3;o</bold></kwd>
<kwd><bold>Medo</bold></kwd>
<kwd><bold>Viol&#x00EA;ncia</bold></kwd>
<kwd><bold>Notifica&#x00E7;&#x00E3;o</bold></kwd>
</kwd-group>
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<title>Keywords:</title>
<kwd><bold>Stalking</bold></kwd>
<kwd><bold>Fear</bold></kwd>
<kwd><bold>Violence</bold></kwd>
<kwd><bold>Reporting</bold></kwd>
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<body>
<sec id="sec-1-2221" sec-type="intro">
<title>I<sc>ntrodu&#x00E7;&#x00E3;o</sc></title>
<p>O termo <italic>stalking</italic> surgiu pela primeira vez por volta da metade dos anos 70. No entanto, em 1838, o psiquiatra franc&#x00EA;s Jean-&#x00C9;tienne Dominique Esquirol j&#x00E1; havia cunhado o termo &#x201C;erotomania&#x201D; ao descrever um caso que envolvia elementos de persegui&#x00E7;&#x00E3;o. Esquirol relatou a hist&#x00F3;ria de um homem de 36 anos, com tend&#x00EA;ncia &#x00E0; depress&#x00E3;o, que se apaixona obsessivamente por uma atriz. Ele fez in&#x00FA;meras tentativas de se aproximar dela, perseguindo-a constantemente, esperando do lado de fora de sua casa e do teatro onde ela se apresentava. Apesar das declara&#x00E7;&#x00F5;es firmes da atriz, do marido dela e de seus colegas, e at&#x00E9; mesmo ap&#x00F3;s ter sido agredido por homens que tentaram proteg&#x00EA;-la, o perseguidor n&#x00E3;o desistiu. Ele seguiu a atriz em todos os lugares p&#x00FA;blicos e at&#x00E9; mesmo quando ela deixou o pa&#x00ED;s em que residia (<xref ref-type="bibr" rid="ref-27-2221">Wo&#x017A;niakowska, 2018</xref>).</p>
<p>A m&#x00ED;dia e a cultura popular come&#x00E7;aram a explorar o fen&#x00F4;meno do <italic>stalking</italic> nos anos 1980. Antes disso, embora o <italic>stalking</italic> j&#x00E1; tivesse impactado a vida de celebridades e pessoas comuns, ele n&#x00E3;o era amplamente reconhecido pelo p&#x00FA;blico nem regulamentado por leis na maioria dos pa&#x00ED;ses (<xref ref-type="bibr" rid="ref-27-2221">Wo&#x017A;niakowska, 2018</xref>). A morte de John Lennon foi o primeiro evento que trouxe &#x00E0; tona a discuss&#x00E3;o sobre o <italic>stalking</italic>. Em 1980, o ex-Beatle foi assassinado a tiros por Mark Chapman, um homem obcecado pelo artista. Esse evento provocou um debate sobre os perigos inerentes ao <italic>status</italic> de celebridade e como a linha entre admira&#x00E7;&#x00E3;o e &#x00F3;dio pode se tornar perigosamente t&#x00EA;nue (<xref ref-type="bibr" rid="ref-9-2221">Harvey, 2002</xref>). Associado a esse fator, o <italic>stalking</italic> passou a ser um tema recorrente em filmes, document&#x00E1;rios, programas de r&#x00E1;dio e TV, al&#x00E9;m de aparecer em revistas, livros e, com os servi&#x00E7;os culturais-digitais, esse conte&#x00FA;do se concentra em plataformas de servi&#x00E7;o de streaming de s&#x00E9;ries (<xref ref-type="bibr" rid="ref-27-2221">Wo&#x017A;niakowska, 2018</xref>).</p>
<p>Embora haja algumas diverg&#x00EA;ncias sobre a defini&#x00E7;&#x00E3;o exata do <italic>stalking</italic>, alguns estudos citam que o seu ato pode ser descrito como dois ou mais epis&#x00F3;dios de comunica&#x00E7;&#x00E3;o, contato ou outros comportamentos repetitivos e indesejados que provocam intenso sofrimento emocional e/ou medo pela seguran&#x00E7;a da v&#x00ED;tima ou de terceiros (<xref ref-type="bibr" rid="ref-12-2221">Korkodeilou, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref-25-2221">Van Der Aa, 2017</xref>). Esse comportamento &#x00E9; geralmente impulsionado por uma obsess&#x00E3;o ou fixa&#x00E7;&#x00E3;o com a v&#x00ED;tima. O indiv&#x00ED;duo, de forma intencional ou imprudente, faz com que a v&#x00ED;tima sinta medo ou se preocupe com sua pr&#x00F3;pria seguran&#x00E7;a ou a de outras pessoas (<xref ref-type="bibr" rid="ref-20-2221">Monckton-Smith et al., 2017</xref>).</p>
<p>Em concord&#x00E2;ncia com o exposto anteriormente, <xref ref-type="bibr" rid="ref-1-2221">Felipe Ambrosio e Paola Kmiecik (2023)</xref> descrevem que o <italic>stalking</italic> &#x00E9; caracterizado por uma persegui&#x00E7;&#x00E3;o constante e persistente. Essa forma de viol&#x00EA;ncia envolve o perseguidor invadindo repetidamente a vida pessoal da v&#x00ED;tima. Por sua vez, esse comportamento poder&#x00E1; comprometer a privacidade ou gerar um medo t&#x00E3;o intenso que acaba limitando sua liberdade. Dagmara <xref ref-type="bibr" rid="ref-27-2221">Wo&#x017A;niakowska (2018)</xref> acrescenta os horizontes explicativos do <italic>stalking</italic> ao especificar que esse padr&#x00E3;o de comportamento resulta em uma