<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "JATS-journalpublishing1.dtd">
<article article-type="research-article" dtd-version="1.1" specific-use="sps-1.9" xml:lang="pt" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink">
<front>
<journal-meta>
<journal-id journal-id-type="publisher-id">QPs</journal-id>
<journal-title-group>
<journal-title>Quaderns de Psicologia</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">qpsicologia</abbrev-journal-title>
</journal-title-group>
<issn pub-type="ppub">0211-3481</issn>
<issn pub-type="epub">2014-4520</issn>
<publisher>
<publisher-name>Universitat Aut&#x00F2;noma de Barcelona</publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id pub-id-type="publisher-id">QPs.1599</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.5565/rev/qpsicologia.1599</article-id>
<article-categories>
<subj-group subj-group-type="heading">
<subject>Articles</subject>
</subj-group>
</article-categories>
<title-group>
<article-title>Travestis e Transexuais no Brasil: Mem&#x00F3;rias de Luta e Resist&#x00EA;ncia</article-title>
<trans-title-group>
<trans-title xml:lang="en"><italic>Travestis and Transexuals in Brazil: Memories of Fight and Resistance</italic></trans-title>
</trans-title-group>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author" corresp="yes">
<contrib-id contrib-id-type="orcid">https://orcid.org/0000-0003-1229-1899</contrib-id>
<name>
<surname>Souza</surname>
<given-names>Cristiane Prudenciano de</given-names>
</name>
<bio><p>Doutoranda em Estudos Contempor&#x00E2;neos pela Universidade de Coimbra (2022-2026). Mestre em Ci&#x00EA;ncias Sociais pela Pontif&#x00ED;cia Universidade de S&#x00E3;o Paulo. PUC/SP (2018). Bacharel em Administra&#x00E7;&#x00E3;o de Empresas pela UNIMESP (1995). Membro do n&#x00FA;cleo de pesquisa Inanna de Pesquisa e Investiga&#x00E7;&#x00E3;o de teorias de g&#x00EA;nero, sexualidades e diferen&#x00E7;as (NIP/ PUC-SP).</p></bio>
<email>cprudenciano@gmail.com</email>
<xref ref-type="aff" rid="aff1"/>
</contrib>
<aff id="aff1">
<institution content-type="original">Universidade de Coimbra</institution>
<institution content-type="orgname">Universidade de Coimbra</institution>
<country>&#x00A0;</country>
</aff>
</contrib-group>
<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
<day>06</day>
<month>03</month>
<year>2023</year>
</pub-date>
<pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">
<year>2023</year>
</pub-date>
<volume>25</volume>
<issue>1</issue>
<elocation-id>e1599</elocation-id>
<history>
<date date-type="received">
<day>08</day>
<month>01</month>
<year>2020</year>
</date>
<date date-type="rev-request">
<day>16</day>
<month>02</month>
<year>2022</year>
</date>
<date date-type="accepted">
<day>24</day>
<month>02</month>
<year>2022</year>
</date>
</history>
<permissions>
<copyright-statement>&#x00A9; 2023 Els autors / The authors</copyright-statement>
<copyright-year>2023</copyright-year>
<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.en" xml:lang="pt">
<license-p>Aquesta obra est&#x00E0; sota una llic&#x00E8;ncia internacional Creative Commons Reconeixement 4.0. CC BY</license-p>
</license>
</permissions>
<abstract>
<title><bold>Resumo</bold></title>
<p>As reflex&#x00F5;es do artigo s&#x00E3;o resultado de uma pesquisa de mestrado realizada no Brasil, nos anos 2015-2018, abordando a luta hist&#x00F3;rica de travestis e transexuais femininas no espa&#x00E7;o do ativismo. Desvendamos as pr&#x00E1;ticas sociais, t&#x00E1;ticas e estrat&#x00E9;gias, tendo como foco as conquistas de espa&#x00E7;o social e pol&#x00ED;tico, como a luta pela visibilidade das principais pautas do movimento trans organizado. Percorremos um caminho que abrange temporalidades diferentes. Resgatamos a import&#x00E2;ncia das precursoras que contribu&#x00ED;ram com a visibilidade da luta desde 1970. Na sequ&#x00EA;ncia, abordamos um breve recorte hist&#x00F3;rico do movimento LGBT brasileiro, com a participa&#x00E7;&#x00E3;o ativista de travestis e transexuais, no marco referencial de 1990 at&#x00E9; 2016. Por fim, coletamos no per&#x00ED;odo de 2014 at&#x00E9; 2016, narrativas de travestis e transexuais da cidade do Recife, nordeste do Brasil, viabilizada atrav&#x00E9;s de entrevistas que demonstram a continua&#x00E7;&#x00E3;o do legado da resist&#x00EA;ncia a toda forma de viola&#x00E7;&#x00E3;o de direitos.</p>
</abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<title><bold><italic>Abstract</italic></bold></title>
<p><italic>The reflections of the article are the result of a master's research conducted in Brazil, in the years 2015-2018, addressing the historical struggle of female transvestites and transsexuals in the space of activism in the years 2015-2018, addressing the historical struggle of female transvestites and transsexuals in the space of activism. We unveil the social practices, tactics and strategies, focusing on the conquests of social and political space, such as the struggle for visibility of the main agendas of the organized trans movement. We follow a path that covers different temporalities. We rescue the importance of the precursors who contributed to the visibility of the struggle since 1970. Next, we address a brief historical cut of the Brazilian LGBT movement, with the activist participation of transvestites and transsexuals, in the frame of reference from 1990 to 2016. Finally, in the period from 2014 to 2016, we collected narratives of transvestites and transsexuals from the city of Recife, northeastern Brazil, made possible through interviews that demonstrate the continuation of the legacy of resistance to all forms of rights violation.</italic></p>
</trans-abstract>
<kwd-group xml:lang="pt">
<title>Palavras-chave:</title>
<kwd><bold>Travestis</bold></kwd>
<kwd><bold>Pessoas trans</bold></kwd>
<kwd><bold>Pr&#x00E1;ticas sociais</bold></kwd>
<kwd><bold>Direitos humanos</bold></kwd>
</kwd-group>
<kwd-group xml:lang="en">
<title><italic>Keywords:</italic></title>
<kwd><bold><italic>Travestis</italic></bold></kwd>
<kwd><bold><italic>Transexuals</italic></bold></kwd>
<kwd><bold><italic>Social practices</italic></bold></kwd>
<kwd><bold><italic>Human rights</italic></bold></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front>
<body>
<sec id="sec-1-1599" sec-type="intro">
<title><bold>I<sc>ntrodu&#x00E7;&#x00E3;o</sc></bold></title>
<p>As motiva&#x00E7;&#x00F5;es que despertaram meu interesse em escrever sobre o tema das travestis e transexuais femininas, surgiram durante uma experi&#x00EA;ncia profissional que tive no estado de Pernambuco, entre 2008 &#x00E0; 2011.Trabalhei para uma ONG da cidade do Recife, no nordeste brasileiro, chamada GTP+ (Grupo de Trabalho em Preven&#x00E7;&#x00E3;o Posithivo), especializada na luta pelos direitos humanos, no direito ao acesso &#x00E0; sa&#x00FA;de p&#x00FA;blica e na preven&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0;s IST/HIV/Aids. Nesse per&#x00ED;odo, pude acompanhar diariamente travestis que visitavam o espa&#x00E7;o em que trabalh&#x00E1;vamos, para pedir informa&#x00E7;&#x00F5;es sobre acesso &#x00E0; sa&#x00FA;de ou direitos sexuais e, posteriormente, ingressavam como part&#x00ED;cipes de algum projeto social da ONG. Meses depois, algumas delas se engajavam no movimento organizado, participando das atividades, cientes de seu papel social e com poder de fala sobre as viola&#x00E7;&#x00F5;es sofridas, executando den&#x00FA;ncias e mobilizando-se na defesa de seus direitos.</p>
<p>Nos espa&#x00E7;os de articula&#x00E7;&#x00E3;o pol&#x00ED;tica, como o F&#x00F3;rum LGBT e Articula&#x00E7;&#x00E3;o AIDS de Pernambuco, aglutinavam representantes de v&#x00E1;rias organiza&#x00E7;&#x00F5;es da sociedade civil para a&#x00E7;&#x00F5;es conjuntas. Nesses espa&#x00E7;os, as travestis e transexuais em v&#x00E1;rios momentos estavam presentes, mesmo que em menor n&#x00FA;mero. E, foi no espa&#x00E7;o da ONG que me inteirei sobre o tema da luta de travestis e transexuais no campo do ativismo com uma amplitude antes desconhecida do meu percurso pessoal e profissional pela luta pelos direitos humanos. Pelo fato de ter tido aproxima&#x00E7;&#x00E3;o com mulheres travestis e mulheres trans, o foco da pesquisa de mestrado que posteriormente realizei, centrou-se nelas, em suas experi&#x00EA;ncias e viv&#x00EA;ncias enquanto sujeitas.</p>
<p>Sendo assim, esse artigo busca contribuir com reflex&#x00F5;es sobre a luta de travestis e transexuais femininas no pa&#x00ED;s, al&#x00E9;m de sua participa&#x00E7;&#x00E3;o e contribui&#x00E7;&#x00E3;o no movimento LGBTQIA+ brasileiro. Para entender o movimento foi necess&#x00E1;rio olhar para o passado. Para compreender as narrativas das travestis e transexuais entrevistadas em Pernambuco, foi necess&#x00E1;rio situ&#x00E1;-las no contexto da organiza&#x00E7;&#x00E3;o local e nacional. Sendo assim, para buscar evid&#x00EA;ncias se a resist&#x00EA;ncia, atrav&#x00E9;s do exerc&#x00ED;cio da cidadania de travestis e transexuais, gerou conquista de direitos foi necess&#x00E1;rio tra&#x00E7;ar um caminho. Dentre os passos dados, resgatamos avan&#x00E7;os e retrocessos, atrav&#x00E9;s dos principais fatos realizados pelo movimento no Brasil, com um olhar atento na atua&#x00E7;&#x00E3;o das travestis e transexuais. E por fim, ao compreender em profundidade tais informa&#x00E7;&#x00F5;es e dados, foi poss&#x00ED;vel abordar especificamente o ativismo trans na cidade do Recife, estado de Pernambuco.</p>
<sec id="sec-2-1599">
<title><bold>Temporalidades, Metodologia e Procedimentos &#x00C9;ticos</bold></title>
