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<journal-title>Quaderns de Psicologia</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">qpsicologia</abbrev-journal-title>
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<issn pub-type="ppub">0211-3481</issn>
<issn pub-type="epub">2014-4520</issn>
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<publisher-name>Universitat Aut&#x00F2;noma de Barcelona</publisher-name>
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<article-id pub-id-type="publisher-id">QPs.1975</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.5565/rev/qpsicologia.1975</article-id>
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<subject>Articles</subject>
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<article-title><bold>A Autoles&#x00E3;o N&#x00E3;o Suicida em idade escolar: uma agress&#x00E3;o que conforta?</bold></article-title>
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<trans-title xml:lang="en"><italic>Non suicidal self - injury at school age: an aggression that comforts?</italic></trans-title>
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<surname>Lorenzetti</surname>
<given-names>Laura</given-names>
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<p>Graduada em Psicologia e Mestre em Psicologia como Ci&#x00EA;ncia e Profiss&#x00E3;o pela Pontif&#x00ED;cia Universidade Cat&#x00F3;lica de Campinas (PUC-Campinas). Atualmente &#x00E9; doutoranda em Psicologia como Ci&#x00EA;ncia e profiss&#x00E3;o e integrante do Grupo de estudos e Pesquisa - Avalia&#x00E7;&#x00E3;o e Interven&#x00E7;&#x00E3;o Psicossocial: preven&#x00E7;&#x00E3;o, comunidade, liberta&#x00E7;&#x00E3;o (GEP-InPsi).</p></bio>
<email>lhaura92@gmail.com</email>
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<surname>Lobo Guzzo</surname>
<given-names>Raquel Souza</given-names>
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<bio>
<p>Professora Titular da Pontif&#x00ED;cia Universidade Cat&#x00F3;lica de Campinas (PUC-Campinas) dos programas Gradua&#x00E7;&#x00E3;o e P&#x00F3;s-gradua&#x00E7;&#x00E3;o em Psicologia e orientadora do Grupo de estudos e Pesquisa - Avalia&#x00E7;&#x00E3;o e Interven&#x00E7;&#x00E3;o Psicossocial: preven&#x00E7;&#x00E3;o, comunidade, liberta&#x00E7;&#x00E3;o (GEP-InPsi). Possui P&#x00F3;s-doutorado em Psicologia conclu&#x00ED;do na University of Rochester - USA.</p></bio>
<email>rslguzzo@gmail.com</email>
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<institution content-type="original">Pontif&#x00ED;cia Universidade Cat&#x00F3;lica de Campinas</institution>
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<copyright-statement>&#x00A9; 2023 Els autors / The authors</copyright-statement>
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<license-p>Aquesta obra est&#x00E0; sota una llic&#x00E8;ncia internacional Creative Commons Reconeixement 4.0. CC BY</license-p>
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<abstract>
<title><bold>Resumo</bold></title>
<p>Trata-se de uma pesquisa qualitativa e documental que teve por objetivo compreender a Autoles&#x00E3;o N&#x00E3;o Suicida (ALNS) a partir de uma vis&#x00E3;o cr&#x00ED;tica da Psicologia, validando a perspectiva do sujeito que se autolesiona e elencar fatores de risco e prote&#x00E7;&#x00E3;o para incid&#x00EA;ncia do fen&#x00F4;meno. A partir da realiza&#x00E7;&#x00E3;o de encontros coletivos com estudantes mulheres que praticavam a ALNS, em uma escola Municipal de Ensino Fundamental, foram documentadas em di&#x00E1;rios de campo as a&#x00E7;&#x00F5;es e reflex&#x00F5;es oriundas desse espa&#x00E7;o. Utilizou-se da Metodologia construtiva-interpretativa para a organiza&#x00E7;&#x00E3;o e an&#x00E1;lise dos dados. A partir dos resultados, foi poss&#x00ED;vel identificar que o sofrimento psicol&#x00F3;gico &#x00E9; maior do que o sofrimento f&#x00ED;sico resultante das autoles&#x00F5;es e elencar fatores de risco e prote&#x00E7;&#x00E3;o para a incid&#x00EA;ncia do fen&#x00F4;meno, compreendendo a Autoles&#x00E3;o N&#x00E3;o Suicida como uma forma de enfrentamento frente aos sofrimentos da vida cotidiana permeada por conflitos e viol&#x00EA;ncia individuais, configurando-a como uma agress&#x00E3;o que conforta.</p>
</abstract>
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<title><bold><italic>Abstract</italic></bold></title>
<p><italic>This is qualitative documental research that aimed to understand Non-suicidal Self Injury (NSSI) from a critical view of Psychology, validating the perspective of the subject who self-injures and listing risk and protection factors for the incidence of the phenomenon. From the weekly meetings with female students who practiced NSSI, from a municipal elementary school, the actions and reflections arising from this space were documented in field diaries. Constructive-interpretative methodology was used for data organization and analysis. Based on the results, it was possible to identify, through the participants&#x2019; statements, that psychological suffering is greater than the physical suffering resulting from self-injury and to list risk and protection factors for the incidence of the phenomenon, understanding NSSI as a way of coping with suffering of everyday life permeated by individual conflicts and violence, configuring it as an aggression that comforts.</italic></p>
</trans-abstract>
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<title>Palavras-chave:</title>
<kwd><bold>Autoles&#x00E3;o N&#x00E3;o Suicida</bold></kwd>
<kwd><bold>Estudantes</bold></kwd>
<kwd><bold>Psicologia Cr&#x00ED;tica</bold></kwd>
<kwd><bold>Psicologia Escolar</bold></kwd>
<kwd><bold>Sofrimento ps&#x00ED;quico</bold></kwd>
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<title><italic>Keywords:</italic></title>
<kwd><bold><italic>Non-Suicidal Self Injury</italic></bold></kwd>
<kwd><bold><italic>Students</italic></bold></kwd>
<kwd><bold><italic>Critical Psychology</italic></bold></kwd>
<kwd><bold><italic>Psychic Suffering</italic></bold></kwd>
<kwd><bold><italic>School Psychology</italic></bold></kwd>
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<sec id="sec-1-1975" sec-type="intro">
<title><bold>I<sc>ntrodu&#x00E7;&#x00E3;o</sc></bold></title>