viola&#x00E7;&#x00E3;o grave e injustificada da privacidade da v&#x00ED;tima. Por &#x201C;viola&#x00E7;&#x00E3;o grave da privacidade&#x201D;, entende-se uma s&#x00E9;rie de atitudes indesejadas, como tentativas de contato (direto ou por interm&#x00E9;dio de terceiros), envio de cartas ou <italic>e-mails</italic>, liga&#x00E7;&#x00F5;es incessantes, aproxima&#x00E7;&#x00E3;o do c&#x00ED;rculo social da pessoa, segui-la e monitor&#x00E1;-la de outras maneiras (por exemplo, atrav&#x00E9;s de aplicativos eletr&#x00F4;nicos), esperar do lado de fora de sua resid&#x00EA;ncia, local de trabalho ou escola, frequentar lugares onde a v&#x00ED;tima est&#x00E1; ou provavelmente estar&#x00E1;, enviar flores ou presentes, invadir sua casa e roubar seus pertences.</p>
<p>Em casos extremos, h&#x00E1; epis&#x00F3;dios de <italic>stalking</italic> associados a outras pr&#x00E1;ticas de delitos, como cometer viol&#x00EA;ncia sexual ou at&#x00E9; feminic&#x00ED;dio. O risco de danos extremos &#x00E9; maior quando a v&#x00ED;tima &#x00E9; uma mulher, especialmente no contexto de um relacionamento &#x00ED;ntimo (<xref ref-type="bibr" rid="ref-3-2221">Boen e Lopes, 2019</xref>). Portanto, vale destacar que essa pr&#x00E1;tica n&#x00E3;o se restringe &#x00E0; persegui&#x00E7;&#x00E3;o sofrida por celebridades, sendo frequente entre ex-parceiros &#x00ED;ntimos.</p>
<p>A exist&#x00EA;ncia de uma situa&#x00E7;&#x00E3;o de risco nos casos de pr&#x00E1;ticas de <italic>stalking</italic>, conforme destacado por <xref ref-type="bibr" rid="ref-27-2221">Wo&#x017A;niakowska (2018)</xref>, configura-se como uma &#x201C;amea&#x00E7;a aos bens pessoais&#x201D; da v&#x00ED;tima. Essa amea&#x00E7;a se manifesta por meio de atos maliciosos ou extremamente perigosos, direcionados tanto &#x00E0; v&#x00ED;tima quanto a indiv&#x00ED;duos de sua rede de relacionamentos, como familiares e amigos. Entre as a&#x00E7;&#x00F5;es identificadas, destacam-se pr&#x00E1;ticas difamat&#x00F3;rias, que incluem a dissemina&#x00E7;&#x00E3;o de informa&#x00E7;&#x00F5;es falsas e boatos, seja verbalmente ou por meio de redes sociais. Al&#x00E9;m disso, observa-se o ass&#x00E9;dio a familiares e amigos da v&#x00ED;tima, bem como a ocorr&#x00EA;ncia de agress&#x00F5;es, que podem assumir formas verbais, f&#x00ED;sicas ou sexuais. Tais comportamentos n&#x00E3;o apenas colocam a v&#x00ED;tima em situa&#x00E7;&#x00E3;o de vulnerabilidade, mas tamb&#x00E9;m ampliam o impacto do <italic>stalking</italic> para seu entorno social, refor&#x00E7;ando a gravidade e a complexidade desse fen&#x00F4;meno.</p>
<p>Apesar das defini&#x00E7;&#x00F5;es abrangentes do <italic>stalking</italic> apresentadas at&#x00E9; aqui, o que se depara no cen&#x00E1;rio atual &#x00E9; a diverg&#x00EA;ncia de estados e pa&#x00ED;ses quanto aos comportamentos que caracterizam o <italic>stalking</italic>. As controv&#x00E9;rsias est&#x00E3;o presentes especialmente no n&#x00ED;vel de amea&#x00E7;as ou medo exigido e na frequ&#x00EA;ncia dos incidentes (<xref ref-type="bibr" rid="ref-5-2221">Borges e Dell&#x2019;Aglio, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref-22-2221">Quinn-Evans et al., 2021</xref>). Embora o medo seja frequentemente considerado um elemento essencial na defini&#x00E7;&#x00E3;o do <italic>stalking</italic>, sua natureza subjetiva e as diferentes rea&#x00E7;&#x00F5;es individuais geram um debate cont&#x00ED;nuo. A subjetividade envolvida na persegui&#x00E7;&#x00E3;o e a falta de consenso sobre o papel do medo tornam dif&#x00ED;cil estabelecer uma defini&#x00E7;&#x00E3;o unificada (<xref ref-type="bibr" rid="ref-10-2221">Hauch e Elklit, 2023</xref>). O <italic>stalking</italic> &#x00E9; um fen&#x00F4;meno que, &#x00E0; primeira vista, parece complicado de definir, seja sob a &#x00F3;tica popular, jur&#x00ED;dica ou cient&#x00ED;fica. Embora diferentes perspectivas possam destacar nuances distintas, &#x00E9; poss&#x00ED;vel tra&#x00E7;ar pontos de aproxima&#x00E7;&#x00E3;o: trata-se de uma s&#x00E9;rie de comportamentos repetitivos e intrusivos, caracterizados por vigil&#x00E2;ncia e controle indesejados, bem como pela busca for&#x00E7;ada de contato e comunica&#x00E7;&#x00E3;o por parte do autor, o que resulta em medo na v&#x00ED;tima (<xref ref-type="bibr" rid="ref-22-2221">Quinn-Evans et al., 2021</xref>).</p>
