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<journal-title>Quaderns de Psicologia</journal-title>
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<publisher-name>Universitat Aut&#x00F2;noma de Barcelona</publisher-name>
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<article-id pub-id-type="publisher-id">QPs.2174</article-id>
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<subject>Art&#x00ED;culos</subject>
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<article-title>A hist&#x00F3;ria da coloniza&#x00E7;&#x00E3;o do autismo</article-title>
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<trans-title xml:lang="en">The History of Autism Colonization</trans-title>
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<surname>Oliveira Nicolau</surname>
<given-names>Giovanna Caroliny</given-names>
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<bio><p>Doutoranda em Psicologia Social no N&#x00FA;cleo de Estudos da Defici&#x00EA;ncia (NED) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mestra em Psicologia Social pela UFSC, pesquisadora em Psicologia Social na University of Washington (UW-EUA), especialista em Educa&#x00E7;&#x00E3;o Social pela UniCesumar (PR), bacharel em Psicologia pela Universidade Positivo (UP-PR).</p></bio>
<email>g.nicolau@posgrad.ufsc.br</email>
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<surname>Gesser</surname>
<given-names>Marivete</given-names>
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<bio><p>Doutora em Psicologia (UFSC) e P&#x00F3;s-Doutora (State University of New York). Professora associada da UFSC, onde leciona e orienta na gradua&#x00E7;&#x00E3;o e p&#x00F3;s-gradua&#x00E7;&#x00E3;o. Coordenadora do N&#x00FA;cleo de Estudos da Defici&#x00EA;ncia (NED-UFSC), pesquisa Feminismos da Defici&#x00EA;ncia, Interseccional, Decolonial e Teoria Crip.</p></bio>
<email>marivete.gesser@ufsc.br</email>
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<contrib-id contrib-id-type="orcid">https://orcid.org/0000-0002-8581-6126</contrib-id>
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<surname>Oliveira Moraes</surname>
<given-names>Marcia</given-names>
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<bio><p>Possui doutorado em Psicologia Cl&#x00ED;nica pela PUC-SP, p&#x00F3;s-doutorado em Psicologia Social pela UERJ/Lancaster University, mestrado em Psicologia pela UFRJ e gradua&#x00E7;&#x00E3;o em Psicologia pela UFF. Professora Titular na UFF, leciona na gradua&#x00E7;&#x00E3;o e p&#x00F3;s-gradua&#x00E7;&#x00E3;o. Pesquisa epistemologia da psicologia, feminismos e defici&#x00EA;ncia visual desde 2003. Bolsista da FAPERJ e CNPq.</p></bio>
<email>mazamoraes@gmail.com</email>
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<copyright-statement>&#x00A9; 2025 Els autors / The authors</copyright-statement>
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<license-p>Aquesta obra est&#x00E0; sota una llic&#x00E8;ncia internacional Creative Commons Reconeixement 4.0. CC BY</license-p>
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<abstract>
<title>R<sc>esumo</sc></title>
<p>O objetivo deste artigo foi o de analisar como o nazismo, a partir da apropria&#x00E7;&#x00E3;o dos conhecimentos eug&#x00EA;nicos, solidificou o enraizamento da coloniza&#x00E7;&#x00E3;o do autismo. Tamb&#x00E9;m buscaremos apontar como o ativismo autista pode se engajar na luta pol&#x00ED;tica para a descoloniza&#x00E7;&#x00E3;o do autismo, corroborando o processo de emancipa&#x00E7;&#x00E3;o defi&#x00E7;a. A escrita seguiu uma an&#x00E1;lise hist&#x00F3;rica desde a Alemanha nazista, passando pelas ramifica&#x00E7;&#x00F5;es coloniais e eugenistas dos EUA e chegando ao &#x201C;Holocausto brasileiro&#x201D;, em que se prop&#x00F4;s a discutir criticamente as bases coloniais existentes no processo de defini&#x00E7;&#x00E3;o do diagn&#x00F3;stico de autismo. A partir disso, trazemos o ativismo autista como ferramenta de transforma&#x00E7;&#x00E3;o ao paradigma colonial do diagn&#x00F3;stico de autismo para possibilitar novos espa&#x00E7;os para a constitui&#x00E7;&#x00E3;o enquanto autistas, evitando a coloniza&#x00E7;&#x00E3;o. Conclu&#x00ED;mos que a decoloniza&#x00E7;&#x00E3;o pode ser uma ferramenta de enfrentamento &#x00E0; continua&#x00E7;&#x00E3;o das pr&#x00E1;ticas nazistas e eugenistas presentes at&#x00E9; a atualidade contra autistas.</p>
</abstract>
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<title>A<sc>bstract</sc></title>
<p>This article aims to analyze how Nazism, by appropriating eugenic knowledge, solidified the roots of autism&#x2019;s colonization. We also seek to highlight how autistic activism can engage in the political struggle for the decolonization of autism, corroborating the process of disability emancipation. The writing followed a historical analysis from Nazi Germany, passing through the colonial and eugenic ramifications of the USA, and arriving at the &#x201C;Brazilian Holocaust,&#x201D; in which it was proposed to critically discuss the existing colonial bases in the process of defining the diagnosis of autism. From this, we present autistic activism as a tool for transforming the colonial paradigm of autism diagnosis to enable new spaces for the constitution as autistic individuals, avoiding colonization. We conclude that decolonization can be a tool to confront the continuation of Nazi and eugenic practices present to this day against autistic people.</p>
</trans-abstract>
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<title>Palavras-chaves:</title>
<kwd><bold>Autismo</bold></kwd>
<kwd><bold>Colonialismo</bold></kwd>
<kwd><bold>Medicina</bold></kwd>
<kwd><bold>Eugenia</bold></kwd>
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<title>Keywords:</title>
<kwd><bold>Autism</bold></kwd>
<kwd><bold>Colonialism</bold></kwd>
<kwd><bold>Medicine</bold></kwd>
<kwd><bold>Eugenia</bold></kwd>
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<sec id="sec-1-2174" sec-type="intro">
<title>I<sc>ntrodu&#x00E7;&#x00E3;o</sc></title>
<p>Com o objetivo de analisar como o nazismo, a partir da apropria&#x00E7;&#x00E3;o dos conhecimentos eug&#x00EA;nicos, solidificou o enraizamento da coloniza&#x00E7;&#x00E3;o do autismo, este texto abordar&#x00E1; essa quest&#x00E3;o iniciando pela caracteriza&#x00E7;&#x00E3;o do fen&#x00F4;meno na Alemanha, pouco antes de instaurar o Terceiro Reich, o qual continuou nos Estados Unidos e chegou no Brasil. Essa hist&#x00F3;ria &#x00E9; de uma coloniza&#x00E7;&#x00E3;o a partir dos princ&#x00ED;pios eug&#x00EA;nicos adotados no nazismo e cujas ra&#x00ED;zes se estendem at&#x00E9; a atualidade, produzindo efeitos no modo como pessoas autistas s&#x00E3;o posicionadas de modo dominante hoje no &#x00E2;mbito acad&#x00EA;mico e na comunidade de modo geral. A necessidade de decolonizar o autismo parte de sua hist&#x00F3;ria j&#x00E1; colonizada quando seus primeiros estudos o afirmam como um transtorno, doen&#x00E7;a e psicopatia.</p>
