<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "JATS-journalpublishing1.dtd">
<article article-type="research-article" dtd-version="1.1" specific-use="sps-1.9" xml:lang="pt" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink">
<front>
<journal-meta>
<journal-id journal-id-type="publisher-id">QPs</journal-id>
<journal-title-group>
<journal-title>Quaderns de Psicologia</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">qpsicologia</abbrev-journal-title>
</journal-title-group>
<issn pub-type="ppub">0211-3481</issn>
<issn pub-type="epub">2014-4520</issn>
<publisher>
<publisher-name>Universitat Aut&#x00F2;noma de Barcelona</publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id pub-id-type="publisher-id">QPs.1846</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.5565/rev/qpsicologia.1846</article-id>
<article-categories>
<subj-group subj-group-type="heading">
<subject>Articles</subject>
</subj-group>
</article-categories>
<title-group>
<article-title>Quantas inf&#x00E2;ncias? um estudo explorat&#x00F3;rio sobre discursos institucionais em defesa da primeira inf&#x00E2;ncia</article-title>
<trans-title-group>
<trans-title xml:lang="en"><italic>How many childhoods? an exploratory study on institutional discourses in defense of early childhood</italic></trans-title>
</trans-title-group>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author" corresp="yes">
<contrib-id contrib-id-type="orcid">https://orcid.org/0000-0003-4777-0232</contrib-id>
<name>
<surname>Souza</surname>
<given-names>Ana Paula Hachich de</given-names>
</name>
<bio><p>Psic&#x00F3;loga com especializa&#x00E7;&#x00E3;o em Psicologia Cl&#x00ED;nica, no Diagn&#x00F3;stico, na Psicoterapia e na Institui&#x00E7;&#x00E3;o; especialista pelo Conselho Federal de Psicologia em Psicologia Jur&#x00ED;dica e Mestre em Servi&#x00E7;o Social e Pol&#x00ED;ticas Sociais pela Universidade Federal de S&#x00E3;o Paulo (UNIFESP).</p></bio>
<email>anahachich@gmail.com</email>
<xref ref-type="aff" rid="aff1"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<contrib-id contrib-id-type="orcid">https://orcid.org/0000-0002-8788-6478</contrib-id>
<name>
<surname>Nakamura</surname>
<given-names>Carlos Renato</given-names>
</name>
<bio><p>Psic&#x00F3;logo com especializa&#x00E7;&#x00E3;o em Psicologia Jur&#x00ED;dica, Mestre em Ci&#x00EA;ncias - Psicologia pela Universidade de S&#x00E3;o Paulo (USP), campus Ribeir&#x00E3;o Preto.</p></bio>
<email>crnakamura@alumni.usp.br</email>
<xref ref-type="aff" rid="aff1"/>
</contrib>
<aff id="aff1">
<institution content-type="original">Tribunal de Justi&#x00E7;a do Estado de S&#x00E3;o Paulo</institution>
<institution content-type="orgname">Tribunal de Justi&#x00E7;a do Estado de S&#x00E3;o Paulo</institution>
<country>&#x00A0;</country>
</aff>
</contrib-group>
<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
<day>06</day>
<month>03</month>
<year>2023</year>
</pub-date>
<pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">
<year>2023</year>
</pub-date>
<volume>25</volume>
<issue>1</issue>
<elocation-id>e1846</elocation-id>
<history>
<date date-type="received">
<day>16</day>
<month>06</month>
<year>2021</year>
</date>
<date date-type="rev-request">
<day>07</day>
<month>04</month>
<year>2022</year>
</date>
<date date-type="accepted">
<day>10</day>
<month>08</month>
<year>2022</year>
</date>
</history>
<permissions>
<copyright-statement>&#x00A9; 2023 Els autors / The authors</copyright-statement>
<copyright-year>2023</copyright-year>
<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.en" xml:lang="pt">
<license-p>Aquesta obra est&#x00E0; sota una llic&#x00E8;ncia internacional Creative Commons Reconeixement 4.0. CC BY</license-p>
</license>
</permissions>
<abstract>
<title><bold>Resumo</bold></title>
<p>A defesa da Primeira Inf&#x00E2;ncia tem despontado no Brasil nos &#x00FA;ltimos anos com importante mobiliza&#x00E7;&#x00E3;o e milit&#x00E2;ncia dentro de um conjunto de lutas por direitos da inf&#x00E2;ncia e juventude mais amplo e que t&#x00EA;m como matriz os Direitos Humanos e as conquistas de movimentos sociais que permitiram o advento do Estatuto da Crian&#x00E7;a e do Adolescente (ECA). Neste artigo, com o objetivo de analisar especificidades do movimento pela Primeira Inf&#x00E2;ncia, apresentamos uma pesquisa documental explorat&#x00F3;ria sobre discursos de institui&#x00E7;&#x00F5;es e organiza&#x00E7;&#x00F5;es ligadas a essa frente por meio de materiais veiculados em seus s&#x00ED;tios eletr&#x00F4;nicos. O material selecionado foi submetido &#x00E0; an&#x00E1;lise de conte&#x00FA;do, meio pelo qual sistematizamos tr&#x00EA;s categorias tem&#x00E1;ticas. Os resultados sugerem que parte das reivindica&#x00E7;&#x00F5;es dos grupos pela Primeira Inf&#x00E2;ncia concorrem com a Prote&#x00E7;&#x00E3;o Integral quanto &#x00E0; concep&#x00E7;&#x00E3;o do sujeito crian&#x00E7;a e adolescente e de seu desenvolvimento. Os achados foram discutidos criticamente e pela perspectiva da Psicologia Jur&#x00ED;dica.</p>
</abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<title><bold><italic>Abstract</italic></bold></title>
<p><italic>Early childhood has emerged in Brazil in recent years with important mobilization and militancy within a set of struggles for the rights of the child embedded on Human Rights and the social movements that allowed the Brazil&#x2019;s Child and Adolescent Statute to surge. In this article, and aiming to analyze Early Childhood movement specificities, we present an exploratory research on institutional and organizational discourses from Brazil&#x2019;s Early Childhood movement on websites on the Internet. The collected data were submitted to content analysis, in a way that three analytical categories were created. The results suggest that some of those groups demands conflict with Full Protection advocacy regarding the very idea about children and adolescents and their development. The findings were discussed critically and from the perspective of Forensic Psychology.</italic></p>
</trans-abstract>
<kwd-group xml:lang="pt">
<title>Palavras-chave:</title>
<kwd><bold>Direito da Crian&#x00E7;a</bold></kwd>
<kwd><bold>Primeira Inf&#x00E2;ncia</bold></kwd>
<kwd><bold>Defesa da Crian&#x00E7;a e do Adolescente</bold></kwd>
<kwd><bold>Psicologia Forense</bold></kwd>
</kwd-group>
<kwd-group xml:lang="en">
<title><italic>Keywords:</italic></title>
<kwd><bold><italic>Rights of the Child</italic></bold></kwd>
<kwd><bold><italic>Early Childhood</italic></bold></kwd>
<kwd><bold><italic>Child Advocacy</italic></bold></kwd>
<kwd><bold><italic>Forensic Psychology</italic></bold></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front>
<body>
<sec id="sec-1-1846" sec-type="intro">
<title><bold>I<sc>ntrodu&#x00E7;&#x00E3;o</sc></bold></title>
<p>&#x201C;O juiz da 4&#x00AA; Vara Criminal condenou a um ano e sete meses de pris&#x00E3;o um pivete de 12 anos de idade que penetrou na casa n&#x00FA;mero 103 da Rua Bar&#x00E3;o de Ub&#x00E1;, &#x00E0;s 13h, e da l&#x00E1; furtou dinheiro e objeto no valor de 400$000&#x201D;. Esse &#x00E9; o trecho de uma reportagem datada de julho de 1915 (<xref ref-type="bibr" rid="ref-40-1846">Westin, 2015</xref>, se&#x00E7;&#x00E3;o &#x201C;Especial&#x201D;, &#x00A7;6.&#x00BA;), de um jornal da cidade do Rio de Janeiro, ent&#x00E3;o capital da Rep&#x00FA;blica do Brasil.</p>
<p>A lei penal, &#x00E0; &#x00E9;poca, era um c&#x00F3;digo consubstanciado no Decreto n&#x00BA; 847 de 1890, que, por v&#x00E1;rias d&#x00E9;cadas, previa que crian&#x00E7;as de at&#x00E9; nove anos de idade responderiam criminalmente de forma id&#x00EA;ntica a adultos, podendo ser colocadas na cadeia pela pol&#x00ED;cia t&#x00E3;o logo fossem apreendidas na pr&#x00E1;tica de algum il&#x00ED;cito penal. A mesma norma prescrevia que, quando o ato delituoso fosse praticado por &#x201C;maiores de 9 anos e menores de 14&#x201D;, tais indiv&#x00ED;duos seriam recolhidos em estabelecimentos &#x201C;disciplinares industriais, pelo tempo que ao juiz parecer, contanto que o recolhimento n&#x00E3;o exceda a idade de 17 anos&#x201D; (art. 30, adaptado para o portugu&#x00EA;s contempor&#x00E2;neo). Ou seja, os chamados &#x201C;cuidados corretivos&#x201D; envolviam penas de trabalho for&#x00E7;ado, pelo tempo que a autoridade competente determinasse, a seu livre e pessoal crit&#x00E9;rio.</p>
<p>Sob a perspectiva da doutrina da Prote&#x00E7;&#x00E3;o Integral, regrada em 1990 pelo Estatuto da Crian&#x00E7;a e do Adolescente (ECA), afirmada pela Constitui&#x00E7;&#x00E3;o Federal de 1988 e pactuada com a comunidade das na&#x00E7;&#x00F5;es por meio da Conven&#x00E7;&#x00E3;o Internacional sobre os Direitos da Crian&#x00E7;a de 1989, esse passado punitivista com crian&#x00E7;as e adolescentes exp&#x00F5;e retrospectivamente os processos de transforma&#x00E7;&#x00E3;o social e normativa que impactaram a forma de ver e reconhecer a cidadania imanente ao ser humano em desenvolvimento, em que pesem os efeitos de persistentes movimenta&#x00E7;&#x00F5;es da sociedade quanto &#x00E0; sobreviv&#x00EA;ncia da l&#x00F3;gica menorista (<xref ref-type="bibr" rid="ref-22-1846">Nakamura, 2019</xref>), para al&#x00E9;m das tentativas recorrentes, por meio de Projetos de Lei, da redu&#x00E7;&#x00E3;o da idade penal, atualmente aos 18 anos de idade.</p>
<p>A inimputabilidade de crian&#x00E7;as e adolescentes s&#x00F3; surgiu no cen&#x00E1;rio nacional com o advento do primeiro C&#x00F3;digo de Menores, de 1927. Apesar de tal garantia, inexistia ainda um projeto nacional que considerasse a inf&#x00E2;ncia sem ser aquela tutelada por adultos. Conforme explicam <xref ref-type="bibr" rid="ref-20-1846">Paulo Eduardo L&#x00E9;pore et al. (2016)</xref>, antes do C&#x00F3;digo o tratamento &#x00E0; crian&#x00E7;a e ao adolescente pelo mundo jur&#x00ED;dico foi marcado por duas fases: uma de absoluta indiferen&#x00E7;a, em que normas simplesmente n&#x00E3;o mencionavam esses indiv&#x00ED;duos, e outra em que havia a mera imputa&#x00E7;&#x00E3;o criminal, pela qual a condi&#x00E7;&#x00E3;o de crian&#x00E7;a e adolescente apenas modificava a extens&#x00E3;o da penalidade. A lei menorista, atualizada em 1979, marca quase um s&#x00E9;culo da chamada fase tutelar, em que crian&#x00E7;as e adolescentes eram considerados propriedades dos adultos. A referida atualiza&#x00E7;&#x00E3;o traz a concep&#x00E7;&#x00E3;o de &#x201C;situa&#x00E7;&#x00E3;o irregular&#x201D;, caracterizada por um estado de abandono ou pela conduta delinquencial, carregando fortemente o estigma da marginaliza&#x00E7;&#x00E3;o, sob um recorte sociol&#x00F3;gico que destinava diferencialmente a a&#x00E7;&#x00E3;o estatal sobre as parcelas mais empobrecidas da sociedade, enquanto ignorava as condi&#x00E7;&#x00F5;es de exist&#x00EA;ncia das demais crian&#x00E7;as e adolescentes.</p>