<p>Oportuno destacar que o fen&#x00F4;meno do <italic>stalking</italic> tem sido objeto de pesquisa e an&#x00E1;lise como um problema social. Estudos mostram que os perseguidores utilizam uma variedade de estrat&#x00E9;gias para cometer esse crime, muitas vezes recorrendo a diferentes tecnologias para concretizar essa forma de viol&#x00EA;ncia (<xref ref-type="bibr" rid="ref-5-2221">Borges e Dell&#x2019;Aglio, 2020</xref>). No Brasil, essa pr&#x00E1;tica foi criminalizada recentemente, em 2021, com a promulga&#x00E7;&#x00E3;o da Lei 14.132/21, que introduziu o artigo 147-A no C&#x00F3;digo Penal (<xref ref-type="bibr" rid="ref-13-2221">Lai, 2021</xref>). Nesse ponto, nota-se que, apesar do <italic>stalking</italic> estar presente na sociedade h&#x00E1; d&#x00E9;cadas, a sua criminaliza&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E9; recente. Assim, os estudos sobre o tema marcam quest&#x00F5;es do passado que ainda permanecem atuais. Em vista disso, o objetivo do presente estudo foi mensurar as notifica&#x00E7;&#x00F5;es de crimes de <italic>stalking</italic> documentadas nos Registros Digitais de Ocorr&#x00EA;ncias feitos em delegacias localizadas no interior do estado de S&#x00E3;o Paulo, no per&#x00ED;odo de 31 de mar&#x00E7;o de 2021 at&#x00E9; agosto de 2024, e identificar a distribui&#x00E7;&#x00E3;o desses casos ao longo dos dias da semana.</p>
</sec>
<sec id="sec-2-2221" sec-type="methods">
<title>M<sc>&#x00E9;todo</sc></title>
<p>Foi realizada uma pesquisa de natureza explorat&#x00F3;ria e descritiva, utilizando dados secund&#x00E1;rios obtidos a partir das informa&#x00E7;&#x00F5;es fornecidas pela Secretaria de Seguran&#x00E7;a P&#x00FA;blica do Estado de S&#x00E3;o Paulo (SSP/SP). Trata-se de uma abordagem documental que consistiu em bases de dados extra&#x00ED;das dos Boletins de Ocorr&#x00EA;ncia registrados.</p>
<p>Este estudo integra uma pesquisa mais ampla sobre feminic&#x00ED;dios no Estado de S&#x00E3;o Paulo, sendo avaliado e aprovado (n&#x00BA; 71730923.9.0000.5504). Trata-se de um projeto que contempla diferentes abordagens e recortes territoriais a fim de compreender as din&#x00E2;micas e padr&#x00F5;es da viol&#x00EA;ncia letal contra mulheres no estado.</p>
<p>Foram contemplados os registros de ocorr&#x00EA;ncias de delegacias situadas no interior de S&#x00E3;o Paulo (abrangendo 52 munic&#x00ED;pios). Os dados compreendem os anos de 2021 e agosto de 2024, per&#x00ED;odo escolhido devido &#x00E0; criminaliza&#x00E7;&#x00E3;o do <italic>stalking</italic> ocorrer em 2021 por meio da Lei n&#x00BA; 14.132, que introduziu o artigo 147-A ao C&#x00F3;digo Penal. A an&#x00E1;lise e tabula&#x00E7;&#x00E3;o dos dados foram realizadas por meio do Excel.</p>
<sec id="sec-3-2221">
<title>An&#x00E1;lise de dados</title>
<p>Utilizou-se o software Microsoft Excel, que simplifica a execu&#x00E7;&#x00E3;o de c&#x00E1;lculos estat&#x00ED;sticos, al&#x00E9;m de auxiliar no tratamento e na visualiza&#x00E7;&#x00E3;o dos dados. Foram empregados conceitos fundamentais de estat&#x00ED;stica descritiva, incluindo a distribui&#x00E7;&#x00E3;o de frequ&#x00EA;ncia e a varia&#x00E7;&#x00E3;o percentual.</p>
</sec>
</sec>
<sec id="sec-4-2221" sec-type="results">
<title>R<sc>esultados</sc></title>
<p>Os resultados evidenciaram que foram registrados 2.905 casos de <italic>stalking</italic>. Em 2021, ap&#x00F3;s a aprova&#x00E7;&#x00E3;o da lei mencionada, foram contabilizadas 300 den&#x00FA;ncias. Em 2022, o n&#x00FA;mero de ocorr&#x00EA;ncias subiu para 683, e em 2023, houve 942 notifica&#x00E7;&#x00F5;es. No ano de 2024, at&#x00E9; o m&#x00EA;s de agosto, foram registradas 980 comunica&#x00E7;&#x00F5;es, sendo todas relatadas por v&#x00ED;timas mulheres.</p>
<p>Como os n&#x00FA;meros dos boletins de ocorr&#x00EA;ncia demonstram, em 2021, o primeiro ano ap&#x00F3;s a aprova&#x00E7;&#x00E3;o da lei, foram registradas 300 den&#x00FA;ncias. Este n&#x00FA;mero aumentou significativamente em 2022, chegando a 683, o que representa um crescimento de mais de 127%. O n&#x00FA;mero de ocorr&#x00EA;ncias continuou a crescer em 2023, alcan&#x00E7;ando 942 notifica&#x00E7;&#x00F5;es, um aumento de aproximadamente 38% em rela&#x00E7;&#x00E3;o ao ano anterior. At&#x00E9; agosto de 2024, j&#x00E1; foram registradas 980 comunica&#x00E7;&#x00F5;es de <italic>stalking</italic>, o que sugere que o n&#x00FA;mero total de casos no ano pode superar significativamente os n&#x00FA;meros de 2023. Se a tend&#x00EA;ncia continuar, espera-se que o total de den&#x00FA;ncias para o ano ultrapasse 1.200 ocorr&#x00EA;ncias, indicando uma poss&#x00ED;vel acelera&#x00E7;&#x00E3;o na taxa de den&#x00FA;ncias.</p>