<p>Pode-se relacionar o vi&#x00E9;s patol&#x00F3;gico, reproduzido pelo sistema nazista, com o processo de coloniza&#x00E7;&#x00E3;o, uma vez que este &#x00E9; o movimento para exterm&#x00ED;nio de caracter&#x00ED;sticas, culturas e comportamentos de um povo (<xref ref-type="bibr" rid="ref-38-2174">Nicolau e de Assis, 2023</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref-48-2174">Santos, 2015</xref>). Entendemos o processo de coloniza&#x00E7;&#x00E3;o a partir do feminismo decolonial; em entrevista concedida a Analba Teixeira et al., Ochy Curiel destaca que este campo de conhecimento, que emerge a partir do di&#x00E1;logo entre o feminismo negro e o pensamento decolonial, parte do pressuposto de que existe um sistema mundo-colonial. Este tem rela&#x00E7;&#x00E3;o com a geopol&#x00ED;tica do mundo, que cria &#x201C;uma s&#x00E9;rie de hierarquias raciais, sociais, dentre outras, que vai conformando a Am&#x00E9;rica Latina como uma periferia da Europa, bem como os Estados Unidos como uma pot&#x00EA;ncia mundial, como um imp&#x00E9;rio&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-53-2174">Teixeira et al., 2017</xref>, p. 119).</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="ref-43-2174">An&#x00ED;bal Quijano (2005)</xref> denunciou que o processo de colonialidade, sustentado pela ideia de ra&#x00E7;a, corroborou os processos de classifica&#x00E7;&#x00E3;o, hierarquiza&#x00E7;&#x00E3;o e controle das popula&#x00E7;&#x00F5;es do sul global. <xref ref-type="bibr" rid="ref-28-2174">Mar&#x00ED;a Lugones (2014)</xref> destaca que a colonialidade, por meio de uma l&#x00F3;gica hier&#x00E1;rquica e produtora de categoriza&#x00E7;&#x00F5;es, &#x201C;produziu uma dicotomia hier&#x00E1;rquica entre o humano e o n&#x00E3;o humano &#x2014; s&#x00F3; os civilizados s&#x00E3;o homens ou mulheres. Os povos ind&#x00ED;genas, africanos, escravizados eram classificados/as como n&#x00E3;o humanos&#x201D; (p. 936). <xref ref-type="bibr" rid="ref-16-2174">Magda Dimenstein et al. (2020</xref>, p. 4) pontuam que os &#x201C;efeitos da colonialidade se materializam nas mais diversas pr&#x00E1;ticas cotidianas, nas rela&#x00E7;&#x00F5;es patriarcais, racistas e sexistas [e, acrescentamos, capacitistas], na rela&#x00E7;&#x00E3;o urbano-rural, dentre outras&#x201D;.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="ref-18-2174">Marcela Ferrari (2020)</xref>, a partir do seu di&#x00E1;logo do feminismo decolonial, destaca a capacidade como uma categoria colonial que reitera a hierarquiza&#x00E7;&#x00E3;o dos seres humanos. Nessa dire&#x00E7;&#x00E3;o, a teoria crip, proposta por <xref ref-type="bibr" rid="ref-34-2174">Robert McRuer (2006)</xref>, denuncia o regime de capacidade compuls&#x00F3;ria de corpos com defici&#x00EA;ncia, juntamente da teoria da neurodiversidade, que conceitua a performance da neuronormatividade &#x2014; proposto por <xref ref-type="bibr" rid="ref-57-2174">Nick Walker (2021)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="ref-59-2174">Melanie Yergeau (2018)</xref>. Desta forma, &#x00E9; importante para complexificar o nosso entendimento sobre os processos hist&#x00F3;ricos de coloniza&#x00E7;&#x00E3;o vivenciados por autistas e demais pessoas com defici&#x00EA;ncia. Isso posto, entendemos que, quando o nazismo se estrutura como um sistema de exterm&#x00ED;nio e genoc&#x00ED;dio das popula&#x00E7;&#x00F5;es que eram tidas como &#x201C;associais&#x201D; &#x2014; dentre elas, pessoas com defici&#x00EA;ncia, neurodivergentes, LGBTQIAPN+, ciganos, judeus &#x2014; esse se configura como um processo de coloniza&#x00E7;&#x00E3;o que se perpetua at&#x00E9; hoje, principalmente por acompanhar os sistemas opressores existentes nas sociedades, como o capitalismo, por exemplo.</p>
<p>A continuidade da coloniza&#x00E7;&#x00E3;o do autismo, tendo sua base nazista, impulsiona a supress&#x00E3;o das caracter&#x00ED;sticas autistas, podendo ser expressadas atrav&#x00E9;s da maioria neurot&#x00ED;pica (<xref ref-type="bibr" rid="ref-2-2174">Andrade et al., 2024</xref>). A influ&#x00EA;ncia do nazismo persiste na hist&#x00F3;ria do autismo, uma vez que as ind&#x00FA;strias farmac&#x00EA;uticas e m&#x00E9;dicas muitas vezes se baseiam nos mesmos princ&#x00ED;pios eug&#x00EA;nicos nazistas, provenientes dos conhecimentos produzidos por Hans Asperger e Leo Kanner. Reconhecer a coloniza&#x00E7;&#x00E3;o autista &#x00E9; essencial para promover a decoloniza&#x00E7;&#x00E3;o, o que valida as vozes e as experi&#x00EA;ncias das pessoas autistas e busca coaliz&#x00F5;es que desafiem os discursos opressores e promovam sua emancipa&#x00E7;&#x00E3;o (<xref ref-type="bibr" rid="ref-38-2174">Nicolau e Assis, 2023</xref>).</p>
<p>A decoloniza&#x00E7;&#x00E3;o autista implica compreender as diversas formas de coloniza&#x00E7;&#x00E3;o enfrentadas por pessoas oprimidas e, dentro deste artigo, &#x00E9; entendida como um processo de se desprender dos regimes opressores (<xref ref-type="bibr" rid="ref-10-2174">Curiel, 2020</xref>; ver <xref ref-type="bibr" rid="ref-53-2174">Teixeira et al., 2017</xref>) e voltar-se para a emancipa&#x00E7;&#x00E3;o. Isso tamb&#x00E9;m implica a necessidade de praticar essa compreens&#x00E3;o, deslocando o foco da coloniza&#x00E7;&#x00E3;o para criar estrat&#x00E9;gias de emancipa&#x00E7;&#x00E3;o e resist&#x00EA;ncia contra as diversas formas de coloniza&#x00E7;&#x00E3;o (<xref ref-type="bibr" rid="ref-38-2174">Nicolau e Assis, 2023</xref>).</p>
<p>Com vistas ao compromisso de se romper com a colonialidade do saber que s&#x00F3; posiciona conhecimentos publicados em determinados ve&#x00ED;culos como leg&#x00ED;timos, neste artigo, optamos pela realiza&#x00E7;&#x00E3;o de uma pesquisa de revis&#x00E3;o narrativa. Entendemos que esta tem um potencial decolonial, uma vez que busca valorizar diversos tipos de materiais, tais como livros, cap&#x00ED;tulos de livro, artigos, blogs de ativistas autistas, experi&#x00EA;ncias entre pares, entre outros, os quais foram utilizados como refer&#x00EA;ncias para a constru&#x00E7;&#x00E3;o desse texto.</p>
</sec>
<sec id="sec-2-2174">
<title>A C<sc>oloniza&#x00E7;&#x00E3;o do autismo na</sc> A<sc>lemanha nazista</sc></title>
<p>O processo de coloniza&#x00E7;&#x00E3;o do autismo teve sua ratifica&#x00E7;&#x00E3;o ap&#x00F3;s a Primeira Guerra Mundial, na Alemanha, quando Erwin Lazar prop&#x00F4;s a cria&#x00E7;&#x00E3;o da educa&#x00E7;&#x00E3;o curativa (1911), visando diagnosticar crian&#x00E7;as em diversas categorias, incluindo-as como &#x201C;associais&#x201D;, consideradas como inadequadas para a sociedade. Apesar das cr&#x00ED;ticas, Lazar fundou a Cl&#x00ED;nica de Educa&#x00E7;&#x00E3;o Curativa, em 1911, com apoio de Clemens von Pirquet, m&#x00E9;dico imunologista e pediatra em Viena. Todavia, este se suicidou e a sua diretoria do Hospital Infantil da Universidade de Viena (1911-1929) passou para Franz Hamburger, em 1932 (<xref ref-type="bibr" rid="ref-50-2174">Sheffer, 2019</xref>).</p>
<p>Hamburger promovia &#x201C;a ideologia nazista, a vis&#x00E3;o eugenista de mulheres como reprodutoras e crian&#x00E7;as como esp&#x00E9;cimes&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-50-2174">Sheffer, 2019</xref>, p. 40), distanciando-se da ci&#x00EA;ncia internacional da &#x00E9;poca. Em sua dire&#x00E7;&#x00E3;o, contratou Hans Asperger e Erwin Jekelius, ambos em 1931, como parte do corpo cl&#x00ED;nico, os quais se aliaram &#x00E0;s organiza&#x00E7;&#x00F5;es e partidos nazistas na &#x00E9;poca, e auxiliaram a conduzir programas de eutan&#x00E1;sia infantil e adulta, o que estabeleceu uma conex&#x00E3;o entre psicopatia autista e os ideais do Terceiro Reich.</p>
<p>Vale ressaltar que as pol&#x00ED;ticas de eutan&#x00E1;sia foram pr&#x00E1;ticas ativas das pol&#x00ED;ticas eugenistas que existiam na Alemanha antes mesmo de Eugen Bleuler cunhar o termo autismo na Su&#x00ED;&#x00E7;a, em 1911. As pol&#x00ED;ticas eugenistas foram iniciadas na Fran&#x00E7;a, quando cientistas educavam crian&#x00E7;as consideradas &#x201C;mentalmente retardadas&#x201D; para corrigir seus comportamentos, sendo esta pr&#x00E1;tica uma higiene mental e orienta&#x00E7;&#x00E3;o infantil, segundo <xref ref-type="bibr" rid="ref-31-2174">Anahi Marfinati e Jorge Abr&#x00E3;o (2014</xref>, p. 248). A Alemanha importou esses estudos atrav&#x00E9;s de Emil Kraepelin, psiquiatra alem&#x00E3;o, em sua obra <italic>Tratado da Psiquiatria</italic> (1890&#x2013;1907), ao analisar pacientes autistas (<xref ref-type="bibr" rid="ref-31-2174">Marfinati e Abr&#x00E3;o, 2014</xref>). Com isso, percebemos que o pensamento nazista cooptou as pol&#x00ED;ticas eugenistas alem&#x00E3;s e facilitou, com isso, o processo de higiene racial, mental e consequentes programas de eutan&#x00E1;sia.</p>
<sec id="sec-3-2174">
<title>A rela&#x00E7;&#x00E3;o da Psicopatia autista e a eutan&#x00E1;sia infantil</title>