<p>Em 2014, consolido o objetivo de escrever sobre o movimento das travestis e transexuais em Recife e o papel interlocutor da ONG GTP+ nesse processo. O significado principal da disserta&#x00E7;&#x00E3;o que escrevi, <italic>RESIST&#x00CA;NCIA TRANS: Pr&#x00E1;ticas sociais na constru&#x00E7;&#x00E3;o da cidadania de travestis e transexuais na cidade do Recife</italic>, foi, em s&#x00ED;ntese, um processo de resgate da luta e da resist&#x00EA;ncia.</p>
<p>Como anteriormente foi sinalizado, para compreender a luta das travestis e transexuais era necess&#x00E1;rio ter um marco referencial que abordasse a luta delas no pa&#x00ED;s. Ent&#x00E3;o, o resgate da mem&#x00F3;ria de luta, da jornada trilhada para a constru&#x00E7;&#x00E3;o de direitos, edificada pelo exerc&#x00ED;cio da cidadania de uma popula&#x00E7;&#x00E3;o estigmatizada concedeu o embasamento necess&#x00E1;rio para escrever sobre elas. Em s&#x00ED;ntese, trata-se de um ato de zelar pelo legado de resist&#x00EA;ncias de tantas pessoas &#x2014; an&#x00F4;nimas ou conhecidas publicamente &#x2014; que contribu&#x00ED;ram com a defesa dos direitos humanos de travestis e transexuais.</p>
<p>Trilhamos um caminho que abrange temporalidades diferentes. Primeiramente, abordarmos um recorte hist&#x00F3;rico do movimento LGBT brasileiro, com personalidades que contribu&#x00ED;ram para visibilidade desde 1970, e uma pesquisa aprofundada onde o marco referencial parte dos anos 1990 at&#x00E9; 2016. Tal percurso hist&#x00F3;rico oferece embasamento para compreender a constru&#x00E7;&#x00E3;o das organiza&#x00E7;&#x00F5;es locais, mediante a conjuntura nacional e internacional. Al&#x00E9;m disso, contribuem para zelar a mem&#x00F3;ria de luta e resist&#x00EA;ncia do movimento.</p>
<p>No per&#x00ED;odo de 2014 a 2016 foram realizadas entrevistas em profundidade com travestis e transexuais ativistas do Recife, alguns trechos s&#x00E3;o resgatados nesse artigo com prop&#x00F3;sito de ressaltar a import&#x00E2;ncia do ativismo no sentido do reconhecimento e sentimento de pertencimento &#x00E0; condi&#x00E7;&#x00E3;o de transg&#x00EA;nero, contribuindo para a conscientiza&#x00E7;&#x00E3;o da luta coletiva pela garantia de direitos.</p>
<p>&#x00C9; importante esclarecer que, antes das entrevistas concedidas pelas travestis e transexuais o projeto da pesquisa passou por uma an&#x00E1;lise criteriosa e teve o parecer aprovado conforme diretrizes da Comiss&#x00E3;o Nacional de &#x00C9;tica em Pesquisa (CONEP) da Plataforma Brasil<xref ref-type="fn" rid="fn-1-1599"><sup>1</sup></xref>. Todas as pessoas entrevistadas sabiam previamente da minha condi&#x00E7;&#x00E3;o como pesquisadora e a conversa podia durar de 20 minutos a 3 horas. Antes da grava&#x00E7;&#x00E3;o, o objetivo da pesquisa foi manifestado, as d&#x00FA;vidas eram esclarecidas e foi assinado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.</p>
</sec>
</sec>
<sec id="sec-3-1599">
<title><bold>P<sc>ara come&#x00E7;ar: essa luta sempre existiu</sc></bold></title>
<p>Se a tem&#x00E1;tica das travestis e transexuais no Brasil &#x00E9; comum na atualidade, consideramos oportuno apontar que foi trilhado um caminho para chegar a esse patamar, o tema n&#x00E3;o surgiu espontaneamente e nem tampouco foi obra do acaso. Al&#x00E9;m da luta cotidiana de cada travesti e transexual para assegurar condi&#x00E7;&#x00F5;es dignas de vida para si mesmas, temos que valorizar o empenho daquelas que, atrav&#x00E9;s do movimento organizado, pressionaram, propuseram e lutaram como puderam para garantir um espa&#x00E7;o que evidenciasse a relev&#x00E2;ncia de suas pautas.</p>
<p>Existem registros de grupos de travestis que j&#x00E1; se organizavam no Brasil nos anos 70, principalmente em resposta &#x00E0; persegui&#x00E7;&#x00E3;o policial. <xref ref-type="bibr" rid="ref-15-1599">Luiz Morando (2014)</xref> comenta iniciativas de organiza&#x00E7;&#x00E3;o atrav&#x00E9;s de reportagens de jornais de Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais, tradicionalmente marcada por valores conservadores. V&#x00E1;rios bailes e concursos de Miss organizados por travestis e sistematicamente repreendidos com viol&#x00EA;ncia pela pol&#x00ED;cia mineira, sob o discurso de moraliza&#x00E7;&#x00E3;o dos costumes. Entretanto, a viol&#x00EA;ncia n&#x00E3;o impediu que as iniciativas continuassem. Os concursos, realizados no Parque Municipal de Belo Horizonte &#x2014; considerado um espa&#x00E7;o de gueto de homossexuais &#x2014;, contavam com representantes &#x201C;da Guanabara, Esp&#x00ED;rito Santo, Goi&#x00E1;s, Rio Grande do Sul, S&#x00E3;o Paulo, Pernambuco e Minas&#x201D; para elei&#x00E7;&#x00E3;o de representante da &#x201C;classe&#x201D;.</p>
<p>Em outubro de 1966, o Di&#x00E1;rio de Minas reproduziu uma nota de ag&#x00EA;ncia internacional que anunciava a iniciativa de uma associa&#x00E7;&#x00E3;o de homossexuais de Amsterd&#x00E3; para abrir uma entidade que atendesse os direitos de travestis e logo depois constata a tentativa de mobiliza&#x00E7;&#x00E3;o para organiza&#x00E7;&#x00E3;o coletiva de travestis de Belo Horizonte, em pleno per&#x00ED;odo de ditadura militar:</p>
<disp-quote><p>Os homossexuais de Belo Horizonte est&#x00E3;o tentando fundar uma associa&#x00E7;&#x00E3;o chamada &#x201C;Liga dos Libertados do Amor&#x201D;, mas a pol&#x00ED;cia de Costumes j&#x00E1; anunciou que n&#x00E3;o vai permitir a organiza&#x00E7;&#x00E3;o da &#x201C;estranha entidade&#x201D; e prometeu impedir a &#x201C;sali&#x00EA;ncia dos travestis mineiros&#x201D;. O presidente da entidade ser&#x00E1; o jovem conhecido no Maletta por Marcelo, e que tem o apelido de &#x201C;La Rondinella&#x201D;. Informa-se que os homossexuais de Belo Horizonte j&#x00E1; consultaram um advogado para saber se podem imitar os &#x201C;travestis&#x201D; da Holanda, que t&#x00EA;m a sua associa&#x00E7;&#x00E3;o. (citado em Morando, 1966, p. 53).</p></disp-quote>
<p>Tentativas de associa&#x00E7;&#x00E3;o, promo&#x00E7;&#x00E3;o de eventos, como concursos, fasc&#x00ED;nio e persegui&#x00E7;&#x00E3;o, nessa &#x00E9;poca eram esses os acontecimentos que permeavam a vida de travestis no Brasil. Alguns acontecimentos dos anos 80 contribu&#x00ED;ram para a organiza&#x00E7;&#x00E3;o pelos direitos dos homossexuais<xref ref-type="fn" rid="fn-2-1599"><sup>2</sup></xref> em S&#x00E3;o Paulo, mas as travestis eram as que mais sofriam opress&#x00F5;es e viol&#x00EA;ncias. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="ref-17-1599">Nestor Perlongher (1987)</xref>, opera&#x00E7;&#x00F5;es policiais conhecidas como &#x201C;Opera&#x00E7;&#x00E3;o Limpeza&#x201D; e &#x201C;Rond&#x00E3;o&#x201D; sob o comando do delegado Jos&#x00E9; Wilson Richetti, que dizia que &#x201C;a lei deve punir os travestis&#x201D; e insistia que &#x201C;os travestis<xref ref-type="fn" rid="fn-3-1599"><sup>3</sup></xref> deviam ser presos&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-17-1599">Perlongher, 1987</xref>, p. 97). As opera&#x00E7;&#x00F5;es consistiam em batidas policiais que revistavam os frequentadores dos bares da noite no centro de S&#x00E3;o Paulo, al&#x00E9;m de prostitutas, organiza&#x00E7;&#x00F5;es coordenadas por l&#x00E9;sbicas, mas, sobretudo, focavam em revistar e prender travestis.</p>
<p>Atrav&#x00E9;s da articula&#x00E7;&#x00E3;o e organiza&#x00E7;&#x00E3;o coletiva de tais grupos foi realizado um ato p&#x00FA;blico em frente ao Teatro Municipal, em S&#x00E3;o Paulo, em 13 de junho de 1980. As estimativas calcularam entre quinhentos &#x00E0; mil participantes caminhando pelo centro da cidade sem encontrar repress&#x00E3;o policial. As opera&#x00E7;&#x00F5;es de Richetti foram suspensas. Essa foi considerada a primeira grande manifesta&#x00E7;&#x00E3;o do movimento homossexual.</p>
<disp-quote><p>Paradoxalmente &#x00E0; ca&#x00E7;a policial &#x00E0;s travestis nas ruas, outros segmentos como programas de televis&#x00E3;o e propagandas publicit&#x00E1;rias abrem espa&#x00E7;o para a figura travesti. O programa televisivo Hora do Bolinha veicula um concurso de dublagens direcionado a elas. Al&#x00E9;m disso, Roberta Close, de fascinante beleza andr&#x00F3;gina, ganha fama nacional e sua imagem &#x00E9; utilizada de maneira incessante pela m&#x00ED;dia. (<xref ref-type="bibr" rid="ref-20-1599">Trevisan, 1986</xref>, pp. 183-185)</p></disp-quote>
<p>Em 1981, a modelo travesti Roberta Close aparece durante o carnaval e j&#x00E1; era sucesso de vendas entre as revistas do mundo art&#x00ED;stico. No imagin&#x00E1;rio social e conservador da &#x00E9;poca, a figura travesti aproximava-se da marginalidade e, contraditoriamente, Roberta surgia como modelo midi&#x00E1;tica de sensualidade e fama. Ela realizou em 1984 um ensaio fotogr&#x00E1;fico para a revista Playboy, que era uma publica&#x00E7;&#x00E3;o voltada para o p&#x00FA;blico heterossexual.</p>
<p>E em 1990, repetiu o feito, na edi&#x00E7;&#x00E3;o de n&#x00FA;mero 176 do m&#x00EA;s de mar&#x00E7;o, com uma capa que anunciava: &#x0022;Pela primeira vez, o novo corpo de Roberta Close&#x0022;. Considerada como um enigma, a modelo protagonizou um v&#x00ED;deo clipe musical do cantor Erasmo Carlos e sua imagem foi geradora das maiores pol&#x00EA;micas sexuais do Brasil. A presen&#x00E7;a de Roberta coloca em cena nacional a discuss&#x00E3;o sobre o tema da transexualidade.</p>
<p>A artista Claudia Wonder<xref ref-type="fn" rid="fn-4-1599"><sup>4</sup></xref> atingiu fama da cena underground paulistana durante os anos 1980. Foi vocalista da banda Jardim das Del&#x00ED;cias e Truque Sujo, al&#x00E9;m de realizar performances em clubes noturnos. Al&#x00E9;m disso, foi escritora e atriz, participando de pe&#x00E7;as de teatro e filmes como &#x0022;O marginal&#x0022; (1974) e &#x0022;A pr&#x00F3;xima v&#x00ED;tima&#x0022; (1983). Ela se mostrava politizada, a favor da democracia e do fim da ditatura. Foi e ativista dos direitos civis para gays, l&#x00E9;sbicas e trans.</p>