<p>De modo geral, com base nos n&#x00FA;meros de ocorr&#x00EA;ncias registradas, os dados revelam que os casos de <italic>stalking</italic> aumentaram cerca de 226,6% entre 2021 e agosto de 2024. Assim, verificou-se que, em m&#x00E9;dia, o crime &#x00E9; registrado a cada 12 horas. Caso a tend&#x00EA;ncia atual persista, 2024 poder&#x00E1; apresentar o maior n&#x00FA;mero de casos desde a promulga&#x00E7;&#x00E3;o da lei, visto que a m&#x00E9;dia mensal deste ano &#x00E9; a mais elevada, alcan&#x00E7;ando 122,5 registros por m&#x00EA;s.</p>
<p>Ademais, foi feita uma an&#x00E1;lise para examinar o n&#x00FA;mero de ocorr&#x00EA;ncias de <italic>stalking</italic> por dia da semana. A <xref ref-type="table" rid="tabw-1-2221">Tabela 1</xref> mostra os dias da semana e os n&#x00FA;meros de ocorr&#x00EA;ncias.</p>
<table-wrap id="tabw-1-2221">
<label>Tabela 1.</label>
<caption><title>Frequ&#x00EA;ncia de casos de <italic>stalking</italic> cometido em dias da semana</title></caption>
<table id="tab-1-2221" frame="hsides" border="1" rules="all">
<col width="50%"/>
<col width="50%"/>
<thead>
<tr>
<th valign="top" align="left"><p><bold>Dias da Semana</bold></p></th>
<th valign="top" align="center"><p><bold>Ocorr&#x00EA;ncias</bold></p></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td valign="top" align="left"><p>Segunda-feira</p>
<p>Ter&#x00E7;a-feira</p>
<p>Quarta-feira</p>
<p>Quinta-feira</p>
<p>Sexta-feira</p>
<p>S&#x00E1;bado</p>
<p>Domingo</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>446</p>
<p>373</p>
<p>391</p>
<p>365</p>
<p>391</p>
<p>431</p>
<p>508</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="left"><p>Total</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>2.905</p></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</table-wrap>
<p>Ao examinar o n&#x00FA;mero de frequ&#x00EA;ncia de casos de <italic>stalking</italic> ocorridos em dias da semana, nota-se que domingo &#x00E9; o dia com a maior quantidade de ocorr&#x00EA;ncias de <italic>stalking</italic>. A preval&#x00EA;ncia de casos de persegui&#x00E7;&#x00E3;o ocorridos na segunda-feira &#x00E9; significativa, embora ainda menor em compara&#x00E7;&#x00E3;o com os registros de domingo. Esse padr&#x00E3;o pode sugerir que alguns comportamentos de persegui&#x00E7;&#x00E3;o iniciados durante o fim de semana tendem a se estender at&#x00E9; a segunda-feira. J&#x00E1; ter&#x00E7;a-feira e quinta-feira mostram uma queda mais acentuada no n&#x00FA;mero de ocorr&#x00EA;ncias em compara&#x00E7;&#x00E3;o com os dias anteriores. Por&#x00E9;m, a partir de sexta-feira, os n&#x00FA;meros sugerem que h&#x00E1; um leve aumento nas ocorr&#x00EA;ncias de <italic>stalking</italic> em dire&#x00E7;&#x00E3;o ao fim de semana, possivelmente com mais intera&#x00E7;&#x00F5;es sociais e exposi&#x00E7;&#x00E3;o da v&#x00ED;tima.</p>
<p>A an&#x00E1;lise dos dados sugere que as ocorr&#x00EA;ncias de <italic>stalking</italic> tendem a ser mais frequentes nos fins de semana, com picos no domingo. Isso pode estar relacionado a padr&#x00F5;es de comportamento social e atividades que aumentam as oportunidades de tentativas de aproxima&#x00E7;&#x00F5;es. Durante os dias &#x00FA;teis, o n&#x00FA;mero de ocorr&#x00EA;ncias tende a ser menor, com pequenas varia&#x00E7;&#x00F5;es.</p>
</sec>
<sec id="sec-5-2221" sec-type="discussion">
<title>D<sc>iscuss&#x00E3;o</sc></title>
<p>A an&#x00E1;lise dos resultados evidencia os altos &#x00ED;ndices de <italic>stalking</italic>. As ocorr&#x00EA;ncias desse comportamento s&#x00E3;o mais frequentes nos fins de semana, especialmente aos domingos, sugerindo uma liga&#x00E7;&#x00E3;o com padr&#x00F5;es de comportamento social que facilitam tentativas de aproxima&#x00E7;&#x00E3;o. A gravidade, a frequ&#x00EA;ncia e a intensidade desse comportamento nas rela&#x00E7;&#x00F5;es humanas, especialmente nas esferas familiares e afetivas, demonstram a necessidade urgente de aten&#x00E7;&#x00E3;o, reconhecendo o <italic>stalking</italic> como um problema social.</p>