<p>Conforme a hist&#x00F3;ria de Asperger se entrela&#x00E7;a com o nazismo alem&#x00E3;o, a partir de 1934, torna-se evidente que a classifica&#x00E7;&#x00E3;o do autismo como psicopatia foi parte de um processo de coloniza&#x00E7;&#x00E3;o violento e mortal. Sua afinidade com organiza&#x00E7;&#x00F5;es de extrema direita reflete um alinhamento com a perspectiva eug&#x00EA;nica adotada pelo partido nazista, que considerava indiv&#x00ED;duos incapazes de atender ao ideal do estado como descart&#x00E1;veis. Acontecia um processo de homogeneiza&#x00E7;&#x00E3;o que fazia parte de uma compreens&#x00E3;o da mente humana, dentro do contexto nazista, guiada pela ideia de Gem&#x00FC;t, que valorizava la&#x00E7;os sociais profundos e comportamentos altru&#x00ED;stas. Aqueles considerados &#x201C;sem Gem&#x00FC;t&#x201D; eram vistos como antit&#x00E9;ticos ao ideal ariano e nazista, os &#x201C;antitipos&#x201D;, e essa desumaniza&#x00E7;&#x00E3;o servia como justificativa para pol&#x00ED;ticas de exclus&#x00E3;o e elimina&#x00E7;&#x00E3;o &#x2014; como a eutan&#x00E1;sia infantil &#x2014; que influenciaram a classifica&#x00E7;&#x00E3;o e o tratamento de crian&#x00E7;as consideradas inadequadas pelo regime, com destaque para a associa&#x00E7;&#x00E3;o entre a psiquiatria de Asperger e a ideologia nazista.</p>
<p>Para isso, a psiquiatria infantil desempenhou um papel crucial nesse contexto, com figuras como Paul Schr&#x00F6;der, m&#x00E9;dico e diretor do Hospital Psiqui&#x00E1;trico da Universidade de Leipzig, conhecido por suas ideologias eug&#x00EA;nicas para doen&#x00E7;as heredit&#x00E1;rias e homossexualidade. Asperger, treinado por Schr&#x00F6;der, foi influenciado por essa mentalidade, que via a elimina&#x00E7;&#x00E3;o de pessoas com defici&#x00EA;ncia como uma forma de &#x201C;cura&#x201D; para o Estado.</p>
<p>Em contrapartida, os cientistas da Cl&#x00ED;nica de Educa&#x00E7;&#x00E3;o Curativa, como Viktorine Zak, George Frankl e Anni Weiss, entre 1929 e 1930, ap&#x00F3;s o falecimento de Erwin Lazar, em 1929, caracterizavam o autismo sem rotul&#x00E1;-lo como patologia. Eles preferiam entender os comportamentos como &#x201C;aut&#x00ED;sticos&#x201D;. No entanto, ao categorizar o autismo como psicopatia autista, Asperger endossou a vis&#x00E3;o de Lazar sobre quem era socialmente adapt&#x00E1;vel e quem n&#x00E3;o era, promovendo o prop&#x00F3;sito da cl&#x00ED;nica. Essa associa&#x00E7;&#x00E3;o com pr&#x00E1;ticas nazistas reflete um contexto em que a inadequa&#x00E7;&#x00E3;o social era vista como uma amea&#x00E7;a &#x00E0; homogeneidade do estado.</p>
<p>Ao ser treinado por Hamburger e Schr&#x00F6;der, entre 1931 e 1934, Asperger inicia o processo de entender o autismo como uma psicopatia, sendo o primeiro caso diagnosticado por ele como psicopatia autista uma crian&#x00E7;a de 8 anos e meio, chamada Harro, cujo comportamento desviante foi atribu&#x00ED;do a dificuldades de relacionamento e &#x00E0; falta de habilidades sociais. Embora n&#x00E3;o tenha sido sentenciado &#x00E0; morte por sua alta intelig&#x00EA;ncia, Harro representa um padr&#x00E3;o de sele&#x00E7;&#x00E3;o em que crian&#x00E7;as com menor capacidade de adapta&#x00E7;&#x00E3;o foram consideradas indignas de viver.</p>
<p>O entendimento de Asperger de que autistas deveriam morrer tamb&#x00E9;m se deve &#x00E0; sua associa&#x00E7;&#x00E3;o com figuras proeminentes da psiquiatria nazista, como Hans Heinze e Werner Villinger, pois demonstra seu alinhamento com pr&#x00E1;ticas eug&#x00EA;nicas. Tanto Heinze quanto Villinger organizaram e dirigiram o centro de morte de Spiegelgrund e os campos de concentra&#x00E7;&#x00E3;o e c&#x00E2;maras de g&#x00E1;s em Steinhof. Movido e designado por seus parceiros, Asperger desempenhou um papel significativo no regime nazista, dado que contribuiu para pol&#x00ED;ticas de esteriliza&#x00E7;&#x00E3;o e eutan&#x00E1;sia que visavam eliminar pessoas consideradas indesej&#x00E1;veis.</p>
<p>Franz Hamburger, mentor de Asperger, admirava profundamente o pupilo e o considerava um exemplo a ser seguido. Por isso, o indicou para diversos cargos importantes na &#x00E9;poca, como o de consultor de cuidados para pessoas consideradas &#x201C;associais&#x201D;. Nessa fun&#x00E7;&#x00E3;o, Asperger era respons&#x00E1;vel por enviar crian&#x00E7;as para a eutan&#x00E1;sia no centro de morte de Spiegelgrund, liderado por Hans Heinze. Heinze, que testemunhou a execu&#x00E7;&#x00E3;o de centenas de crian&#x00E7;as, influenciou Asperger a incorporar princ&#x00ED;pios da eugenia em seus trabalhos sobre psiquiatria infantil, levando a uma pr&#x00E1;tica que <xref ref-type="bibr" rid="ref-50-2174">Edith Sheffer (2019)</xref> chamou de &#x201C;psiquiatria infantil nazista&#x201D; (p. 64).</p>
</sec>
<sec id="sec-4-2174">
<title>Hans Asperger e o centro de morte Spiegelgrund</title>
<p>Erwin Jekelius e Max Gundel, ambos envolvidos com o centro de morte Spiegelgrund, promoveram uma aproxima&#x00E7;&#x00E3;o das institui&#x00E7;&#x00F5;es de sa&#x00FA;de para dissemina&#x00E7;&#x00E3;o da eutan&#x00E1;sia infantil na &#x00E9;poca. Jekelius, m&#x00E9;dico eutasianista infantil nazista, era bem direto ao indicar a necessidade da morte de pessoas com defici&#x00EA;ncia. Este foi colega de Asperger no p&#x00F3;s-doutorado sob orienta&#x00E7;&#x00E3;o de Franz Hamburger, e os tr&#x00EA;s, somados &#x00E0; Max Gundel, um m&#x00E9;dico alem&#x00E3;o, fizeram uma esp&#x00E9;cie de alian&#x00E7;a fundadora da Sociedade de Educa&#x00E7;&#x00E3;o Curativa de Viena (sucessora da Sociedade Alem&#x00E3; de Psiquiatria Infantil e Educa&#x00E7;&#x00E3;o Curativa), em 1941.</p>
<p>Suas falas e atitudes se traduziam em a&#x00E7;&#x00F5;es como coordenar o envio de milhares de adultos para as c&#x00E2;maras de g&#x00E1;s em Linz, conforme relatado por <xref ref-type="bibr" rid="ref-50-2174">Sheffer (2019)</xref>. Apesar de n&#x00E3;o ter participado diretamente, seu colega e mentor Franz Hamburguer assumiu o papel na constru&#x00E7;&#x00E3;o dos campos de exterm&#x00ED;nio do T4 &#x2014; programa de assassinato para pessoas com defici&#x00EA;ncia com Tiergartenstrasse 4 &#x2014;, que fazia parte da Solu&#x00E7;&#x00E3;o Fina, o genoc&#x00ED;dio perpetrado contra os judeus europeus (<xref ref-type="bibr" rid="ref-55-2174">United States Holocaust Memorial Museum, 2022</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref-56-2174">2023</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref-15-2174">Dias, 2013</xref>).</p>
<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="ref-50-2174">Sheffer (2019)</xref>, Hamburguer, Jekelius e Gundel foram os tr&#x00EA;s maiores assassinos de crian&#x00E7;as no Terceiro Reich e Asperger os auxiliou a realizar tais feitos, al&#x00E9;m de expressar publicamente que os piores casos (aqueles que n&#x00E3;o serviam para a ra&#x00E7;a ariana segundo as suas considera&#x00E7;&#x00F5;es) deveriam ser encaminhados para Spiegelgrund (<xref ref-type="bibr" rid="ref-50-2174">Sheffer, 2019</xref>). Naquela &#x00E9;poca, Asperger come&#x00E7;ou a enfatizar cada vez mais os &#x201C;tratamentos&#x201D; para com crian&#x00E7;as com defici&#x00EA;ncia e neurodivergentes (<xref ref-type="bibr" rid="ref-4-2174">Asperger, 1938</xref>); esse termo est&#x00E1; destacado, pois era um sin&#x00F4;nimo de eutan&#x00E1;sia na Alemanha nazista. No caso, em 1938, Asperger come&#x00E7;ou a determinar os nomes, os processos e os destinos daquelas pessoas, suas falas compreendidas pela sociedade da &#x00E9;poca, e a acelera&#x00E7;&#x00E3;o das eutan&#x00E1;sias infantis aconteceu e foi ratificada (<xref ref-type="bibr" rid="ref-11-2174">Czech, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref-29-2174">L&#x00FC;pke-Schwarz, 2013</xref>).</p>
<p>A velocidade com que as mortes aconteciam tamb&#x00E9;m foi influenciada por outra figura: Heinrich Gross, um psiquiatra e m&#x00E9;dico austr&#x00ED;aco, o qual foi destaque nos assassinatos de pessoas com defici&#x00EA;ncia e neurodivergentes. Ele foi respons&#x00E1;vel pelo maior n&#x00FA;mero de assassinatos em Spiegelgrund. Gross trabalhou em estreita colabora&#x00E7;&#x00E3;o com Hans Asperger, especialmente quando este enviava casos dif&#x00ED;ceis para a &#x201C;A&#x00E7;&#x00E3;o Jekelius&#x201D; &#x2014; uma ordem para matar crian&#x00E7;as. Como consultor do centro de cuidados Gugging, em 1942, Asperger encaminhou 35 crian&#x00E7;as para Spiegelgrund, todas as quais faleceram devido &#x00E0; utiliza&#x00E7;&#x00E3;o de m&#x00E9;todos de elimina&#x00E7;&#x00E3;o. <xref ref-type="bibr" rid="ref-50-2174">Sheffer (2019)</xref> destaca que o centro de cuidados Gugging era um grande fornecedor de Spiegelgrund, com 98 das 136 crian&#x00E7;as enviadas de l&#x00E1; durante a guerra falecendo, o que resultou em uma taxa de mortalidade de 72%. Isso significa que uma em cada oito crian&#x00E7;as, das 789 que morreram em Spiegelgrund, veio de Gugging.</p>