<p>O fasc&#x00ED;nio misturado com a rejei&#x00E7;&#x00E3;o violenta tem sido resposta recorrente na rela&#x00E7;&#x00E3;o da sociedade brasileira com as travestis e as transexuais. Evidenciar a contribui&#x00E7;&#x00E3;o delas e reconhecer o talento, a beleza, a criatividade, a solidariedade e a plena humanidade de pessoas trans &#x00E9; um passo importante para reparar historicamente as contribui&#x00E7;&#x00F5;es invisibilizadas ou apropriadas por outros grupos sociais e movimentos.</p>
<sec id="sec-4-1599">
<title><bold>A solidariedade em detrimento &#x00E0; discrimina&#x00E7;&#x00E3;o</bold></title>
<p>Os anos 80 tamb&#x00E9;m foram marcados pelos primeiros casos de Aids no pa&#x00ED;s. Diferente de outros v&#x00ED;rus, o corpo humano n&#x00E3;o consegue se livrar do HIV. Isso significa que uma vez que se contrai o HIV, a pessoa viver&#x00E1; com o v&#x00ED;rus. Ainda n&#x00E3;o h&#x00E1; cura para a infec&#x00E7;&#x00E3;o com o HIV, entretanto existe o tratamento que pode evitar que a pessoa chegue ao est&#x00E1;gio mais avan&#x00E7;ado de presen&#x00E7;a do v&#x00ED;rus no organismo, desenvolvendo, portanto, a doen&#x00E7;a conhecida como Aids. Diante desse contexto, &#x00E9; importante ressaltar que ningu&#x00E9;m morre de Aids, mas, sim, por doen&#x00E7;as oportunistas causadas pela falha no sistema imunol&#x00F3;gico.</p>
<p>A epidemia trouxe a necessidade emergencial de colocar em debate quest&#x00F5;es consideradas como tabu, encontramos exemplos de escuta, apoio e amparo. Em contraposi&#x00E7;&#x00E3;o ao preconceito, v&#x00E1;rias foram as iniciativas de solidariedade (<xref ref-type="bibr" rid="ref-19-1599">Souza, 2018</xref>).</p>
<p>Dentre elas destaca-se a hist&#x00F3;ria de Brenda Lee, travesti pernambucana que aos 14 anos veio de Pernambuco para S&#x00E3;o Paulo, instalando-se no bairro do Bixiga. No ano de 1984, comprou uma casa que se tornou uma pens&#x00E3;o para travestis e transexuais. Inicialmente chamada de Pens&#x00E3;o da Caetana, amparava jovens abandonados e abandonadas pela fam&#x00ED;lia, sem apoio governamental ou de outras organiza&#x00E7;&#x00F5;es. O espa&#x00E7;o foi conhecido como &#x201C;Pal&#x00E1;cio das Princesas&#x201D;. (<xref ref-type="bibr" rid="ref-20-1599">Trevisan, 1986</xref>)</p>
<p>Algumas travestis come&#x00E7;aram a aparecer doentes. Elas foram acolhidas por Brenda. Buscando recursos para melhorar as condi&#x00E7;&#x00F5;es de acolhimento, Brenda participou de programas de televis&#x00E3;o, palestras, eventos em casas de shows. Foi parabenizada pela apresentadora Hebe Camargo &#x2014; um &#x00ED;cone da televis&#x00E3;o &#x2014; e convidada a v&#x00E1;rios eventos com a inten&#x00E7;&#x00E3;o de angariar fundos. Em 1988, fundou oficialmente a Casa de Apoio Brenda Lee. Por toda milit&#x00E2;ncia e solidariedade &#x201C;ficou famosa, em S&#x00E3;o Paulo, a pens&#x00E3;o da travesti Brenda Lee, que passou a abrigar e sustentar dezenas de travestis infectados ou doentes de aids&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-20-1599">Trevisan, 1986</xref>, p. 369).</p>
<p>O trabalho de Brenda tornou um referencial e um marco importante. Em 28 de maio de 1996, Brenda foi brutalmente assassinada pois descobrira que o motorista da Casa de Apoio havia falsificado um cheque emitido pela v&#x00ED;tima. Sua missa de corpo presente &#x2014; realizada pelo padre J&#x00FA;lio Lancellotti, representando o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns. Por isso, em 21 de outubro de 2008 foi institu&#x00ED;do o &#x201C;Pr&#x00EA;mio Brenda Lee&#x201D; concedido quinquenalmente para sete categorias por ocasi&#x00E3;o das comemora&#x00E7;&#x00F5;es do Dia Mundial de Combate &#x00E0; Aids e anivers&#x00E1;rio do Programa Estadual DST/Aids do Estado de S&#x00E3;o Paulo.</p>
</sec>
<sec id="sec-5-1599">
<title><bold>Cidadania de travestis e transexuais: um hist&#x00F3;rico de luta pela visibilidade</bold></title>
<p>A partir da d&#x00E9;cada de 1990, o movimento LGBT<xref ref-type="fn" rid="fn-5-1599"><sup>5</sup></xref> (l&#x00E9;sbicas, gays, bissexuais e travestis e transexuais) ganharam for&#x00E7;a e sentido no Brasil, tanto na defesa dos direitos sexuais e diretos humanos, quanto na organiza&#x00E7;&#x00E3;o social e pol&#x00ED;tica do pa&#x00ED;s (<xref ref-type="bibr" rid="ref-6-1599">Facchini, 2003</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref-7-1599">2005</xref>).</p>
<p>As Paradas do Orgulho destacam-se como estrat&#x00E9;gia de visibilidade massiva, onde entidades, ONGs, ativistas, homossexuais n&#x00E3;o organizados e simpatizantes &#x00E0; causa participam anualmente e, na atualidade, ocorrem em v&#x00E1;rias capitais e cidades do territ&#x00F3;rio nacional (<xref ref-type="bibr" rid="ref-8-1599">Facchini e Fran&#x00E7;a, 2009</xref>).</p>
<p>O advento da epidemia da Aids e seu impacto paradoxal contribuiu para a organiza&#x00E7;&#x00E3;o de v&#x00E1;rios grupos que posteriormente fundaram ONGs (Organiza&#x00E7;&#x00F5;es N&#x00E3;o-Governamentais) e tamb&#x00E9;m como <xref ref-type="bibr" rid="ref-1-1599">Gabriela Calazans (2011)</xref> menciona; o impacto da epidemia da Aids n&#x00E3;o se deu somente pela viol&#x00EA;ncia das mortes, sofrimento e perdas que causou, mas por retomar, de maneira extrema, a forma como a homossexualidade era tratada historicamente em nossa sociedade, ou melhor dizendo, maltratada.</p>
<p>Surgem associa&#x00E7;&#x00F5;es e espa&#x00E7;os participativos como a funda&#x00E7;&#x00E3;o da ABGLT (Associa&#x00E7;&#x00E3;o Brasileira de Gays, L&#x00E9;sbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais), e o nascimento do ENTLAIDS (Encontro Nacional de Travestis e Liberados que Lutam contra a AIDS).</p>
<p>Posteriormente, nos anos 2000, &#x00E9; fundada a Articula&#x00E7;&#x00E3;o Nacional de Travestis, Transexuais e Transg&#x00EA;neros (ANTRA). Em 2009, outra associa&#x00E7;&#x00E3;o nacional &#x00E9; fundada, a REDE TRANS &#x2014; Rede Nacional de Pessoas Trans do Brasil. (<xref ref-type="bibr" rid="ref-4-1599">Chequer, 2010</xref>) Esclarecidas de seus direitos, travestis e transexuais passaram a reivindic&#x00E1;-los e exigir respeito frente &#x00E0;s suas express&#x00F5;es sexuais e de g&#x00EA;neros por meio de participa&#x00E7;&#x00E3;o em &#x00F3;rg&#x00E3;os de tomadas de decis&#x00F5;es nas esferas municipais, estaduais e federais (<xref ref-type="bibr" rid="ref-16-1599">Peres e Toledo, 2011</xref>).</p>
<p>Destacamos, como um marco hist&#x00F3;rico de avan&#x00E7;o, o programa Brasil sem Homofobia, criado em 2004, sob o trip&#x00E9; de objetivos fundamentais: a promo&#x00E7;&#x00E3;o da cidadania, a equipara&#x00E7;&#x00E3;o de direitos e o combate &#x00E0; viol&#x00EA;ncia contra pessoas LGBT. O programa Brasil sem Homofobia (BSH) resulta em uma pol&#x00ED;tica p&#x00FA;blica de visibilidade e garantia dos direitos de todas as pessoas representadas por essas letras identit&#x00E1;rias. Foi fruto do esfor&#x00E7;o de uma comiss&#x00E3;o de trabalho de v&#x00E1;rias pessoas e representa&#x00E7;&#x00F5;es, entre eles ativistas da causa LGBT, ONGs e representantes de entidades nacionais e estaduais do movimento LGBT. (<xref ref-type="bibr" rid="ref-5-1599">Daniliauskas, 2011</xref>). Al&#x00E9;m disso, houve colabora&#x00E7;&#x00F5;es de membros da comunidade acad&#x00EA;mica, al&#x00E9;m de membros de diversas secretarias ministeriais. A proposta &#x00E9; in&#x00E9;dita por se tratar do surgimento de um programa governamental criado em conjunto com o movimento LGBT.</p>
<p>Cabe destacar que fez parte da Comiss&#x00E3;o Provis&#x00F3;ria de Trabalho, que deu origem ao BSH, a travesti e advogada Jana&#x00ED;na Dutra, que deu sua valiosa contribui&#x00E7;&#x00E3;o ao programa. Jana&#x00ED;na faleceu em 2004 em decorr&#x00EA;ncia de um c&#x00E2;ncer no pulm&#x00E3;o. De sua trajet&#x00F3;ria pessoal e militante surgiu o document&#x00E1;rio de <xref ref-type="bibr" rid="ref-10-1599">Vagner Almeida (2010)</xref> chamado &#x201C;Jana&#x00ED;na Dutra &#x2014; Uma Dama de Ferro&#x201D; Foi a primeira travesti no Brasil que conseguiu sua carteira e filia&#x00E7;&#x00E3;o junto &#x00E0; OAB. Em 1989, tornou-se militante dos direitos humanos dos homossexuais, ocupando a vice-presid&#x00EA;ncia do Grupo de Resist&#x00EA;ncia Asa Branca (GRAB), de Fortaleza.</p>
<p>Jana&#x00ED;na tamb&#x00E9;m contribuiu com a funda&#x00E7;&#x00E3;o da ATRAC &#x2014; Associa&#x00E7;&#x00E3;o de Travestis do Cear&#x00E1;. Exerceu o cargo de Secret&#x00E1;ria de Direitos Humanos (suplente) da Associa&#x00E7;&#x00E3;o Brasileira de Gays, L&#x00E9;sbicas e Transg&#x00EA;neros. Foi tamb&#x00E9;m presidente da ANTRA &#x2014; Articula&#x00E7;&#x00E3;o Nacional de Transg&#x00EA;neros e membro do Conselho Nacional de Combate &#x00E0; Discrimina&#x00E7;&#x00E3;o. Lutou incessantemente pela cidadania das travestis, transexuais e transg&#x00EA;neros contra o preconceito com uma mensagem de respeito e autoestima. Paralelamente &#x00E0;s quest&#x00F5;es ligadas &#x00E0; sa&#x00FA;de, as travestis e transexuais lutavam pela quest&#x00E3;o do uso do nome social. Segundo o document&#x00E1;rio, Jana&#x00ED;na sempre acreditou que todo processo de mudan&#x00E7;a perpassaria pela educa&#x00E7;&#x00E3;o. Ela dizia que era pela educa&#x00E7;&#x00E3;o que se alteraria a cultura do pa&#x00ED;s e a consequ&#x00EA;ncia seria a transforma&#x00E7;&#x00E3;o da vida das travestis.</p>
</sec>
<sec id="sec-6-1599">
<title><bold>Dia da Visibilidade Trans e Nome Social</bold></title>
<p>Outro marco hist&#x00F3;rico de avan&#x00E7;o foi o Dia da Visibilidade Trans que &#x00E9; comemorado em 29 de janeiro porque, em 2004, ativistas travestis, transexuais e transg&#x00EA;neros participaram no Congresso Nacional do lan&#x00E7;amento da primeira campanha contra a transfobia no Brasil. A campanha chamava-se &#x201C;Travesti e Respeito&#x201D;, do Departamento DST, Aids e Hepatites Virais do Minist&#x00E9;rio da Sa&#x00FA;de, e foi criada com o objetivo de sensibilizar educadores e profissionais de sa&#x00FA;de e atentar para a pr&#x00F3;pria cidadania e autoestima de travestis e transexuais.</p>