<p>Refinando a discuss&#x00E3;o em rela&#x00E7;&#x00E3;o ao sistema de justi&#x00E7;a, no Brasil, o <italic>stalking</italic> foi inclu&#x00ED;do como crime de persegui&#x00E7;&#x00E3;o no artigo 147-A do C&#x00F3;digo Penal em 2021. Esse crime envolve a&#x00E7;&#x00F5;es direcionadas a uma pessoa espec&#x00ED;fica, que geram medo quanto &#x00E0; sua seguran&#x00E7;a ou &#x00E0; de pessoas pr&#x00F3;ximas (<xref ref-type="bibr" rid="ref-21-2221">Nucci, 2023</xref>). O prop&#x00F3;sito &#x00E9; causar sofrimento marcado pelo medo. O resultado almejado &#x00E9; o preju&#x00ED;zo, tempor&#x00E1;rio ou permanente, &#x00E0; integridade psicol&#x00F3;gica e emocional da v&#x00ED;tima (<xref ref-type="bibr" rid="ref-1-2221">Ambrosio e Kmiecik, 2023</xref>). A pena estabelecida para esse crime varia de 6 meses a 2 anos de reclus&#x00E3;o, al&#x00E9;m de multa. &#x00C9; importante ressaltar que, conforme a nova legisla&#x00E7;&#x00E3;o, a pena pode ser aumentada em 50% nas situa&#x00E7;&#x00F5;es previstas no art. 147-A, &#x00A7;1&#x00BA;, do C&#x00F3;digo Penal, que contempla cometer o crime contra a mulher por raz&#x00F5;es de g&#x00EA;nero, quando a v&#x00ED;tima &#x00E9; crian&#x00E7;a, adolescente ou idoso, e, por &#x00FA;ltimo, quando h&#x00E1; participa&#x00E7;&#x00E3;o de duas ou mais pessoas agindo em conjunto ou utilizando uma arma (<xref ref-type="bibr" rid="ref-14-2221">Lei n&#x00BA; 14.132, 2021</xref>).</p>
<p>&#x00C9; importante destacar que a lei n&#x00E3;o imp&#x00F5;e que a repeti&#x00E7;&#x00E3;o das a&#x00E7;&#x00F5;es ocorra sempre da mesma forma ou por meio do mesmo m&#x00E9;todo. Um exemplo seria iniciar com o envio de mensagens SMS e, em seguida, fazer liga&#x00E7;&#x00F5;es telef&#x00F4;nicas. N&#x00E3;o se trata de quantificar o n&#x00FA;mero de vezes que essas a&#x00E7;&#x00F5;es s&#x00E3;o empregadas, mas sim de avaliar a sua intensidade e o impacto psicol&#x00F3;gico que causam na v&#x00ED;tima, como o aumento da ansiedade e o medo real (<xref ref-type="bibr" rid="ref-7-2221">Costa et al., 2021</xref>). Dessa forma, fica evidente que o crime de <italic>stalking</italic> &#x00E9; punido por violar direitos protegidos pela Constitui&#x00E7;&#x00E3;o, como a vida privada e a intimidade, que s&#x00E3;o considerados direitos fundamentais pela Constitui&#x00E7;&#x00E3;o Federal de 1988 (<xref ref-type="bibr" rid="ref-18-2221">Machado e Mombach, 2016</xref>).</p>
<p>Um dos aspectos mais pol&#x00EA;micos no estudo do crime de <italic>stalking</italic> est&#x00E1; relacionado &#x00E0; obten&#x00E7;&#x00E3;o de provas. &#x00C9; essencial demonstrar que a persegui&#x00E7;&#x00E3;o realmente afeta a tranquilidade da v&#x00ED;tima, indo al&#x00E9;m de um mero inc&#x00F4;modo ou desconforto. Al&#x00E9;m disso, as provas que se buscam geralmente s&#x00E3;o indici&#x00E1;rias ou indiretas, pois este crime n&#x00E3;o &#x00E9; facilmente comprovado. Isso ocorre porque o perseguidor costuma agir de maneira dissimulada, utilizando-se de estrat&#x00E9;gias como o uso de intermedi&#x00E1;rios, perfis falsos e at&#x00E9; mesmo invas&#x00F5;es de dispositivos conectados &#x00E0; internet para coletar informa&#x00E7;&#x00F5;es (<xref ref-type="bibr" rid="ref-11-2221">Horszczaruk e Cazarin Zanatta, 2023</xref>).</p>
<p>Ademais, depara-se com a aus&#x00EA;ncia de uma regulamenta&#x00E7;&#x00E3;o espec&#x00ED;fica para o crime de <italic>stalking</italic> em diversos pa&#x00ED;ses da Am&#x00E9;rica Latina, como Chile, Venezuela e Argentina. Nesses pa&#x00ED;ses, a persegui&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E9; frequentemente tratada de forma tangencial, sendo enquadrada em outras categorias legais, como leis que abordam ass&#x00E9;dio, amea&#x00E7;as ou viol&#x00EA;ncia psicol&#x00F3;gica. No entanto, esse tratamento indireto n&#x00E3;o confere ao fen&#x00F4;meno a devida centralidade, o que pode resultar em uma prote&#x00E7;&#x00E3;o insuficiente &#x00E0;s v&#x00ED;timas e em uma resposta inadequada por parte do sistema de justi&#x00E7;a (<xref ref-type="bibr" rid="ref-8-2221">Donoso Hidalgo e Gonz&#x00E1;lez Campos, 2022</xref>). <xref ref-type="bibr" rid="ref-4-2221">Edmundo Borel Rey (2020)</xref> explica que essa falta de tratamento espec&#x00ED;fico pode ser atribu&#x00ED;da, em parte, &#x00E0; dificuldade em estabelecer limites claros entre comportamentos considerados socialmente aceit&#x00E1;veis &#x2014; como telefonemas frequentes ou o envio de presentes &#x2014; e aqueles que configuram pr&#x00E1;ticas abusivas e intrusivas. A subjetividade inerente a essa distin&#x00E7;&#x00E3;o muitas vezes dificulta a identifica&#x00E7;&#x00E3;o e a criminaliza&#x00E7;&#x00E3;o do <italic>stalking</italic>, contribuindo para que o tema n&#x00E3;o seja abordado de forma direta e eficaz na legisla&#x00E7;&#x00E3;o desses pa&#x00ED;ses. Essa lacuna normativa reflete, portanto, n&#x00E3;o apenas desafios jur&#x00ED;dicos, mas tamb&#x00E9;m quest&#x00F5;es culturais e sociais relacionadas &#x00E0; percep&#x00E7;&#x00E3;o e &#x00E0; toler&#x00E2;ncia de determinados comportamentos.</p>