<p>Os riscos associados a um diagn&#x00F3;stico negativo eram bem conhecidos, com relatos frequentes de abusos, neglig&#x00EA;ncia e viol&#x00EA;ncia em orfanatos vienenses, incluindo Spiegelgrund, onde as crian&#x00E7;as enfrentavam uma amea&#x00E7;a extrema. Al&#x00E9;m de sugerir transfer&#x00EA;ncias, Asperger encaminhava crian&#x00E7;as para institui&#x00E7;&#x00F5;es infantis em Viena com diagn&#x00F3;sticos desfavor&#x00E1;veis, potencialmente encaminhando-as para Spiegelgrund. Com sua autoridade para realizar avalia&#x00E7;&#x00F5;es diagn&#x00F3;sticas solicitadas por pais e escolas, ele podia influenciar a remo&#x00E7;&#x00E3;o das crian&#x00E7;as de suas fam&#x00ED;lias e determinar seus registros m&#x00E9;dicos.</p>
<p>De 312 casos nesta especifica&#x00E7;&#x00E3;o, 208 foram casos de transfer&#x00EA;ncia de outras crian&#x00E7;as que vieram a ser mortas em Spiegelgrund. &#x00C9; crucial destacar que Asperger encaminhou, no m&#x00ED;nimo, 44 crian&#x00E7;as para Spiegelgrund, sendo 35 provenientes do centro de Gugging e 9 de sua pr&#x00F3;pria cl&#x00ED;nica, segundo <xref ref-type="bibr" rid="ref-50-2174">Sheffer (2019)</xref>.</p>
<p>O diagn&#x00F3;stico e tratamento de crian&#x00E7;as autistas por Asperger ficou conhecido mundialmente. Talvez n&#x00E3;o da forma real, mas como algu&#x00E9;m que cunhou o termo autismo e, atualmente, continua a ser referenciado em diagn&#x00F3;sticos, linguagem e categoriza&#x00E7;&#x00F5;es. As atitudes de Asperger com &#x201C;associais&#x201D; demonstram uma viol&#x00EA;ncia contra autistas, uma vez que a descri&#x00E7;&#x00E3;o dele para pessoas que n&#x00E3;o deveriam existir naquela sociedade promulga os crit&#x00E9;rios diagn&#x00F3;sticos do autismo. Al&#x00E9;m disso, ele tamb&#x00E9;m usurpou os estudos dos m&#x00E9;dicos judeus George Frankl e Anni Weiss, tomando-os e n&#x00E3;o lhes dando a devida autoria.</p>
</sec>
</sec>
<sec id="sec-5-2174">
<title>A <sc>coloniza&#x00E7;&#x00E3;o do autismo nos</sc> E<sc>stados</sc> U<sc>nidos</sc></title>
<p>Em 1937, o crescimento do antissemitismo na &#x00C1;ustria impulsionou a migra&#x00E7;&#x00E3;o de judeus para outros pa&#x00ED;ses &#x2014; cerca de 525 mil judeus deixaram a Alemanha entre 1933 e 1938 para escapar do holocausto nazista (<xref ref-type="bibr" rid="ref-51-2174">Shoah Resource Center, s.d.</xref>). Entre esses emigrantes, estavam um m&#x00E9;dico e uma psic&#x00F3;loga que anteriormente haviam colaborado com Erwin Lazar e Hans Asperger, ambos pioneiros na descri&#x00E7;&#x00E3;o das caracter&#x00ED;sticas do autismo. George Frankl, o m&#x00E9;dico, chegou aos Estados Unidos em 1937, com a ajuda de seu colega Leo Kanner, enquanto a psic&#x00F3;loga Anni Weiss migrou para os EUA em 1934, ap&#x00F3;s enfrentar discrimina&#x00E7;&#x00E3;o na &#x00C1;ustria por ser mulher e judia.</p>
<p>Weiss foi uma das primeiras psic&#x00F3;logas a estabelecer caracter&#x00ED;sticas autistas, sendo sucessora de Grunya Sukhareva (<xref ref-type="bibr" rid="ref-14-2174">de Paoli e Fernandes, 2022</xref>), uma psic&#x00F3;loga infantil sovi&#x00E9;tica, que foi pioneira ao introduzir caracter&#x00ED;sticas autistas no meio acad&#x00EA;mico em 1926. Ambas, no entanto, foram amplamente esquecidas pela hist&#x00F3;ria do autismo, apesar de suas contribui&#x00E7;&#x00F5;es terem sido fundamentais para o trabalho de Kanner e Asperger. Os estudos de <xref ref-type="bibr" rid="ref-20-2174">Frankl (1943)</xref> e Weiss forneceram insights valiosos sobre o espectro autista, apesar de Asperger e Kanner divergirem em rela&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0;s defini&#x00E7;&#x00F5;es diagn&#x00F3;sticas. Enquanto o primeiro descrevia casos de &#x201C;psicopatia autista&#x201D;, o segundo enfatizava a retra&#x00E7;&#x00E3;o social extrema dos autistas.</p>
<p>Weiss e Frankl contribu&#x00ED;ram para o entendimento do autismo com observa&#x00E7;&#x00F5;es sobre comportamentos e habilidades especiais, como as matem&#x00E1;ticas not&#x00E1;veis em crian&#x00E7;as autistas. Frankl, com uma perspectiva neurobiol&#x00F3;gica, come&#x00E7;ou a formular a concep&#x00E7;&#x00E3;o de um espectro autista que inclu&#x00ED;a crian&#x00E7;as com variados n&#x00ED;veis de habilidade intelectual. Essa concep&#x00E7;&#x00E3;o ampla do autismo foi influenciada pelos estudos de casos de crian&#x00E7;as com &#x201C;intelectualidade prejudicada&#x201D; em Viena, durante o programa de eutan&#x00E1;sia de 1930, que, posteriormente, levaram &#x00E0; compreens&#x00E3;o de que o autismo poderia existir em crian&#x00E7;as com diversos espectros intelectuais e habilidades.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="ref-50-2174">Sheffer (2019)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="ref-45-2174">John Robison (2016)</xref> destacam a distor&#x00E7;&#x00E3;o hist&#x00F3;rica no valor dado aos autistas com maior QI, marginalizando aqueles com menor QI como socialmente irrelevantes. Esta vis&#x00E3;o criou uma falsa dicotomia no espectro autista e perpetua um estere&#x00F3;tipo que associa erroneamente o autismo apenas a altas capacidades intelectuais. &#x00C9; mister apresentar a discuss&#x00E3;o sobre espectro quando isso faz rela&#x00E7;&#x00E3;o aos estudos de Asperger e Kanner. Ambos entendiam que autistas s&#x00E3;o &#x201C;crian&#x00E7;as que vivem em seu pr&#x00F3;prio mundo&#x201D;, &#x201C;crian&#x00E7;as que preferem brincar solit&#x00E1;rias&#x201D;, &#x201C;crian&#x00E7;as que n&#x00E3;o demonstram amor nem respondem ao afeto dos pais&#x201D;, e apresentam fixa&#x00E7;&#x00F5;es em objetos em vez de pessoas. Tamb&#x00E9;m concordaram sobre a import&#x00E2;ncia de rotina e rituais para essas crian&#x00E7;as, reconhecendo o que hoje chamamos de hiperfoco (fixa&#x00E7;&#x00E3;o). Embora Kanner e Asperger tenham chegado a conclus&#x00F5;es distintas sobre as causas e tenham enfatizado diferentes caracter&#x00ED;sticas, tinham similaridades quanto &#x00E0;s caracter&#x00ED;sticas aut&#x00ED;sticas.</p>
<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="ref-45-2174">Robison (2016)</xref>, Kanner teve acesso a casos de neurodesenvolvimento mais complexos do que Asperger, o que lhe possibilitou expandir seu entendimento sobre o autismo e compartilhar das ideias de Frankl. Kanner e Frankl se aproximam em sua observa&#x00E7;&#x00E3;o de comportamentos autistas, por reconhecerem a exist&#x00EA;ncia de uma condi&#x00E7;&#x00E3;o neurobiol&#x00F3;gica subjacente. No entanto, eles se distanciam em rela&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0; abordagem diagn&#x00F3;stica, com Kanner focando em crian&#x00E7;as sem diagn&#x00F3;sticos neurol&#x00F3;gicos conhecidos, enquanto Frankl adotava uma vis&#x00E3;o mais ampla, que inclu&#x00ED;a crian&#x00E7;as com condi&#x00E7;&#x00F5;es reconhecidas, como a esclerose tuberosa.</p>
<p>De todo modo, aquilo que seria afirmado por Asperger e Kanner &#x00E9; origin&#x00E1;rio de Bleuler, Sukhareva, Lazar, Frankl e Weiss. Asperger n&#x00E3;o deu cr&#x00E9;ditos a Frankl e Weiss por serem judeus, o que Kanner fizera, mas ainda obteve o t&#x00ED;tulo de &#x201C;pai&#x201D; da psiquiatria infantil estadunidense (<xref ref-type="bibr" rid="ref-50-2174">Sheffer, 2019</xref>, p. 16), e que, posteriormente, influenciaria o movimento de diagn&#x00F3;stico do autismo.</p>
<sec id="sec-6-2174">
<title>O ocidente como ber&#x00E7;o dos diagn&#x00F3;sticos e continua&#x00E7;&#x00E3;o da coloniza&#x00E7;&#x00E3;o dos autistas</title>