<p>O presente artigo &#x00E9; decorrente da disserta&#x00E7;&#x00E3;o de Mestrado (<xref ref-type="bibr" rid="ref-10-1975">Lorenzetti, 2021</xref>), ap&#x00F3;s tr&#x00EA;s anos de pr&#x00E1;tica da psicologia na escola, a partir do Espa&#x00E7;o de Conviv&#x00EA;ncia A&#x00E7;&#x00E3;o e Reflex&#x00E3;o (Projeto ECOAR, GEP-InPsi, 2023). O tema da Autoles&#x00E3;o fez-se presente pela quantidade de estudantes encaminhados pela gest&#x00E3;o e que se aproximaram da psic&#x00F3;loga no dia a dia da pr&#x00E1;tica, todas se referindo ao problema da Autoles&#x00E3;o N&#x00E3;o Suicida (ALNS). Dessa forma, o estudo delineou-se a partir de um objetivo: compreender o fen&#x00F4;meno da Autoles&#x00E3;o n&#x00E3;o suicida de uma forma cr&#x00ED;tica, a partir da perspectiva de estudantes que se auto lesionam. Na busca por dados de incid&#x00EA;ncia do fen&#x00F4;meno na base de dados SISNOV/SINAN (Sistema de Notifica&#x00E7;&#x00F5;es de viol&#x00EA;ncia) foi poss&#x00ED;vel encontrar dados referentes &#x00E0; viol&#x00EA;ncia autoprovocada, os quais est&#x00E3;o associados apenas a tentativas de suic&#x00ED;dio. Esse fato demonstra uma car&#x00EA;ncia na elabora&#x00E7;&#x00E3;o de estat&#x00ED;sticas referentes aos casos de ALNS no contexto escolar, o que dificulta uma an&#x00E1;lise da realidade referente ao fen&#x00F4;meno em quest&#x00E3;o. Dessa forma, s&#x00E3;o necess&#x00E1;rios estudos que contemplem o fen&#x00F4;meno em idade escolar, para que pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas sejam elaboradas e implementadas visando a preven&#x00E7;&#x00E3;o da ALNS.</p>
<p>&#x00C9; importante relatar que, com o Decreto n&#x00BA; 10.225 de 2020, foi institu&#x00ED;do o Comit&#x00EA; Gestor, destinado a implementar a Pol&#x00ED;tica Nacional de Preven&#x00E7;&#x00E3;o da Automutila&#x00E7;&#x00E3;o e Suic&#x00ED;dio, com o intuito de fortalecer estrat&#x00E9;gias de preven&#x00E7;&#x00E3;o, cuidado, educa&#x00E7;&#x00E3;o e sa&#x00FA;de. Segundo o Art. 11&#x00BA;, se&#x00E7;&#x00E3;o II do decreto, uma das medidas adotadas &#x00E9; a notifica&#x00E7;&#x00E3;o compuls&#x00F3;ria das ocorr&#x00EA;ncias de autoles&#x00E3;o nas institui&#x00E7;&#x00F5;es p&#x00FA;blicas do pa&#x00ED;s (Decreto n&#x00BA; 10.225, de 5 de fevereiro de 2020). Tendo em vista o quanto o Decreto n&#x00BA; 10.225 &#x00E9; atual e, diante do cen&#x00E1;rio de pandemia com suspens&#x00E3;o das aulas presenciais, o Brasil segue sem dados espec&#x00ED;ficos sobre o n&#x00FA;mero de jovens que se auto lesionam em idade escolar. Assim, &#x00E9; poss&#x00ED;vel perceber o car&#x00E1;ter recente da conscientiza&#x00E7;&#x00E3;o acerca da autoles&#x00E3;o como um tema que precisa de aten&#x00E7;&#x00E3;o e pesquisa. Faz-se necess&#x00E1;ria a busca por dados que favore&#x00E7;am a compreens&#x00E3;o do fen&#x00F4;meno, o que justifica a realiza&#x00E7;&#x00E3;o de pesquisa sobre essa tem&#x00E1;tica no contexto das escolas.</p>
<sec id="sec-2-1975">
<title><bold>A Autoles&#x00E3;o N&#x00E3;o Suicida (ALNS): reflex&#x00F5;es sobre o fen&#x00F4;meno</bold></title>
<p>Esse fen&#x00F4;meno foi descrito, pela primeira vez, como Automutila&#x00E7;&#x00E3;o, em 1938, pelo Psiquiatra Karl Menninger, em seu livro <italic>Man Against himself,</italic> no qual a automutila&#x00E7;&#x00E3;o seria uma a&#x00E7;&#x00E3;o tranquilizadora utilizada pelo indiv&#x00ED;duo para evitar o suic&#x00ED;dio. Ana <xref ref-type="bibr" rid="ref-5-1975">Karla Garreto (2015)</xref>, afirma que, apenas nos anos 1970, o fen&#x00F4;meno tornou-se interesse cl&#x00ED;nico dos psiquiatras e psic&#x00F3;logos, passando a ser alvo de pesquisas. Na revis&#x00E3;o de literatura (<xref ref-type="bibr" rid="ref-15-1975">Silbiger, 2021</xref>), foi poss&#x00ED;vel identificar um aumento de interesse por parte da comunidade cient&#x00ED;fica para a compreens&#x00E3;o do fen&#x00F4;meno, a qual ainda apresenta uma certa fragilidade em rela&#x00E7;&#x00E3;o ao conhecimento referente a ALNS. Para Daniely Kamazaki e Ana Cristina Dias (2019), h&#x00E1; uma car&#x00EA;ncia de estudos no Brasil que exemplifiquem interven&#x00E7;&#x00F5;es com amostras brasileiras e a cria&#x00E7;&#x00E3;o de protocolos de a&#x00E7;&#x00E3;o com a popula&#x00E7;&#x00E3;o que se engaja na ALNS.</p>
<p>A ALNS &#x00E9; definida como um ato deliberado e autoinfligido de causar dano a um tecido do corpo sem inten&#x00E7;&#x00E3;o suicida e com um prop&#x00F3;sito que n&#x00E3;o seja social ou cultural (<xref ref-type="bibr" rid="ref-1-1975">Adler e Adler, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref-8-1975">Klonsky et al., 2014</xref>) Dentro dessa defini&#x00E7;&#x00E3;o, a ISSS destaca algumas considera&#x00E7;&#x00F5;es importantes: &#x00E9; uma viol&#x00EA;ncia intencional que possui consequ&#x00EA;ncias esperadas. Comportamentos de risco que podem resultar em danos ao indiv&#x00ED;duo, n&#x00E3;o entram nessa defini&#x00E7;&#x00E3;o. Por isso, a autoles&#x00E3;o sempre resultar&#x00E1; em um dano f&#x00ED;sico imediato, como cortes, escoria&#x00E7;&#x00F5;es, feridas etc. A&#x00E7;&#x00F5;es que n&#x00E3;o apresentam essas caracter&#x00ED;sticas e que trazem consequ&#x00EA;ncias &#x00E0; longo prazo, tamb&#x00E9;m n&#x00E3;o s&#x00E3;o definidos como ALNS (como por exemplo: anorexia). Outros comportamentos que incluem dano f&#x00ED;sico, por&#x00E9;m s&#x00E3;o vistos como aceit&#x00E1;veis pela sociedade ou partes de rituais religiosos, espirituais e culturais &#x2014; tatuagens e piercings, por exemplo &#x2014; tamb&#x00E9;m n&#x00E3;o se enquadram no conceito de ALNS (<xref ref-type="bibr" rid="ref-1-1975">Adler e Adler, 2013</xref>).</p>
<p>Segundo o Guia Pr&#x00E1;tico de Atualiza&#x00E7;&#x00E3;o do Departamento Cient&#x00ED;fico de Adolesc&#x00EA;ncia da Sociedade <xref ref-type="bibr" rid="ref-16-1975">Brasileira de Pediatria (2019)</xref>, a ALNS pode ser praticada de diferentes maneiras: <italic>cutting</italic> (profundos cortes na pele sem inten&#x00E7;&#x00E3;o suicida); queimaduras; autoagress&#x00E3;o como socos, tapas, mordidas, belisc&#x00F5;es ou bater a cabe&#x00E7;a; co&#x00E7;ar machucados interferindo na sua cicatriza&#x00E7;&#x00E3;o; tricotilomania (arrancar cabelos), quebrar os ossos; socar paredes ou materiais r&#x00ED;gidos que causem ferimentos; autoflagela&#x00E7;&#x00E3;o (muitas vezes tendo ra&#x00ED;zes religiosas); roer ou arrancar a pele das unhas at&#x00E9; sangramento; arranhar-se; ingerir produtos impr&#x00F3;prios como alfinetes, parafusos, pregos e agulhas ou at&#x00E9; mesmo produtos qu&#x00ED;micos com propriedades corrosivas e a ades&#x00E3;o a desafios como enforcar-se ou utilizar objetos que causem dor (geralmente para exibi&#x00E7;&#x00E3;o online); entre outros.</p>