<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="ref-32-1846">Edson S&#x00EA;da (1999)</xref>, a doutrina da situa&#x00E7;&#x00E3;o irregular, ao reduzir crian&#x00E7;as e adolescentes &#x00E0; condi&#x00E7;&#x00E3;o de &#x201C;menores&#x201D;, cristalizava-os na condi&#x00E7;&#x00E3;o de objetos da vontade dos pais e das autoridades p&#x00FA;blicas, de forma que &#x00E0; atua&#x00E7;&#x00E3;o estatal eram dados poder e legitimidade para tutelar pessoas, e n&#x00E3;o seus direitos. Nesse contexto, a nega&#x00E7;&#x00E3;o da cidadania tampona qualquer express&#x00E3;o de protagonismo e autodetermina&#x00E7;&#x00E3;o de crian&#x00E7;as e adolescentes, agindo fam&#x00ED;lia, sociedade e poder p&#x00FA;blico como se pudessem personificar os interesses desses indiv&#x00ED;duos, decidindo seus destinos. Face a isso, o Estado se restringe, de um lado, a um car&#x00E1;ter assistencialista e filantr&#x00F3;pico para a inf&#x00E2;ncia &#x201C;pobre&#x201D;, enquanto, por outro, se permite organizar-se hier&#x00E1;rquica e monocraticamente perante a inf&#x00E2;ncia &#x201C;perigosa&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-1-1846">Amin, 2016</xref>).</p>
<p>Emerge desse cen&#x00E1;rio uma dicotomiza&#x00E7;&#x00E3;o. Muito embora crian&#x00E7;as e adolescentes fossem todos igualados na objetifica&#x00E7;&#x00E3;o dada pela aus&#x00EA;ncia de sua plena cidadania, a doutrina da situa&#x00E7;&#x00E3;o irregular cinde verticalmente a inf&#x00E2;ncia e juventude brasileira em dois grupos: &#x201C;crian&#x00E7;as&#x201D; s&#x00E3;o os filhos das fam&#x00ED;lias ricas e &#x201C;menores&#x201D;, os das fam&#x00ED;lias pobres, &#x201C;respaldando e naturalizando a l&#x00F3;gica de domina&#x00E7;&#x00E3;o pol&#x00ED;tica pelo vi&#x00E9;s da anormalidade, da disfuncionalidade e da doen&#x00E7;a&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-30-1846">Santos, 2011</xref>, p. 52).</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="ref-14-1846">Jacques Donzelot (1986)</xref> aponta, neste mesmo sentido, que a inf&#x00E2;ncia &#x00E9; uma cria&#x00E7;&#x00E3;o burguesa fortemente influenciada por teorias pretensamente cient&#x00ED;ficas que naturalizavam a desigualdade social (como a Escola Positiva de Cesare Lombroso, a teoria da degeneresc&#x00EA;ncia e correntes higienistas na medicina e na pedagogia), associando a &#x201C;inferioridade&#x201D;, a periculosidade, a ociosidade, os &#x201C;v&#x00ED;cios&#x201D;, as condutas antissociais e doen&#x00E7;as diversas aos segmentos mais pobres da popula&#x00E7;&#x00E3;o (<xref ref-type="bibr" rid="ref-30-1846">Santos, 2011</xref>).</p>
<p>A diferen&#x00E7;a entre as concep&#x00E7;&#x00F5;es de &#x201C;crian&#x00E7;a&#x201D; e &#x201C;menor&#x201D; gera, segundo <xref ref-type="bibr" rid="ref-26-1846">Irene Rizzini (1993)</xref>, uma bifurca&#x00E7;&#x00E3;o de sentidos para a inf&#x00E2;ncia. A autora identifica importante participa&#x00E7;&#x00E3;o do campo das ci&#x00EA;ncias para classificar condutas, identificar caracter&#x00ED;sticas individuais e diagnosticar determinadas condi&#x00E7;&#x00F5;es nas rela&#x00E7;&#x00F5;es da inf&#x00E2;ncia com a lei, sempre como meio para justificar a necessidade de &#x201C;reformar&#x201D; aqueles que eram considerados &#x201C;desviantes&#x201D;.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="ref-8-1846">Eduardo Ponte Brand&#x00E3;o (2016)</xref> resgata que as pr&#x00E1;ticas psicol&#x00F3;gicas &#x201C;foram se constituindo como ferramentas de adequa&#x00E7;&#x00E3;o e ajustamento para aumentar a utilidade econ&#x00F4;mica da popula&#x00E7;&#x00E3;o&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-8-1846">Brand&#x00E3;o, 2016</xref>, p. 38). <xref ref-type="bibr" rid="ref-6-1846">Pedro Paulo Gastalho de Bicalho (2016)</xref> tamb&#x00E9;m aponta que o surgimento da Psicologia est&#x00E1; atrelado &#x00E0;s necessidades econ&#x00F4;micas e de ajustamento das pessoas. Assim, a Psicologia desenvolve no Brasil, a princ&#x00ED;pio, um car&#x00E1;ter disciplinador e docilizante, pautado pela individualiza&#x00E7;&#x00E3;o da quest&#x00E3;o social (<xref ref-type="bibr" rid="ref-33-1846">Souza e Bernardi, 2019</xref>).</p>
<p>Ou seja, muitas teorias usadas na perpetua&#x00E7;&#x00E3;o desse recorte da inf&#x00E2;ncia e juventude eram advindas da Psicologia ou por ela sustentadas. <xref ref-type="bibr" rid="ref-7-1846">Ana Merc&#x00EA;s Bahia Bock (2009)</xref> destaca que a Psicologia brasileira foi forjada sobre concep&#x00E7;&#x00F5;es de que o fen&#x00F4;meno psicol&#x00F3;gico se define e/ou se determina por processos naturais, de forma que a profiss&#x00E3;o se desenvolve te&#x00F3;rica e tecnicamente desconectada e desinteressada de processos sociais, econ&#x00F4;micos e culturais. Em suas palavras, &#x201C;a Psicologia se instituiu assim em nossa sociedade moderna como uma ci&#x00EA;ncia e uma profiss&#x00E3;o conservadoras que n&#x00E3;o constroem nem debatem um projeto de transforma&#x00E7;&#x00E3;o social&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-7-1846">Bock, 2009</xref>, p. 20).</p>
<p>A Psicologia, por suas origens brasileiras, atuava, portanto, no sentido de categoriza&#x00E7;&#x00E3;o dos indiv&#x00ED;duos, naturalizando as diferen&#x00E7;as sem considerar o contexto macropol&#x00ED;tico, econ&#x00F4;mico e social. A atua&#x00E7;&#x00E3;o se concentrava em pr&#x00E1;ticas cl&#x00ED;nicas e de testagem psicol&#x00F3;gica, sobretudo em espa&#x00E7;os e servi&#x00E7;os privados, como cl&#x00ED;nicas e empresas, atendendo a demandas de uma sociedade que se definia industrial e urbana e que priorizava explica&#x00E7;&#x00F5;es e classifica&#x00E7;&#x00F5;es individualizantes sobre fen&#x00F4;menos psicol&#x00F3;gicos.</p>
<p>Nesse contexto, a Psicologia faz emergir um discurso intimista amplamente aceito pelas fam&#x00ED;lias, por meio do qual passa a culpar seus pr&#x00F3;prios membros por sua &#x201C;desestrutura&#x00E7;&#x00E3;o&#x201D;, seus &#x201C;desvios&#x201D; e &#x201C;faltas&#x201D;, sem reconhecer as determina&#x00E7;&#x00F5;es s&#x00F3;cio-hist&#x00F3;ricas do psiquismo e dos fen&#x00F4;menos intersubjetivos, ao mesmo tempo em que legitimam e explicam a pr&#x00F3;pria exclus&#x00E3;o social no substrato de teorias psicol&#x00F3;gicas (<xref ref-type="bibr" rid="ref-10-1846">Conselho Regional de Psicologia de S&#x00E3;o Paulo [CRP-SP], 2011</xref>).</p>
<p>A Psicologia e seus projetos de profiss&#x00E3;o, inscritos nos C&#x00F3;digos de &#x00C9;tica que os psic&#x00F3;logos brasileiros j&#x00E1; tiveram, foram se desenvolvendo a partir desse fazer tecnicista e acr&#x00ED;tico para assumir posicionamento de compromisso social. Nesse percurso, a defesa de Direitos Humanos como princ&#x00ED;pio fundamental da categoria fez a Psicologia aceder em pautas e movimentos de constru&#x00E7;&#x00E3;o e garantia de direitos individuais e sociais e, assim, galgar posicionamento e cr&#x00ED;tica em frentes associadas a direitos civis e sociais de forma geral e, de forma continuada, ao ECA e a seu cumprimento no Brasil (<xref ref-type="bibr" rid="ref-11-1846">CRP-SP, 2018</xref>). Exemplos disso s&#x00E3;o as contribui&#x00E7;&#x00F5;es de psic&#x00F3;logos na resist&#x00EA;ncia &#x00E0; redu&#x00E7;&#x00E3;o da idade penal e a luta pela expans&#x00E3;o da Psicologia nas pol&#x00ED;ticas sociais.</p>
<p>Assim, o olhar da Psicologia sobre processos sociais, pol&#x00ED;ticos e hist&#x00F3;ricos se transforma no mesmo contexto de mobiliza&#x00E7;&#x00E3;o que permitiu a ruptura com a doutrina tutelar e o advento do ECA e da doutrina da Prote&#x00E7;&#x00E3;o Integral. Sob essa nova perspectiva, crian&#x00E7;a e adolescente passam a ser definitivamente sujeitos de direitos, cidad&#x00E3;os plenos, competindo n&#x00E3;o s&#x00F3; que os adultos lhes dediquem presta&#x00E7;&#x00F5;es permanentes, como que encontrem meios para garantir a efetiva participa&#x00E7;&#x00E3;o desses indiv&#x00ED;duos em todas as mat&#x00E9;rias e decis&#x00F5;es que lhes digam respeito.</p>
<p>Esse novo paradigma concita ao desenvolvimento de um novo olhar da Psicologia sobre duas quest&#x00F5;es: (a) a crian&#x00E7;a e o adolescente, que agora passam a ter protagonismo e oportunidade de se manifestarem, demandando meios para serem compreendidos e efetivamente escutados em suas demandas, e (b) o conjunto da sociedade e do Poder P&#x00FA;blico, que agora solidarizam responsabilidades com atributos exig&#x00ED;veis (e n&#x00E3;o mais de favores) junto &#x00E0;s fam&#x00ED;lias, o que leva &#x00E0; implanta&#x00E7;&#x00E3;o de pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas para operacionalizar o acesso aos direitos que a nova lei veio afirmar.</p>
<p>A partir do ECA, n&#x00E3;o se espera mais que o conhecimento psicol&#x00F3;gico realize a &#x201C;mera&#x201D; tarefa de diagnosticar crian&#x00E7;as e adolescentes ou de criar subjetividades sob o prisma da vigil&#x00E2;ncia dos comportamentos que os antigos exames diagn&#x00F3;sticos apoiavam (<xref ref-type="bibr" rid="ref-17-1846">Foucault, 1987/2001</xref>). Em vez disso, o Estatuto articula-se direta e indiretamente com demandas por conhecimento e operatividade da Psicologia em diversos aspectos pertinentes &#x00E0; garantia de direitos, materializadas em uma s&#x00E9;rie de dispositivos da lei: o reconhecimento da interdisciplinaridade (arts. 150 e 151), a continuidade de a&#x00E7;&#x00F5;es como pol&#x00ED;tica de atendimento (art. 88), a concep&#x00E7;&#x00E3;o da crian&#x00E7;a e do adolescente como pessoas em desenvolvimento (art. 100), a obrigatoriedade de participa&#x00E7;&#x00E3;o da crian&#x00E7;a e do adolescente nas a&#x00E7;&#x00F5;es que lhes dizem respeito (art. 100), a primazia dos v&#x00ED;nculos de afeto e afinidade sobre os la&#x00E7;os biol&#x00F3;gicos (art. 25), a &#x00EA;nfase em a&#x00E7;&#x00F5;es psicossociais (arts. 87 e 101), entre outros.</p>