<p>O Dia de Visibilidade Trans nasce de um dia de luta e mobiliza&#x00E7;&#x00E3;o nacional. Existem alguns elementos inovadores que destaco: a) n&#x00E3;o houve um espelhamento em datas internacionais do movimento LGBT para lan&#x00E7;ar o dia da visibilidade trans brasileiro; b) a a&#x00E7;&#x00E3;o nacional n&#x00E3;o foi impulsionada abaixo do guarda-chuva LGBT, ou seja, foi pensada, idealizada e protagonizada por pessoas trans e as demandas colocadas visibilizavam a popula&#x00E7;&#x00E3;o de travestis, transexuais e transg&#x00EA;neros especificamente; c) apesar da campanha estar sendo em conjunto com o Minist&#x00E9;rio da Sa&#x00FA;de, &#x00E9; vis&#x00ED;vel uma estrat&#x00E9;gia de ampliar as pautas reivindicat&#x00F3;rias, que v&#x00E3;o al&#x00E9;m das pol&#x00ED;ticas de sa&#x00FA;de, ampliando a cidadania almejada que contempla educa&#x00E7;&#x00E3;o, trabalho, conv&#x00ED;vio em sociedade e direitos respeitados; d) o dia da visibilidade trans vem com o objetivo de destacar a diversidade e respeito pelo movimento representado por pessoas trans; e) a a&#x00E7;&#x00E3;o foi feita no mesmo per&#x00ED;odo do lan&#x00E7;amento do Programa BSH, no qual pessoas trans tiveram participa&#x00E7;&#x00E3;o de relev&#x00E2;ncia na constru&#x00E7;&#x00E3;o conjunta.</p>
<p>As conquistas s&#x00E3;o advindas da intencionalidade e trabalho organizado de ONGs e OSCs, associa&#x00E7;&#x00F5;es de abrang&#x00EA;ncia nacional (ANTRA e REDTRANS), o programa Brasil sem Homofobia, Confer&#x00EA;ncias LGBT e Decretos que asseguram o reconhecimento da identidade de g&#x00EA;nero e o nome social de pessoas travestis ou transexuais. Entretanto somente em 2016, no governo da Presidenta Dilma Rousseff, foi emitida uma resolu&#x00E7;&#x00E3;o com abrang&#x00EA;ncia nacional, em forma de decreto sobre o uso do nome social e o reconhecimento da identidade de g&#x00EA;nero de pessoas travestis ou transexuais no &#x00E2;mbito da administra&#x00E7;&#x00E3;o p&#x00FA;blica federal direta, aut&#x00E1;rquica e fundacional.</p>
<p>Os avan&#x00E7;os acontecem, mas os desafios persistem no enfretamento e combate &#x00E0;s discrimina&#x00E7;&#x00F5;es e principalmente das viol&#x00EA;ncias contra pessoas trans. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="ref-18-1599">Ester Pinheiro (2022)</xref> O Brasil est&#x00E1; no topo do tr&#x00E1;gico ranking de assassinatos de travestis e transexuais, o pa&#x00ED;s onde mais se mata essas pessoas. Ainda n&#x00E3;o existe uma lei espec&#x00ED;fica que criminaliza os crimes de &#x00F3;dio contra pessoas trans, l&#x00E9;sbicas ou homossexuais.</p>
<p>E as pessoas travestis e trans est&#x00E3;o em primeiro lugar nos &#x00ED;ndices de mortalidade de LGBTQIA+. Ainda n&#x00E3;o existem mecanismos espec&#x00ED;ficos de prote&#x00E7;&#x00E3;o a essa popula&#x00E7;&#x00E3;o, que n&#x00E3;o encontra acolhida nas medidas estatais e fica indefesa diante dos crimes de &#x00F3;dio.</p>
<p>O homic&#x00ED;dio da travesti cearense Dandara dos Santos &#x00E9; mais um exemplo de crime de &#x00F3;dio. Ela foi espancada a pauladas, tijoladas e, por fim, com tiros no dia 15 de fevereiro de 2017. Dandara foi assassinada durante o dia por um grupo de v&#x00E1;rios homens que filmaram a sua tortura e execu&#x00E7;&#x00E3;o, em meio a ofensas e manifesta&#x00E7;&#x00F5;es de &#x00F3;dio atrav&#x00E9;s de a&#x00E7;&#x00F5;es e discursos. O v&#x00ED;deo foi para as redes sociais e jornais internacionais, o BBC e The New York Times publicaram a tr&#x00E1;gica not&#x00ED;cia.</p>
<disp-quote><p>Podemos reiterar que tais viola&#x00E7;&#x00F5;es: ...de forma geral, repetem o padr&#x00E3;o dos crimes de &#x00F3;dio, motivados por preconceito contra alguma caracter&#x00ED;stica da pessoa agredida que a identifique como parte de um grupo discriminado, socialmente desprotegido, e caracterizados pela forma hedionda como s&#x00E3;o executados, com v&#x00E1;rias facadas, alvejamento sem aviso, apedrejamento (STOTZER, 2007), reiterando, desse modo, a viol&#x00EA;ncia gen&#x00E9;rica e a abje&#x00E7;&#x00E3;o com que s&#x00E3;o tratadas as pessoas transexuais e as travestis no Brasil. (<xref ref-type="bibr" rid="ref-11-1599">Jesus, 2013</xref> p. 11)</p></disp-quote>
<p>N&#x00E3;o h&#x00E1; como justificar qualquer tipo de viol&#x00EA;ncia causada pela homofobia e pelos crimes de &#x00F3;dio no Brasil. Conforme a Declara&#x00E7;&#x00E3;o Universal de Direitos Humanos, toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos, sem distin&#x00E7;&#x00E3;o de qualquer esp&#x00E9;cie, seja de ra&#x00E7;a, cor, sexo, l&#x00ED;ngua, religi&#x00E3;o, opini&#x00E3;o pol&#x00ED;tica ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condi&#x00E7;&#x00E3;o. Segundo a Constitui&#x00E7;&#x00E3;o Brasileira, Art. 5&#x00BA;, todos s&#x00E3;o iguais perante a lei, sem distin&#x00E7;&#x00E3;o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa&#x00ED;s a inviolabilidade do direito &#x00E0; vida, &#x00E0; liberdade, &#x00E0; igualdade, &#x00E0; seguran&#x00E7;a e &#x00E0; propriedade. Conforme o terceiro termo do Art. 5&#x00BA;, ningu&#x00E9;m ser&#x00E1; submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante. Sendo assim, essas pessoas trans t&#x00EA;m todos os direitos pelo fato de serem brasileiras e por serem seres humanos.</p>
</sec>
<sec id="sec-7-1599">
<title><bold>Linha do Tempo</bold></title>
<p>Para facilitar o entendimento de maneira processual, a linha do tempo abaixo descreve os principais acontecimentos no processo de luta e resist&#x00EA;ncia das travestis e transexuais no Brasil (1990-2016).</p>
<list list-type="bullet">
<list-item><p>1990 &#x2013; Forma&#x00E7;&#x00E3;o das primeiras organiza&#x00E7;&#x00F5;es de ativistas travestis</p></list-item>
<list-item><p>1992 &#x2013; Funda&#x00E7;&#x00E3;o da primeira organiza&#x00E7;&#x00E3;o pol&#x00ED;tica de travestis da Am&#x00E9;rica Latina e a segunda do mundo, a Associa&#x00E7;&#x00E3;o das Travestis e Liberados (ASTRAL) na cidade do Rio de Janeiro.</p></list-item>
<list-item><p>1993 &#x2013; I Encontro Nacional de Travestis e Liberados (ENTLAIDS), na cidade do Rio de Janeiro, por iniciativa de uma travesti chamada Jovanna Baby, tendo como ponto de partida o enfrentamento &#x00E0; pandemia da AIDS, de modo a construir respostas das travestis brasileiras &#x00E0; preven&#x00E7;&#x00E3;o do hiv/aids.</p></list-item>
<list-item><p>1995 &#x2013; Funda&#x00E7;&#x00E3;o da ABGLT (Associa&#x00E7;&#x00E3;o Brasileira de Gays, L&#x00E9;sbicas e Travestis), reunindo cerca de 200 organiza&#x00E7;&#x00F5;es espalhadas por todo o Brasil.</p></list-item>
<list-item><p>1996 &#x2013; Reconhecimento p&#x00FA;blico que contemplasse homossexuais no campo da promo&#x00E7;&#x00E3;o dos direitos humanos atrav&#x00E9;s do Plano Nacional de Direitos Humanos, no governo Fernando Henrique Cardoso.</p></list-item>
<list-item><p>1997 &#x2013; O termo &#x0022;travesti&#x0022; passou a ser sigla identit&#x00E1;ria e fazer parte oficialmente dos encontros nacionais.</p></list-item>
<list-item><p>1997 &#x2013; I Parada do Orgulho GLBT em S&#x00E3;o Paulo, reunindo cerca de 2000 pessoas.</p></list-item>
<list-item><p>1999 &#x2013; Fundada a Associa&#x00E7;&#x00E3;o da Parada do Orgulho GLBT de S&#x00E3;o Paulo (APOGLBT) por diversos grupos ativistas para organizar a manifesta&#x00E7;&#x00E3;o, devido ao r&#x00E1;pido ao crescimento do n&#x00FA;mero de participantes em suas tr&#x00EA;s primeiras edi&#x00E7;&#x00F5;es, de 2 mil para 35 mil pessoas</p></list-item>
<list-item><p>2000 &#x2013; Utiliza&#x00E7;&#x00E3;o dos &#x0022;beija&#x00E7;os&#x0022;, forma de mobiliza&#x00E7;&#x00E3;o homossexual inspirados nos Kiss-in norte-americanos, como uma estrat&#x00E9;gia para a visibilidade. O &#x201C;beija&#x00E7;o&#x201D; consiste em uma demonstra&#x00E7;&#x00E3;o p&#x00FA;blica de afeto entre homossexuais em locais em que esta pr&#x00E1;tica &#x00E9; coibida.</p></list-item>
<list-item><p>2000 &#x2013; Funda&#x00E7;&#x00E3;o da ANTRA (Articula&#x00E7;&#x00E3;o Nacional de Travestis, Transexuais e Transg&#x00EA;neros). A organiza&#x00E7;&#x00E3;o impulsiona a participa&#x00E7;&#x00E3;o das travestis e transexuais nas inst&#x00E2;ncias de di&#x00E1;logo e interlocu&#x00E7;&#x00E3;o com ag&#x00EA;ncias p&#x00FA;blicas atuando como propositora de pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas.</p></list-item>
<list-item><p>2002 &#x2013; Foi realizada a elabora&#x00E7;&#x00E3;o do Plano Nacional Direitos Humanos II, que incluiu algumas a&#x00E7;&#x00F5;es direcionadas &#x00E0; popula&#x00E7;&#x00E3;o LGBT, ap&#x00F3;s a participa&#x00E7;&#x00E3;o do Brasil nas Confer&#x00EA;ncias Mundiais dos Direitos Humanos, promovidas pela ONU.</p></list-item>
<list-item><p>2004 &#x2013; Surge o programa Brasil sem Homofobia (BSH) que consiste na forma&#x00E7;&#x00E3;o do &#x201C;trip&#x00E9; da cidadania&#x201D; (Implementa&#x00E7;&#x00E3;o de Coordenadoria, Conselho LGBT e Plano de Combate &#x00E0; Homofobia). O programa, que &#x00E9; uma iniciativa pioneira, consiste em uma s&#x00E9;rie de diretrizes voltadas &#x00E0;s pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas que demonstravam a necessidade de se criar mecanismos para minimizar a viol&#x00EA;ncia atrelada &#x00E0; homofobia e ao sexismo, com o objetivo de promover a cidadania de gays, l&#x00E9;sbicas, travestis, transg&#x00EA;neros e bissexuais, a partir da equipara&#x00E7;&#x00E3;o de direitos e do combate &#x00E0; viol&#x00EA;ncia e &#x00E0; discrimina&#x00E7;&#x00E3;o homof&#x00F3;bica, de travestis e transexuais.</p></list-item>