<p>A ALNS &#x00E9; significada como um al&#x00ED;vio e esquecimento das dores emocionais, utilizando-se de dor f&#x00ED;sica para suport&#x00E1;-las, visto que n&#x00E3;o veem outra forma de resolu&#x00E7;&#x00E3;o. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="ref-12-1975">Samuel Roque et al. (2021)</xref>, a problem&#x00E1;tica enfrentada frente ao sofrimento emocional &#x00E9; agravada pela falta de uma rede de apoio familiar, na qual um di&#x00E1;logo que possibilite a express&#x00E3;o n&#x00E3;o &#x00E9; ofertado, configurando a percep&#x00E7;&#x00E3;o de que &#x00E9; necess&#x00E1;rio lidar sozinho com as adversidades. Esse isolamento configura uma car&#x00EA;ncia nas rela&#x00E7;&#x00F5;es interpessoais, o que indica um risco dos comportamentos autolesivos para o desenvolvimento do indiv&#x00ED;duo, tanto no &#x00E2;mbito social quando no &#x00E2;mbito f&#x00ED;sico individual, visto que a ALNS traz danos ao corpo como consequ&#x00EA;ncia.</p>
</sec>
<sec id="sec-3-1975">
<title><bold>O Desenvolvimento Humano e abordagens te&#x00F3;rico-metodol&#x00F3;gicas</bold></title>
<p>Como um campo te&#x00F3;rico de in&#x00FA;meras abordagens, o Desenvolvimento Humano nessa pesquisa ser&#x00E1; analisado a partir de uma perspectiva cr&#x00ED;tica, a qual abrange a psicologia hist&#x00F3;rico-cultural que tem como principal interlocutor Lev Semenovich Vigotski. Sua teoria emerge na R&#x00FA;ssia em um momento hist&#x00F3;rico de Revolu&#x00E7;&#x00E3;o, na d&#x00E9;cada de 1930. Foi nesse contexto que Vigotski constatou a exist&#x00EA;ncia de uma crise metodol&#x00F3;gica na Psicologia daquela &#x00E9;poca. Diante de correntes que buscavam fragmentar o ser humano e sua exist&#x00EA;ncia e isol&#x00E1;-lo de suas configura&#x00E7;&#x00F5;es pol&#x00ED;ticas sociais e econ&#x00F4;mica, prop&#x00F4;s que a metodologia de estudo da Psicologia deveria se pautar no ser humano em sua totalidade, compreendendo como central a sua intera&#x00E7;&#x00E3;o com seu contexto (<xref ref-type="bibr" rid="ref-17-1975">Souza e Andrada, 2013</xref>).</p>
<p>Para o autor russo, segundo Fernanda Santa e <xref ref-type="bibr" rid="ref-14-1975">Vivian Baroni (2014)</xref>, a atividade ps&#x00ED;quica funda-se em uma dimens&#x00E3;o social, a qual forma o ser humano e propicia a ele intera&#x00E7;&#x00F5;es com seus semelhantes em uma rela&#x00E7;&#x00E3;o dial&#x00E9;tica. O sujeito, ent&#x00E3;o, se relaciona com o mundo mediado pelo discurso e pela forma&#x00E7;&#x00E3;o de ideias e pensamentos, tais processos possibilitam ao ser humano apreender e atuar sobre o meio (<xref ref-type="bibr" rid="ref-18-1975">Vigotski, 2018</xref>). Para Vigotski, &#x00E9; a partir da viv&#x00EA;ncia humana dentro de um determinado contexto que ser&#x00E1; poss&#x00ED;vel determinar a sua influ&#x00EA;ncia no desenvolvimento posterior. &#x201C;&#x00C9; a viv&#x00EA;ncia que auxilia a compreens&#x00E3;o das peculiaridades que desempenharam um papel na defini&#x00E7;&#x00E3;o da rela&#x00E7;&#x00E3;o do sujeito com uma dada situa&#x00E7;&#x00E3;o&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-18-1975">Vigotski, 2018</xref>, p. 78).</p>
<p>Outra teoria do desenvolvimento que auxilia a compreens&#x00E3;o do fen&#x00F4;meno da ALNS &#x00E9; a Teoria Bioecol&#x00F3;gica do Desenvolvimento de Urie Bronfenbrenner. No livro intitulado <italic>A bioecologia do desenvolvimento humano - tornando os seres humanos mais humanos</italic> (2012), o autor identifica como ideia principal do manuscrito a de que o ser humano transforma o ambiente que dar&#x00E1; forma ao seu desenvolvimento. &#x00C9; esse esfor&#x00E7;o que configura os seres humanos como produtores ativos do seu desenvolvimento. O contexto deve ser estudado, n&#x00E3;o apenas em termos concretos (como o ambiente no qual o indiv&#x00ED;duo est&#x00E1; inserido), mas tamb&#x00E9;m em termos mais abstratos, como as conex&#x00F5;es entre pessoas presentes no determinado contexto e a natureza dessas conex&#x00F5;es. Dessa forma, esses espa&#x00E7;os se transformam em diferentes sistemas que s&#x00E3;o concebidos como entrela&#x00E7;ados. Ele descreve, ent&#x00E3;o, quatro diferentes tipos de sistemas: microssistema, mesossistema, exossistema e macrossistema.</p>
<p>Os diferentes sistemas elencados pelo autor dizem respeito a esferas da vida que englobam desde os contatos diretos e imediatos do indiv&#x00ED;duo (fam&#x00ED;lia, escola) at&#x00E9; os meios de uma esfera macrossocial e suas rela&#x00E7;&#x00F5;es indiretas, que acabam, tamb&#x00E9;m, interferindo no desenvolvimento do indiv&#x00ED;duo (sistema pol&#x00ED;tico e econ&#x00F4;mico, pa&#x00ED;s, continente etc.). Segundo a teoria, &#x00E9; dentro de diferentes sistemas que o processo de desenvolvimento acontece. Ele compreende momentos de intera&#x00E7;&#x00E3;o rec&#x00ED;proca entre o ser humano em desenvolvimento e pessoas, s&#x00ED;mbolos e objetos, a qual vai se tornando mais complexa com o decorrer da vida. A efic&#x00E1;cia dessa rela&#x00E7;&#x00E3;o s&#x00F3; &#x00E9; poss&#x00ED;vel quando ela se configura de uma forma cont&#x00ED;nua, delineando padr&#x00F5;es duradouros que ocorrem longitudinalmente. Esses padr&#x00F5;es s&#x00E3;o chamados de processos proximais e s&#x00E3;o postulados como &#x201C;a for&#x00E7;a motriz prim&#x00E1;ria do desenvolvimento humano&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-2-1975">Bronfenbrenner, 2012</xref>, p. 46), visto que, ser&#x00E3;o o poder, a forma o conte&#x00FA;do e a dire&#x00E7;&#x00E3;o desses processos que ir&#x00E3;o produzir o desenvolvimento (<xref ref-type="bibr" rid="ref-2-1975">Bronfenbrenner, 2012</xref>).</p>
</sec>
<sec id="sec-4-1975">
<title><bold>A psicologia na Escola acompanhando os processos de desenvolvimento</bold></title>
<p>Quando a Psicologia entrou na escola pela primeira vez no Brasil, na d&#x00E9;cada de 1960, era guiada pela cren&#x00E7;a liberal de que as diferen&#x00E7;as s&#x00E3;o individuais e nada tem a ver com a desigualdade de oportunidades que sustentam o sistema econ&#x00F4;mico e social vigente. Neste momento, a psicologia foi mais um instrumento para manter essa ordem institu&#x00ED;da e concentrar seus esfor&#x00E7;os nos problemas de aprendizagem das crian&#x00E7;as, na inten&#x00E7;&#x00E3;o de mold&#x00E1;-las e ajust&#x00E1;-las ao tipo de sociedade dominante (<xref ref-type="bibr" rid="ref-9-1975">Kupfer, 1997</xref>). Assim, a atua&#x00E7;&#x00E3;o do profissional de Psicologia nas Escolas do Brasil foi marcada pelo impedimento de sua presen&#x00E7;a nos espa&#x00E7;os educativos, devido a uma forte influ&#x00EA;ncia das pol&#x00ED;ticas educacionais nacionais e a compreens&#x00E3;o geral do enfoque cl&#x00ED;nico no trabalho do psic&#x00F3;logo. Tornou-se dif&#x00ED;cil a an&#x00E1;lise dos fen&#x00F4;menos que permeiam o desenvolvimento da crian&#x00E7;a na escola, j&#x00E1; que as pr&#x00E1;ticas concretas de psic&#x00F3;logos escolares n&#x00E3;o estavam inseridas no meio escolar (<xref ref-type="bibr" rid="ref-11-1975">Moreira e Guzzo, 2014</xref>). Cabe, ent&#x00E3;o, ao profissional de Psicologia da escola, a fun&#x00E7;&#x00E3;o de contribuir, juntamente com toda a equipe escolar, com o desenvolvimento integral da crian&#x00E7;a, o qual s&#x00F3; ser&#x00E1; poss&#x00ED;vel diante de um efetivo processo de aprendizagem. A integralidade do processo de desenvolvimento vai al&#x00E9;m do desenvolvimento cognitivo e abarca, tamb&#x00E9;m, suas dimens&#x00F5;es emocionais, sociais e motoras. Por isso, o trabalho deste profissional deve ser pautado em uma estreita rela&#x00E7;&#x00E3;o com toda a comunidade escolar &#x2014; escola, estudante e fam&#x00ED;lia (<xref ref-type="bibr" rid="ref-11-1975">Moreira e Guzzo, 2014</xref>).</p>