<p><xref ref-type="bibr" rid="ref-38-2174">Nicolau e Assis (2023)</xref> apontam para o movimento de decoloniza&#x00E7;&#x00E3;o do autismo, partindo do pressuposto de que a farmacologia, psiquiatria e terapias de convers&#x00E3;o s&#x00E3;o processos de coloniza&#x00E7;&#x00E3;o e violentam autistas e outras neurodiverg&#x00EA;ncias. Justamente este artigo apresenta as cr&#x00ED;ticas quanto a Asperger e Kanner em suas influ&#x00EA;ncias sobre a coloniza&#x00E7;&#x00E3;o do autismo. Ambos, por exemplo, insinuavam a culpa dos pais e apresentavam um vi&#x00E9;s de frieza e aus&#x00EA;ncia de emo&#x00E7;&#x00F5;es em rela&#x00E7;&#x00E3;o aos seus filhos, o que poderia &#x201C;causar autismo&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-38-2174">Nicolau e Assis, 2023</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref-45-2174">Robison, 2016</xref>). &#x00C9; importante destacar como Kanner e Asperger influenciaram indiretamente a elabora&#x00E7;&#x00E3;o do DSM e do CID, que s&#x00E3;o essencialmente documentos que colonizam o autismo, por meio da patologiza&#x00E7;&#x00E3;o e da nomea&#x00E7;&#x00E3;o deste como transtorno.</p>
<p>Enquanto nazistas procuravam manter a domina&#x00E7;&#x00E3;o sobre os demais povos, o processo em que os nazistas procuravam manter a domina&#x00E7;&#x00E3;o fez com que se priorizasse uma neurologia t&#x00ED;pica e majorit&#x00E1;ria e que apenas esse tipo se perpetuasse, o que promoveu a exalta&#x00E7;&#x00E3;o corporal normativa (<xref ref-type="bibr" rid="ref-15-2174">Dias, 2013</xref>). Dessa forma, a exclus&#x00E3;o de pessoas com defici&#x00EA;ncia e neurodivergentes pelo Terceiro Reich implica uma coloniza&#x00E7;&#x00E3;o destas e, tamb&#x00E9;m, majoritariamente, do autismo, sobretudo, quando se utilizava categoriza&#x00E7;&#x00F5;es de classifica&#x00E7;&#x00F5;es de intelig&#x00EA;ncia, como o QI, para determinar quem continuaria vivo ou n&#x00E3;o.</p>
<p>Com isso, ao Asperger documentar e afirmar o diagn&#x00F3;stico de psicopatia autista e, posteriormente, dado o nome de S&#x00ED;ndrome de Asperger na d&#x00E9;cada de 80 (<xref ref-type="bibr" rid="ref-38-2174">Nicolau e Assis, 2023</xref>), afirmamos o processo de coloniza&#x00E7;&#x00E3;o que existe em diversas facetas sobre o autismo. A partir da descri&#x00E7;&#x00E3;o cl&#x00E1;ssica do autismo, em 1943, por Leo Kanner, o autismo passou a ser reconhecido oficialmente como &#x201C;transtorno&#x201D;. Essa mudan&#x00E7;a foi fundamental e influenciou o desenvolvimento dos crit&#x00E9;rios diagn&#x00F3;sticos utilizados nas classifica&#x00E7;&#x00F5;es atuais.</p>
<p>Em outros termos, Kanner e Asperger se utilizaram da mesma base nazista e colonialista para promover o diagn&#x00F3;stico do autismo. Com isso, a utiliza&#x00E7;&#x00E3;o desses estudos para os manuais de classifica&#x00E7;&#x00F5;es aponta para a quest&#x00E3;o de que os estudos do autismo, vindos de um contexto nazista e colonizador, foram potencialmente influenciados por outro sistema inerente &#x00E0; hist&#x00F3;ria e &#x00E0; cultura estadunidense: o imperialismo (ver <xref ref-type="bibr" rid="ref-13-2174">Deahl e Andreassen, 2024</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref-40-2174">Okasha e Dawla, 1992</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref-19-2174">Frank, 1980</xref>).</p>
<p>Na &#x00E9;poca em que o antissemitismo estava acontecendo na Europa, acontecia, nos EUA, um movimento eugenista e colonizador, principalmente com pessoas negras, o qual influenciou o mundo inteiro, inclusive o de Hitler (<xref ref-type="bibr" rid="ref-47-2174">Ross, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref-58-2174">Whitman, 2017</xref>). A influ&#x00EA;ncia desses movimentos, vindos dos EUA, d&#x00E1; vaz&#x00E3;o &#x00E0; legalidade da cultura americana em violentar e eugenizar popula&#x00E7;&#x00F5;es. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="ref-41-2174">Ana Penido e Miguel St&#x00E9;dile (2021)</xref>, os EUA reinam com seus sistemas carcer&#x00E1;rios, tecnol&#x00F3;gicos, pol&#x00ED;ticos e eugenistas nos pa&#x00ED;ses da Am&#x00E9;rica Latina; al&#x00E9;m de promoverem e venderem mundialmente o sistema de encarceramento estadunidense racista e eugenista (<xref ref-type="bibr" rid="ref-12-2174">Davis, 2018</xref>).</p>
<p>Esses autores colocam em destaque a maioria das viol&#x00EA;ncias e coloniza&#x00E7;&#x00F5;es que os EUA promovem para com popula&#x00E7;&#x00F5;es oprimidas e que s&#x00E3;o expandidas como modelos para movimentos de extrema direita, como no caso Hitler, que se apoiou na eugenia racial estadunidense para fazer a sua pr&#x00F3;pria contra judeus, mulheres, pessoas com defici&#x00EA;ncia, neurodivergentes, e outros grupos. &#x00C9; pernicioso ignorar ou n&#x00E3;o relacionar que o imperialismo norte-americano, o nazismo e a coloniza&#x00E7;&#x00E3;o andam juntos. Diante disso, fica o questionamento: como a coloniza&#x00E7;&#x00E3;o nazista do autismo foi influenciada pelo imperialismo norte-americano?</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="ref-5-2174">Eugene V. Boisaubin (1997)</xref> apresentou em um estudo que os movimentos norte-americanos e os alem&#x00E3;es estavam ocorrendo concomitantemente durante a d&#x00E9;cada de 1930, sendo que ambos buscavam uma sociedade vibrante e livre de doen&#x00E7;as, as quais incluem &#x201C;retardo mental, doen&#x00E7;a mental, doen&#x00E7;a neuromuscular, criminalidade e comportamento antissocial&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-5-2174">Boisaubin, 1997</xref>, p. 1496). Desta forma, o diagn&#x00F3;stico oficial proposto por Kanner, o qual foi naturalizado norte-americano, foi suficiente para que lan&#x00E7;assem os manuais diagn&#x00F3;sticos (<xref ref-type="bibr" rid="ref-60-2174">Zeldovich, 2018</xref>). O primeiro DSM foi lan&#x00E7;ado em 1952, 8 (oito) anos ap&#x00F3;s a primeira publica&#x00E7;&#x00E3;o de Kanner sobre autismo em 1943.</p>
<p>Ao DSM tratar o autismo relacionado &#x00E0; esquizofrenia e psicose em sua primeira edi&#x00E7;&#x00E3;o, faz jus ao que Kanner teria escrito e definido como autismo na &#x00E9;poca, principalmente por ter-se orientado no vi&#x00E9;s que seria uma psicopatia autista e infantil, mesmo termo que Asperger e outros cientistas nazistas da &#x00E9;poca haviam usado. Com isso, gerou-se impacto da classifica&#x00E7;&#x00E3;o diagn&#x00F3;stica (<xref ref-type="bibr" rid="ref-46-2174">Rosen et al., 2021</xref>), uma vez que a inclus&#x00E3;o do autismo no DSM teve um impacto significativo na maneira como era percebido e abordado pela comunidade m&#x00E9;dica e pela sociedade em geral. Isso pode incluir a estigmatiza&#x00E7;&#x00E3;o associada ao diagn&#x00F3;stico e as consequ&#x00EA;ncias pr&#x00E1;ticas para autistas em termos de acesso a servi&#x00E7;os e apoio desde aquela &#x00E9;poca.</p>
<p>Esses estudos de Kanner e Asperger sobre autismo persuadiram a medicaliza&#x00E7;&#x00E3;o e a patologiza&#x00E7;&#x00E3;o, principalmente porque fizeram com que ele fosse considerado um transtorno m&#x00E9;dico e que eram necess&#x00E1;rias interven&#x00E7;&#x00F5;es para que deixasse de existir. A normatividade de corpos se vincula ao modelo nazista e colonizador que, de certa forma, colabora para o modelo m&#x00E9;dico da defici&#x00EA;ncia. Ou seja, o modelo m&#x00E9;dico envolve a transforma&#x00E7;&#x00E3;o do autismo de uma diferen&#x00E7;a neurocognitiva para uma condi&#x00E7;&#x00E3;o a ser tratada e corrigida. Com base nas ideologias culturais e suas influ&#x00EA;ncias, apresentaram a ideia dominante de eugenia racial e neurol&#x00F3;gica, culminando na cria&#x00E7;&#x00E3;o do DSM por um pa&#x00ED;s com base imperialista e colonizadora<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>.</p>
<p>A defini&#x00E7;&#x00E3;o e a categoriza&#x00E7;&#x00E3;o do autismo foram prejudicadas pelo DSM e pelo CID, o que aumentou o capacitismo e o papel do poder e privil&#x00E9;gio na determina&#x00E7;&#x00E3;o de quem define o que &#x00E9; considerado &#x201C;normal&#x201D; ou &#x201C;anormal&#x201D;. Neste ponto, se coloca a cr&#x00ED;tica: se estivessem num movimento de valida&#x00E7;&#x00E3;o das narrativas autistas, teriam buscado as pessoas que experienciam essa condi&#x00E7;&#x00E3;o, dando-lhes o protagonismo no que se refere &#x00E0; descri&#x00E7;&#x00E3;o do que significa viver com essa experi&#x00EA;ncia, em vez de patologiz&#x00E1;-la. Por&#x00E9;m, cabe ressaltar que n&#x00E3;o basta apenas ser autista para ter a consci&#x00EA;ncia do capacitismo, &#x00E9; necess&#x00E1;rio o conhecimento sobre a hist&#x00F3;ria e como essas viol&#x00EA;ncias que produzem a patologiza&#x00E7;&#x00E3;o, o encarceramento, a esteriliza&#x00E7;&#x00E3;o e a normaliza&#x00E7;&#x00E3;o afetam cotidianamente autistas desde o processo de demarca&#x00E7;&#x00E3;o do autismo como uma doen&#x00E7;a.</p>