<list-item><p>2004 &#x2013; Criado o Dia da Visibilidade Trans, comemorado em 29 de janeiro.</p></list-item>
<list-item><p>2005 &#x2013; Foram implantados 15 Centros de Refer&#x00EA;ncia em Direitos Humanos e Cidadania Homossexual (CRDHCH), como desdobramento das propostas do Brasil sem Homofobia (BSH). No ano seguinte, outros 30, em todas as capitais estaduais e em algumas das principais cidades do pa&#x00ED;s.</p></list-item>
<list-item><p>2008 &#x2013; Acontece a I Confer&#x00EA;ncia Nacional de Gays, L&#x00E9;sbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais com a teve a presen&#x00E7;a do ent&#x00E3;o presidente Lula.</p></list-item>
<list-item><p>2008 &#x2013; A APOGLBT alterou a sigla para LGBT adota o novo nome para a Parada anual para Parada do Orgulho LGBT. Passo a passo, a manifesta&#x00E7;&#x00E3;o entrou no calend&#x00E1;rio de v&#x00E1;rias capitais do Brasil.</p></list-item>
<list-item><p>2009 &#x2013; Funda&#x00E7;&#x00E3;o da REDE TRANS &#x2014; Rede Nacional de Pessoas Trans do Brasil. A Rede Trans realiza al&#x00E9;m da atua&#x00E7;&#x00E3;o social e articula&#x00E7;&#x00E3;o com ag&#x00EA;ncias p&#x00FA;blicas, um monitoramento sistem&#x00E1;tico de viol&#x00EA;ncias contra Pessoas Trans no Brasil, abrangendo viola&#x00E7;&#x00F5;es de direitos humanos, suic&#x00ED;dios, assassinatos e tentativas de homic&#x00ED;dio contra travestis, transexuais e homens trans.</p></list-item>
<list-item><p>2009 &#x2013; A Universidade Federal do Amap&#x00E1; foi a institui&#x00E7;&#x00E3;o pioneira na ado&#x00E7;&#x00E3;o do nome social para seus alunos. Depois da primeira ades&#x00E3;o, v&#x00E1;rias outras universidades e escolas p&#x00FA;blicas e privadas t&#x00EA;m adotado tal medida, ampliando assim a cidadania de pessoas trans.</p></list-item>
<list-item><p>2010 &#x2013; O STJ reconhece que casais formados por homossexuais t&#x00EA;m o direito de adotar filhos.</p></list-item>
<list-item><p>2011 &#x2013; STF determina que casais homossexuais tenham os mesmos direitos familiares que casais heterossexuais (pens&#x00E3;o aliment&#x00ED;cia, divis&#x00E3;o de bens, plano de sa&#x00FA;de entre outros)</p></list-item>
<list-item><p>2014 &#x2013; Transexuais (femininas e masculinas) privadas de liberdade passam a ser encaminhadas para as unidades prisionais femininas.</p></list-item>
<list-item><p>2015 &#x2013; Cria&#x00E7;&#x00E3;o do Transcidadania - Programa da Prefeitura de S&#x00E3;o Paulo, criado na gest&#x00E3;o do Prefeito Fernando Haddad, destinado a promover os direitos humanos e a cidadania e oferecer condi&#x00E7;&#x00F5;es e trajet&#x00F3;rias de recupera&#x00E7;&#x00E3;o de oportunidades de vida para travestis e transexuais em situa&#x00E7;&#x00E3;o de vulnerabilidade social.</p></list-item>
<list-item><p>2016 &#x2013; Decreto Federal No 8.727: Nome social garantido em todo territ&#x00F3;rio nacional - No governo da Presidenta Dilma Rousseff foi criado o Decreto sobre o uso do nome social e o reconhecimento da identidade de g&#x00EA;nero de pessoas travestis ou transexuais uma resolu&#x00E7;&#x00E3;o com abrang&#x00EA;ncia nacional.</p></list-item>
</list>
</sec>
</sec>
<sec id="sec-8-1599">
<title><bold>P<sc>r&#x00E1;ticas sociais de travestis e transexuais em</sc> R<sc>ecife na constru&#x00E7;&#x00E3;o cidad&#x00E3;</sc></bold></title>
<p>Muitas travestis e transexuais buscam projetos sociais incentivadas por pessoas conhecidas ou na perspectiva de adquirir conhecimentos sobre seus direitos, encontrar pessoas que estejam nas mesmas condi&#x00E7;&#x00F5;es da vida, que comunguem dos mesmos questionamentos, que queiram fazer parte de um grupo que atue socialmente. Para outras, o interesse em organizar acontece ap&#x00F3;s v&#x00E1;rios est&#x00ED;mulos como participa&#x00E7;&#x00E3;o em eventos, oficinas, palestras. Inicialmente, participavam do projeto com intuito pragm&#x00E1;tico de ter uma bolsa-aux&#x00ED;lio, tem um espa&#x00E7;o de conviv&#x00EA;ncia ou participar de semin&#x00E1;rios em hot&#x00E9;is, obterem maiores informa&#x00E7;&#x00F5;es sobre a preven&#x00E7;&#x00E3;o ao HIV e Aids, sobre seus direitos entre outros assuntos. O envolvimento com a defesa dos direitos e o tornar-se militante &#x00E9; um processo individual que acontece com algumas pessoas.</p>
<p>Em minha pesquisa de mestrado, investiguei as pr&#x00E1;ticas sociais na constru&#x00E7;&#x00E3;o da cidadania de travestis e transexuais na cidade do Recife, buscando ressaltar o contexto da sociedade pernambucana, marcada por sua cultura. Recife &#x00E9; um munic&#x00ED;pio brasileiro e a capital do estado de Pernambuco, localizado no nordeste do pa&#x00ED;s. Segundo o &#x00FA;ltimo censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&#x00ED;stica), possui 1.625.583 milh&#x00F5;es de habitantes, numa &#x00E1;rea de 218,435 km<sup>2</sup>. Mas, o IBGE n&#x00E3;o possui perguntas relacionadas a orienta&#x00E7;&#x00E3;o sexual e identidade de g&#x00EA;nero, sem tais dados, importantes para a implanta&#x00E7;&#x00E3;o de pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas para a popula&#x00E7;&#x00E3;o LGBTQIA+, n&#x00E3;o &#x00E9; poss&#x00ED;vel precisar o quantitativo de pessoas LGBTQIA+ no estado de Pernambuco e em sua capital, Recife.</p>
<p>A ONG GTP+ est&#x00E1; localizada em Recife, foi fundada no dia 1&#x00BA; de dezembro de 2000, Dia Internacional de Luta contra Aids, a partir da necessidade de criar uma entidade coordenada por pessoas vivendo com o HIV e doentes de AIDS. Escolheram a data do dia mundial de Luta Contra Aids para dar origem a uma institui&#x00E7;&#x00E3;o com a preocupa&#x00E7;&#x00E3;o de gerar aos seus benefici&#x00E1;rios um sentimento de identifica&#x00E7;&#x00E3;o e perten&#x00E7;a &#x00E0; institui&#x00E7;&#x00E3;o, que desenvolvessem a&#x00E7;&#x00F5;es de preven&#x00E7;&#x00E3;o com o objetivo de contribuir no enfrentamento da epidemia, buscando encorajar o ativismo e a desenvolver educa&#x00E7;&#x00E3;o para a preven&#x00E7;&#x00E3;o.</p>
<p>O Projeto Mercadores de Ilus&#x00F5;es foi criado em 2002 e desenvolvido para a preven&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0;s DSTs, HIV e Aids destinado aos profissionais do sexo no seu local de trabalho e, posteriormente, os garotos de programa participavam de uma s&#x00E9;rie de oficinas sobre direitos humanos e acesso &#x00E0; sa&#x00FA;de na sede institui&#x00E7;&#x00E3;o GTP+. O Mercadores de Ilus&#x00F5;es foi o primeiro projeto realmente estruturado com financiamento, e tinha como p&#x00FA;blico benefici&#x00E1;rio, o profissional do sexo masculino, ou seja, os garotos de programa. Com a frequ&#x00EA;ncia mais regular do p&#x00FA;blico de travestis em sua sede, a ONG toma a decis&#x00E3;o de inseri-las como benefici&#x00E1;rias de todos os projetos desenvolvidos na institui&#x00E7;&#x00E3;o, incluindo o Projeto Mercadores de Ilus&#x00F5;es.</p>
<p>As experi&#x00EA;ncias coletadas por <xref ref-type="bibr" rid="ref-19-1599">Souza (2018)</xref> e relatadas abaixo s&#x00E3;o de travestis que se tornaram ativistas de direitos humanos retratam o percurso da milit&#x00E2;ncia na cidade do Recife:</p>
<disp-quote>
<p>Eu conheci o projeto Mercadores de Ilus&#x00F5;es. Altair e Luana que me levaram para institui&#x00E7;&#x00E3;o GTP+, eu fui atra&#x00ED;da por R$ 30,00 (trinta reais). Altair disse que tinha R$ 30,00 reais de ajuda de custo. Eu disse que ia. N&#x00E3;o estava fazendo muita coisa e chegando &#x00E0; institui&#x00E7;&#x00E3;o descobri que era uma institui&#x00E7;&#x00E3;o de pessoas vivendo com HIV. Fiquei assustada. Veja s&#x00F3;! Fiquei assustada porque eu pensava: como &#x00E9; que eu vou abra&#x00E7;ar, como &#x00E9; que eu vou tocar? Eu n&#x00E3;o tinha informa&#x00E7;&#x00E3;o de nada, n&#x00E3;o conseguia falar nem da minha pr&#x00F3;pria vida. Eu comecei a entender que eu tamb&#x00E9;m tinha meus limites e que minha mente tamb&#x00E9;m estava atrofiada. Todos os dias de oficina fal&#x00E1;vamos sobre cidadania, direitos humanos, preven&#x00E7;&#x00E3;o de HIV e Aids, o que significava imunidade, tudo isso, a&#x00ED; eu fui expandindo minha mente. Fui expandindo... Fui compartilhando com outras travestis e outras trans. E a&#x00ED; um dia essas pessoas vivendo com HIV me disseram que eu tinha condi&#x00E7;&#x00E3;o de envelhecer com dignidade, que eu tinha condi&#x00E7;&#x00E3;o de ter uma fam&#x00ED;lia, criar expectativa de futuro. Eu, pela primeira vez pensei que poderia viver com mais de 35 anos de idade. Assim eu fui buscando e acreditando, fui expandindo esse conhecimento. Com o passar dos anos me tornei uma militante da causa das travestis, das transexuais e principalmente dos direitos humanos. (Maria Clara de Sena, entrevista pessoal concedida em 14 de novembro de 2015)</p>
</disp-quote>
<p>Observa-se na fala de Maria Clara que o futuro era algo incerto antes de conhecer o projeto, e a expectativa de vida curta era realidade sentenciada. O acolhimento nos espa&#x00E7;os de milit&#x00E2;ncia, normalmente em ONGs, auxilia o reconhecimento e sentimento de pertencimento &#x00E0; condi&#x00E7;&#x00E3;o de transg&#x00EA;nero, contribuindo para constru&#x00E7;&#x00E3;o de la&#x00E7;os de amizade e companheirismo e, al&#x00E9;m disso, para a conscientiza&#x00E7;&#x00E3;o da luta coletiva pela garantia de direitos, que vem atrav&#x00E9;s do exerc&#x00ED;cio da cidadania, conforme expressado por Heymilly:</p>