<p>O objetivo dessa pesquisa foi compreender o fen&#x00F4;meno da Autoles&#x00E3;o pela perspectiva do sujeito, a partir de uma vis&#x00E3;o cr&#x00ED;tica da Psicologia. Busca-se avaliar o sentido da ALNS para cada estudante e conhecer seu cotidiano de vida.</p>
</sec>
<sec id="sec-5-1975" sec-type="methods">
<title><bold>M<sc>&#x00E9;todo</sc></bold></title>
<p>Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa e explorat&#x00F3;ria, em que a perspectiva dos participantes s&#x00E3;o analisadas e fornecem subs&#x00ED;dios para o entendimento da ALNS no contexto escolar. A escola onde a pesquisa se desenvolveu est&#x00E1; situada em uma regi&#x00E3;o que apresenta maior vulnerabilidade socioecon&#x00F4;mica, em compara&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0;s outras, segundo dados da Prefeitura Municipal. As informa&#x00E7;&#x00F5;es foram colhidas por meio de depoimentos de estudantes participantes e do Di&#x00E1;rio de Campo (DC) da pesquisadora, tamb&#x00E9;m psic&#x00F3;loga da escola. Por ser uma pesquisa de campo em que a pesquisadora &#x00E9; ao mesmo tempo profissional da equipe t&#x00E9;cnica da escola, as atividades com estudantes faziam parte do cotidiano escolar e foram registradas para a an&#x00E1;lise em um banco de dados para posterior an&#x00E1;lise, tendo sido requisitada autoriza&#x00E7;&#x00E3;o para o seu uso na pesquisa. Por fim, assumiu-se total compromisso com o sigilo dos participantes.</p>
<p>Participaram desse estudo 15 estudantes do sexo feminino do 6&#x00BA; ao 9&#x00BA; ano de uma escola municipal de Ensino Fundamental (com a idade variando dos 11 aos 15 anos), organizadas em um grupo. O grupo foi iniciado com 15 meninas escolhidas a partir de encaminhamentos pela gest&#x00E3;o escolar por estarem se lesionando na escola ou apresentando cortes no corpo, percebidos por profissionais da escola e pela psic&#x00F3;loga. Fizeram tamb&#x00E9;m parte desse grupo, outros estudantes que se aproximaram voluntariamente da profissional de psicologia para relatar conflitos na vida cotidiana que j&#x00E1; resultaram em autoles&#x00F5;es. Nem todas as participantes do grupo praticavam ALNS, mas apresentavam conflitos na vida cotidiana, marcados pela rivalidade feminina e dificuldade de express&#x00E3;o de emo&#x00E7;&#x00F5;es e reflex&#x00E3;o sobre situa&#x00E7;&#x00F5;es do seu dia a dia, compreendendo que tamb&#x00E9;m se beneficiariam daquele espa&#x00E7;o.</p>
<p>O Grupo foi chamado de Meninas Guerreiras, nomeado pelas pr&#x00F3;prias participantes, a partir do encontro inicial, feito para que fosse poss&#x00ED;vel compreender o que elas esperavam desse espa&#x00E7;o e, a partir disso, discutiram e escolheram um nome que, para elas, fizesse sentido para esse espa&#x00E7;o de fortalecimento. Os encontros foram realizados semanalmente, com dura&#x00E7;&#x00E3;o de 1h 30min cada. A profissional se reunia com as estudantes ap&#x00F3;s o hor&#x00E1;rio letivo para discuss&#x00E3;o e reflex&#x00E3;o, em roda. As tem&#x00E1;ticas discutidas foram: feminismo, ALNS, rivalidade feminina, conflitos familiares, conflitos com professores, viol&#x00EA;ncia e autoestima. Os temas foram escolhidos a partir das demandas trazidas pelas estudantes no in&#x00ED;cio dos encontros. A proposta do grupo era que fosse um espa&#x00E7;o para que elas colocassem o que gostariam e considerariam pertinente discutir naquele local. Tamb&#x00E9;m foram utilizados alguns recursos visuais como v&#x00ED;deos e filmes relacionados &#x00E0;s tem&#x00E1;ticas. Foram realizados 30 encontros. As tem&#x00E1;ticas discutidas, reflex&#x00F5;es e fala das participantes foram registrados em di&#x00E1;rios de campo pela pesquisadora. Al&#x00E9;m das atividades de grupo com a participa&#x00E7;&#x00E3;o coletiva das meninas, foram realizadas conversas individuais fora do hor&#x00E1;rio do grupo para aquelas que desejassem, tamb&#x00E9;m registradas pela pesquisadora.</p>
<p>Outra fonte de informa&#x00E7;&#x00E3;o com relatos das participantes foi o Di&#x00E1;rio <italic>de Emo&#x00E7;&#x00F5;es</italic>, criado pelas estudantes que participaram do grupo. A proposta foi que cada uma expressasse, no di&#x00E1;rio, qualquer momento do seu cotidiano &#x2014; bom ou ruim &#x2014; da forma que achassem melhor. Apareceram diferentes formas expressivas como: desenhos, textos, composi&#x00E7;&#x00E3;o de m&#x00FA;sicas, poesias, colagens etc. O Di&#x00E1;rio de Emo&#x00E7;&#x00F5;es foi uma ferramenta utilizada para explorar a perspectiva das estudantes frente as situa&#x00E7;&#x00F5;es que elas vivenciavam no seu cotidiano, servindo tamb&#x00E9;m como uma forma de elabora&#x00E7;&#x00E3;o e reflex&#x00E3;o acerca das situa&#x00E7;&#x00F5;es vividas bem como um disparador de discuss&#x00F5;es e reflex&#x00F5;es dentro do grupo, j&#x00E1; que quem se sentisse &#x00E0; vontade poderia ler trechos para que depois fosse guiada uma conversa referente ao que foi exposto.</p>
<p>Todos os cuidados &#x00E9;ticos foram tomados e as diretrizes da Comiss&#x00E3;o Nacional de &#x00C9;tica em Pesquisa (CONEP), ligada ao Conselho Nacional de Sa&#x00FA;de (CNS), foram seguidas e respeitadas. Para garantir o anonimato, todas as participantes e outros dados que possam trazer elementos de identifica&#x00E7;&#x00E3;o das envolvidas, foram alterados e/ou substitu&#x00ED;dos por nomes fict&#x00ED;cios. Al&#x00E9;m disso, as participantes e suas respectivas respons&#x00E1;veis tem ci&#x00EA;ncia do uso das informa&#x00E7;&#x00F5;es para essa pesquisa e est&#x00E3;o de acordo.</p>
</sec>
</sec>
<sec id="sec-6-1975" sec-type="results|Discussion">
<title><bold>R<sc>esultados</sc> e D<sc>iscuss&#x00E3;o</sc></bold></title>