<p>Dentro da perspectiva de protagonismo autista, <xref ref-type="bibr" rid="ref-38-2174">Nicolau e Assis (2023)</xref> apontam para a necessidade da representa&#x00E7;&#x00E3;o social autista, no movimento de ocupa&#x00E7;&#x00E3;o de espa&#x00E7;os e valida&#x00E7;&#x00E3;o de suas experi&#x00EA;ncias. Os autores colocam que &#x00E9; imprescind&#x00ED;vel criticar os manuais diagn&#x00F3;sticos por sua falta de representatividade e sensibilidade cultural, justamente pela falta de considera&#x00E7;&#x00E3;o das experi&#x00EA;ncias e perspectivas de comunidades marginalizadas. Para que a contracoloniza&#x00E7;&#x00E3;o e decoloniza&#x00E7;&#x00E3;o aconte&#x00E7;am, &#x00E9; necess&#x00E1;rio introduzir perspectivas decoloniais sobre sa&#x00FA;de mental e neurodiversidade, que questionam as narrativas dominantes e prop&#x00F5;em abordagens mais inclusivas e culturalmente sens&#x00ED;veis para compreender e apoiar pessoas autistas, neurodivergentes e com defici&#x00EA;ncia.</p>
</sec>
</sec>
<sec id="sec-7-2174">
<title>A <sc>coloniza&#x00E7;&#x00E3;o do autismo no</sc> B<sc>rasil</sc></title>
<p>A hist&#x00F3;ria da coloniza&#x00E7;&#x00E3;o do autismo leva a refletir sobre outras formas de opress&#x00E3;o e viol&#x00EA;ncia institucionalizada. No Brasil, durante o per&#x00ED;odo de 1903 a 1980, ocorreu o que ficou conhecido como Holocausto Brasileiro, marcado pela viol&#x00EA;ncia e neglig&#x00EA;ncia nos manic&#x00F4;mios. Neste texto, centraremos nossa an&#x00E1;lise com base no Hospital Col&#x00F4;nia de Barbacena, em Minas Gerais.</p>
<p>A hist&#x00F3;ria do Hospital Col&#x00F4;nia de Barbacena &#x00E9; um cap&#x00ED;tulo sombrio na hist&#x00F3;ria da sa&#x00FA;de mental no Brasil. Este hospital, inaugurado em 1903, come&#x00E7;ou como uma institui&#x00E7;&#x00E3;o para tratar pessoas neurodivergentes e com defici&#x00EA;ncia, mas logo se tornou um lugar de horror e sofrimento. Ao longo das d&#x00E9;cadas, milhares de pacientes foram internados l&#x00E1;, muitos contra sua vontade e sem receber o tratamento adequado. Em vez disso, enfrentaram condi&#x00E7;&#x00F5;es desumanas, abuso f&#x00ED;sico e emocional, neglig&#x00EA;ncia e at&#x00E9; mesmo tortura.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="ref-22-2174">Naiara Gort&#x00E1;zar (2021)</xref> apresenta fatos sobre o Hospital Col&#x00F4;nia que o assemelha aos campos de concentra&#x00E7;&#x00E3;o nazista, e destaca que este local era como um cemit&#x00E9;rio. Por anos n&#x00E3;o houve profissionais da sa&#x00FA;de, mas apenas guardas que cumpriam sua miss&#x00E3;o de tratamento: &#x201C;comprimidos azuis ou rosas em fun&#x00E7;&#x00E3;o dos sintomas, al&#x00E9;m de eletrochoques e lobotomia, como mandava ent&#x00E3;o a medicina&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-22-2174">Gort&#x00E1;zar, 2021</xref>). O Col&#x00F4;nia n&#x00E3;o era um espa&#x00E7;o de cuidado, era de morte. Neste lugar, enfrentou-se problemas de superlota&#x00E7;&#x00E3;o e falta de espa&#x00E7;o para dormir, levando &#x00E0; morte mais de 1.800 pessoas.</p>
<p>No Hospital Col&#x00F4;nia, desde o s&#x00E9;culo XX, as interna&#x00E7;&#x00F5;es n&#x00E3;o seguiam crit&#x00E9;rios m&#x00E9;dicos adequados, fato que resultou em cerca de 70% dos pacientes n&#x00E3;o sendo neurodivergentes ou com defici&#x00EA;ncia. Em uma entrevista a GloboNews de 2013, Daniela Arbex destacou que apenas 30% dos internados se enquadravam nesses crit&#x00E9;rios (<xref ref-type="bibr" rid="ref-27-2174">Lima, 2024</xref>). O Col&#x00F4;nia, conforme Arbex, tornou-se um destino para uma ampla gama de pessoas marginalizadas e todos aqueles considerados indesejados. A teoria eugenista sustentava a ideia de limpeza social e justificava os abusos no hospital como uma maneira de purificar a sociedade, removendo aqueles considerados como esc&#x00F3;ria para um local longe da vista p&#x00FA;blica.</p>
<p>Pelos estudos da autora, seria poss&#x00ED;vel entender que o espa&#x00E7;o foi designado exclusivamente para a eugenia, tanto quanto ao seu suporte f&#x00ED;sico, quanto &#x00E0; sua organiza&#x00E7;&#x00E3;o. Segundo seus dados, mais de 5 mil pacientes ocupavam o Hospital Col&#x00F4;nia em 1930, e entre 1930&#x2013;1980, foram mortas mais de 60 mil pessoas naquele lugar, dos quais apenas 200 sobreviveram e puderam contar suas narrativas. <xref ref-type="bibr" rid="ref-3-2174">Daniela Arbex (2013)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="ref-22-2174">Gort&#x00E1;zar (2021)</xref> apresentaram que h&#x00E1; uma semelhan&#x00E7;a aos campos de concentra&#x00E7;&#x00E3;o, ao projeto T4, e &#x00E0; Solu&#x00E7;&#x00E3;o Final.</p>
<p>Da mesma forma que foram depositados e esquecidos os pacientes no Hospital Col&#x00F4;nia, o mesmo procedimento semelhante ocorreu no centro de morte de Spiegelgrund. Os corpos das pessoas que existiram no Col&#x00F4;nia, em Spiegelgrund e outras institui&#x00E7;&#x00F5;es n&#x00E3;o pertenciam a elas mesmas, mas a essas popula&#x00E7;&#x00F5;es que acreditam ter o direito de domina&#x00E7;&#x00E3;o e ditadura sobre corpos. E essa domina&#x00E7;&#x00E3;o continua at&#x00E9; a atualidade quando se trata de autistas.</p>
<p>No cen&#x00E1;rio brasileiro atual, est&#x00E1; se fortalecendo um movimento cunhado por <xref ref-type="bibr" rid="ref-6-2174">Alicia Broderick (2022)</xref> e contextualizado por <xref ref-type="bibr" rid="ref-17-2174">Amanda Fernandes et al. (2024)</xref> de ind&#x00FA;stria do autismo. Esse termo &#x00E9; conceituado devido ao mercado que est&#x00E1; envolvendo o autismo, quando, atrav&#x00E9;s dos setores econ&#x00F4;micos p&#x00FA;blicos e privados, se desenvolvem pr&#x00E1;ticas mercadol&#x00F3;gicas para cl&#x00ED;nicas com destina&#x00E7;&#x00E3;o espec&#x00ED;fica ao diagn&#x00F3;stico de TEA<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>, forma&#x00E7;&#x00E3;o de pais e profissionais, desenvolvimento de produtos/bens de consumo e estrat&#x00E9;gias de marketing.</p>
<p>Atualmente, essa ind&#x00FA;stria do autismo est&#x00E1; separada nas esferas municipais, estaduais e federais e na privada (cl&#x00ED;nicas e demais servi&#x00E7;os oferecidos aos autistas e suas fam&#x00ED;lias no &#x00E2;mbito privado?). No &#x00E2;mbito p&#x00FA;blico, est&#x00E1; se destinando recursos para fomentar os &#x201C;Centros de Aten&#x00E7;&#x00E3;o Psicossocial infantojuvenis (CAPSij), como l&#x00F3;cus privilegiado de cuidado para autistas, e outra definindo as institui&#x00E7;&#x00F5;es da &#x00E1;rea de reabilita&#x00E7;&#x00E3;o, os Centros Especializados em Reabilita&#x00E7;&#x00E3;o (CER), para este fim&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-17-2174">Fernandes et al., 2024</xref>, p. 6). Estes centros foram organizados na legisla&#x00E7;&#x00E3;o, em 2013, e se mant&#x00EA;m at&#x00E9; atualmente. Eles tiveram documentos de apoio para suas pr&#x00E1;ticas, sendo &#x201C;Diretrizes de Aten&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0; Reabilita&#x00E7;&#x00E3;o da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA)&#x201D;, de 2014, e &#x201C;Linha de cuidado para a aten&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0;s pessoas com transtornos do espectro do autismo e suas fam&#x00ED;lias na Rede de Aten&#x00E7;&#x00E3;o Psicossocial do Sistema &#x00DA;nico de Sa&#x00FA;de&#x201D;, de 2015, do <xref ref-type="bibr" rid="ref-35-2174">Minist&#x00E9;rio da Sa&#x00FA;de (2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref-36-2174">2015</xref>).</p>