<p>Contudo, 30 anos ap&#x00F3;s sua promulga&#x00E7;&#x00E3;o, a legisla&#x00E7;&#x00E3;o segue fortemente criticada e objeto de centenas de processos de revis&#x00E3;o no Congresso Nacional. Alguns projetos de lei chegam a repartir dispositivos em favor de legisla&#x00E7;&#x00F5;es apartadas, incidindo gravemente sobre uma das conquistas mais s&#x00F3;lidas do ECA, que &#x00E9; a concep&#x00E7;&#x00E3;o de integralidade &#x2014; de direitos, &#x00E9; claro, mas tamb&#x00E9;m do pr&#x00F3;prio sujeito crian&#x00E7;a e adolescente que, no contexto doutrin&#x00E1;rio atual, n&#x00E3;o pode mais ser pensado em subcategorias e nem na perspectiva de classe social, mas na singularidade de cada cidad&#x00E3;o crian&#x00E7;a e adolescente. A hip&#x00F3;tese de fragmenta&#x00E7;&#x00E3;o do texto do Estatuto em dispositivos normativos menores foi aventada por parte do movimento do celebrado Marco Legal da Primeira Inf&#x00E2;ncia (no Brasil, consubstanciado na Lei n&#x00BA; 13.257/2016). Segundo <xref ref-type="bibr" rid="ref-34-1846">Jane Valente (2018)</xref>, antes de o projeto de lei ser dirigido para acr&#x00E9;scimos e modifica&#x00E7;&#x00F5;es no corpo do ECA, o movimento pela Primeira Inf&#x00E2;ncia investia na cria&#x00E7;&#x00E3;o de um estatuto espec&#x00ED;fico para crian&#x00E7;as de zero a seis anos de idade.</p>
<p>Desde a aprova&#x00E7;&#x00E3;o da Lei, que incorporou dispositivos ao ECA, a chamada Primeira Inf&#x00E2;ncia tem se destacado como pauta nos movimentos pelos direitos da crian&#x00E7;a e do adolescente e, nos contextos pol&#x00ED;tico e institucional, tem se diferenciado dos demais eixos da Prote&#x00E7;&#x00E3;o Integral na destina&#x00E7;&#x00E3;o de verbas e na formula&#x00E7;&#x00E3;o de pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas. A t&#x00ED;tulo de exemplifica&#x00E7;&#x00E3;o, dos 13 candidatos a presidente da Rep&#x00FA;blica nas elei&#x00E7;&#x00F5;es de 2018, cinco priorizavam a Primeira Inf&#x00E2;ncia em seus respectivos programas de governo, quatro abordavam o amplo espectro dos direitos infanto-juvenis e tr&#x00EA;s simplesmente omitiam qualquer express&#x00E3;o relacionada &#x00E0; inf&#x00E2;ncia (um programa n&#x00E3;o foi localizado).</p>
<p>Correspondendo &#x00E0; faixa et&#x00E1;ria entre zero e seis anos de idade, mas incluindo a gesta&#x00E7;&#x00E3;o, a Primeira Inf&#x00E2;ncia enfatiza os cuidados espec&#x00ED;ficos nos est&#x00E1;gios iniciais do desenvolvimento humano para propor aten&#x00E7;&#x00E3;o especial a essa popula&#x00E7;&#x00E3;o (<xref ref-type="bibr" rid="ref-35-1846">Venancio, 2020</xref>). O Marco Legal da Primeira Inf&#x00E2;ncia, dessa forma, desde 2016, tem sustentado uma situa&#x00E7;&#x00E3;o at&#x00E9; ent&#x00E3;o in&#x00E9;dita desde a vig&#x00EA;ncia do ECA, com a cria&#x00E7;&#x00E3;o de uma nova segmenta&#x00E7;&#x00E3;o da inf&#x00E2;ncia. Observa-se, para al&#x00E9;m disso, que o pr&#x00F3;prio microssistema legal brasileiro da crian&#x00E7;a e do adolescente tem passado por modifica&#x00E7;&#x00F5;es mais acentuadamente na &#x00FA;ltima d&#x00E9;cada. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="ref-23-1846">Paulo Afonso Garrido de Paula (2020)</xref>, nos 30 anos de vig&#x00EA;ncia do ECA, houve 31 novas leis federais que produziram modifica&#x00E7;&#x00F5;es em seu texto. Desse conjunto, 21 foram aprovadas somente no &#x00FA;ltimo dos tr&#x00EA;s dec&#x00EA;nios, quadro que descreve um empuxo de revis&#x00F5;es legislativas que incide sobre direitos infanto-juvenis. O cen&#x00E1;rio implica a Primeira Inf&#x00E2;ncia num panorama macropol&#x00ED;tico e que, portanto, demanda reflex&#x00F5;es sobre a articula&#x00E7;&#x00E3;o entre o novo dispositivo e os da norma estatut&#x00E1;ria.</p>
<p>Se, do ponto de vista das ci&#x00EA;ncias do desenvolvimento humano, o conceito de uma primeira inf&#x00E2;ncia j&#x00E1; &#x00E9; consolidado (<xref ref-type="bibr" rid="ref-35-1846">Venancio, 2020</xref>), do ponto de vista jur&#x00ED;dico e normativo o mesmo ainda n&#x00E3;o pode ser dito, pois a vig&#x00EA;ncia do marco legal ainda perfaz poucos anos. Nesse sentido, para uma aproxima&#x00E7;&#x00E3;o ao tema, formulou-se a seguinte quest&#x00E3;o: no contexto macropol&#x00ED;tico de constantes riscos e conflitos de implementa&#x00E7;&#x00E3;o e interpreta&#x00E7;&#x00E3;o do ECA (<xref ref-type="bibr" rid="ref-21-1846">Mendez, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref-2-1846">Arantes, 2011</xref>), e at&#x00E9; de um neomenorismo (<xref ref-type="bibr" rid="ref-31-1846">Schweikert e Nunes J&#x00FA;nior, 2022</xref>), os discursos institucionais em defesa da Primeira Inf&#x00E2;ncia enquanto orientadores de pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas para a inf&#x00E2;ncia e juventude no Brasil t&#x00EA;m quais conex&#x00F5;es com a hist&#x00F3;rica luta por direitos da crian&#x00E7;a e do adolescente? A prop&#x00F3;sito de apresentar reflex&#x00F5;es a partir dessa quest&#x00E3;o, o presente estudo objetiva analisar especificidades do discurso institucional de organiza&#x00E7;&#x00F5;es do movimento de defesa da Primeira Inf&#x00E2;ncia no Brasil.</p>
</sec>
<sec id="sec-2-1846" sec-type="methods">
<title><bold>M<sc>&#x00E9;todo</sc></bold></title>
<p>O presente artigo descreve uma pesquisa explorat&#x00F3;ria sobre a Primeira Inf&#x00E2;ncia enquanto segmento de direitos no amplo conjunto da Prote&#x00E7;&#x00E3;o Integral de crian&#x00E7;as e adolescentes no contexto brasileiro. Tal tema &#x00E9; recente do ponto de vista pol&#x00ED;tico, normativo e institucional, o que conduziu o estudo a uma aproxima&#x00E7;&#x00E3;o explorat&#x00F3;ria, do tipo documental. A investiga&#x00E7;&#x00E3;o teve natureza qualitativa, por se tratar de objeto de pesquisa n&#x00E3;o mensur&#x00E1;vel, com delineamento transversal (por levantar dados referentes a um momento espec&#x00ED;fico do fen&#x00F4;meno observado) e descritivo (na medida em que se buscou analisar um estado de coisas, prescindindo de investiga&#x00E7;&#x00F5;es sobre causas e efeitos).</p>
<p>Foi realizada a busca dos s&#x00ED;tios eletr&#x00F4;nicos por meio da plataforma Google. Por n&#x00E3;o se tratar de estudo bibliogr&#x00E1;fico, a busca n&#x00E3;o se associou a bases de dados de publica&#x00E7;&#x00F5;es cient&#x00ED;ficas, e sim a acesso a s&#x00ED;tios eletr&#x00F4;nicos de institui&#x00E7;&#x00F5;es e/ou organismos de interesse para o presente estudo. Dessa forma, os s&#x00ED;tios eletr&#x00F4;nicos foram tratados como bases de documentos a partir das quais os processos anal&#x00ED;ticos poderiam ser empreendidos. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="ref-4-1846">Laurence Bardin (2016)</xref>, a opera&#x00E7;&#x00E3;o intelectual em estudos documentais &#x00E9; essencialmente a mesma das t&#x00E9;cnicas da An&#x00E1;lise de Conte&#x00FA;do (AC) se o material coletado puder ser gerador de uma mensagem e, portanto, operar uma comunica&#x00E7;&#x00E3;o. As buscas ocorreram com o termo &#x201C;primeira inf&#x00E2;ncia&#x201D; e, a partir dos resultados, foram feitas a an&#x00E1;lise pr&#x00E9;via e a sistematiza&#x00E7;&#x00E3;o dos dados. A plataforma buscadora foi parametrizada para apresentar resultados para Portugu&#x00EA;s/Brasil.</p>
<p>Os procedimentos relativos ao levantamento amostral se restringiram ao per&#x00ED;odo de 06 de janeiro a 17 de fevereiro de 2020, par&#x00E2;metro estabelecido pela contemporaneidade ao momento hist&#x00F3;rico em que o Estatuto da Crian&#x00E7;a e do Adolescente (ECA) completou 30 anos de vig&#x00EA;ncia no Brasil.</p>
<p>Foram exclu&#x00ED;dos resultados relativos a not&#x00ED;cias ou mat&#x00E9;rias jornal&#x00ED;sticas, e tamb&#x00E9;m s&#x00ED;tios de organiza&#x00E7;&#x00F5;es que apenas eventualmente abordavam o n&#x00FA;cleo deste estudo. Conte&#x00FA;do estrangeiro tamb&#x00E9;m foi exclu&#x00ED;do, considerando que a mat&#x00E9;ria em discuss&#x00E3;o diz respeito ao direito da crian&#x00E7;a e do adolescente a partir do ECA. Como crit&#x00E9;rio de inclus&#x00E3;o, consideraram-se as p&#x00E1;ginas que concentradamente abordam a causa da Primeira Inf&#x00E2;ncia e que s&#x00E3;o de propriedade de movimentos ou organiza&#x00E7;&#x00F5;es sociais.</p>
<p>O <italic>corpus</italic> de an&#x00E1;lise foi ent&#x00E3;o submetido &#x00E0; an&#x00E1;lise documental nos termos da AC de <xref ref-type="bibr" rid="ref-4-1846">Bardin (2016)</xref>, em que o documento prim&#x00E1;rio (neste estudo, os s&#x00ED;tios eletr&#x00F4;nicos) pudesse ser representado por um documento secund&#x00E1;rio (a sistematiza&#x00E7;&#x00E3;o de n&#x00FA;cleos de sentido) que, por sua vez, permitisse reconhecer classes tem&#x00E1;ticas quanto aos discursos institucionais em quest&#x00E3;o e, por essa via, promover interpreta&#x00E7;&#x00F5;es de unidades objetivas a partir da an&#x00E1;lise de unidades parciais do tema em apre&#x00E7;o (<xref ref-type="bibr" rid="ref-19-1846">Gonz&#x00E1;lez Rey, 2005</xref>).</p>
<p>Por serem s&#x00ED;tios p&#x00FA;blicos, de acesso livre, a exposi&#x00E7;&#x00E3;o dos nomes e de transcri&#x00E7;&#x00F5;es literais do conte&#x00FA;do analisado (s&#x00E3;o mencionadas apenas express&#x00F5;es) foi evitada a fim de impedir que uma determinada organiza&#x00E7;&#x00E3;o pudesse ser identificada, visto que n&#x00E3;o se trata do posicionamento espec&#x00ED;fico de cada organiza&#x00E7;&#x00E3;o, e sim da an&#x00E1;lise de um movimento que se observa no que diz respeito &#x00E0; integralidade dos direitos infanto-juvenis.</p>
</sec>
<sec id="sec-3-1846" sec-type="results">