<p>As informa&#x00E7;&#x00F5;es do di&#x00E1;rio de campo foram analisadas seguindo a metodologia construtivo-interpretativa de Fernando Gonzalez-Rey. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="ref-13-1975">Maristela Rossato e Albertina Mart&#x00ED;nez (2017)</xref>, a metodologia construtiva interpretativa &#x00E9; um processo de produ&#x00E7;&#x00E3;o de conhecimento que envolve, n&#x00E3;o somente os participantes da pesquisa, mas a pr&#x00F3;pria pesquisadora. A qualidade interpretativa dessa metodologia reside na interpreta&#x00E7;&#x00E3;o das informa&#x00E7;&#x00F5;es obtidas ao longo da pesquisa, sem significados a priori, pois o ato de interpretar eventos e informa&#x00E7;&#x00F5;es &#x00E9; algo que ocorre durante todo o decorrer da pesquisa. A qualidade construtiva, por sua vez, s&#x00F3; &#x00E9; poss&#x00ED;vel se a pesquisadora est&#x00E1; implicada no objeto de pesquisa, pois assim consegue tamb&#x00E9;m ser produtora de reflex&#x00F5;es e falas &#x2014; tendo como refer&#x00EA;ncias suas bases te&#x00F3;ricas &#x2014;, as quais geram novas possibilidades de di&#x00E1;logos, o que torna essa metodologia extremamente din&#x00E2;mica e totalmente apoiada na dial&#x00E9;tica da intera&#x00E7;&#x00E3;o pesquisadora-participante. Os trechos dos Di&#x00E1;rios de Campo (DC) foram destacados conforme se referissem &#x00E0; ALNS ou &#x00E0; hist&#x00F3;ria de vida das estudantes acompanhadas pelo projeto que se lesionavam. Foram analisados 28 di&#x00E1;rios de campo e os trechos destacados organizados de acordo com os sentidos apreendidos e sistematizados que contribuem para a compreens&#x00E3;o do fen&#x00F4;meno.</p>
<sec id="sec-7-1975">
<title><bold>Epidemiologia da ALNS</bold></title>
<p>Um fato que chama aten&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E9; a forma com a qual o ato se expressa e se alastra. A escola &#x00E9; um dos microssistemas em que a realidade concreta e imediata dessas estudantes se manifesta. Nas rela&#x00E7;&#x00F5;es que se estabelecem dentro do microssistema, as estudantes atuam ativamente &#x2014; a partir das dimens&#x00F5;es do pr&#x00F3;prio desenvolvimento &#x2014; e s&#x00E3;o afetadas por elas. A influ&#x00EA;ncia dos pares &#x00E9; importante para que a ALNS se alastre aproximando estudantes que vivem a mesma situa&#x00E7;&#x00E3;o de conflito na vida cotidiana.</p>
<disp-quote><p>S. diz ter come&#x00E7;ado a se cortar, pois algumas meninas da escola disseram que melhorava a dor (Entrada de di&#x00E1;rio de campo, mar&#x00E7;o de 2019)</p></disp-quote>
<p>Esse trecho exemplifica o car&#x00E1;ter epidemiol&#x00F3;gico da ALNS e traz certa luz sobre o aumento de casos em jovens em idade escolar dentro do ambiente da escola na falta de um espa&#x00E7;o onde possam externar os conflitos do dia a dia, solu&#x00E7;&#x00F5;es imediatistas para afastar o sofrimento se tornam atraentes, o que pode ser elencada como uma das causas desse car&#x00E1;ter epidemiol&#x00F3;gico que acompanha a ALNS.</p>
<disp-quote><p>Segundo L., j&#x00E1; viu sua irm&#x00E3; se cortando e tendo comportamentos violentos. Um dia a estudante tentou se cortar tamb&#x00E9;m, fazendo cortes na parte superior do p&#x00E9;, com alicate que achou na casa do pai. [&#x2026;] Al&#x00E9;m dos cortes, tamb&#x00E9;m come&#x00E7;ou a morder a pr&#x00F3;pria m&#x00E3;o, deixando algumas feridas e, a mastigar as pr&#x00F3;prias roupas. A menina relembra que seu irm&#x00E3;o tamb&#x00E9;m mastigava as roupas e arrancava fios de cabelo. (Relat&#x00F3;rio de Acompanhamento Individual, outubro de 2021)</p></disp-quote>
<p>O trecho acima retoma como as viv&#x00EA;ncias dentro de um microsistema afetam o indiv&#x00ED;duo. Diante da rela&#x00E7;&#x00E3;o que L. estabele com os irm&#x00E3;os, ela busca reproduzir as a&#x00E7;&#x00F5;es que experiencia enquanto interage com seu meio. Ao mesmo tempo que, tocada pelas rela&#x00E7;&#x00F5;es que ali se estabelecem, busca tamb&#x00E9;m significa-las para si, utilizando-as na pr&#x00F3;pria realidade concreta. A ALNS &#x00E9; significada, ent&#x00E3;o, como uma forma de enfrentamento e reflete a possibilidade de as autoagress&#x00F5;es serem vistas como formas de buscar um conforto, como ilustram os trechos a seguir:</p>
<disp-quote><p>Segundo ela, percebeu que o comportamento de se auto lesionar a desestressava (sic). Completa dizendo que &#x00E9; uma dor esquisita, que d&#x00F3;i, mas n&#x00E3;o d&#x00F3;i (sic). (Relat&#x00F3;rio de Acompanhamento Individual, outubro 2021)</p>
<p>Segundo ela, se cortou esses dias pois come&#x00E7;ou a ter ataque de depress&#x00E3;o e p&#x00E2;nico (sic). (Entrada de di&#x00E1;rio de Campo, abril de 2020)</p>
<p>Conta que tem arrancado seus cabelos e os comido na hora que vai dormir, principalmente quando fica muito nervosa. Tem momentos que deseja morrer e acabar com tudo isso. A estudante tamb&#x00E9;m relata fases em que se cortou para aliviar o sofrimento. (Relat&#x00F3;rio de Acompanhamento Individual, novembro de 2018)</p></disp-quote>
<p>Segundo os relatos, as les&#x00F5;es podem trazer certo al&#x00ED;vio a curto prazo e, negar isso, seria negar a perspectiva do sujeito que pratica a ALNS. Compreender isso n&#x00E3;o exclui o fato de que esse comportamento &#x00E9; perigoso e traz diferentes preju&#x00ED;zos a longo prazo (f&#x00ED;sicos e sociais). A dor f&#x00ED;sica causada pela ALNS &#x00E9; significada como algo que causa conforto e aparece como uma alternativa &#x00E0; dor emociona.</p>
<p>Situa&#x00E7;&#x00F5;es de viol&#x00EA;ncia apareceram como desencadeadoras de sofrimento e sentimentos ansiosos, e foram relatadas em diferentes microssistemas das estudantes:</p>
<disp-quote><p>Mais de uma menina fala que j&#x00E1; ouviu dos seus pais que s&#x00E3;o um peso na terra ou que n&#x00E3;o deveriam ter nascido. (Entrada de di&#x00E1;rio de campo, junho de 2019)</p></disp-quote>
<p>O trecho acima ilustra uma viol&#x00EA;ncia vivida dentro do sistema familiar e a ALNS como uma forma de se expressar frente a impossibilidade de comunicar-se a partir do di&#x00E1;logo e falar dos pr&#x00F3;prios sentimentos. Os processos proximais estabelecidos dentro do sistema familiar s&#x00E3;o falhos, n&#x00E3;o abrem espa&#x00E7;o para di&#x00E1;logo e s&#x00E3;o marcados por falas violentas e conflitos.</p>
</sec>
<sec id="sec-8-1975">
<title><bold>Experiencia de viol&#x00EA;ncia em diferentes contextos</bold></title>
<p>A presen&#x00E7;a da ALNS est&#x00E1; acompanhada com outras vivencias de viol&#x00EA;ncia que est&#x00E3;o presentes no cotidiano familiar e educacional. As estudantes vivenciaram graves situa&#x00E7;&#x00F5;es de viol&#x00EA;ncia no ambiente familiar que deveria se desenvolver como uma rede de prote&#x00E7;&#x00E3;o a partir dos processos proximais ali vividos, mas que se delinearam como fatores de risco para o desenvolvimento seguro delas.</p>
<disp-quote><p>A estudante relata ter sido abusada sexualmente h&#x00E1; alguns anos pelo seu pai em uma das f&#x00E9;rias que havia passado em sua casa. Tamb&#x00E9;m passou por uma situa&#x00E7;&#x00E3;o de exposi&#x00E7;&#x00E3;o e vazamento de fotos &#x00ED;ntimas na escola, ap&#x00F3;s ter se relacionado sexualmente com um maior de idade. (Relat&#x00F3;rio de Acompanhamento Individual, novembro de 2018)</p>