<p>Com isso, estes centros s&#x00E3;o organizados a partir da esfera p&#x00FA;blica, os quais obtiveram recursos federais para a sua cont&#x00ED;nua implementa&#x00E7;&#x00E3;o. Em 2023, houve um investimento de 540 milh&#x00F5;es de reais para a constru&#x00E7;&#x00E3;o de 120 N&#x00FA;cleos Especializados em Autismo vinculados ao CER (<xref ref-type="bibr" rid="ref-8-2174">Collucci, 2024</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref-17-2174">Fernandes et al., 2024</xref>). Todavia, a aus&#x00EA;ncia de investimento semelhante nos CAPSij levanta questionamentos. A estagna&#x00E7;&#x00E3;o na habilita&#x00E7;&#x00E3;o de novos CAPSij entre 2019 e 2022, reflexo da oposi&#x00E7;&#x00E3;o da gest&#x00E3;o federal &#x00E0; pol&#x00ED;tica de aten&#x00E7;&#x00E3;o psicossocial, contrasta com o aporte de R$ 344 milh&#x00F5;es destinados aos CAPS em setembro de 2023. Essa discrep&#x00E2;ncia revela a prioriza&#x00E7;&#x00E3;o do Governo Federal em rela&#x00E7;&#x00E3;o aos cuidados com a sa&#x00FA;de mental de crian&#x00E7;as e adolescentes autistas, segundo <xref ref-type="bibr" rid="ref-17-2174">Fernandes et al. (2024)</xref>.</p>
<p>A prioriza&#x00E7;&#x00E3;o de crian&#x00E7;as e adolescentes autistas, dentro de centros que visam &#x00E0; reabilita&#x00E7;&#x00E3;o e &#x00E0; abordagem psicossocial, traz a quest&#x00E3;o pontuada, ao longo do artigo, de necessidade de normaliza&#x00E7;&#x00E3;o de corpos, aspirando a uma capacidade compuls&#x00F3;ria (<xref ref-type="bibr" rid="ref-34-2174">McRuer, 2006</xref>) para a produ&#x00E7;&#x00E3;o e encaixe no sistema capitalista neoliberal (<xref ref-type="bibr" rid="ref-21-2174">Gesser e Moraes, 2023</xref>). Isso corrobora os dados apresentados por <xref ref-type="bibr" rid="ref-17-2174">Fernandes et al. (2024)</xref>, quando sugerem uma conex&#x00E3;o com a l&#x00F3;gica de mercado, que influencia a maneira como o autismo &#x00E9; compreendido, tratado e integrado aos sistemas financeiros p&#x00FA;blicos e privados, entendido comumente como um transtorno e uma patologia, a qual deve ser curada e tratada.</p>
<p>No contexto brasileiro, observa-se que o mercado relacionado ao autismo tem se expandido por diversos setores econ&#x00F4;micos. Isso inclui iniciativas no setor privado, como o aumento de cl&#x00ED;nicas especializadas para autistas, a oferta de diversos cursos para pais e familiares, e os gastos com planos de sa&#x00FA;de espec&#x00ED;ficos. Al&#x00E9;m disso, h&#x00E1; esfor&#x00E7;os no setor filantr&#x00F3;pico, como a cria&#x00E7;&#x00E3;o de servi&#x00E7;os voltados exclusivamente para o diagn&#x00F3;stico do TEA, e uma crescente oferta de produtos e bens de consumo direcionados a esse p&#x00FA;blico, como vitaminas, acess&#x00F3;rios, eletr&#x00F4;nicos, mob&#x00ED;lia e brinquedos (ver mais detalhes em <xref ref-type="bibr" rid="ref-17-2174">Fernandes et al., 2024</xref>). Outra manifesta&#x00E7;&#x00E3;o relevante &#x00E9; o uso do autismo como estrat&#x00E9;gia de marketing, com o uso da fita de quebra-cabe&#x00E7;a, o slogan e selo &#x201C;amigo do autista&#x201D;, cores que identificam o quebra-cabe&#x00E7;a, empresas hoteleiras, turismo, entre outros (<xref ref-type="bibr" rid="ref-8-2174">Collucci, 2024</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref-17-2174">Fernandes et al., 2024</xref>).</p>
<p>Diante do crescimento da ind&#x00FA;stria do autismo e com a cria&#x00E7;&#x00E3;o de leis municipais, estaduais e federais, &#x00E9; mister ressaltar que essa movimenta&#x00E7;&#x00E3;o n&#x00E3;o garante, por si s&#x00F3;, a qualidade do cuidado oferecido a autistas, a supera&#x00E7;&#x00E3;o dos obst&#x00E1;culos de acesso &#x00E0; sa&#x00FA;de ou a resolu&#x00E7;&#x00E3;o das desigualdades que ainda persistem no Brasil. Desta forma, vale ressaltar que essa ind&#x00FA;stria direciona as novas formas de coloniza&#x00E7;&#x00E3;o do autismo por meio da utiliza&#x00E7;&#x00E3;o da defici&#x00EA;ncia como uma forma de lucro, de tentativa de cura e conserto, em vez de acolhimento e desenvolvimento de pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas de acessibilidade, inclus&#x00E3;o e eticamente cuidadosas a autistas.</p>
<p>Este cen&#x00E1;rio, al&#x00E9;m de colonizador e perigoso, tamb&#x00E9;m tem se mostrado desastroso quando o fen&#x00F4;meno tem impulsionado um mercado despreparado para atender &#x00E0;s demandas e necessidades de autistas. Um exemplo deste feito &#x00E9; a reportagem da Folha de S&#x00E3;o Paulo que apresentou o cancelamento em massa de planos de sa&#x00FA;de de autistas por uma &#x201C;diferen&#x00E7;a extrema entre despesa e receita&#x201D;, segundo <xref ref-type="bibr" rid="ref-9-2174">Cl&#x00E1;udia Collucci e Danielle Castro (2024)</xref>. Al&#x00E9;m disso, pela precariza&#x00E7;&#x00E3;o da sa&#x00FA;de, muitas fam&#x00ED;lias de autistas est&#x00E3;o buscando atendimentos e cuidados na rede particular, a qual tem criado cl&#x00ED;nicas exclusivas para autistas, &#x201C;contrariando a pol&#x00ED;tica de sa&#x00FA;de mental do SUS, que preconiza cuidados comunit&#x00E1;rios e intersetoriais&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-42-2174">Plox, 2024</xref>).</p>
<p>A precariza&#x00E7;&#x00E3;o do SUS &#x2014; incluindo o alcance e a capacita&#x00E7;&#x00E3;o de profissionais (<xref ref-type="bibr" rid="ref-61-2174">Zvarick, 2024</xref>) &#x2014; influencia o fortalecimento da rede privada de sa&#x00FA;de que se organizar&#x00E1; para atender &#x00E0;s necessidades de autistas que n&#x00E3;o est&#x00E3;o sendo atendidas pelo Estado (<xref ref-type="bibr" rid="ref-8-2174">Collucci, 2024</xref>). Com isso, a incid&#x00EA;ncia do aumento de diagn&#x00F3;sticos n&#x00E3;o est&#x00E1; condizente aos servi&#x00E7;os prestados pelo Estado, colocando em pr&#x00E1;tica a constru&#x00E7;&#x00E3;o de novas leis. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="ref-8-2174">Collucci (2024)</xref>, &#x201C;na C&#x00E2;mara dos Deputados, por exemplo, existem mais de 300 propostas em tramita&#x00E7;&#x00E3;o. S&#x00F3; em 2023, foram 118, muitas dissociadas das pol&#x00ED;ticas de sa&#x00FA;de mental e que n&#x00E3;o conversam entre si&#x201D; (par&#x00E1;grafo 20).</p>
<p>O desnivelamento entre necessidades de cuidados para autistas que valorizem e desejem a defici&#x00EA;ncia (<xref ref-type="bibr" rid="ref-25-2174">Kafer, 2013</xref>) e a oferta de servi&#x00E7;os promulga formas de coloniza&#x00E7;&#x00E3;o do autismo. Uma vez que o setor p&#x00FA;blico n&#x00E3;o assegura suas pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas, o setor privado tentar&#x00E1; e ir&#x00E1; comercializar o autismo, tornando a defici&#x00EA;ncia um lucro (<xref ref-type="bibr" rid="ref-39-2174">Nublat, 2024</xref>).</p>
</sec>
<sec id="sec-8-2174">
<title>A<sc>utismo e eugenia</sc></title>
<p>O processo de coloniza&#x00E7;&#x00E3;o do autismo no Brasil e no mundo se constitui atrav&#x00E9;s de pr&#x00E1;ticas eugenistas, uma vez que o capitalismo influencia o modelo m&#x00E9;dico em barrar a degenera&#x00E7;&#x00E3;o gen&#x00E9;tica, moral e social (<xref ref-type="bibr" rid="ref-44-2174">Rafter, 1988</xref>). As pessoas consideradas inferiores s&#x00E3;o usadas como justificativa para pol&#x00ED;ticas eugenistas, como a segrega&#x00E7;&#x00E3;o e a esteriliza&#x00E7;&#x00E3;o for&#x00E7;ada, com o objetivo de impedir a suposta propaga&#x00E7;&#x00E3;o de caracter&#x00ED;sticas indesej&#x00E1;veis, no caso, da n&#x00E3;o continuidade de caracter&#x00ED;sticas aut&#x00ED;sticas.</p>
<p>Diante de pol&#x00ED;ticas eugenistas, a coloniza&#x00E7;&#x00E3;o do autismo considera que corpos autistas s&#x00E3;o inferiores socialmente e, consequentemente, posiciona as ditaduras da normatividade e perfei&#x00E7;&#x00E3;o como norteadores destas pol&#x00ED;ticas. O autismo &#x00E9; indesejado e continuar&#x00E1; sendo enquanto houver coloniza&#x00E7;&#x00E3;o destes corpos. O estudo de <xref ref-type="bibr" rid="ref-1-2174">Maayan Agmon et al. (2016)</xref> posiciona Israel no maior ranking de abortos de embri&#x00F5;es imperfeitos, continuando a ideia do Holocausto e a forma&#x00E7;&#x00E3;o de corpos estritamente perfeitos e sem defici&#x00EA;ncias. Na mesma dire&#x00E7;&#x00E3;o, <xref ref-type="bibr" rid="ref-49-2174">Alok Sharma et al. (2020)</xref> descobriram que o transplante de c&#x00E9;lulas mononucleares da medula &#x00F3;ssea aut&#x00F3;loga combinado com neuroreabilita&#x00E7;&#x00E3;o pode modificar o c&#x00E9;rebro de autistas, sugerindo ser uma forma de tratamento promissora para &#x201C;melhorar&#x201D; sua qualidade de vida e integra&#x00E7;&#x00E3;o social. Por outro lado, <xref ref-type="bibr" rid="ref-23-2174">Derek Hong e Lilia Iakoucheva (2023)</xref> discutem o uso da tecnologia CRISPR para editar o DNA de autistas, visando aliviar sintomas sociais, cognitivos e comportamentais, enquanto <xref ref-type="bibr" rid="ref-52-2174">Geeta Shroff (2017)</xref> destaca o potencial das c&#x00E9;lulas-tronco embrion&#x00E1;rias humanas para melhorar uma variedade de sintomas autistas, incluindo coordena&#x00E7;&#x00E3;o, escrita, equil&#x00ED;brio, cogni&#x00E7;&#x00E3;o e habilidades sociais.</p>