<title><bold>R<sc>esultados</sc></bold></title>
<p>Compuseram o <italic>corpus</italic> final de an&#x00E1;lise oito s&#x00ED;tios eletr&#x00F4;nicos. Nesse universo, observa-se, num levantamento imediato de suas caracter&#x00ED;sticas, uma variedade do tipo de organiza&#x00E7;&#x00F5;es: funda&#x00E7;&#x00F5;es, coletivos de entidades e institutos, por vezes em parceria com &#x00F3;rg&#x00E3;os governamentais (<xref ref-type="table" rid="tabw-1-1846">Tabela 1</xref>). Tamb&#x00E9;m se constata um conjunto de entidades apoiadoras privadas (ind&#x00FA;strias e empresas), n&#x00E3;o somente para ades&#x00F5;es a programas e outras iniciativas das organiza&#x00E7;&#x00F5;es pela Primeira Inf&#x00E2;ncia, como, em alguns casos, para patroc&#x00ED;nio declarado.</p>
<table-wrap id="tabw-1-1846">
<label>Tabela 1.</label>
<caption><title>Caracteriza&#x00E7;&#x00E3;o sin&#x00F3;ptica dos s&#x00ED;tios eletr&#x00F4;nicos inclu&#x00ED;dos no <italic>corpus</italic> (N = 8)</title></caption>
<table id="tab-1-1846" frame="hsides" border="1" rules="all">
<col width="20%"/>
<col width="20%"/>
<col width="20%"/>
<col width="20%"/>
<col width="20%"/>
<thead>
<tr>
<th valign="middle" align="center"><p><bold>S&#x00ED;tio</bold></p></th>
<th valign="middle" align="center"><p><bold>Caracteriza&#x00E7;&#x00E3;o</bold></p></th>
<th valign="middle" align="center"><p><bold>Ano de funda&#x00E7;&#x00E3;o</bold></p></th>
<th valign="middle" align="center"><p><bold>Parceria com o setor p&#x00FA;blico</bold></p></th>
<th valign="middle" align="center"><p><bold>Atua&#x00E7;&#x00E3;o</bold></p></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td valign="middle" align="center"><p>1</p></td>
<td valign="middle" align="center"><p>Funda&#x00E7;&#x00E3;o</p></td>
<td valign="middle" align="center"><p>2003</p></td>
<td valign="middle" align="center"><p>N&#x00E3;o</p></td>
<td valign="middle" align="left"><p>Apoio a projetos na &#x00E1;rea de educa&#x00E7;&#x00E3;o</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="middle" align="center"><p>2</p></td>
<td valign="middle" align="center"><p>Instituto</p></td>
<td valign="middle" align="center"><p>2006</p></td>
<td valign="middle" align="center"><p>N&#x00E3;o</p></td>
<td valign="middle" align="left"><p>Mobiliza&#x00E7;&#x00E3;o social e mudan&#x00E7;a cultural</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="middle" align="center"><p>3</p></td>
<td valign="middle" align="center"><p>Funda&#x00E7;&#x00E3;o</p></td>
<td valign="middle" align="center"><p>2007</p></td>
<td valign="middle" align="center"><p>Sim</p></td>
<td valign="middle" align="left"><p>Mobiliza&#x00E7;&#x00E3;o de lideran&#x00E7;as p&#x00FA;blicas e sociais</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="middle" align="center"><p>4</p></td>
<td valign="middle" align="center"><p>Coaliz&#x00E3;o de entidades</p></td>
<td valign="middle" align="center"><p>2007</p></td>
<td valign="middle" align="center"><p>Sim</p></td>
<td valign="middle" align="left"><p>Articula&#x00E7;&#x00E3;o de defesa e garantia de direitos</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="middle" align="center"><p>5</p></td>
<td valign="middle" align="center"><p>Organiza&#x00E7;&#x00E3;o da sociedade civil</p></td>
<td valign="middle" align="center"><p>2007</p></td>
<td valign="middle" align="center"><p>N&#x00E3;o</p></td>
<td valign="middle" align="left"><p>Cria&#x00E7;&#x00E3;o de refer&#x00EA;ncias para a gest&#x00E3;o p&#x00FA;blica</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="middle" align="center"><p>6</p></td>
<td valign="middle" align="center"><p>Coaliz&#x00E3;o de entidades</p></td>
<td valign="middle" align="center"><p>2011</p></td>
<td valign="middle" align="center"><p>Sim</p></td>
<td valign="middle" align="left"><p>Produ&#x00E7;&#x00E3;o, tradu&#x00E7;&#x00E3;o e divulga&#x00E7;&#x00E3;o de conhecimento</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="middle" align="center"><p>7</p></td>
<td valign="middle" align="center"><p>Instituto</p></td>
<td valign="middle" align="center"><p>2014</p></td>
<td valign="middle" align="center"><p>Sim</p></td>
<td valign="middle" align="left"><p>Preven&#x00E7;&#x00E3;o e interven&#x00E7;&#x00E3;o no &#x00E2;mbito da educa&#x00E7;&#x00E3;o</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="middle" align="center"><p>8</p></td>
<td valign="middle" align="center"><p>Empresa p&#x00FA;blica</p></td>
<td valign="middle" align="center"><p>2019</p></td>
<td valign="middle" align="center"><p>N&#x00E3;o se aplica</p></td>
<td valign="middle" align="left"><p>Produ&#x00E7;&#x00E3;o de tecnologia social para prote&#x00E7;&#x00E3;o social e educa&#x00E7;&#x00E3;o</p></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</table-wrap>
<p>As a&#x00E7;&#x00F5;es envolvem: o aspecto cultural da import&#x00E2;ncia das primeiras experi&#x00EA;ncias do desenvolvimento humano; avalia&#x00E7;&#x00E3;o e assessoria de atividades educacionais; orienta&#x00E7;&#x00E3;o para fam&#x00ED;lias; incid&#x00EA;ncia junto a autoridades constitu&#x00ED;das; e &#x00F3;rg&#x00E3;os de governo para orientar programas, projetos e planos municipais para a Primeira Inf&#x00E2;ncia. A atua&#x00E7;&#x00E3;o das organiza&#x00E7;&#x00F5;es se dirige tanto a agentes p&#x00FA;blicos (com interesse em educa&#x00E7;&#x00E3;o e assist&#x00EA;ncia social, mas tamb&#x00E9;m &#x00E0; pr&#x00E1;tica de <italic>advocacy</italic>), quanto ao conjunto da sociedade (por meio de mobiliza&#x00E7;&#x00E3;o e projetos espec&#x00ED;ficos) e indiv&#x00ED;duos (pais e profissionais).</p>
<p>Quanto aos quadros de assessores e auxiliares das organiza&#x00E7;&#x00F5;es, h&#x00E1; a recorr&#x00EA;ncia de um desenho multidisciplinar, com profissionais de sa&#x00FA;de, da educa&#x00E7;&#x00E3;o, do direito e da economia.</p>
<p>H&#x00E1; uma aparente concentra&#x00E7;&#x00E3;o quanto ao per&#x00ED;odo de milit&#x00E2;ncia em defesa da Primeira Inf&#x00E2;ncia, tendo a maior parte das organiza&#x00E7;&#x00F5;es se estruturado na segunda metade da d&#x00E9;cada de 2000 ou in&#x00ED;cio da d&#x00E9;cada de 2010.</p>
<p>Ademais, tamb&#x00E9;m se constata que parte das organiza&#x00E7;&#x00F5;es em defesa da Primeira Inf&#x00E2;ncia s&#x00E3;o parceiras ou associadas entre si, o que parece apontar para a&#x00E7;&#x00F5;es de articula&#x00E7;&#x00E3;o institucional.</p>
<p>Por meio da an&#x00E1;lise de conte&#x00FA;do do material coletado, criaram-se tr&#x00EA;s categorias tem&#x00E1;ticas. As categorias foram pensadas em considera&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0; aglomera&#x00E7;&#x00E3;o das unidades de registro observadas nas comunica&#x00E7;&#x00F5;es acessadas e tamb&#x00E9;m a tr&#x00EA;s dos princ&#x00ED;pios do Plano Nacional pela Primeira Inf&#x00E2;ncia de 2010 (<xref ref-type="bibr" rid="ref-25-1846">Rede Nacional Primeira Inf&#x00E2;ncia, 2010</xref>), que vigorava &#x00E0; &#x00E9;poca da coleta de dados do presente estudo, a saber: crian&#x00E7;a como sujeito, indiv&#x00ED;duo, &#x00FA;nico, com valor em si mesmo; a integra&#x00E7;&#x00E3;o cient&#x00ED;fica e human&#x00ED;stica; a prioridade da aten&#x00E7;&#x00E3;o, dos recursos, dos programas e das a&#x00E7;&#x00F5;es para as crian&#x00E7;as socialmente mais vulner&#x00E1;veis. Assim, as tr&#x00EA;s categorias tem&#x00E1;ticas desenvolvidas a partir do conte&#x00FA;do analisado s&#x00E3;o:</p>
<list list-type="simple">
<list-item><label>(a)</label> <p><italic>Uma inf&#x00E2;ncia dentro da inf&#x00E2;ncia</italic>: em que se discute a Primeira Inf&#x00E2;ncia como um per&#x00ED;odo delicado do desenvolvimento humano,</p></list-item>
<list-item><label>(b)</label> <p><italic>O desenvolvimento guiado pelas ci&#x00EA;ncias</italic>: se&#x00E7;&#x00E3;o em que se discute o tipo de apoio que o movimento pela Primeira Inf&#x00E2;ncia busca em referenciais das ci&#x00EA;ncias biol&#x00F3;gicas e naturais, e</p></list-item>
<list-item><label>(c)</label> <p><italic>Investimento e taxas de retorno</italic>: categoria em que se analisam as recomenda&#x00E7;&#x00F5;es de investimento privilegiado em pol&#x00ED;ticas para a Primeira Inf&#x00E2;ncia.</p></list-item>
</list>
<sec id="sec-4-1846">
<title><bold>Uma inf&#x00E2;ncia dentro da inf&#x00E2;ncia</bold></title>
<p>Como j&#x00E1; discutido na introdu&#x00E7;&#x00E3;o do presente artigo, a inf&#x00E2;ncia e juventude como um todo tem sido objeto de disputas que expressam valores de seu tempo. No contexto s&#x00F3;cio-hist&#x00F3;rico brasileiro, verifica-se um longevo per&#x00ED;odo de uma inf&#x00E2;ncia coisificada e objeto de forte tutela estatal que, ao mesmo tempo, realizava e mantinha rela&#x00E7;&#x00F5;es de poder e domina&#x00E7;&#x00E3;o no conjunto da desigualdade social do pa&#x00ED;s.</p>
<p>O advento do ECA passa a exigir um novo paradigma para a inf&#x00E2;ncia e juventude que tem, dentre suas principais caracter&#x00ED;sticas, o reconhecimento do sujeito humano crian&#x00E7;a e adolescente como singular, com veda&#x00E7;&#x00F5;es quanto a quaisquer formas de recortes, subdivis&#x00F5;es ou discrimina&#x00E7;&#x00F5;es.</p>
<p>Do universo explorado neste estudo, observa-se fen&#x00F4;meno possivelmente assemelhado &#x00E0; subcategoriza&#x00E7;&#x00E3;o de crian&#x00E7;as pelas recorrentes express&#x00F5;es indicativas de que a primeira inf&#x00E2;ncia se destaca dos demais est&#x00E1;gios do desenvolvimento humano como um per&#x00ED;odo mais sens&#x00ED;vel (no sentido de uma maior vulnerabilidade) ou mais oportuno para aprendizados e experi&#x00EA;ncias, com sugest&#x00E3;o de perman&#x00EA;ncia de seus efeitos para todo o ciclo vital.</p>