<p>Conta que seu irm&#x00E3;o sempre foi muito agressivo, h&#x00E1; tr&#x00EA;s anos, ap&#x00F3;s ter apanhado muito dele &#x2014; e para que n&#x00E3;o batesse mais &#x2014; ela parou de falar com ele, o que se estende at&#x00E9; hoje. (Relat&#x00F3;rio de Acompanhamento Individual, novembro de 2018)</p>
<p>A. C. relata que, em uma festa, incomodou-se com uns homens que estavam em grupo e ficavam olhando de um jeito esquisito (sic) para ela. A. C. se sentiu muito desconfort&#x00E1;vel, evitando passar perto. A festa continuou e os homens se embriagaram. Em um momento ocorreu uma confus&#x00E3;o entre esses homens que come&#x00E7;aram a brigar. A. presenciou um dos homens atirando em outro e diz que quando relembra da cena n&#x00E3;o consegue parar de chorar, al&#x00E9;m de n&#x00E3;o ter contado para ningu&#x00E9;m. Segundo ela, buscou solucionar o sofrimento cedendo &#x00E0; vontade de se cortar, apesar de ter parado com o comportamento por algumas semanas. (Entrada de di&#x00E1;rio de campo, mar&#x00E7;o de 2020)</p></disp-quote>
<p>A viv&#x00EA;ncia de uma situa&#x00E7;&#x00E3;o de viol&#x00EA;ncia pode desencadear e manter o comportamento autolesivo, sobretudo quando associada &#x00E0; condi&#x00E7;&#x00E3;o de falta de di&#x00E1;logo e isolamento nas rela&#x00E7;&#x00F5;es sociais, mesmo no contexto da fam&#x00ED;lia. Uma das participantes relata que, apesar de estar buscando parar de se cortar, diante do trauma causado pela situa&#x00E7;&#x00E3;o violenta, fez com que ela retomasse a pr&#x00E1;tica da ALNS. Essa dificuldade de di&#x00E1;logo dentro do microsistema familiar se expressa, tamb&#x00E9;m, pela fala dos familiares frente aos sentimentos de ansiedade e tristeza que relata sentir:</p>
<disp-quote><p>Al&#x00E9;m de tudo que ouvi, ainda ou&#x00E7;o meu pai dizer &#x201C;N&#x00E3;o vai viver muito. Nessa idade com depress&#x00E3;o e ansiedade? Nem faz nada da vida.&#x201D; Eu queria ter dito mil coisas mas o que eu sentia n&#x00E3;o deixa, Fiquei quieta pois ouvir ele falar mais coisas iria me machucar mais. (Camila, grupo de discuss&#x00E3;o, agosto de 2020)</p></disp-quote>
<p>Esse trecho demonstra a dificuldade de espa&#x00E7;os para di&#x00E1;logo na fam&#x00ED;lia e como isso acaba se estendendo para os outros sistemas que constituem a vida cotidiana da estudante. Esse tipo de coment&#x00E1;rio da fam&#x00ED;lia distanciou ainda mais a estudante de um espa&#x00E7;o que poderia &#x2014; e deveria &#x2014; ser uma rede de apoio segura, para que ela pudesse se expressar, por&#x00E9;m, da forma que se configurou fez o efeito contr&#x00E1;rio. Quando chega na escola &#x2014; um espa&#x00E7;o complementar de desenvolvimento que deve zelar pelo desenvolvimento integral de seus estudantes &#x2014; passa por outra situa&#x00E7;&#x00E3;o, bastante constrangedora, a qual aumentou esse sentimento de inadequa&#x00E7;&#x00E3;o, incompreens&#x00E3;o e isolamento:</p>
<disp-quote><p>Come&#x00E7;a contando sobre uma situa&#x00E7;&#x00E3;o que aconteceu, a qual lhe deixou bastante constrangida. [&#x2026;] As feridas ocasionadas pelos cortes, por serem muito numerosas e em processo de cicatriza&#x00E7;&#x00E3;o, co&#x00E7;am bastante. Durante uma aula uma das profissionais da gest&#x00E3;o entrou em sala e A. passava um hidratante para diminuir a coceira em suas cicatrizes. Vendo os movimentos de passar o creme a profissional da gest&#x00E3;o come&#x00E7;ou a brigar com a estudante, pois conclui que ela estava se cortando durante a aula. [&#x2026;] A. relata ter se sentindo muito exposta com a situa&#x00E7;&#x00E3;o. (Entrada de di&#x00E1;rio de campo, mar&#x00E7;o de 2019)</p></disp-quote>
<p>A partir desse relato foi poss&#x00ED;vel compreender melhor como a din&#x00E2;mica na escola afeta a vida cotidiana da estudante, que toma para si a estigmatiza&#x00E7;&#x00E3;o dos comportamentos autolesivos. A a&#x00E7;&#x00E3;o da profissional da gest&#x00E3;o exemplifica a necessidade de pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas que possam orientar e auxiliar a equipe escolar a compreender a ALNS e como ela se manifesta dentro dos grupos escolares. A quest&#x00E3;o n&#x00E3;o &#x00E9; uma culpabiliza&#x00E7;&#x00E3;o da escola ou da profissional e sim questionar a forma com a qual os atores que integram a vida cotidiana dos estudantes em seus diferentes sistemas compreendem e s&#x00E3;o preparados para lidar com o fen&#x00F4;meno. A falta de espa&#x00E7;os seguros de acolhimento e escuta para que estudantes possam ser compreendidas juntamente com toda a complexidade e mudan&#x00E7;as que permeiam essa fase do desenvolvimento, aparece como um fator de risco para a ALNS. No grupo os relatos apontaram para essa dire&#x00E7;&#x00E3;o:</p>
<disp-quote><p>Come&#x00E7;am a contar sobre a dificuldade de chorar, de exprimir sentimentos, por isso se cortam. (Entrada de di&#x00E1;rio de campo, maio de 2017)</p>
<p>[Foi dif&#x00ED;cil] ouvir dizer [do m&#x00E9;dico] que tenho depress&#x00E3;o e ansiedade, ouvir ele passar mais medicamento, ouvir ele me fazer responder diversas coisas na frente de quem as vezes me faz sentir! (Camila, grupo de discuss&#x00E3;o, agosto de 2020)</p></disp-quote>
</sec>
<sec id="sec-9-1975">
<title><bold>Ansiedade n&#x00E3;o controlada</bold></title>
<p>Relatos de viv&#x00EA;ncia de ansiedade sem controle tamb&#x00E9;m fazem parte da perspectiva dos sujeitos que se envolvem com a ALNS.</p>
<disp-quote><p>Tive s&#x00F3; uma vez s&#x00F3; crise de ansiedade essa semana. Senti muita pregui&#x00E7;a, s&#x00F3; queria ficar sentada, fiquei tremendo, com falta de ar, dor de cabe&#x00E7;a, falta de apetite, quase desmaiei. Estava na sala de estar quando aconteceu. Naquele dia eu estava desanimada, a&#x00ED; estava assistindo televis&#x00E3;o e do nada comecei a me sentir assim (sic). Segundo ela, se cortou esses dias pois come&#x00E7;ou a ter &#x201C;ataque de depress&#x00E3;o e p&#x00E2;nico&#x201D;. A m&#x00E3;e disse que a levaria ao m&#x00E9;dico, mas a estudante relatou n&#x00E3;o querer medica&#x00E7;&#x00E3;o. (Entrada de di&#x00E1;rio de campo, novembro de 2020)</p></disp-quote>
<p>No trecho acima podemos identificar como a linguagem psiqui&#x00E1;trica j&#x00E1; est&#x00E1; implicada no cotidiano da estudante. Isso tamb&#x00E9;m se confirma pela a&#x00E7;&#x00E3;o da m&#x00E3;e que disse que iria lev&#x00E1;-la ao m&#x00E9;dico para tomar rem&#x00E9;dio, na busca de uma solu&#x00E7;&#x00E3;o para o problema. Apesar da estudante relatar n&#x00E3;o querer medica&#x00E7;&#x00E3;o, essa l&#x00F3;gica est&#x00E1; presente dentro dos sistemas pelo qual transita e refor&#x00E7;a que espa&#x00E7;os de di&#x00E1;logo n&#x00E3;o s&#x00E3;o vistos como alternativas para essas viv&#x00EA;ncias de ansiedade e ang&#x00FA;stia.</p>