<p>Juntamente a esses estudos, pode-se sugerir a reflex&#x00E3;o das necessidades por tr&#x00E1;s dos exterm&#x00ED;nios das caracter&#x00ED;sticas aut&#x00ED;sticas. Em contrapartida a esses estudos, o estudo de <xref ref-type="bibr" rid="ref-33-2174">Kelly McGuire et al. (2015)</xref> aponta para a maior incid&#x00EA;ncia de internamentos de autistas por desafios emocionais ou comportamentais graves, como agress&#x00E3;o f&#x00ED;sica ou autoles&#x00E3;o, que necessitam de avalia&#x00E7;&#x00E3;o e tratamento em unidades psiqui&#x00E1;tricas, influenciados pelo ambiente e fatores gen&#x00E9;ticos. Al&#x00E9;m do artigo da Spectrum (<xref ref-type="bibr" rid="ref-32-2174">McCarty, 2022</xref>, par&#x00E1;grafo 01) sinalizar que, &#x201C;aproximadamente, 32% das mulheres autistas s&#x00E3;o hospitalizadas por uma condi&#x00E7;&#x00E3;o psiqui&#x00E1;trica at&#x00E9; os 25 anos, uma fra&#x00E7;&#x00E3;o seis vezes maior do que para mulheres [alistas] e quase o dobro dos homens autistas.&#x201D; (2022, tradu&#x00E7;&#x00E3;o livre para o portugu&#x00EA;s).</p>
<p>Segundo a Centers for Disease Control and Prevention (CDC), houve um aumento de 25% de diagn&#x00F3;sticos de autismo, sendo 1 para 36 crian&#x00E7;as atualmente (<xref ref-type="bibr" rid="ref-30-2174">Maenner et al., 2020</xref>). Atualmente, na Inglaterra, h&#x00E1; um total de 2.030 pessoas autistas e com defici&#x00EA;ncia intelectual internadas em hospitais psiqui&#x00E1;tricos, o que corrobora o dado apresentado por <xref ref-type="bibr" rid="ref-30-2174">Matthew J. Maenner et al. (2020)</xref>. Dessas, 1.280, 63%, s&#x00E3;o autistas. Al&#x00E9;m disso, existem 205 menores de 18 anos em unidades de interna&#x00E7;&#x00E3;o que s&#x00E3;o autistas ou t&#x00EA;m defici&#x00EA;ncia intelectual, sendo que 95% deles s&#x00E3;o autistas (<xref ref-type="bibr" rid="ref-54-2174">The National Autistic Society, 2023</xref>). Desta forma, &#x00E9; necess&#x00E1;rio um debate para verificar se os estudos para &#x201C;melhoria/al&#x00ED;vio&#x201D; das caracter&#x00ED;sticas aut&#x00ED;sticas para conv&#x00ED;vio em sociedade s&#x00E3;o, de fato, melhorias, ou apenas mais um movimento camuflado de eugenia.</p>
<p>Dados da Autistica (<xref ref-type="bibr" rid="ref-7-2174">Cassidy, 2017</xref>), da International Society for Autism Research (<xref ref-type="bibr" rid="ref-24-2174">INSAR, 2021</xref>) e de <xref ref-type="bibr" rid="ref-37-2174">Victoria Newell et al. (2023)</xref> apontam que, dentre autistas do Reino Unido, 66% dos adultos autistas j&#x00E1; consideraram o suic&#x00ED;dio, e uma porcentagem de 35% j&#x00E1; realizou tentativas de suic&#x00ED;dio. Apesar de apenas 1% da popula&#x00E7;&#x00E3;o do Reino Unido ser autista, at&#x00E9; 15% das pessoas hospitalizadas ap&#x00F3;s tentativas de suic&#x00ED;dio s&#x00E3;o autistas (<xref ref-type="bibr" rid="ref-7-2174">Cassidy, 2017</xref>). O assunto de suic&#x00ED;dio entre autistas &#x00E9; negligenciado globalmente, com estudos mostrando at&#x00E9; sete vezes mais risco de suic&#x00ED;dio em autistas, especialmente mulheres, com treze vezes maiores. Barreiras como falta de ferramentas de avalia&#x00E7;&#x00E3;o e acesso a servi&#x00E7;os de sa&#x00FA;de mental impedem o acolhimento, a compreens&#x00E3;o e a inclus&#x00E3;o de pessoas autistas. &#x00C9; crucial remover essas barreiras e desenvolver pol&#x00ED;ticas e interven&#x00E7;&#x00F5;es adequadas &#x00E0;s necessidades singulares dos autistas, envolvendo-os ativamente no processo de desenvolvimento.</p>
<p>Diante do que foi exposto sobre as atrocidades e viol&#x00EA;ncias institucionalizadas enfrentadas por autistas e pessoas com defici&#x00EA;ncia em hospitais psiqui&#x00E1;tricos e centros de morte, &#x00E9; imprescind&#x00ED;vel direcionar o olhar para a transforma&#x00E7;&#x00E3;o e a luta antimanicomial, o que requer desafiar as estruturas coloniais e capacitistas no campo da sa&#x00FA;de mental mundial, buscando enfraquecer o discurso das popula&#x00E7;&#x00F5;es dominantes e da hierarquiza&#x00E7;&#x00E3;o do modelo m&#x00E9;dico.</p>
</sec>
<sec id="sec-9-2174">
<title>C<sc>onsidera&#x00E7;&#x00F5;es finais</sc></title>
<p>As coloniza&#x00E7;&#x00F5;es existentes sobre o autismo fomentam as hierarquias de grupos dominantes e opressores que perpetuam regimes visando &#x00E0; higieniza&#x00E7;&#x00E3;o destes corpos indesejados socialmente. Por isso, a necessidade de trazer a decoloniza&#x00E7;&#x00E3;o como perspectiva para enfraquecer os discursos, pr&#x00E1;ticas e estruturas coloniais &#x00E9; para que seja poss&#x00ED;vel vislumbrar um mundo no qual o autismo n&#x00E3;o seja alvo de pol&#x00ED;ticas eugenistas, mas de pol&#x00ED;ticas afirmativas e de inclus&#x00E3;o.</p>
<p>A an&#x00E1;lise da hist&#x00F3;ria do autismo indica a import&#x00E2;ncia de decoloniz&#x00E1;-lo, ou seja, promover estrat&#x00E9;gias de resist&#x00EA;ncia &#x00E0; imposi&#x00E7;&#x00E3;o de valores e normas opressoras e segregadoras de pessoas autistas. Significa, tamb&#x00E9;m, promover coaliz&#x00F5;es entre autistas e outros grupos marginalizados pelo sistema moderno colonial. Reconhecer a hist&#x00F3;ria de coloniza&#x00E7;&#x00E3;o do autismo fortalece a luta anticapacitista e fomenta a import&#x00E2;ncia da constru&#x00E7;&#x00E3;o do protagonismo autista. Isso inclui combater o diagn&#x00F3;stico patologizante do autismo, enfrentar a medicaliza&#x00E7;&#x00E3;o da condi&#x00E7;&#x00E3;o e promover transforma&#x00E7;&#x00F5;es sociais que decolonizem todas as defici&#x00EA;ncias. &#x00C9; essencial que a sociedade veja as diferen&#x00E7;as como parte integrante da humanidade, n&#x00E3;o como motivo para exclus&#x00E3;o ou discrimina&#x00E7;&#x00E3;o. Isso requer uma resist&#x00EA;ncia &#x00E0; normatividade e ao sujeito universal em todas as &#x00E1;reas, incluindo sa&#x00FA;de, educa&#x00E7;&#x00E3;o e trabalho, al&#x00E9;m de alian&#x00E7;as com outras lutas contra a colonialidade.</p>
<p>A luta pela decoloniza&#x00E7;&#x00E3;o n&#x00E3;o se limita ao passado, mas continua sendo uma batalha direcionada para o presente. O futuro da decoloniza&#x00E7;&#x00E3;o do autismo depende da continuidade dos esfor&#x00E7;os das pessoas para com o movimento de emancipa&#x00E7;&#x00E3;o defi&#x00E7;a, valoriza&#x00E7;&#x00E3;o das diferentes realidades, necessidades e do compromisso com a perspectiva decolonial. N&#x00E3;o cabe apenas reconhecer o capacitismo e o colonialismo, &#x00E9; necess&#x00E1;rio ser anticapacitista e decolonial.</p>
</sec>
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<back>
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<fn id="fn1" fn-type="other"><label>1</label> <p>Cabe ressaltar que, mesmo que Kanner tenha sido considerado o fundador da psiquiatria infantil nos EUA, eles n&#x00E3;o deixaram de considerar os estudos nazistas de Asperger para patologizar o autismo.</p></fn>
<fn id="fn2" fn-type="other"><label>2</label> <p>Para fins de compreens&#x00E3;o deste artigo, utiliza-se &#x201C;TEA&#x201D; (Transtorno do Espectro Autista) quando se faz refer&#x00EA;ncia ao modelo m&#x00E9;dico e diagn&#x00F3;stico, e &#x201C;autismo&#x201D; para se referir ao modelo social da defici&#x00EA;ncia, neurodiverg&#x00EA;ncia e identidade autista.</p></fn>
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<title>R<sc>efer&#x00EA;ncias</sc></title>
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