<disp-quote><p>A quest&#x00E3;o da milit&#x00E2;ncia ocorreu em 2012. J&#x00E1; buscava informa&#x00E7;&#x00F5;es via rede social, com algumas explica&#x00E7;&#x00F5;es&#x2026; Eu pegava algumas not&#x00ED;cias que abordassem a quest&#x00E3;o dos direitos das pessoas trans. Mas, em 2012 eu participei de um projeto na Ong Gestos, que tinha reuni&#x00F5;es &#x00E0; noite, toda quinta feira com as travestis e mulheres trans. A&#x00ED; eu adentrei a essa reuni&#x00E3;o, ainda n&#x00E3;o me reconhecendo enquanto ser humano, enquanto pessoa... Ou seja, ainda n&#x00E3;o reconhecendo minha identidade de g&#x00EA;nero, mas consegui aproxima&#x00E7;&#x00F5;es com pessoas que eu conheci l&#x00E1; e que posteriormente tornaram-se minhas amigas. A&#x00ED; j&#x00E1; me reconhecia, atrav&#x00E9;s delas, como mulher. Depois, mais adiante, tive o contato com Maria Clara, Cristiane Falc&#x00E3;o, J&#x00E9;ssica Taylor aqui em Pernambuco e foi atrav&#x00E9;s delas que eu fui me reconhecendo e passei &#x00E0; milit&#x00E2;ncia, ciente da luta que o Estado de Pernambuco ainda tem, devido ao retrocesso, ao atraso das pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas para essa popula&#x00E7;&#x00E3;o. (Heymilly Maynard, entrevista pessoal concedida em 13 de novembro de 2015)</p></disp-quote>
<p>A partir das falas das travestis e transexuais coletadas nas entrevistas, conhecemos um pouco de Maria Clara de Sena e Heymilly Maynard, ambas pernambucanas. Suas palavras descrevem as pr&#x00E1;ticas sociais na constru&#x00E7;&#x00E3;o da cidadania na cidade do Recife. Dentre as pr&#x00E1;ticas sociais mencionadas &#x2014; como veremos a seguir &#x2014; est&#x00E3;o: a amplia&#x00E7;&#x00E3;o de v&#x00ED;nculos sociais, associa&#x00E7;&#x00E3;o local a uma ONG de defesa dos direitos das pessoas trans, articula&#x00E7;&#x00E3;o de saberes sobre a luta pela cidadania atrav&#x00E9;s da participa&#x00E7;&#x00E3;o de palestras, o uso da metodologia de Educa&#x00E7;&#x00E3;o entre pares, al&#x00E9;m do di&#x00E1;logo com Minist&#x00E9;rio P&#x00FA;blico. Elas buscam criar um ambiente de aprendizagem ativa, com est&#x00ED;mulo ao v&#x00ED;nculo entre pares para compartilhar informa&#x00E7;&#x00F5;es e pensar solu&#x00E7;&#x00F5;es para problemas comuns.</p>
<disp-quote><p>Estamos realizando um workshop que foi feito em v&#x00E1;rias regi&#x00F5;es do Brasil, o &#x00FA;ltimo vai ser agora no Nordeste, chamado &#x2018;Nome civil n&#x00E3;o nos contempla&#x2019; atrav&#x00E9;s da metodologia de educa&#x00E7;&#x00E3;o entre pares. Sabemos que &#x00E9; dif&#x00ED;cil a quest&#x00E3;o do nome social, porque o trabalho se torna negado quando a gente chega com o RG, com o nome que foi colocado por nossos pais, mas na apar&#x00EA;ncia vem uma mulher, uma apar&#x00EA;ncia feminina. Quando a gente est&#x00E1; com o processo de retifica&#x00E7;&#x00E3;o do nome, muitas vezes o juiz pede algo que &#x00E9; inadmiss&#x00ED;vel, pede o laudo psiqui&#x00E1;trico, para tentar comprovar algo que voc&#x00EA; realmente n&#x00E3;o &#x00E9;. Eu n&#x00E3;o sou nenhuma doente para precisar de um laudo psiqui&#x00E1;trico! Isso realmente &#x00E9; inadmiss&#x00ED;vel. Essa &#x00E9; uma realidade que n&#x00E3;o &#x00E9; s&#x00F3; no Nordeste, mas em todo Brasil e nesse momento as trans falam de sua viv&#x00EA;ncia, compartilham estrat&#x00E9;gias e todas n&#x00F3;s aprendemos juntas. (Heymilly Maynard, entrevista pessoal concedida em 13 de novembro de 2015)</p></disp-quote>
<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="ref-2-1599">Calazans (2012)</xref>, a educa&#x00E7;&#x00E3;o entre pares &#x00E9; uma importante forma de abordagem para travestis e transexuais, pois estas est&#x00E3;o presenciando emo&#x00E7;&#x00F5;es e sentimentos similares: a necessidade de um o sentimento de perten&#x00E7;a ao grupo, o direito &#x00E0; informa&#x00E7;&#x00E3;o sobre as legisla&#x00E7;&#x00F5;es, a inseguran&#x00E7;a em como proceder em determinados casos, entre outras situa&#x00E7;&#x00F5;es. E a forma de abord&#x00E1;-las assim permite que as envolvidas possam avaliar o efeito da metodologia utilizada para fomentar o conhecimento em futuras reuni&#x00F5;es, encontros ou workshops e se a aprendizagem compartilhada &#x00E9; colocada em pr&#x00E1;tica com efici&#x00EA;ncia.</p>
<p>O m&#x00E9;todo n&#x00E3;o &#x00E9; novidade, conforme <xref ref-type="bibr" rid="ref-3-1599">Mario Carvalho e S&#x00E9;rgio Carrara (2013)</xref>, as organiza&#x00E7;&#x00F5;es pol&#x00ED;ticas de travestis e transexuais surgem num momento em que as pol&#x00ED;ticas de AIDS j&#x00E1; inclu&#x00ED;am termos como <italic>peer education</italic>, que significa educa&#x00E7;&#x00E3;o entre pares.</p>
<p>Existem duas organiza&#x00E7;&#x00F5;es formadas por travestis e transexuais em Pernambuco, a AMOTRANS (Articula&#x00E7;&#x00E3;o e Movimento para Travestis e Transexuais de Pernambuco) e a NATRAPE (Nova Associa&#x00E7;&#x00E3;o de Travestis, Transexuais e Transformistas de Pernambuco). A funda&#x00E7;&#x00E3;o das duas foi apoiada pela ONG GTP+, desde ceder espa&#x00E7;os f&#x00ED;sicos, at&#x00E9; apoiar com funcion&#x00E1;rios e colaboradores em quest&#x00F5;es de ordem pr&#x00E1;tica (jur&#x00ED;dica, administrativa e capacita&#x00E7;&#x00E3;o em direitos humanos). Ambas adotaram o modelo ONG para legitimar suas atividades conforme descrito por <xref ref-type="bibr" rid="ref-7-1599">Regina Facchini (2005)</xref>, o que &#x00E9; uma tend&#x00EA;ncia da maioria dos grupos que atuam por determinada causa, com a profissionaliza&#x00E7;&#x00E3;o de militantes, no compartilhamento de sedes com outras organiza&#x00E7;&#x00F5;es, na concorr&#x00EA;ncia em editais para projetos sociais financiados pelo Estado, entre outros.</p>
<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="ref-9-1599">Rubem C&#x00E9;sar Fernandes (1985)</xref>, o processo de institucionaliza&#x00E7;&#x00E3;o est&#x00E1; relacionado a expectativas de obter apoio econ&#x00F4;mico para a realiza&#x00E7;&#x00E3;o das atividades, o que n&#x00E3;o necessariamente ocorre dada &#x00E0; escassez de fontes e &#x00E0;s disputas em torno da legitimidade da inser&#x00E7;&#x00E3;o de tem&#x00E1;ticas relacionadas &#x00E0; LGBTQIA+ na agenda pol&#x00ED;tica em &#x00E2;mbito nacional e internacional, potencializando o ambiente competitivo entre organiza&#x00E7;&#x00F5;es.</p>
<p>A partir do momento em que a organiza&#x00E7;&#x00E3;o se torna conhecida, pelas atividades desenvolvidas, pelos projetos executados, pela participa&#x00E7;&#x00E3;o em f&#x00F3;runs, ela tem mais acesso &#x00E0; informa&#x00E7;&#x00E3;o sobre possibilidades de financiamento de projetos ou campanhas e &#x00E9; comum a constru&#x00E7;&#x00E3;o de parcerias para refor&#x00E7;ar a chance de obter apoios econ&#x00F4;micos atrav&#x00E9;s de aprova&#x00E7;&#x00E3;o via editais.</p>
<p>Atrav&#x00E9;s das falas das pessoas envolvidas nessa constru&#x00E7;&#x00E3;o coletiva em prol do bem comum, legitima-se a import&#x00E2;ncia do resgate da jornada de luta e resist&#x00EA;ncia, que perpassa tamb&#x00E9;m pelo processo de institucionaliza&#x00E7;&#x00E3;o, ampliando a agenda de atua&#x00E7;&#x00E3;o. Sintetizar esse processo tamb&#x00E9;m &#x00E9; zelar pela mem&#x00F3;ria das pr&#x00E1;ticas sociais de resist&#x00EA;ncia de travestis e transexuais pelo acesso igualit&#x00E1;rio aos direitos humanos e a uma vida digna de ser vivida.</p>
</sec>
<sec id="sec-9-1599" sec-type="conclusions">
<title><bold>C<sc>onclus&#x00E3;o</sc></bold></title>
<p>Toda mudan&#x00E7;a em prol da justi&#x00E7;a social exige um esfor&#x00E7;o para compreendermos melhor a pluralidade, refletirmos sobre a constru&#x00E7;&#x00E3;o da cidadania considerando os conceitos de diferen&#x00E7;a e de igualdade. Como vimos, as pr&#x00E1;ticas sociais de resist&#x00EA;ncia das travestis e transexuais, na luta pela garantia de direitos atrav&#x00E9;s do exerc&#x00ED;cio livre da cidadania, e as sujeitas da pesquisa, munidas de desafios, mas, sobretudo, de sonhos. Atrav&#x00E9;s das falas e posicionamentos de nossas entrevistadas, presenciamos viv&#x00EA;ncias de luta e conquistas, mas tamb&#x00E9;m decep&#x00E7;&#x00F5;es, viola&#x00E7;&#x00F5;es de direitos humanos, amea&#x00E7;as, frustra&#x00E7;&#x00F5;es e, apesar de tudo, esperan&#x00E7;a.</p>
<p>Consideramos que a resist&#x00EA;ncia, atrav&#x00E9;s do exerc&#x00ED;cio da cidadania de travestis e transexuais gerou conquista de direitos. Essas conquistas foram decorrentes de um processo caracterizado por conflitos, embates e fric&#x00E7;&#x00F5;es, press&#x00F5;es nos &#x00E2;mbitos internos e externos, nacionais e internacionais. Al&#x00E9;m disso, resultaram de acordos entre v&#x00E1;rias lutadoras sociais que, inseridas em um cen&#x00E1;rio social, apesar das rela&#x00E7;&#x00F5;es de disputa e interesses pol&#x00ED;ticos envolvidos, lutavam por seus direitos e implanta&#x00E7;&#x00E3;o de pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas que os assegurassem. Houve avan&#x00E7;os e pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas, como o Programa Brasil sem Homofobia, o Decreto Federal N&#x00BA; 8.727 sobre o uso do nome social e o reconhecimento da identidade de g&#x00EA;nero de pessoas travestis ou transexuais e tamb&#x00E9;m a cria&#x00E7;&#x00E3;o do Dia da Invisibilidade Trans.</p>
<p>No entanto, ainda existe um caminho a ser percorrido. A maioria dos estados n&#x00E3;o instituiu o trip&#x00E9; da cidadania (Coordenadoria, Conselho LGBT e Plano de Combate &#x00E0; Homofobia). A maioria das prefeituras ignora o tema das pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas LGBT, n&#x00E3;o instituindo a&#x00E7;&#x00E3;o de combate &#x00E0; homofobia. Ainda existe o desafio das pessoas trans serem inclu&#x00ED;das em outras pol&#x00ED;ticas sociais, resguardando o direito de vivenciar sua identidade de g&#x00EA;nero e orienta&#x00E7;&#x00E3;o sexual, sendo tratadas como cidad&#x00E3;s, com suas vidas asseguradas em situa&#x00E7;&#x00F5;es de manifesta&#x00E7;&#x00F5;es de &#x00F3;dio pelo simples fato de serem o que s&#x00E3;o.</p>