<disp-quote><p>Segundo a m&#x00E3;e, a estudante come&#x00E7;ou a arrancar cabelo h&#x00E1; 3 anos quando a av&#x00F3; faleceu. O fen&#x00F4;meno piorou a ponto de n&#x00E3;o querer sair mais de casa devido &#x00E0;s falhas do seu cabelo. (Relat&#x00F3;rio de Acompanhamento Individual, novembro de 2018)</p></disp-quote>
<p>O trecho acima revela um fator de isolamento que acompanha a ALNS. A estudante arranca os cabelos como forma de enfrentamento frente a um sofrimento e tenta lidar sozinha com o ocorrido. Diante das consequ&#x00EA;ncias desse ato, seguiu se lesionando e se isolando pela vergonha das falhas no seu cabelo, dessa forma teve suas rela&#x00E7;&#x00F5;es interpessoais prejudicadas. Isso gerou um c&#x00ED;rculo vicioso e refor&#x00E7;ou, dentro da sua viv&#x00EA;ncia, a ALNS como &#x00FA;nica forma encontrada para lidar com seu sofrimento.</p>
<p>Outro fator que corroborou para o isolamento foi a pandemia do Corona V&#x00ED;rus-19, que resultou em um afastamento dos estudantes da escola e acarretou preju&#x00ED;zos de aprendizagem:</p>
<disp-quote><p>Em rela&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0; realiza&#x00E7;&#x00E3;o das atividades escolares, conta que sua vontade oscila bastante &#x2014; as vezes quero as vezes n&#x00E3;o (sic)&#x2014; e que ela come&#x00E7;ou a se lesionar mais ou menos no in&#x00ED;cio da pandemia, que n&#x00E3;o fazia isso antes, que esses comportamentos s&#x00E3;o consequ&#x00EA;ncias do estresse e do nervoso que ela passa. Diz que fica muito nervosa e angustiada quando percebe que seu h&#x00E1;bito de leitura n&#x00E3;o &#x00E9; mais o mesmo e que est&#x00E1; lendo mal (sic). (Relat&#x00F3;rio de Acompanhamento Individual, maio de 2020)</p></disp-quote>
<p>Refor&#x00E7;ando a perspectiva das outras estudantes sobre a ALNS como uma forma de enfrentamento a situa&#x00E7;&#x00F5;es de sofrimento, ansiedade ou ang&#x00FA;stia, o isolamento decorrente da pandemia e suas consequ&#x00EA;ncias na vida cotidiana da estudante, tamb&#x00E9;m apareceu como um fator que desencadeou os comportamentos autolesivos. O que tamb&#x00E9;m se confirmou no trecho a seguir:</p>
<disp-quote><p>Segundo a estudante, ela n&#x00E3;o consegue se adaptar &#x00E0; modalidade virtual, pois era muito melhor quando ela estava no ambiente escolar, podia brincar, ver aulas e ter uma rede de apoio (amigas e professores). &#x201C;Eu era mais feliz e n&#x00E3;o me cortava&#x201D; (sic), pois quando uma situa&#x00E7;&#x00E3;o a incomodava ela conseguia desabafar e contar com o apoio dos amigos. (Relat&#x00F3;rio de Acompanhamento Individual, maio de 2020)</p></disp-quote>
<p>Nesse trecho as rela&#x00E7;&#x00F5;es interpessoais que acontecem dentro do microssistema escolar apareceram como um fator de prote&#x00E7;&#x00E3;o em rela&#x00E7;&#x00E3;o a ALNS e foi poss&#x00ED;vel compreender como estar fora de um coletivo que possibilite essas rela&#x00E7;&#x00F5;es pode prejudicar no enfrentamento das quest&#x00F5;es cotidianas.</p>
</sec>
<sec id="sec-10-1975">
<title><bold>Impactos do grupo na viv&#x00EA;ncia da ALNS</bold></title>
<p>O grupo ofertado pela profissional surge como uma alternativa a falta de espa&#x00E7;os seguros de di&#x00E1;logo e reflex&#x00E3;o. Foi necess&#x00E1;rio que esse espa&#x00E7;o fosse constru&#x00ED;do juntamente das participantes e, para que isso ocorresse, foi preciso compreender a perspectiva de cada sujeito participante:</p>
<disp-quote><p>Ap&#x00F3;s a apresenta&#x00E7;&#x00E3;o e constru&#x00E7;&#x00E3;o das regras, pedi que cada uma falasse porque estavam ali, porque resolveram participar desse grupo. Surgiram muitas coisas em comum: muitas disseram que tinham problemas em casa e na escola e que j&#x00E1; tinha acontecido coisas ruins no passado, algumas disseram que estavam ali porque queriam ser entendidas alguma vez na vida, duas meninas falaram sobre sexualidade e a fam&#x00ED;lia. Uma menina disse que est&#x00E1; ali porque &#x00E9; depressiva e j&#x00E1; pensou em se matar mais de uma vez e que n&#x00E3;o v&#x00EA; gra&#x00E7;a na vida, outras duas meninas disseram que &#x00E9; insuport&#x00E1;vel ficar em casa e quando fica muito nervosa se corta e quer parar de se cortar. (Entrada de di&#x00E1;rio de campo, mar&#x00E7;o de 2017)</p></disp-quote>
<p>O trecho acima ilustra a perspectiva das estudantes e as expectativas dentro do espa&#x00E7;o do grupo. Estarem em um microssistema que encorajasse a troca de experi&#x00EA;ncias possibilitou relatarem viv&#x00EA;ncias que lhe causam sofrimento e as rela&#x00E7;&#x00F5;es ali estabelecidas trouxeram um sentido de pertencimento e de n&#x00E3;o estarem vivenciando situa&#x00E7;&#x00F5;es de sofrimento sozinhas. Isso possibilitou que a intera&#x00E7;&#x00E3;o entre elas assumisse um carat&#x00E9;r coletivo, compreendendo que as outras meninas do grupo tamb&#x00E9;m passam por situa&#x00E7;&#x00F5;es que lhe causam sofrimento:</p>
<disp-quote><p>Uma menina disse: &#x201C;nossa, achei que s&#x00F3; minha vida tinha problemas, parece que todo mundo &#x00E9; de bem com a vida&#x201D;. (Entrada de di&#x00E1;rio de campo, mar&#x00E7;o de 2017)</p></disp-quote>
<p>Quando as estudantes perceberam que existia um espa&#x00E7;o onde n&#x00E3;o seriam julgadas ou o fato de se cortarem n&#x00E3;o causaria uma rea&#x00E7;&#x00E3;o alarmista, come&#x00E7;aram a se sentir mais seguras para falar sobre as quest&#x00F5;es que lhe causam sofrimento.</p>
<p>Dessa forma, os relatos apontam para fatores como isolamento, falta de espa&#x00E7;os para express&#x00E3;o e reflex&#x00E3;o, vivenciar situa&#x00E7;&#x00F5;es de viol&#x00EA;ncia e conflitos como viv&#x00EA;ncias que levaram as estudantes a se autolesionar na busca de estrat&#x00E9;gias de enfrentamento. Tamb&#x00E9;m foi poss&#x00ED;vel compreender que as rea&#x00E7;&#x00F5;es dos integrantes dos sistemas pelos quais transitam &#x00E9; um fator que pode afast&#x00E1;-las ainda mais de espa&#x00E7;os de express&#x00E3;o e refor&#x00E7;ar a l&#x00F3;gica isolada dos rituais autoagressivos, alimentando um c&#x00ED;rculo vicioso. Compreendeu-se a partir da perspectiva dessas estudantes, que a ALNS &#x00E9; uma forma encontrada para enfrentar as situa&#x00E7;&#x00F5;es de sofrimento, deslocando uma dor emocional para o &#x00E2;mbito f&#x00ED;sico, na busca de um conforto, refor&#x00E7;ando os resultados encontrados na literatura.</p>
</sec>
</sec>
<sec id="sec-11-1975">
<title><bold>C<sc>onsidera&#x00E7;&#x00F5;es</sc> F<sc>inais</sc></bold></title>