    <p>Por sua vez, no Peru, o crime de <italic>stalking</italic> e <italic>cyberstalking</italic> foi incorporado ao C&#x00F3;digo Penal. A legisla&#x00E7;&#x00E3;o peruana abrange tanto a persegui&#x00E7;&#x00E3;o presencial quanto o praticado por meio de novas tecnologias de informa&#x00E7;&#x00E3;o e comunica&#x00E7;&#x00E3;o, alinhando-se aos princ&#x00ED;pios do Estado Social e Democr&#x00E1;tico de Direito e &#x00E0; prote&#x00E7;&#x00E3;o dos bens jur&#x00ED;dicos da liberdade e da seguran&#x00E7;a. J&#x00E1; no Panam&#x00E1;, a legisla&#x00E7;&#x00E3;o tamb&#x00E9;m prev&#x00EA; a figura do <italic>stalking</italic>, definido como um crime de persegui&#x00E7;&#x00E3;o, ass&#x00E9;dio e vigil&#x00E2;ncia n&#x00E3;o autorizada, praticado com fins il&#x00ED;citos. Esse tipo penal compartilha caracter&#x00ED;sticas comuns a outras formas de ass&#x00E9;dio, como a insist&#x00EA;ncia, a continuidade das a&#x00E7;&#x00F5;es e a aus&#x00EA;ncia de consentimento por parte da v&#x00ED;tima. Ambas as legisla&#x00E7;&#x00F5;es demonstram um esfor&#x00E7;o para tipificar e combater esse crime, reconhecendo a necessidade de adapta&#x00E7;&#x00E3;o do ordenamento jur&#x00ED;dico &#x00E0;s novas formas de viol&#x00EA;ncia e ass&#x00E9;dio, especialmente no contexto digital (<xref ref-type="bibr" rid="ref-6-2221">Casanova-Mart&#x00ED;nez e Fuentes, 2021</xref>).</p>
<p>Entretanto, o direito penal, isoladamente, n&#x00E3;o &#x00E9; suficiente para promover mudan&#x00E7;as significativas no tecido social e nos dados analisados. Isso ocorre porque a vulnerabilidade das mulheres em seus ambientes familiares e de trabalho est&#x00E1; profundamente enraizada em uma constru&#x00E7;&#x00E3;o hist&#x00F3;rica e cultural. Portanto, &#x00E9; essencial implementar pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas que tratem desses casos (<xref ref-type="bibr" rid="ref-1-2221">Ambrosio e Kmiecik, 2023</xref>).</p>
<p>H&#x00E1; consenso na literatura a respeito da exist&#x00EA;ncia de riscos ps&#x00ED;quicos que as v&#x00ED;timas sofrem em decorr&#x00EA;ncia do <italic>stalking</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="ref-10-2221">Hauch e Elklit, 2023</xref>). <xref ref-type="bibr" rid="ref-23-2221">Holly Taylor-Dunn et al. (2021)</xref> investigaram as experi&#x00EA;ncias de v&#x00ED;timas de <italic>stalking</italic>, revelando v&#x00E1;rios efeitos psicol&#x00F3;gicos negativos, como ansiedade, depress&#x00E3;o, transtorno de estresse p&#x00F3;s-traum&#x00E1;tico (TEPT), idea&#x00E7;&#x00E3;o suicida, dist&#x00FA;rbios alimentares e abuso de subst&#x00E2;ncias (<xref ref-type="bibr" rid="ref-23-2221">Taylor-Dunn et al., 2021</xref>). Aqueles perseguidos em um (ex-)relacionamento rom&#x00E2;ntico tendem a experimentar n&#x00ED;veis mais elevados de medo (<xref ref-type="bibr" rid="ref-17-2221">Logan e Walker, 2021</xref>).</p>
<p>A comunica&#x00E7;&#x00E3;o persistente e os comportamentos de busca de proximidade podem ser intrusivos e causam impactos duradouros nas v&#x00ED;timas. &#x00C0; medida que as persegui&#x00E7;&#x00F5;es aumentam, as v&#x00ED;timas sentem n&#x00E3;o ter onde se esconder e vivem com o medo constante de que o autor possa aparecer em suas casas ou locais de trabalho (<xref ref-type="bibr" rid="ref-12-2221">Korkodeilou, 2017</xref>). Mudar n&#x00FA;meros de telefone ou a rota para o trabalho pode ser necess&#x00E1;rio, mas perseguidores, movidos por sua obsess&#x00E3;o, podem buscar novas formas de continuar a persegui&#x00E7;&#x00E3;o, o que pode levar a uma escalada dos comportamentos (<xref ref-type="bibr" rid="ref-24-2221">Truss e Roos, 2024</xref>). Al&#x00E9;m disso, a amea&#x00E7;a impl&#x00ED;cita no comportamento de <italic>stalking</italic>, mesmo sem confronto direto ou viol&#x00EA;ncia, cria uma sensa&#x00E7;&#x00E3;o de imprevisibilidade e incerteza sobre futuras tentativas de contato, exigindo constante vigil&#x00E2;ncia e alerta (<xref ref-type="bibr" rid="ref-10-2221">Hauch e Elklit, 2023</xref>).</p>
<p>A persegui&#x00E7;&#x00E3;o prolongada, que pode durar anos, tende a intensificar o sofrimento psicol&#x00F3;gico da v&#x00ED;tima, colocando em risco sua sa&#x00FA;de mental e bem-estar geral (<xref ref-type="bibr" rid="ref-10-2221">Hauch e Elklit, 2023</xref>). <xref ref-type="bibr" rid="ref-10-2221">Didde Hauch e Ask Elklit (2023)</xref> avaliaram o sofrimento psicol&#x00F3;gico enfrentado por essas v&#x00ED;timas, considerando somatiza&#x00E7;&#x00E3;o, incapacidade funcional geral, sintomas de TEPT, afetividade negativa e dissocia&#x00E7;&#x00E3;o. O estudo envolveu 591 participantes, sendo identificado que aproximadamente 80% dos participantes apresentaram sintomas de TEPT, depress&#x00E3;o ou ansiedade. O estudo tamb&#x00E9;m indicou que a persegui&#x00E7;&#x00E3;o prolongada pode ser considerada uma forma especial de trauma, com efeitos negativos e duradouros na sa&#x00FA;de mental das v&#x00ED;timas.</p>