<p>H&#x00E1; consistente recorr&#x00EA;ncia de alus&#x00F5;es a uma esp&#x00E9;cie de janela de oportunidade no desenvolvimento infantil, apoiada em conhecimento do funcionamento cerebral e da psicobiologia do c&#x00E9;rebro, para justificar um tratamento diferenciado a crian&#x00E7;as de zero a seis anos. Segundo as p&#x00E1;ginas analisadas, esse per&#x00ED;odo desenvolvimental &#x00E9; o que mais proporciona aprendizados e compet&#x00EA;ncias socioemocionais, fomentando habilidades cognitivas e sociais longevas. As publica&#x00E7;&#x00F5;es falam de experi&#x00EA;ncias que seriam marcantes e definidoras para toda a vida dessas crian&#x00E7;as e, em sentido inverso, tamb&#x00E9;m de preju&#x00ED;zos desenvolvimentais diante de quebras ou insufici&#x00EA;ncias ambientais durante aqueles seis primeiros anos. O ambiente &#x00E9; referido com o poder de determinar aspectos importantes do ciclo vital, ou, como diz uma p&#x00E1;gina, &#x201C;uma influ&#x00EA;ncia por toda a vida&#x201D;. H&#x00E1; at&#x00E9; mesmo men&#x00E7;&#x00F5;es a condutas morais de indiv&#x00ED;duos e redu&#x00E7;&#x00E3;o da criminalidade em fun&#x00E7;&#x00E3;o de experi&#x00EA;ncias de cuidado e est&#x00ED;mulos vivenciados na Primeira Inf&#x00E2;ncia.</p>
<p>Do que sobressai dos discursos dos s&#x00ED;tios eletr&#x00F4;nicos aqui analisados, a Primeira Inf&#x00E2;ncia acena para um recorte novo, para o qual se postula uma primazia, pois os investimentos nessa etapa do desenvolvimento gerariam maior retorno &#x00E0; sociedade.</p>
</sec>
<sec id="sec-5-1846">
<title><bold>O desenvolvimento guiado pelas ci&#x00EA;ncias</bold></title>
<p>&#x201C;Conex&#x00F5;es cerebrais&#x201D;, &#x201C;base cognitiva&#x201D;, &#x201C;habilidades para a aprendizagem&#x201D;, &#x201C;sa&#x00FA;de f&#x00ED;sica e emocional&#x201D;, &#x201C;estrutura ps&#x00ED;quica&#x201D;, &#x201C;moldagem do c&#x00E9;rebro&#x201D;, &#x201C;arquitetura do c&#x00E9;rebro&#x201D;. Essas s&#x00E3;o algumas express&#x00F5;es recorrentes no <italic>corpus</italic> de an&#x00E1;lise. Est&#x00E3;o concentradas nas apresenta&#x00E7;&#x00F5;es das justificativas da defesa da Primeira Inf&#x00E2;ncia, grandemente escoradas em argumentos cient&#x00ED;ficos. O referenciamento da a&#x00E7;&#x00E3;o pol&#x00ED;tico-institucional em &#x201C;evid&#x00EA;ncias cient&#x00ED;ficas&#x201D; consta, inclusive, do Marco Legal da Primeira Inf&#x00E2;ncia.</p>
<p>Os s&#x00ED;tios eletr&#x00F4;nicos que compuseram o <italic>corpus</italic> de an&#x00E1;lise apontam para a &#x00EA;nfase no desenvolvimento a partir de neuroci&#x00EA;ncia, o que revela um olhar sobre a quest&#x00E3;o da inf&#x00E2;ncia pautado por um referencial biol&#x00F3;gico. Afeto, habilidades sociais, cogni&#x00E7;&#x00E3;o e at&#x00E9; mesmo atributos morais (a express&#x00E3;o &#x201C;cidad&#x00E3;o respons&#x00E1;vel&#x201D; aparece como produto de estimula&#x00E7;&#x00E3;o na Primeira Inf&#x00E2;ncia) s&#x00E3;o retratados como consequ&#x00EA;ncia do desenvolvimento do c&#x00E9;rebro.</p>
<p>O corpo (e, mais especificamente, as conex&#x00F5;es cerebrais) &#x00E9; referido como um substrato preditor da capacidade individual, ou, nas palavras de uma das organiza&#x00E7;&#x00F5;es, de &#x201C;realizar seu potencial&#x201D;. Esse potencial &#x00E9; referido como associado &#x00E0;s possibilidades de &#x201C;uma maior abertura para novas aprendizagens&#x201D; e dependente de &#x201C;est&#x00ED;mulos&#x201D; e de prote&#x00E7;&#x00E3;o.</p>
<p>Como j&#x00E1; referido, h&#x00E1; um consistente predom&#x00ED;nio de um desenho multidisciplinar nas p&#x00E1;ginas das organiza&#x00E7;&#x00F5;es consultadas, com m&#x00E9;dicos, psic&#x00F3;logos, bachar&#x00E9;is em direito, economistas, pedagogos, profissionais de enfermagem, entre outros. Por&#x00E9;m, a base cient&#x00ED;fica &#x00E9; concentradamente apoiada em neuroci&#x00EA;ncias.</p>
<p>A base cient&#x00ED;fica que apoia a Primeira Inf&#x00E2;ncia &#x00E9;, portanto, de tradi&#x00E7;&#x00E3;o biom&#x00E9;dica. &#x00C9; por ela que os postulados dos grupos acessados v&#x00E3;o constituir uma vis&#x00E3;o sobre o desenvolvimento humano (o c&#x00E9;rebro como sede do desenvolvimento) e uma via de a&#x00E7;&#x00E3;o (a cobran&#x00E7;a por pol&#x00ED;ticas e pr&#x00E1;ticas sociais que estimulem a forma&#x00E7;&#x00E3;o cerebral).</p>
<p>Entre as estrat&#x00E9;gias e formas de a&#x00E7;&#x00E3;o, tamb&#x00E9;m h&#x00E1; foco em comunica&#x00E7;&#x00E3;o e divulga&#x00E7;&#x00E3;o cient&#x00ED;fica, que se materializa com a produ&#x00E7;&#x00E3;o de materiais informativos (v&#x00ED;deos institucionais, cartilhas e artigos, por exemplo) e em semin&#x00E1;rios e congressos afetos &#x00E0; causa.</p>
</sec>
<sec id="sec-6-1846">
<title><bold>Investimentos e taxas de retorno</bold></title>
<p>No conte&#x00FA;do analisado nos s&#x00ED;tios eletr&#x00F4;nicos tamb&#x00E9;m se mostrou recorrente a rela&#x00E7;&#x00E3;o &#x201C;custo/benef&#x00ED;cio&#x201D; entre investir na Primeira Inf&#x00E2;ncia e seus resultados a longo prazo. Alguns desses resultados s&#x00E3;o intang&#x00ED;veis &#x00E0; medi&#x00E7;&#x00E3;o porque associados a valores humanos e sociais, como ser um adulto &#x201C;respons&#x00E1;vel&#x201D; ou &#x201C;equilibrado&#x201D;, ou poder constituir uma &#x201C;sociedade melhor&#x201D;.</p>
<p>Os conte&#x00FA;dos apresentam proje&#x00E7;&#x00F5;es materiais acerca do retorno dos investimentos feitos na Primeira Inf&#x00E2;ncia. Em um dos casos, fala-se que cada d&#x00F3;lar investido na Primeira Inf&#x00E2;ncia representa 13 d&#x00F3;lares economizados em setores como assist&#x00EA;ncia social, sistema prisional e no tratamento de doen&#x00E7;as mentais.</p>
<p>Algumas p&#x00E1;ginas consultadas fazem importante destaque aos trabalhos de James Heckman, ganhador do Pr&#x00EA;mio Nobel de Economia, no sentido de que o retorno do investimento no &#x201C;capital humano&#x201D; sofre importante decl&#x00ED;nio ao longo do ciclo vital, o que implica num paradigma em que as presta&#x00E7;&#x00F5;es fora da janela de oportunidade da Primeira Inf&#x00E2;ncia s&#x00E3;o entendidas como tendo uma baixa resposta.</p>
<p>Al&#x00E9;m de tal panorama, h&#x00E1; recorr&#x00EA;ncia de express&#x00F5;es relativas ao potencial da crian&#x00E7;a, almejando-se uma s&#x00E9;rie de realiza&#x00E7;&#x00F5;es que extrapolam o campo dos direitos e se aproximam do desempenho individual e ao futuro da crian&#x00E7;a enquanto adulto em rela&#x00E7;&#x00E3;o ao mundo do trabalho: realiza&#x00E7;&#x00E3;o profissional, acesso a emprego com melhores sal&#x00E1;rios, satisfa&#x00E7;&#x00E3;o com a escolha vocacional, entre outros.</p>
<p>Nessa categoria, verifica-se maior distanciamento em rela&#x00E7;&#x00E3;o aos pressupostos da Prote&#x00E7;&#x00E3;o Integral. Isso porque a crian&#x00E7;a &#x00E9; retratada n&#x00E3;o s&#x00F3; como a destinat&#x00E1;ria das presta&#x00E7;&#x00F5;es da fam&#x00ED;lia, da sociedade e do Estado, mas passa a ser vista como um potencial trabalhador.</p>
</sec>
</sec>
<sec id="sec-7-1846" sec-type="discusion">
<title><bold>D<sc>iscuss&#x00E3;o</sc></bold></title>
<p>Da aproxima&#x00E7;&#x00E3;o explorat&#x00F3;ria aos s&#x00ED;tios eletr&#x00F4;nicos de movimentos em defesa da chamada Primeira Inf&#x00E2;ncia, sobrev&#x00E9;m a constata&#x00E7;&#x00E3;o de que se trata de mat&#x00E9;ria relativamente recente, ao menos na acep&#x00E7;&#x00E3;o jur&#x00ED;dica e em seus pressupostos program&#x00E1;ticos. V&#x00EA;-se que se trata de uma nova pauta no conjunto de lutas (e disputas) no movimento maior que &#x00E9; o do direito da crian&#x00E7;a e do adolescente.</p>
<p>Nesse sentido, h&#x00E1; a possibilidade de um destaque importante: a defesa da Primeira Inf&#x00E2;ncia se apresenta, de fato, como mobiliza&#x00E7;&#x00E3;o de natureza propositiva. Apesar de apontarem mazelas e insufici&#x00EA;ncias, os grupos aqui analisados parecem de fato apresentar iniciativas para seu p&#x00FA;blico-alvo sem partir do pressuposto de alguma viola&#x00E7;&#x00E3;o <italic>a priori</italic>. Ou seja, os discursos parecem se dirigir para fins preventivos e de investimento na potencialidade individual do sujeito humano crian&#x00E7;a quando ainda em seus primeiros est&#x00E1;gios desenvolvimentais, sem ser uma rea&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0; nega&#x00E7;&#x00E3;o ou viola&#x00E7;&#x00E3;o de direitos. Nesse sentido, h&#x00E1; alinhamento com a perspectiva da Prote&#x00E7;&#x00E3;o Integral na medida em que a crian&#x00E7;a n&#x00E3;o &#x00E9; notada apenas quando em situa&#x00E7;&#x00E3;o &#x201C;irregular&#x201D; ou de risco, mas &#x00E9; colocada na condi&#x00E7;&#x00E3;o de exigir um &#x201C;comportamento positivo&#x201D; por parte dos adultos, indo al&#x00E9;m da n&#x00E3;o-viola&#x00E7;&#x00E3;o (<xref ref-type="bibr" rid="ref-36-1846">Vercelone, 2018</xref>).</p>
<p>Por outro lado, h&#x00E1; importantes deslocamentos e descolamentos em rela&#x00E7;&#x00E3;o aos movimentos e lutas pela Prote&#x00E7;&#x00E3;o Integral e pela vig&#x00EA;ncia do ECA e seus termos. A proposta de estimular e desenvolver a&#x00E7;&#x00F5;es para a Primeira Inf&#x00E2;ncia &#x00E9; referida, no conjunto pesquisado, como pauta ou mais sens&#x00ED;vel ou at&#x00E9; mesmo priorit&#x00E1;ria, justificada por importante &#x201C;retorno&#x201D; dos investimentos. Dessa forma, o pr&#x00F3;prio sentido da absoluta prioridade &#x00E0; inf&#x00E2;ncia e adolesc&#x00EA;ncia se v&#x00EA; sob o risco de cis&#x00E3;o, j&#x00E1; que se defende que, desse conjunto amplo, o grupo com at&#x00E9; seis anos de idade tenha destina&#x00E7;&#x00E3;o de investimento diferencial. O que seria, ent&#x00E3;o, priorit&#x00E1;rio? De que forma essa prioridade &#x00E9; adjetivada &#x201C;absoluta&#x201D; se se postulam escalas de prioridade dentro desse grande grupo?</p>
<p>Nota-se, nessa dimens&#x00E3;o, uma vis&#x00E3;o sobre a crian&#x00E7;a como um futuro trabalhador que produzir&#x00E1; maior retorno a partir do quanto mais aprender a se ajustar. Aqui, importa resgatar que a ideia de tais presta&#x00E7;&#x00F5;es positivas &#x00E0; Primeira Inf&#x00E2;ncia &#x00E9; apresentada sob a no&#x00E7;&#x00E3;o de &#x201C;investimento em capital humano&#x201D;, definida por Ricardo Paes de Barros et al. como &#x201C;toda e qualquer a&#x00E7;&#x00E3;o capaz de transformar as pessoas, quer aumentando sua produtividade em atividades econ&#x00F4;micas e n&#x00E3;o econ&#x00F4;micas, quer transformando a capacidade organizacional destas pessoas&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-5-1846">Barros et al., 2010</xref>, p. 7). Tal express&#x00E3;o &#x00E9; a mesma utilizada pelo Banco Mundial que, em defesa da Primeira Inf&#x00E2;ncia como pol&#x00ED;tica p&#x00FA;blica para seus pa&#x00ED;ses-membros, sustenta que &#x201C;o objetivo da inf&#x00E2;ncia &#x00E9; tornar-se um adulto plenamente produtivo&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-24-1846">Penn, 2002</xref>, p. 13), em que o pr&#x00F3;prio modelo de desenvolvimento humano reflete um modelo de desenvolvimento econ&#x00F4;mico.</p>