</sec>
</body>
<back>
<fn-group>
<fn fn-type="other" id="fn-1-1599"><label>1</label> <p>Comiss&#x00E3;o Nacional de &#x00C9;tica em Pesquisa (CONEP): CAAE: 61904816.3.0000.5482. Submetido em: 04/11/2016 na Plataforma Brasil. Institui&#x00E7;&#x00E3;o Proponente: Programa de Estudos P&#x00F3;s-Graduados em Ci&#x00EA;ncias Sociais. Situa&#x00E7;&#x00E3;o da Vers&#x00E3;o do Projeto: Aprovado em 29/03/2017.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn-2-1599"><label>2</label> <p>Na &#x00E9;poca, utiliza-se a nomenclatura movimento homossexual.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn-3-1599"><label>3</label> <p>O uso por parte da imprensa e da pol&#x00ED;cia do substantivo masculino &#x201C;o travesti&#x201D; era comum na &#x00E9;poca.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn-4-1599"><label>4</label> <p>Em 2009, sua vida foi retratada no document&#x00E1;rio &#x0022;Meu amigo Claudia&#x0022;, de D&#x00E1;cio Pinheiro, premiado em diversos festivais dedicados ao cinema gay.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn-5-1599"><label>5</label> <p>Na atualidade h&#x00E1; inclus&#x00E3;o de varia&#x00E7;&#x00F5;es da sigla LGBT, para designar outros movimentos e identidades em constru&#x00E7;&#x00E3;o (Intersexos, Queer, Assexuais ou mesmo um sinal de +, ou seja, LGBTQIA+) para incluir outras identidades de g&#x00EA;nero e orienta&#x00E7;&#x00F5;es sexuais que n&#x00E3;o se encaixam no padr&#x00E3;o cis-heteronormativo, segundo <xref ref-type="bibr" rid="ref-12-1599">Jaqueline Gomes de Jesus (2012)</xref>.</p></fn>
</fn-group>
<ref-list>
<title><bold>R<sc>efer&#x00EA;ncias</sc></bold></title>
<ref id="ref-1-1599"><element-citation publication-type="thesis"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Calazans</surname> <given-names>Gabriela Junqueira</given-names></name></person-group> <year>2011</year> <source>Pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas de sa&#x00FA;de e reconhecimento: um estudo sobre preven&#x00E7;&#x00E3;o da infec&#x00E7;&#x00E3;o pelo HIV para homens que fazem sexo com homens. 2018</source> <comment>Tese de Doutorado in&#x00E9;dita</comment> <publisher-name>Universidade de S&#x00E3;o Paulo</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Calazans, Gabriela Junqueira (2011). <italic>Pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas de sa&#x00FA;de e reconhecimento: um estudo sobre preven&#x00E7;&#x00E3;o da infec&#x00E7;&#x00E3;o pelo HIV para homens que fazem sexo com homens. 2018</italic>. Tese de Doutorado in&#x00E9;dita, Universidade de S&#x00E3;o Paulo.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-2-1599"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Calazans</surname> <given-names>Gabriela</given-names></name></person-group> <year>2012</year> <chapter-title>Educa&#x00E7;&#x00E3;o entre pares: uma tecnologia em busca de defini&#x00E7;&#x00F5;es</chapter-title> <comment>In</comment> <person-group person-group-type="author"><name><surname>Vera</surname> <given-names>Paiva</given-names></name> <name><surname>Pupo</surname> <given-names>Ligia R.</given-names></name> <name><surname>Fernando</surname> <given-names>Seffner</given-names></name></person-group> <role>Orgs.</role> <source>Vulnerabilidade e Direitos Humanos? Promo&#x00E7;&#x00E3;o e Preven&#x00E7;&#x00E3;o da Sa&#x00FA;de? Livro III - Pluralidade de Vozes e Inova&#x00E7;&#x00E3;o de Pr&#x00E1;ticas</source> <edition>1&#x00BA; ed.</edition> <comment>pp.</comment> <fpage>137</fpage><lpage>152</lpage> <publisher-name>Juru&#x00E1; Editora</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Calazans, Gabriela (2012). Educa&#x00E7;&#x00E3;o entre pares: uma tecnologia em busca de defini&#x00E7;&#x00F5;es. In: Vera Paiva, Ligia R. Pupo &#x0026; Fernando Seffner (Orgs.), <italic>Vulnerabilidade e Direitos Humanos? Promo&#x00E7;&#x00E3;o e Preven&#x00E7;&#x00E3;o da Sa&#x00FA;de? Livro III - Pluralidade de Vozes e Inova&#x00E7;&#x00E3;o de Pr&#x00E1;ticas</italic> (1&#x00BA; ed., pp. 137-152). Juru&#x00E1; Editora.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-3-1599"><element-citation publication-type="journal"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Carvalho</surname> <given-names>Mario</given-names></name> <name><surname>Carrara</surname> <given-names>S&#x00E9;rgio</given-names></name></person-group> <year>2013</year> <article-title>Em direito a um futuro trans?: contribui&#x00E7;&#x00E3;o para a hist&#x00F3;ria do movimento de travestis e transexuais no Brasil</article-title> <source>Sex., Salud Soc.</source> <volume>14</volume> <fpage>319</fpage><lpage>351</lpage> <pub-id pub-id-type="doi">10.1590/S1984-64872013000200015</pub-id></element-citation>
<mixed-citation>Carvalho, Mario &#x0026; Carrara, S&#x00E9;rgio (2013). Em direito a um futuro trans?: contribui&#x00E7;&#x00E3;o para a hist&#x00F3;ria do movimento de travestis e transexuais no Brasil. <italic>Sex., Salud Soc., 14</italic>, 319-351. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.1590/S1984-64872013000200015">https://doi.org/10.1590/S1984-64872013000200015</ext-link></mixed-citation></ref>
<ref id="ref-4-1599"><element-citation publication-type="thesis"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Chequer</surname> <given-names>Jamile</given-names></name></person-group> <year>2010</year> <source>Das ONGs/aids ao movimento social travesti - Intera&#x00E7;&#x00E3;o Estado-sociedade, din&#x00E2;micas complexas e identidades em constru&#x00E7;&#x00E3;o</source> <comment>Disserta&#x00E7;&#x00E3;o de Mestrado in&#x00E9;dita</comment> <publisher-name>Pontif&#x00ED;cia Universidade Cat&#x00F3;lica do Rio de Janeiro</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Chequer, Jamile (2010). <italic>Das ONGs/aids ao movimento social travesti - Intera&#x00E7;&#x00E3;o Estado-sociedade, din&#x00E2;micas complexas e identidades em constru&#x00E7;&#x00E3;o</italic>. Disserta&#x00E7;&#x00E3;o de Mestrado in&#x00E9;dita, Pontif&#x00ED;cia Universidade Cat&#x00F3;lica do Rio de Janeiro.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-5-1599"><element-citation publication-type="thesis"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Daniliauskas</surname> <given-names>Marcelo</given-names></name></person-group> <year>2011</year> <source>Rela&#x00E7;&#x00F5;es de g&#x00EA;nero, diversidade sexual e pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas de educa&#x00E7;&#x00E3;o: uma an&#x00E1;lise do Programa Brasil Sem Homofobia</source> <comment>Disserta&#x00E7;&#x00E3;o de Mestrado in&#x00E9;dita</comment> <publisher-name>Universidade de S&#x00E3;o Paulo</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Daniliauskas. Marcelo (2011). <italic>Rela&#x00E7;&#x00F5;es de g&#x00EA;nero, diversidade sexual e pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas de educa&#x00E7;&#x00E3;o: uma an&#x00E1;lise do Programa Brasil Sem Homofobia.</italic> Disserta&#x00E7;&#x00E3;o de Mestrado in&#x00E9;dita. Universidade de S&#x00E3;o Paulo.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-6-1599"><element-citation publication-type="journal"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Facchini</surname> <given-names>Regina</given-names></name></person-group> <year>2003</year> <article-title>Movimento Homossexual no Brasil: recompondo um hist&#x00F3;rico</article-title> <source>Cadernos AEL</source> <volume>10</volume><issue>18/19</issue> <fpage>81</fpage><lpage>124</lpage></element-citation>
<mixed-citation>Facchini, Regina (2003). Movimento Homossexual no Brasil: recompondo um hist&#x00F3;rico. <italic>Cadernos AEL, 10</italic>(18/19), 81-124.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-7-1599"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Facchini</surname> <given-names>Regina</given-names></name></person-group> <year>2005</year> <source>Sopa de Letrinhas?: movimento homossexual e produ&#x00E7;&#x00E3;o de identidades coletivas nos anos 90</source> <publisher-name>Garamond</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Facchini, Regina (2005). <italic>Sopa de Letrinhas?: movimento homossexual e produ&#x00E7;&#x00E3;o de identidades coletivas nos anos 90.</italic> Garamond.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-8-1599"><element-citation publication-type="journal"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Facchini</surname> <given-names>Regina</given-names></name> <name><surname>Fran&#x00E7;a</surname> <given-names>Isadora</given-names></name></person-group> <year>2009</year> <article-title>Entre compassos e descompassos: um olhar para o &#x201C;campo&#x201D; e para a &#x201C;arena&#x201D; do movimento LGBT brasileiro</article-title> <source>Bagoas: Revista de Estudos Gays</source> <volume>3</volume><issue>4</issue> <fpage>131</fpage><lpage>158</lpage></element-citation>
<mixed-citation>Facchini, Regina &#x0026; Fran&#x00E7;a, Isadora (2009). Entre compassos e descompassos: um olhar para o &#x201C;campo&#x201D; e para a &#x201C;arena&#x201D; do movimento LGBT brasileiro. <italic>Bagoas: Revista de Estudos Gays</italic>, <italic>3</italic>(4), 131-158.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-9-1599"><element-citation publication-type="journal"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Fernandes</surname> <given-names>Rubem C&#x00E9;sar</given-names></name></person-group> <year>1985</year> <article-title>Sem fins lucrativos</article-title> <source>Comunica&#x00E7;&#x00F5;es do Iser</source> <volume>4</volume><issue>15</issue> <fpage>13</fpage><lpage>31</lpage></element-citation>