<p>A pesquisa conduzida por Tk <xref ref-type="bibr" rid="ref-16-2221">Logan e Katie Showalter (2023)</xref> conduziu a avalia&#x00E7;&#x00E3;o das consequ&#x00EA;ncias enfrentadas pelas v&#x00ED;timas de <italic>stalking</italic> por parceiros &#x00ED;ntimos. 573 mulheres participaram do estudo e destas, 9,6% relataram perda de emprego ou incapacidade de trabalhar durante a persegui&#x00E7;&#x00E3;o. O estudo concluiu que as experi&#x00EA;ncias de persegui&#x00E7;&#x00E3;o possuem um impacto significativo na vida profissional e nos recursos pessoais das mulheres. O <italic>stalking</italic> tamb&#x00E9;m confere outras implica&#x00E7;&#x00F5;es, pois &#x00E9; frequentemente associado a outros comportamentos prejudiciais, incluindo viol&#x00EA;ncia f&#x00ED;sica e tentativas ou consuma&#x00E7;&#x00E3;o de feminic&#x00ED;dio (<xref ref-type="bibr" rid="ref-15-2221">Logan et al., 2007</xref>). Os efeitos do <italic>stalking</italic> s&#x00E3;o amplos e podem ter efeitos tr&#x00E1;gicos para todos os envolvidos. Um estudo conduzido por <xref ref-type="bibr" rid="ref-19-2221">Jane Monckton Smith em 2020</xref>, analisando 372 casos de feminic&#x00ED;dio, revelou que a persegui&#x00E7;&#x00E3;o estava presente na maioria dos casos, especialmente na forma de monitoramento e rastreamento da v&#x00ED;tima (<xref ref-type="bibr" rid="ref-19-2221">Monckton Smith, 2020</xref>).</p>
<p>Os resultados do estudo de <xref ref-type="bibr" rid="ref-2-2221">Kathleen Basile et al. (2022)</xref> evidenciaram a associa&#x00E7;&#x00E3;o entre viol&#x00EA;ncia sexual e <italic>stalking</italic>. A partir de uma amostra de 41.174 participantes, descobriram que 91% das mulheres e homens que relataram ter sofrido viol&#x00EA;ncia sexual tamb&#x00E9;m mencionaram ser v&#x00ED;timas de <italic>stalking</italic> e viol&#x00EA;ncia f&#x00ED;sica. Foi reportado que a combina&#x00E7;&#x00E3;o de viol&#x00EA;ncia sexual e <italic>stalking</italic> &#x00E9; comum em relacionamentos &#x00ED;ntimos e est&#x00E1; frequentemente associada a outras formas de vitimiza&#x00E7;&#x00E3;o, como agress&#x00E3;o f&#x00ED;sica e psicol&#x00F3;gica.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="ref-23-2221">Taylor-Dunn et al. (2021)</xref> analisaram as experi&#x00EA;ncias de v&#x00ED;timas de <italic>stalking</italic> ao realizarem den&#x00FA;ncias. Os pesquisadores conduziram entrevistas com 35 participantes, majoritariamente mulheres, e identificaram uma ampla variedade de relatos sobre o atendimento policial. As descobertas revelaram uma gama de conselhos inadequados por parte da pol&#x00ED;cia, incluindo a culpabiliza&#x00E7;&#x00E3;o das v&#x00ED;timas e sugest&#x00F5;es de que estas mudassem seu comportamento ou local de resid&#x00EA;ncia. As experi&#x00EA;ncias negativas mencionadas pelos participantes indicam que a pol&#x00ED;cia frequentemente n&#x00E3;o oferece o apoio necess&#x00E1;rio, o que pode intensificar o sofrimento das v&#x00ED;timas. Os resultados sugerem que &#x00E9; fundamental melhorar a forma&#x00E7;&#x00E3;o e a conscientiza&#x00E7;&#x00E3;o da pol&#x00ED;cia para que a intera&#x00E7;&#x00E3;o com as v&#x00ED;timas seja mais eficaz e para que elas recebam o apoio necess&#x00E1;rio.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="ref-22-2221">Leah Quinn-Evans et al. (2021)</xref> ajudam a compreender a import&#x00E2;ncia do papel da pol&#x00ED;cia frente ao crime de <italic>stalking</italic>. O estudo buscou trazer novas perspectivas sobre a sequ&#x00EA;ncia de comportamentos descritos por v&#x00ED;timas de persegui&#x00E7;&#x00E3;o e identificou que as v&#x00ED;timas frequentemente registram m&#x00FA;ltiplas den&#x00FA;ncias &#x00E0;s autoridades policiais. A pesquisa coletou dados de 39 relatos de persegui&#x00E7;&#x00E3;o envolvendo mulheres. Muitas v&#x00ED;timas relataram que, ao identificarem um padr&#x00E3;o de comportamentos amea&#x00E7;adores ou intrusivos, optam por procurar ajuda policial. O estudo revela que as v&#x00ED;timas reiteradamente registram den&#x00FA;ncias de <italic>stalking</italic> &#x00E0;s autoridades. Isso pode ocorrer porque os perseguidores, muitas vezes, continuam suas a&#x00E7;&#x00F5;es mesmo ap&#x00F3;s a interven&#x00E7;&#x00E3;o inicial da pol&#x00ED;cia. A repeti&#x00E7;&#x00E3;o das den&#x00FA;ncias pode refletir tanto a persist&#x00EA;ncia do stalker quanto a falta de uma resposta adequada das autoridades. As v&#x00ED;timas enfrentam dificuldades para que suas den&#x00FA;ncias sejam tratadas com a devida seriedade. Em algumas situa&#x00E7;&#x00F5;es, as autoridades podem n&#x00E3;o perceber a gravidade do caso, especialmente se os atos do perseguidor n&#x00E3;o resultarem em viol&#x00EA;ncia imediata, gerando um ciclo de frustra&#x00E7;&#x00E3;o para a v&#x00ED;tima, que sente que suas preocupa&#x00E7;&#x00F5;es n&#x00E3;o est&#x00E3;o sendo devidamente atendidas (<xref ref-type="bibr" rid="ref-22-2221">Quinn-Evans et al., 2021</xref>).</p>