<p>Com rela&#x00E7;&#x00E3;o a esse aspecto, o hist&#x00F3;rico da inf&#x00E2;ncia e juventude no Brasil &#x00E9; rico em exemplos. No per&#x00ED;odo de industrializa&#x00E7;&#x00E3;o, a partir da associa&#x00E7;&#x00E3;o entre a falta de cuidados e o abandono das crian&#x00E7;as com a criminalidade e o descontrole dos adolescentes e adultos, constituiu-se um movimento para &#x201C;salvar as crian&#x00E7;as&#x201D;. Esse movimento, justificado pela &#x201C;cren&#x00E7;a de que heran&#x00E7;a e meio delet&#x00E9;rios transformavam em monstros [as crian&#x00E7;as]&#x201D;, tinha &#x201C;a dimens&#x00E3;o pol&#x00ED;tica de controle, sob a justificativa de que havia que se defender a sociedade em nome da ordem e da paz social&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-27-1846">Rizzini, 2011</xref>, p. 101). A inf&#x00E2;ncia pobre passa a ser considerada como um grave problema social, que justificar&#x00E1; a cria&#x00E7;&#x00E3;o e a regulamenta&#x00E7;&#x00E3;o de a&#x00E7;&#x00F5;es e normativas que tenham como fun&#x00E7;&#x00F5;es a preven&#x00E7;&#x00E3;o, a educa&#x00E7;&#x00E3;o, e a recupera&#x00E7;&#x00E3;o (<xref ref-type="bibr" rid="ref-38-1846">Vogel, 2011</xref>).</p>
<p>Novamente observamos a repeti&#x00E7;&#x00E3;o de concep&#x00E7;&#x00F5;es vigentes nos s&#x00E9;culos XIX e XX, alicer&#x00E7;adas na cren&#x00E7;a de que, dependendo das condi&#x00E7;&#x00F5;es ofertadas, a crian&#x00E7;a pode ser &#x00FA;til para a na&#x00E7;&#x00E3;o ou se tornar uma despesa constante para o Estado.</p>
<p>Ainda com rela&#x00E7;&#x00E3;o a este aspecto, Vicente de <xref ref-type="bibr" rid="ref-15-1846">Paula Faleiros (2011)</xref> menciona que a Constitui&#x00E7;&#x00E3;o aprovada em 1967 reduz a idade de permiss&#x00E3;o para o trabalho para os 12 anos. Com o prop&#x00F3;sito de educar as crian&#x00E7;as para garantir o futuro da na&#x00E7;&#x00E3;o, a meta era, na verdade, atender &#x00E0;s demandas das rela&#x00E7;&#x00F5;es de produ&#x00E7;&#x00E3;o. Nestas condi&#x00E7;&#x00F5;es, o investimento deixa de ser uma quest&#x00E3;o do garantismo e das possibilidades de exist&#x00EA;ncia para alcan&#x00E7;ar limiar de retorno (sobretudo material) desse investimento.</p>
<p>Sob a perspectiva da Prote&#x00E7;&#x00E3;o Integral, n&#x00E3;o h&#x00E1; um &#x201C;retorno&#x201D; do investimento que &#x00E9; destinado &#x00E0; inf&#x00E2;ncia porque, sob esse paradigma, crian&#x00E7;as e adolescentes n&#x00E3;o s&#x00E3;o cidad&#x00E3;os do futuro, mas do presente. A busca da dignidade na inf&#x00E2;ncia n&#x00E3;o se volta ao futuro, mas decorre da simples condi&#x00E7;&#x00E3;o de ser efetivamente uma crian&#x00E7;a e um adolescente, ficando a busca por um futuro com prosperidade pessoal mais como consequ&#x00EA;ncia da sua liberdade de se autodeterminar, e n&#x00E3;o como projeto para produzir um futuro trabalhador. Ou, como dito por Josiane Rose Petry Veronese, &#x201C;ter-se-ia uma sociedade mais equilibrada se cada fase do desenvolvimento do ser humano fosse bem vivida, no plano ps&#x00ED;quico, biol&#x00F3;gico e cultural&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-37-1846">Veronese, 2018</xref>, p. 32).</p>
<p>Para al&#x00E9;m de tal quest&#x00E3;o, o investimento financeiro relativo aos direitos infanto-juvenis j&#x00E1; era desde o in&#x00ED;cio mat&#x00E9;ria legislada no ECA, que prev&#x00EA; em seu art. 4&#x00BA; a garantia de prioridade inclusive para a destina&#x00E7;&#x00E3;o privilegiada de recursos p&#x00FA;blicos nas &#x00E1;reas relacionadas com a prote&#x00E7;&#x00E3;o de crian&#x00E7;as e adolescentes. Para <xref ref-type="bibr" rid="ref-13-1846">Dalmo Dallari (2018)</xref>, essa garantia &#x00E9; o m&#x00ED;nimo exig&#x00ED;vel para o cumprimento da prioridade &#x00E0; inf&#x00E2;ncia e &#x00E0; juventude <italic>como um todo</italic> prevista na Constitui&#x00E7;&#x00E3;o Federal.</p>
<p>Ainda que se alegue que a Primeira Inf&#x00E2;ncia n&#x00E3;o concorre com os direitos de crian&#x00E7;as mais velhas e adolescentes, &#x00E9; ineg&#x00E1;vel que, do ponto de vista pol&#x00ED;tico e institucional, h&#x00E1; condi&#x00E7;&#x00F5;es limitadoras que permitem pensar em destina&#x00E7;&#x00E3;o diferencial de recursos, em desprest&#x00ED;gio a crian&#x00E7;as mais velhas e adolescentes, at&#x00E9; pela Emenda Constitucional n&#x00BA; 95 de 2016, que congela investimentos p&#x00FA;blicos em pol&#x00ED;ticas sociais por 20 anos. E em mat&#x00E9;ria jornal&#x00ED;stica recente (<xref ref-type="bibr" rid="ref-18-1846">Fraga, 2020</xref>), veio a p&#x00FA;blico que a cidade de S&#x00E3;o Paulo ter&#x00E1; programa de acolhimento familiar destinado prioritariamente a crian&#x00E7;as de zero a seis anos, enquanto o comando da lei &#x00E9; de que tal medida seja para todas as crian&#x00E7;as e adolescentes que dela venham a precisar.</p>
<p>Ocorre que h&#x00E1; ainda importantes conflitos n&#x00E3;o s&#x00F3; de implementa&#x00E7;&#x00E3;o do ECA, mas de interpreta&#x00E7;&#x00E3;o da Prote&#x00E7;&#x00E3;o Integral (<xref ref-type="bibr" rid="ref-2-1846">Arantes, 2011</xref>), de forma que o pr&#x00F3;prio tratamento legal destinado a crian&#x00E7;as e adolescentes &#x00E9; transpassado, ainda hoje, por concep&#x00E7;&#x00F5;es variadas sobre o que &#x00E9; a inf&#x00E2;ncia. Exemplo basilar &#x00E9; a distin&#x00E7;&#x00E3;o existente na quest&#x00E3;o do adolescente em conflito com a lei frente a outros segmentos da Prote&#x00E7;&#x00E3;o Integral, criticamente discutida por v&#x00E1;rios autores (<xref ref-type="bibr" rid="ref-30-1846">Santos, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref-39-1846">Volpi, 1997</xref>). Tal concep&#x00E7;&#x00E3;o n&#x00E3;o &#x00E9; nova, visto que no final do s&#x00E9;culo XIX surge a concep&#x00E7;&#x00E3;o de plasticidade infantil, indicando a import&#x00E2;ncia de interven&#x00E7;&#x00F5;es precoces para desviar as crian&#x00E7;as dos v&#x00ED;cios.</p>
<p>Observa-se que as alus&#x00F5;es ao ECA e &#x00E0; Conven&#x00E7;&#x00E3;o Internacional sobre os Direitos da Crian&#x00E7;a s&#x00E3;o harm&#x00F4;nicas &#x00E0;s reivindica&#x00E7;&#x00F5;es e propostas dessas organiza&#x00E7;&#x00F5;es em prol da Primeira Inf&#x00E2;ncia, j&#x00E1; que se fala em prote&#x00E7;&#x00E3;o, garantia de direitos, cultura de cuidados, preven&#x00E7;&#x00E3;o, investimento p&#x00FA;blico e mobiliza&#x00E7;&#x00E3;o da sociedade em geral. Por&#x00E9;m, e ao mesmo tempo, h&#x00E1; uma not&#x00E1;vel valoriza&#x00E7;&#x00E3;o da Primeira Inf&#x00E2;ncia em detrimento do conjunto total de direitos previstos com a perspectiva da Prote&#x00E7;&#x00E3;o Integral, visto que, com exce&#x00E7;&#x00E3;o dos dispositivos relacionados &#x00E0; gesta&#x00E7;&#x00E3;o e &#x00E0; amamenta&#x00E7;&#x00E3;o, todos os demais poderiam ser dirigidos a toda a categoria de crian&#x00E7;as e adolescentes.</p>
<p>A garantia legal da Prote&#x00E7;&#x00E3;o Integral, muito embora signifique uma mudan&#x00E7;a sobretudo &#x00E9;tica no cuidado a crian&#x00E7;as e adolescentes (<xref ref-type="bibr" rid="ref-32-1846">S&#x00EA;da, 1999</xref>), n&#x00E3;o consegue, por si s&#x00F3;, dirimir rupturas na conceitua&#x00E7;&#x00E3;o de inf&#x00E2;ncia. Esther Maria de <xref ref-type="bibr" rid="ref-3-1846">Magalh&#x00E3;es Arantes (2016)</xref>, em importante resgate hist&#x00F3;rico sobre a elabora&#x00E7;&#x00E3;o da Conven&#x00E7;&#x00E3;o Internacional sobre os Direitos da Crian&#x00E7;a e as diverg&#x00EA;ncias pontuais que alguns Estados-Partes apontaram em seus termos, analisa a significativa dificuldade de consolidar uma concep&#x00E7;&#x00E3;o un&#x00ED;voca de inf&#x00E2;ncia ante um conjunto cultural, religiosa e etnicamente diversificado. Frente a um agrupamento de sociedades t&#x00E3;o diferentes, a pretens&#x00E3;o universalizante da Conven&#x00E7;&#x00E3;o esbarra na aus&#x00EA;ncia de uma concep&#x00E7;&#x00E3;o global da inf&#x00E2;ncia. Nesse sentido, a autora destaca que as normativas sobre a inf&#x00E2;ncia precisam ser interpeladas levando-se em considera&#x00E7;&#x00E3;o as realidades espaciais, temporais e socioculturais de uma determinada sociedade.</p>
<p>No contexto brasileiro, o ECA replica a pretens&#x00E3;o universalizante da Conven&#x00E7;&#x00E3;o e da Constitui&#x00E7;&#x00E3;o Federal de 1988, o que fica evidenciado em seu art. 3&#x00BA;, que afirma que a crian&#x00E7;a e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes &#x00E0; pessoa humana. Trata-se de uma afirma&#x00E7;&#x00E3;o antes de tudo civilizat&#x00F3;ria, ou uma &#x201C;declara&#x00E7;&#x00E3;o program&#x00E1;tica&#x201D; nos termos de <xref ref-type="bibr" rid="ref-36-1846">Paolo Vercelone (2018)</xref>, pois encaminha a prote&#x00E7;&#x00E3;o especial da qual crian&#x00E7;as e adolescentes s&#x00E3;o titulares. No caso do Brasil, a universalidade da Prote&#x00E7;&#x00E3;o Integral n&#x00E3;o &#x00E9; mero preciosismo e nem um formalismo de vanguarda dos grupos em prol de direitos infanto-juvenis; &#x00E9;, isto sim, uma ruptura frente a um &#x201C;esc&#x00E2;ndalo jur&#x00ED;dico e de uma assist&#x00EA;ncia p&#x00FA;blica&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-3-1846">Arantes, 2016</xref>, p. 74) que, por s&#x00E9;culos, inferiorizou crian&#x00E7;as e adolescentes pobres, fomentou a cultura da institucionaliza&#x00E7;&#x00E3;o como forma de corre&#x00E7;&#x00E3;o e preven&#x00E7;&#x00E3;o e ampliou desigualdades sociais, justificando-as de forma individualizante.</p>