<mixed-citation>Fernandes, Rubem C&#x00E9;sar (1985). Sem fins lucrativos. <italic>Comunica&#x00E7;&#x00F5;es do Iser, 4</italic>(15), 13-31.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-10-1599"><element-citation publication-type="webpage"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Almeida</surname> <given-names>Vagner</given-names></name></person-group> <role>Diretor</role> <year>2010</year> <source>Janaina Dutra -Uma dama de ferro</source> <comment>Document&#x00E1;rio</comment> <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.youtube.com/watch?v=ozB7Sddli98">https://www.youtube.com/watch?v=ozB7Sddli98</ext-link></element-citation>
<mixed-citation>Almeida, Vagner (Diretor) (2010). <italic>Janaina Dutra -Uma dama de ferro</italic> [Document&#x00E1;rio]. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.youtube.com/watch?v=ozB7Sddli98">https://www.youtube.com/watch?v=ozB7Sddli98</ext-link></mixed-citation></ref>
<ref id="ref-11-1599"><element-citation publication-type="journal"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Jesus</surname> <given-names>Jaqueline Gomes de</given-names></name></person-group> <year>2013</year> <article-title>Transfobia e crimes de &#x00F3;dio: Assassinatos de pessoas transg&#x00EA;nero como genoc&#x00ED;dio</article-title> <source>Hist&#x00F3;ria Agora</source> <volume>16</volume><issue>2</issue> <fpage>101</fpage><lpage>123</lpage></element-citation>
<mixed-citation>Jesus, Jaqueline Gomes de (2013) Transfobia e crimes de &#x00F3;dio: Assassinatos de pessoas transg&#x00EA;nero como genoc&#x00ED;dio. <italic>Hist&#x00F3;ria Agora, 16</italic>(2), 101-123.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-12-1599"><element-citation publication-type="webpage"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Jesus</surname> <given-names>Jaqueline Gomes de</given-names></name></person-group> <year>2012</year> <source>Orienta&#x00E7;&#x00F5;es sobre a popula&#x00E7;&#x00E3;o transg&#x00EA;nero: conceitos e termos</source> <publisher-name>Autor</publisher-name> <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://issuu.com/jaquelinejesus/docs/orienta__es_popula__o_trans">https://issuu.com/jaquelinejesus/docs/orienta__es_popula__o_trans</ext-link></element-citation>
<mixed-citation>Jesus, Jaqueline Gomes de (2012). <italic>Orienta&#x00E7;&#x00F5;es sobre a popula&#x00E7;&#x00E3;o transg&#x00EA;nero: conceitos e termos</italic>. Autor. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://issuu.com/jaquelinejesus/docs/orienta__es_popula__o_trans">https://issuu.com/jaquelinejesus/docs/orienta__es_popula__o_trans</ext-link></mixed-citation></ref>
<ref id="ref-13-1599"><element-citation publication-type="webpage"><person-group person-group-type="author"><collab>Minist&#x00E9;rio da Sa&#x00FA;de</collab></person-group> <year>2004</year> <source>Programa Nacional de DST-AIDS</source> <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.aids.gov.br/">http://www.aids.gov.br/</ext-link></element-citation>
<mixed-citation>Minist&#x00E9;rio da Sa&#x00FA;de (2004). <italic>Programa Nacional de DST-AIDS</italic>. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.aids.gov.br/">http://www.aids.gov.br/</ext-link>.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-14-1599"><element-citation publication-type="webpage"><person-group person-group-type="author"><collab>Minist&#x00E9;rio da Sa&#x00FA;de/Conselho Nacional de Combate &#x00E0; Discrimina&#x00E7;&#x00E3;o</collab></person-group> <year>2004</year> <source>Brasil Sem Homofobia: Programa de combate &#x00E0; viol&#x00EA;ncia e &#x00E0; discrimina&#x00E7;&#x00E3;o contra GLTB e promo&#x00E7;&#x00E3;o da cidadania homossexual</source> <publisher-name>Autor</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Minist&#x00E9;rio da Sa&#x00FA;de/Conselho Nacional de Combate &#x00E0; Discrimina&#x00E7;&#x00E3;o (2004). <italic>Brasil</italic> Sem <italic>Homofobia: Programa de combate &#x00E0; viol&#x00EA;ncia e &#x00E0; discrimina&#x00E7;&#x00E3;o contra GLTB e promo&#x00E7;&#x00E3;o da cidadania homossexual</italic>. Autor.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-15-1599"><element-citation publication-type="journal"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Morando</surname> <given-names>Luiz</given-names></name></person-group> <year>2014</year> <article-title>Por baixo dos panos: repress&#x00E3;o a gays e travestis em Belo Horizonte (1963-1969)</article-title> <comment>In</comment> <person-group person-group-type="author"><name><surname>James</surname> <given-names>Green</given-names></name> <name><surname>Renan</surname> <given-names>Quinalha</given-names></name></person-group> <role>Orgs.</role> <source>Ditadura e homossexualidades: repress&#x00E3;o, resist&#x00EA;ncia e a busca da verdade</source> <edition>1&#x00AA; ed.</edition> <volume>v. 1</volume> <comment>pp.</comment> <fpage>53</fpage><lpage>81</lpage> <publisher-name>EdUFSCAR</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Morando, Luiz (2014). Por baixo dos panos: repress&#x00E3;o a gays e travestis em Belo Horizonte <italic>(1963-1969)</italic>. In: James Green &#x0026; Renan Quinalha (Orgs.), <italic>Ditadura e homossexualidades: repress&#x00E3;o, resist&#x00EA;ncia e a busca da verdade</italic> (1&#x00AA; ed., v. 1, pp. 53-81). EdUFSCAR</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-16-1599"><element-citation publication-type="journal"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Peres</surname> <given-names>Wiliam S.</given-names></name> <name><surname>Toledo</surname> <given-names>L&#x00ED;via G.</given-names></name></person-group> <year>2011</year> <article-title>Dissid&#x00EA;ncias existenciais de g&#x00EA;nero: resist&#x00EA;ncias e enfrentamentos ao biopoder</article-title> <source>Revista Eletr&#x00F4;nica de Psicolog&#x00ED;a Pol&#x00ED;tica</source> <volume>11</volume><issue>22</issue> <fpage>261</fpage><lpage>277</lpage> <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://hdl.handle.net/11449/127026">http://hdl.handle.net/11449/127026</ext-link></element-citation>
<mixed-citation>Peres, Wiliam S. &#x0026; Toledo, L&#x00ED;via G. (2011). Dissid&#x00EA;ncias existenciais de g&#x00EA;nero: resist&#x00EA;ncias e enfrentamentos ao biopoder. <italic>Revista Eletr&#x00F4;nica de Psicolog&#x00ED;a Pol&#x00ED;tica, 11</italic>(22), 261-277. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://hdl.handle.net/11449/127026">http://hdl.handle.net/11449/127026</ext-link></mixed-citation></ref>
<ref id="ref-17-1599"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Perlongher</surname> <given-names>Nestor</given-names></name></person-group> <year>1987</year> <source>O neg&#x00F3;cio do mich&#x00EA;: prostitui&#x00E7;&#x00E3;o viril em S&#x00E3;o Paulo</source> <publisher-name>Editora Brasiliense</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Perlongher, Nestor (1987). <italic>O neg&#x00F3;cio do mich&#x00EA;: prostitui&#x00E7;&#x00E3;o viril em S&#x00E3;o Paulo</italic>. Editora Brasiliense.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-18-1599"><element-citation publication-type="webpage"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Pinheiro</surname> <given-names>Ester</given-names></name></person-group> <year>2022</year> <month>01</month> <day>23</day> <article-title>H&#x00E1; 13 anos no topo da lista, Brasil continua sendo o pa&#x00ED;s que mais mata pessoas trans no mundo</article-title> <source>Brasil de Fato</source> <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.brasildefato.com.br/2022/01/23/ha-13-anos-no-topo-da-lista-brasil-continua-sendo-o-pais-que-mais-mata-pessoas-trans-no-mundo">https://www.brasildefato.com.br/2022/01/23/ha-13-anos-no-topo-da-lista-brasil-continua-sendo-o-pais-que-mais-mata-pessoas-trans-no-mundo</ext-link></element-citation>
<mixed-citation>Pinheiro, Ester (2022, janeiro 23). H&#x00E1; 13 anos no topo da lista, Brasil continua sendo o pa&#x00ED;s que mais mata pessoas trans no mundo. <italic>Brasil de Fato</italic>. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.brasildefato.com.br/2022/01/23/ha-13-anos-no-topo-da-lista-brasil-continua-sendo-o-pais-que-mais-mata-pessoas-trans-no-mundo">https://www.brasildefato.com.br/2022/01/23/ha-13-anos-no-topo-da-lista-brasil-continua-sendo-o-pais-que-mais-mata-pessoas-trans-no-mundo</ext-link></mixed-citation></ref>
<ref id="ref-19-1599"><element-citation publication-type="thesis"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Souza</surname> <given-names>Cristiane Prudenciano</given-names></name></person-group> <year>2018</year> <source>Resist&#x00EA;ncia Trans. Pr&#x00E1;ticas Sociais na constru&#x00E7;&#x00E3;o da cidadania de Travestis e Transexuais na cidade do Recife</source> <comment>Disserta&#x00E7;&#x00E3;o de Mestrado in&#x00E9;dita</comment> <publisher-name>Pontif&#x00ED;cia Universidade Cat&#x00F3;lica de S&#x00E3;o Paulo</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Souza, Cristiane Prudenciano (2018). <italic>Resist&#x00EA;ncia Trans. Pr&#x00E1;ticas Sociais na constru&#x00E7;&#x00E3;o da cidadania de Travestis e Transexuais na cidade do Recife</italic>. Disserta&#x00E7;&#x00E3;o de Mestrado in&#x00E9;dita, Pontif&#x00ED;cia Universidade Cat&#x00F3;lica de S&#x00E3;o Paulo.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-20-1599"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Trevisan</surname> <given-names>Jo&#x00E3;o Silv&#x00E9;rio</given-names></name></person-group> <year>1986</year> <source>Devassos no Para&#x00ED;so. A Homossexualidade no Brasil, da col&#x00F4;nia &#x00E0; atualidade</source> <publisher-name>Max Limonad</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Trevisan, Jo&#x00E3;o Silv&#x00E9;rio (1986). <italic>Devassos no Para&#x00ED;so. A Homossexualidade no Brasil, da col&#x00F4;nia &#x00E0; atualidade</italic>. Max Limonad.</mixed-citation></ref>
</ref-list>
</back>
</article>