<p>Por outro lado, mesmo quando h&#x00E1; interven&#x00E7;&#x00E3;o policial por meio da aplica&#x00E7;&#x00E3;o de ordens de restri&#x00E7;&#x00E3;o contra o autor ou de prote&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0; v&#x00ED;tima, alguns indiv&#x00ED;duos continuam a violar essas ordens, o que pode resultar em epis&#x00F3;dios de viol&#x00EA;ncia grave. Frente aos achados de <xref ref-type="bibr" rid="ref-26-2221">Eleanor White et al. (2022)</xref>, certos agressores n&#x00E3;o hesitaram em desobedecer a uma ordem de n&#x00E3;o contato, o que acabou levando ao homic&#x00ED;dio. Fatores como obsess&#x00E3;o antes do crime, bem como sua reitera&#x00E7;&#x00E3;o ou condena&#x00E7;&#x00F5;es por crimes sexuais, podem ser &#x00FA;teis para a pol&#x00ED;cia na determina&#x00E7;&#x00E3;o das a&#x00E7;&#x00F5;es necess&#x00E1;rias e do n&#x00ED;vel de vigil&#x00E2;ncia exigido.</p>
</sec>
<sec id="sec-6-2221">
<title>C<sc>onsidera&#x00E7;&#x00F5;es finais</sc></title>
<p>Os principais objetivos deste estudo foram mensurar as notifica&#x00E7;&#x00F5;es de crimes de <italic>stalking</italic> documentadas nos Registros Digitais de Ocorr&#x00EA;ncias feitos em delegacias localizadas no interior do estado de S&#x00E3;o Paulo e identificar a distribui&#x00E7;&#x00E3;o desses casos ao longo dos dias da semana. Emergiu desta pesquisa, por meio da an&#x00E1;lise dos resultados, &#x00ED;ndices elevados de <italic>stalking</italic> no estado de S&#x00E3;o Paulo. Como tamb&#x00E9;m destacou que as ocorr&#x00EA;ncias desse comportamento s&#x00E3;o mais comuns durante os fins de semana, com destaque para os domingos, o que sugere uma conex&#x00E3;o com padr&#x00F5;es sociais que podem favorecer tentativas de aproxima&#x00E7;&#x00E3;o que se tornam intrusivas.</p>
<p>&#x00C9; fundamental implementar novas pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas e estrat&#x00E9;gias para combater, controlar e reduzir os crimes de <italic>stalking</italic>. Al&#x00E9;m disso, &#x00E9; crucial oferecer apoio &#x00E0;s v&#x00ED;timas desse tipo de viol&#x00EA;ncia persistente e agressiva. Torna-se importante esfor&#x00E7;os e colabora&#x00E7;&#x00F5;es para promover novos estudos e pesquisas que examinem de forma aprofundada esses crimes. O objetivo &#x00E9; ampliar o conhecimento sobre esses fen&#x00F4;menos e possibilitar o desenvolvimento de novas medidas protetivas que sejam eficientes no cuidado, seguran&#x00E7;a e defesa das v&#x00ED;timas.</p>
<p>&#x00C9; fundamental realizar mais pesquisas que explorem as experi&#x00EA;ncias tanto das v&#x00ED;timas quanto dos autores de <italic>stalking</italic>. Sobretudo a respeito do ambiente <italic>online</italic> que permite a coleta de provas das a&#x00E7;&#x00F5;es do autor, como mensagens indesejadas enviadas de n&#x00FA;meros identific&#x00E1;veis em redes sociais ou a divulga&#x00E7;&#x00E3;o de imagens privadas, dentre outros comportamentos que entram na categoria de <italic>cyberstalking</italic>.</p>
</sec>
</body>
<back>
<ref-list>
<title>R<sc>efer&#x00EA;ncias</sc></title>
<ref id="ref-1-2221"><element-citation publication-type="journal"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Ambrosio</surname> <given-names>Felipe A. R.</given-names></name> <name><surname>Kmiecik</surname> <given-names>Paola G.</given-names></name></person-group> <year>2023</year> <article-title>Tipificaci&#x00F3;n del acoso persecutorio (stalking) en el c&#x00F3;digo penal brasile&#x00F1;o y en la legislaci&#x00F3;n comparada: un an&#x00E1;lisis cr&#x00ED;tico-sociol&#x00F3;gico de su eficacia</article-title> <source><italic>Estudios Socio-Jur&#x00ED;dicos</italic></source> <volume>25</volume><issue>2</issue> <pub-id pub-id-type="doi">10.12804/revistas.urosario.edu.co/sociojuridicos/a.12634</pub-id></element-citation>
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