<p>O C&#x00F3;digo de Menores de 1979, ao definir que as condi&#x00E7;&#x00F5;es irregulares eram devidas &#x00E0; omiss&#x00E3;o, a&#x00E7;&#x00E3;o ou irresponsabilidade dos pais ou respons&#x00E1;veis, ignorava as condi&#x00E7;&#x00F5;es sociais e transformava a v&#x00ED;tima em r&#x00E9;u (<xref ref-type="bibr" rid="ref-15-1846">Faleiros, 2011</xref>). Nesse sentido, o ECA espelha o resgate da cidadania de diversos grupos at&#x00E9; ent&#x00E3;o marginalizados juridicamente e, assim, s&#x00F3; poderia preconizar uma concep&#x00E7;&#x00E3;o &#x00FA;nica do sujeito crian&#x00E7;a e adolescente. Nas palavras de Faleiros, &#x201C;uma pol&#x00ED;tica voltada para a cidadania implica outra rela&#x00E7;&#x00E3;o com o Estado, baseada no direito e na participa&#x00E7;&#x00E3;o, combina a autonomia da crian&#x00E7;a, com a solidariedade social e o dever do Estado em propiciar e defender seus direitos como cidad&#x00E3;&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-15-1846">Faleiros, 2011</xref>, p. 36).</p>
<p>At&#x00E9; mesmo a distin&#x00E7;&#x00E3;o entre crian&#x00E7;a e adolescente dada pelo art. 2&#x00BA; do Estatuto, inexistente na Conven&#x00E7;&#x00E3;o Internacional sobre os Direitos da Crian&#x00E7;a, que denomina a todos, de 0 a 18 anos incompletos, como crian&#x00E7;as, n&#x00E3;o os desiguala em termos dos direitos fundamentais, pois em ambos os casos o ECA assegura o reconhecimento de que s&#x00E3;o pessoas em condi&#x00E7;&#x00E3;o peculiar de desenvolvimento e garante a prioridade na aten&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0;s suas necessidades.</p>
<p>Do que sobressai dos discursos dos s&#x00ED;tios eletr&#x00F4;nicos aqui analisados, a Primeira Inf&#x00E2;ncia acena para um recorte novo, para o qual se postula uma primazia, pois os investimentos nessa etapa do desenvolvimento gerariam maior retorno &#x00E0; sociedade.</p>
<p>Haveria, ent&#x00E3;o, pelo Marco Legal, a proposta de uma esp&#x00E9;cie de &#x201C;inf&#x00E2;ncia da inf&#x00E2;ncia&#x201D;. At&#x00E9; ent&#x00E3;o, desde a Conven&#x00E7;&#x00E3;o, um dos pilares da Prote&#x00E7;&#x00E3;o Integral &#x00E9; o reconhecimento da peculiar condi&#x00E7;&#x00E3;o da crian&#x00E7;a e do adolescente como pessoa em desenvolvimento (<xref ref-type="bibr" rid="ref-1-1846">Amin, 2016</xref>). Mas que direcionamento &#x00E0; prote&#x00E7;&#x00E3;o especial de crian&#x00E7;as e adolescentes adv&#x00E9;m de uma nova matriz de direitos em que &#x00E9; apontado t&#x00E3;o sistematicamente que o desenvolvimento na Primeira Inf&#x00E2;ncia &#x00E9; o que mais tem potencial para determinar aspectos fundamentais para o futuro?</p>
<p>Criar o imagin&#x00E1;rio de uma inf&#x00E2;ncia privilegiada dentro do conjunto de crian&#x00E7;as e adolescentes pode legitimar processos culturais e sociais que at&#x00E9; hoje inviabilizam direitos para muitos, como &#x00E9; o caso da ado&#x00E7;&#x00E3;o, em que adolescentes e crian&#x00E7;as com mais de cinco anos s&#x00E3;o estatisticamente menos &#x201C;desejados&#x201D; pelos pretendentes &#x00E0; ado&#x00E7;&#x00E3;o, ou da quest&#x00E3;o do adolescente em conflito com a lei, em que se constata alta press&#x00E3;o popular pela redu&#x00E7;&#x00E3;o da idade penal para 16 anos.</p>
<p>A Primeira Inf&#x00E2;ncia tamb&#x00E9;m pode caminhar para o endurecimento de velhas pr&#x00E1;ticas, como a de valorizar explica&#x00E7;&#x00F5;es e processos biologizantes para a quest&#x00E3;o da inf&#x00E2;ncia, por meio de um chamamento aos saberes cient&#x00ED;ficos que, baseados em uma abordagem inquestion&#x00E1;vel a que a neuroci&#x00EA;ncia remete, opera mecanismos de classifica&#x00E7;&#x00E3;o e autoriza prescri&#x00E7;&#x00F5;es sobre condutas humanas nos cuidados infantis. Num pa&#x00ED;s de extrema desigualdade social, explica&#x00E7;&#x00F5;es naturalizadoras das diferen&#x00E7;as individuais e dos fen&#x00F4;menos psicol&#x00F3;gicos (como intelig&#x00EA;ncia, compet&#x00EA;ncias parentais, rela&#x00E7;&#x00F5;es de afinidade e afeto, entre outros) j&#x00E1; foram, num passado ainda recente, balizadoras de contundentes cis&#x00F5;es no &#x00E2;mbito da sociedade, a ponto de legitimar a dicotomia &#x201C;crian&#x00E7;a/menor&#x201D;, atribuindo &#x00E0;s fam&#x00ED;lias inatingidas pelas pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas a origem de desvios de toda ordem. Parece importante que as &#x201C;evid&#x00EA;ncias&#x201D; de que investir na Primeira Inf&#x00E2;ncia traz bons resultados n&#x00E3;o recomendem indiretamente que investir no campo da crian&#x00E7;a e do adolescente seja menos importante, ou at&#x00E9; mesmo desnecess&#x00E1;rio, como muitos o entendem desde a vig&#x00EA;ncia do ECA (<xref ref-type="bibr" rid="ref-32-1846">S&#x00EA;da, 1999</xref>).</p>
<p>Evid&#x00EA;ncias cient&#x00ED;ficas parecem se colocar, no campo do direito, como operadoras da verdade, ou seja, limitam qualquer questionamento e transformam recomenda&#x00E7;&#x00F5;es e propostas em uma obriga&#x00E7;&#x00E3;o. No caso dos direitos infanto-juvenis, n&#x00E3;o &#x00E9; a primeira ocasi&#x00E3;o em que conhecimento t&#x00E9;cnico apoia formula&#x00E7;&#x00F5;es legislativas para a inf&#x00E2;ncia, havendo hist&#x00F3;rica presen&#x00E7;a de psicanalistas nessa frente: John Bowlby e sua teoria do apego subsidiaram posicionamento da ONU frente &#x00E0; orfandade observada no p&#x00F3;s-guerra; Donald Winnicott at&#x00E9; hoje &#x00E9; citado em estudos sobre a origem da &#x201C;delinqu&#x00EA;ncia&#x201D; juvenil; Ren&#x00E9; Spitz influenciou discuss&#x00F5;es sobre o impacto da priva&#x00E7;&#x00E3;o afetiva em crian&#x00E7;as afastadas de seus familiares; Anna Freud polemizou o conceito de melhor interesse da crian&#x00E7;a; Fran&#x00E7;oise Dolto &#x00E9; recorrente refer&#x00EA;ncia no campo da ado&#x00E7;&#x00E3;o e das separa&#x00E7;&#x00F5;es conjugais, entre outros.</p>
<p>Rizzini afirma que a conex&#x00E3;o causal &#x201C;entre a inf&#x00E2;ncia e a fase adulta no ciclo de vida do indiv&#x00ED;duo, t&#x00E3;o relacionada &#x00E0;s teorias biol&#x00F3;gicas do s&#x00E9;culo XIX, foi amplamente utilizada pela medicina, pela psicologia e pela psiquiatria e seguida, em outros moldes, pela psican&#x00E1;lise&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-27-1846">Rizzini, 2011</xref>, p. 85). O fim do s&#x00E9;culo XIX e o in&#x00ED;cio do s&#x00E9;culo XX s&#x00E3;o marcados pela difus&#x00E3;o do higienismo, cujo objetivo era &#x201C;prevenir males sociais, proposta na qual se encontram associados os conceitos de governo e poder t&#x00E9;cnico. O higienista &#x00E9; um pol&#x00ED;tico, legitimado pela ci&#x00EA;ncia, na ordem do social&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-27-1846">Rizzini e Pilotti, 2011</xref>, p. 327). Tem in&#x00ED;cio, na &#x00E9;poca, uma ampla produ&#x00E7;&#x00E3;o de conhecimento especializado acerca da inf&#x00E2;ncia, a qual, mais que autoriza, indica a interven&#x00E7;&#x00E3;o da medicina no &#x00E2;mbito dom&#x00E9;stico a fim de que a m&#x00E3;e (ent&#x00E3;o respons&#x00E1;vel pelos cuidados ofertados aos filhos) fosse devidamente treinada e orientada para fornecer cuidados que n&#x00E3;o pervertessem ou prejudicassem o desenvolvimento infanto-juvenil.</p>
<p>O saber, na an&#x00E1;lise de <xref ref-type="bibr" rid="ref-16-1846">Michel Foucault (1973/2013</xref>), &#x00E9; express&#x00E3;o de um poder. O saber passa a expressar um poder quando estruturas e processos de vigil&#x00E2;ncia permitem n&#x00E3;o s&#x00F3; a rendi&#x00E7;&#x00E3;o a um controle de quem det&#x00E9;m esse mesmo poder, mas tamb&#x00E9;m a constru&#x00E7;&#x00E3;o de um conhecimento a respeito de quem &#x00E9; vigiado. Nesse sentido, a ancoragem cient&#x00ED;fica n&#x00E3;o s&#x00F3; legitima os pleitos dos movimentos pela Primeira Inf&#x00E2;ncia como tamb&#x00E9;m se passa a exigir a pr&#x00F3;pria afirma&#x00E7;&#x00E3;o de um poder capaz de prescrever condutas corretas e necess&#x00E1;rias. Ao faz&#x00EA;-lo, indiretamente prescreve as incorretas e desnecess&#x00E1;rias tamb&#x00E9;m.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="ref-41-1846">Christiane Whitaker (2010)</xref> aponta que o saber especializado n&#x00E3;o funciona como um poder por si s&#x00F3;, mas que este se d&#x00E1; no usufruto institucional por parte das estruturas que se apropriam do conhecimento produzido. Nesse sentido, as ci&#x00EA;ncias conhecedoras do funcionamento e da matura&#x00E7;&#x00E3;o do c&#x00E9;rebro passam a associar in&#x00FA;meros aspectos do desenvolvimento infantil ao que ocorre ou deixa de ocorrer na Primeira Inf&#x00E2;ncia. Assim, a referida &#x201C;janela de oportunidade&#x201D; aberta pelos primeiros anos de vida, anunciada como per&#x00ED;odo de investimentos, por vias transversas n&#x00E3;o deixa de ser tamb&#x00E9;m uma data-limite, desvalorizando medidas que venham a ser adotadas no desenvolvimento de crian&#x00E7;as maiores ou adolescentes.</p>
<p>O recorte no desenvolvimento n&#x00E3;o &#x00E9; o &#x00FA;nico sentido operado pelo arrojo das ci&#x00EA;ncias do desenvolvimento cerebral. O forte aspecto biologizante aparece no conjunto dessas evid&#x00EA;ncias, quase sempre relacionadas ao corpo do sujeito crian&#x00E7;a. Tal aspecto faz pensar na retomada de teorias naturalizadoras da desigualdade social e do risco do retorno de um pensamento determinista, que associa diretamente, como causa e efeito, o investimento na Primeira Inf&#x00E2;ncia a &#x00ED;ndices e escores desenvolvimentais. Para a pr&#x00E1;tica dos psic&#x00F3;logos, especificamente, essa abordagem vai no contrafluxo dos postulados da profiss&#x00E3;o, como j&#x00E1; discutido na introdu&#x00E7;&#x00E3;o. E, do ponto de vista te&#x00F3;rico, a &#x00EA;nfase no desenvolvimento biol&#x00F3;gico colide com importantes teorias da Psicologia que consideram todo o ciclo vital como o substrato do desenvolvimento humano, sendo este um <italic>continuum</italic> que n&#x00E3;o &#x00E9; determinado apenas por processos naturais, mas tamb&#x00E9;m ecol&#x00F3;gicos, sociais e ambientais (<xref ref-type="bibr" rid="ref-29-1846">Rossetti-Ferreira et al., 2004</xref>).</p>