<p>Este estudo possibilitou ouvir de estudantes envolvidas com a ALNS, como percebem e entendem suas viv&#x00EA;ncias associadas a essa condi&#x00E7;&#x00E3;o e sistematizar alguns elementos da vida cotidiana associados &#x00E0; essa viol&#x00EA;ncia auto infringida, mesmo com as limita&#x00E7;&#x00F5;es impostas pelas dificuldades de um trabalho de campo, com as intercorr&#x00EA;ncias pr&#x00F3;prias da din&#x00E2;mica da escola e da irregularidade na presen&#x00E7;a das estudantes ao grupo. Foi poss&#x00ED;vel compreender que a ALNS apareceu como uma forma de enfrentamento &#x00E0;s situa&#x00E7;&#x00F5;es cotidianas da vida e, apesar de ser um comportamento destrutivo, teve como motiva&#x00E7;&#x00E3;o a manuten&#x00E7;&#x00E3;o da sobreviv&#x00EA;ncia f&#x00ED;sica e emocional. Essa conclus&#x00E3;o n&#x00E3;o naturaliza o fen&#x00F4;meno ou o caracteriza como uma forma funcional de enfrentamento &#x2014; muito pelo contr&#x00E1;rio, a ALNS apresenta riscos a curto e longo prazo e precisa de aten&#x00E7;&#x00E3;o &#x2014; mas sim, revela a perspectiva do sujeito referente &#x00E0;s les&#x00F5;es e materializa a realidade concreta que permeia o fen&#x00F4;meno para que, no fim, seja poss&#x00ED;vel elencar formas de enfrentamento e preven&#x00E7;&#x00E3;o dentro do ambiente escolar.</p>
<p>Dessa forma, foi poss&#x00ED;vel responder aos objetivos de pesquisa, pautando a an&#x00E1;lise dos resultados em uma perspectiva cr&#x00ED;tica. Concluindo, assim, a partir da perspectiva do sujeito, que a ALNS pode ser uma agress&#x00E3;o que conforta, ao menos temporariamente, e que essa constata&#x00E7;&#x00E3;o n&#x00E3;o retira o peso e a urg&#x00EA;ncia de construir a&#x00E7;&#x00F5;es imediatas e preventivas para lidar com a quest&#x00E3;o e acolher e fortalecer quem busca nas les&#x00F5;es um conforto &#x00E0; curto prazo.</p>
<p>Diante da an&#x00E1;lise, foi poss&#x00ED;vel elencar fatores de risco e prote&#x00E7;&#x00E3;o para incid&#x00EA;ncia do fen&#x00F4;meno (<xref ref-type="table" rid="tabw-1-1975">Tabela 1</xref>). &#x00C9; importante ressaltar que os fatores de risco e prote&#x00E7;&#x00E3;o devem ser compreendidos, n&#x00E3;o como absolutos, mas de maneira contextualizada e hist&#x00F3;rica. Eles se constituem de diferentes formas no decorrer da vida cotidiana do sujeito, que precisa ser contextualizado em um espa&#x00E7;o hist&#x00F3;rico (<xref ref-type="bibr" rid="ref-6-1975">Guzzo, 2016</xref>).</p>
<table-wrap id="tabw-1-1975">
<label><bold>Tabela 1.</bold></label>
<caption><title>Fatores de risco e prote&#x00E7;&#x00E3;o para a incid&#x00EA;ncia da ALNS</title></caption>
<table id="tab-1-1975" frame="hsides" border="1" rules="all">
<col width="50%"/>
<col width="50%"/>
<thead>
<tr>
<th valign="middle" align="center"><p>Fatores de Risco</p></th>
<th valign="middle" align="center"><p>Fatores de Prote&#x00E7;&#x00E3;o</p></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td valign="middle" align="left"><p>Isolamento</p></td>
<td valign="middle" align="left"><p>Participar de coletivos fortalecidos</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="middle" align="left"><p>Falta de redes de apoios (fam&#x00ED;lia, amigos, escola)</p></td>
<td valign="middle" align="left"><p>Dispor de espa&#x00E7;os de escuta e acolhimento (fam&#x00ED;lia, amigos e escola)</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="middle" align="left"><p>Falta de espa&#x00E7;os que possibilitem a express&#x00E3;o e ofere&#x00E7;am escuta</p></td>
<td valign="middle" align="left"><p>Dispor de espa&#x00E7;os de reflex&#x00E3;o sobre a vida cotidiana (contexto social e cultural)</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="middle" align="left"><p>Rea&#x00E7;&#x00E3;o alarmista &#x00E0;s les&#x00F5;es que geralmente culpabilizam e envergonham o indiv&#x00ED;duo</p></td>
<td valign="middle" align="left"><p>Um profissional de Psicologia inserido na escola que saiba lidar com e orientar casos de ALNS</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="middle" align="left"><p>Vivenciar situa&#x00E7;&#x00F5;es de viol&#x00EA;ncia em suas diferentes express&#x00F5;es</p></td>
<td valign="middle" align="left"><p>&#x00A0;</p></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</table-wrap>
<p>Isso se traduz tamb&#x00E9;m no fazer do psic&#x00F3;logo dentro da escola, como profissional da educa&#x00E7;&#x00E3;o, buscando discutir o tema para propiciar uma reflex&#x00E3;o respons&#x00E1;vel e coerente com a forma que a ALNS se apresenta. O foco deve ser na pessoa que se auto lesiona e de que forma suas intera&#x00E7;&#x00F5;es com seus espa&#x00E7;os de conviv&#x00EA;ncia facilitam esse tipo de comportamento. Essa &#x00E9; uma pr&#x00E1;tica que deve ser concreta, ancorada na realidade e no cotidiano de estudantes e, o mais importante: que coloque esses estudantes como atores principais desse enfrentamento para que n&#x00E3;o seja encorajada a depend&#x00EA;ncia, mas sim o fortalecimento para lidar com todas essas quest&#x00F5;es.</p>
<p>Por fim, compreendendo a ALNS como um fen&#x00F4;meno que ainda carece de produ&#x00E7;&#x00F5;es cient&#x00ED;ficas, principalmente no &#x00E2;mbito escolar, &#x00E9; imprescind&#x00ED;vel que este continue sendo tema de pesquisas cient&#x00ED;ficas que tamb&#x00E9;m abordem interven&#x00E7;&#x00F5;es com os indiv&#x00ED;duos que se autolesionem para que seja poss&#x00ED;vel construir protocolos de a&#x00E7;&#x00E3;o que possam trazer luz a estrat&#x00E9;gias preventivas. Existem bastantes produ&#x00E7;&#x00F5;es no &#x00E2;mbito m&#x00E9;dico e cl&#x00ED;nico sobre o fen&#x00F4;meno, mas poucas que discutam as interven&#x00E7;&#x00F5;es, pautando-se na perspectiva do sujeito que se autolesiona. Para isso faz-se necess&#x00E1;rio um olhar hist&#x00F3;rico-cultural para o indiv&#x00ED;duo que possibilite a compreens&#x00E3;o desse sujeito de forma integral, levando em conta sua experi&#x00EA;ncia e viv&#x00EA;ncia nos contextos pelo quais transita e assim possibilitar a prote&#x00E7;&#x00E3;o e o direito ao desenvolvimento integral.</p>
</sec>
</body>
<back>
<ack>
<title>A<sc>gradecimientos</sc></title>
<p>Agradecimientos</p>
</ack>
<ref-list>
<title><bold>R<sc>efer&#x00EA;ncias</sc></bold></title>
<ref id="ref-1-1975"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Adler</surname> <given-names>Patricia</given-names></name> <name><surname>Adler</surname> <given-names>Peter</given-names></name></person-group> <year>2013</year> <source>The tender cut: inside the hidden world of self-injury</source> <publisher-name>New York University Press Book</publisher-name></element-citation>
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