<p>Al&#x00E9;m disso, com o desenvolvimento das ci&#x00EA;ncias humanas e sociais, a concep&#x00E7;&#x00E3;o de que crian&#x00E7;a e adolescente s&#x00E3;o sujeitos de direitos se entrecruza, de alguma maneira, com a proposi&#x00E7;&#x00E3;o de que s&#x00E3;o, antes disso, sujeitos de desejo com uma interioridade. No plano dos direitos infanto-juvenis, essas contribui&#x00E7;&#x00F5;es ajudaram a situar a condi&#x00E7;&#x00E3;o peculiar de pessoa em desenvolvimento como refer&#x00EA;ncia para a interpreta&#x00E7;&#x00E3;o dos direitos.</p>
<p>Nesse sentido, parece importante que os discursos pela Primeira Inf&#x00E2;ncia sejam respeitadores do amplo espectro da Prote&#x00E7;&#x00E3;o Integral. Como j&#x00E1; referido, nas elei&#x00E7;&#x00F5;es presidenciais de 2018 a pauta da Primeira Inf&#x00E2;ncia sobrepujou o campo amplo da Inf&#x00E2;ncia e da Juventude. Tais discuss&#x00F5;es fazem pensar na pr&#x00F3;pria evolu&#x00E7;&#x00E3;o da vig&#x00EA;ncia dos Direitos Humanos, que &#x201C;ser&#x00E1; determinada tanto pela for&#x00E7;a da consci&#x00EA;ncia coletiva que se tem deles como pela capacidade ou poder pol&#x00ED;tico de inscrev&#x00EA;-los na ordem jur&#x00ED;dica&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="ref-9-1846">Camino, 2000</xref>, p. 46). Dessa forma, o processo civilizat&#x00F3;rio da conquista de direitos n&#x00E3;o se limita &#x00E0; simples aprova&#x00E7;&#x00E3;o de leis, mas deve levar em conta os processos de inclus&#x00E3;o e exclus&#x00E3;o que vigoram no interior das sociedades (autoras daquelas mesmas leis), que t&#x00EA;m, por seus pr&#x00F3;prios meios, condi&#x00E7;&#x00F5;es de negar e esvaziar direitos, mesmo que sob a roupagem de sua promo&#x00E7;&#x00E3;o.</p>
</sec>
<sec id="sec-8-1846">
<title><bold>C<sc>onsidera&#x00E7;&#x00F5;es finais</sc></bold></title>
<p>Desta pesquisa explorat&#x00F3;ria emerge a possibilidade de ulteriores e mais aprofundados estudos sobre as conflu&#x00EA;ncias e dispers&#x00F5;es entre os movimentos pela Primeira Inf&#x00E2;ncia e pelos direitos da crian&#x00E7;a e do adolescente de modo geral. Levantamentos sobre a implementa&#x00E7;&#x00E3;o de pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas voltadas para a Primeira Inf&#x00E2;ncia e o impacto do Marco Legal brasileiro em rela&#x00E7;&#x00E3;o ao conjunto maior do microssistema legal da crian&#x00E7;a e do adolescente, sobre as poss&#x00ED;veis significa&#x00E7;&#x00F5;es da doutrina da Prote&#x00E7;&#x00E3;o Integral de Crian&#x00E7;as e Adolescentes junto a institui&#x00E7;&#x00F5;es e organiza&#x00E7;&#x00F5;es que atuam nesse campo e estudos comparativos entre a norma nacional e proposi&#x00E7;&#x00F5;es internacionais s&#x00E3;o alguns exemplos que podem ser pertinentes a uma agenda de pesquisa.</p>
<p>Neste momento, em que o ECA vive importantes ataques, h&#x00E1; riscos quanto &#x00E0; promo&#x00E7;&#x00E3;o da Primeira Inf&#x00E2;ncia como segmento privilegiado no campo da Prote&#x00E7;&#x00E3;o Integral, reeditando velhas cis&#x00F5;es dentro do campo do direito infanto-juvenil entre a faixa et&#x00E1;ria defendida e todo o segmento restante de crian&#x00E7;as e adolescentes. Tendo completado j&#x00E1; 30 anos, o ECA ainda n&#x00E3;o conta por parte de todos os agentes da sociedade com o reconhecimento da inf&#x00E2;ncia e juventude como categoria social, um sujeito coletivo de direitos com heterogeneidades e singularidades. Insciente desse dever, persiste-se na divis&#x00E3;o da inf&#x00E2;ncia. Neste estudo, buscou-se uma aproxima&#x00E7;&#x00E3;o ao modo como movimentos pela Primeira Inf&#x00E2;ncia no contexto brasileiro t&#x00EA;m articulado seus posicionamentos face &#x00E0; novel legisla&#x00E7;&#x00E3;o e ao conjunto maior de direitos infanto-juvenis que, com sua hist&#x00F3;ria, contextualizam-na.</p>
<p>Parece-nos que o apontamento de <xref ref-type="bibr" rid="ref-28-1846">Irene Rizzini e Francisco Pilotti (2011)</xref> com rela&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0; inf&#x00E2;ncia dos s&#x00E9;culos XIX e XX, de que as interven&#x00E7;&#x00F5;es estatais promovidas de forma higienista possibilitaram a penetra&#x00E7;&#x00E3;o nas fam&#x00ED;lias &#x201C;para conferir-lhes o padr&#x00E3;o desejado&#x201D; (p. 327), talvez ainda se fa&#x00E7;a (no) presente.</p>
<p>N&#x00E3;o se pode olvidar que a aprova&#x00E7;&#x00E3;o de leis mant&#x00E9;m rela&#x00E7;&#x00E3;o direta com os interesses da classe dominante, devendo, qualquer an&#x00E1;lise, considerar a conjuntura social, pol&#x00ED;tica e econ&#x00F4;mica do momento. Assim, parece pertinente neste momento guardar e relembrar as li&#x00E7;&#x00F5;es de <xref ref-type="bibr" rid="ref-12-1846">Ant&#x00F4;nio Carlos Gomes da Costa (2018)</xref>, um dos colaboradores do grupo que apresentou a reda&#x00E7;&#x00E3;o original do ECA, para quem a condi&#x00E7;&#x00E3;o peculiar de pessoa em desenvolvimento n&#x00E3;o pode ser entendida apenas pela incapacidade, mas por uma completude relativa, j&#x00E1; que a crian&#x00E7;a e o adolescente &#x201C;n&#x00E3;o s&#x00E3;o seres inacabados, a caminho de uma plenitude a ser consumada na idade adulta [&#x2026;] Cada etapa &#x00E9;, &#x00E0; sua maneira, um per&#x00ED;odo de plenitude que deve ser compreendida e acatada pelo mundo adulto&#x201D; (pp. 96-97). Logo, consideramos que a Primeira Inf&#x00E2;ncia n&#x00E3;o pode significar primazia para um segmento da Inf&#x00E2;ncia e Juventude.</p>
<p>Por fim, destacamos que o presente estudo tem limita&#x00E7;&#x00F5;es decorrentes de seu alcance explorat&#x00F3;rio, como uma amostra documental restrita a um per&#x00ED;odo pontual, e de um &#x00FA;nico tipo de comunica&#x00E7;&#x00E3;o, que &#x00E9; o institucional. Pesquisas ulteriores poderiam superar essas barreiras, estendendo o alcance da investiga&#x00E7;&#x00E3;o para documentos oficiais afetos &#x00E0; implementa&#x00E7;&#x00E3;o da lei.</p>
</sec>
</body>
<back>
<ref-list>
<title><bold>R<sc>efer&#x00EA;ncias</sc></bold></title>
<ref id="ref-1-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Amin</surname> <given-names>Andr&#x00E9;a Rodrigues</given-names></name></person-group> <year>2016</year> <chapter-title>Doutrina da prote&#x00E7;&#x00E3;o integral</chapter-title> <comment>Em</comment> <person-group person-group-type="author"><name><surname>Regina</surname> <given-names>K&#x00E1;tia</given-names></name> <name><surname>Lobo</surname> <given-names>Ferreira</given-names></name> <name><surname>Maciel</surname> <given-names>Andrade</given-names></name></person-group> <role>Coord.</role> <source>Curso de Direito da crian&#x00E7;a e do adolescente &#x2013; Aspectos te&#x00F3;ricos e pr&#x00E1;ticos</source> <edition>9a ed.</edition> <comment>pp.</comment> <fpage>55</fpage><lpage>61</lpage> <publisher-name>Saraiva</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Amin, Andr&#x00E9;a Rodrigues (2016). Doutrina da prote&#x00E7;&#x00E3;o integral. Em K&#x00E1;tia Regina Ferreira Lobo Andrade Maciel (Coord.). <italic>Curso de Direito da crian&#x00E7;a e do adolescente &#x2013; Aspectos te&#x00F3;ricos e pr&#x00E1;ticos</italic> (9a ed., pp. 55-61). Saraiva.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-2-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Arantes</surname> <given-names>Esther Maria de Magalh&#x00E3;es</given-names></name></person-group> <year>2011</year> <chapter-title>Pensando a Psicologia aplicada &#x00E0; Justi&#x00E7;a</chapter-title> <comment>Em</comment> <person-group person-group-type="author"><name><surname>Gon&#x00E7;alves</surname> <given-names>Hebe Signorini</given-names></name> <name><surname>Brand&#x00E3;o</surname> <given-names>Eduardo Ponte</given-names></name></person-group> <role>Orgs.</role> <source>Psicologia Jur&#x00ED;dica no Brasil</source> <comment>pp.</comment> <fpage>11</fpage><lpage>42</lpage> <publisher-name>Nau.</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Arantes, Esther Maria de Magalh&#x00E3;es (2011). Pensando a Psicologia aplicada &#x00E0; Justi&#x00E7;a. Em Hebe Signorini Gon&#x00E7;alves &#x0026; Eduardo Ponte Brand&#x00E3;o (Orgs.), <italic>Psicologia Jur&#x00ED;dica no Brasil</italic> (pp. 11-42). Nau.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-3-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Arantes</surname> <given-names>Esther Maria de Magalh&#x00E3;es</given-names></name></person-group> <year>2016</year> <chapter-title>Duas d&#x00E9;cadas e meia de vig&#x00EA;ncia da Conven&#x00E7;&#x00E3;o sobre os Direitos da Crian&#x00E7;a: Algumas considera&#x00E7;&#x00F5;es</chapter-title> <comment>Em</comment> <person-group person-group-type="author"><name><surname>Ponte Brand&#x00E3;o</surname> <given-names>Eduardo</given-names></name></person-group> <role>Org.</role> <source>Atualidades em Psicologia Jur&#x00ED;dica</source> <comment>pp.</comment> <fpage>53</fpage><lpage>96</lpage> <publisher-name>Nau.</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Arantes, Esther Maria de Magalh&#x00E3;es (2016). Duas d&#x00E9;cadas e meia de vig&#x00EA;ncia da Conven&#x00E7;&#x00E3;o sobre os Direitos da Crian&#x00E7;a: Algumas considera&#x00E7;&#x00F5;es. Em Eduardo Ponte Brand&#x00E3;o (Org.). <italic>Atualidades em Psicologia Jur&#x00ED;dica</italic> (pp. 53-96). Nau.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-4-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Bardin</surname> <given-names>Laurence</given-names></name></person-group> <year>2016</year> <source>An&#x00E1;lise de conte&#x00FA;do</source> <publisher-name>Edi&#x00E7;&#x00F5;es 70</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Bardin, Laurence (2016). <italic>An&#x00E1;lise de conte&#x00FA;do</italic>. Edi&#x00E7;&#x00F5;es 70.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-5-1846"><element-citation publication-type="webpage"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Barros</surname> <given-names>Ricardo Paes</given-names></name> <name><surname>Lisa</surname> <given-names>Biron</given-names></name> <name><surname>Carvalho</surname> <given-names>Mirela de</given-names></name> <name><surname>Fandinho</surname> <given-names>Mariana</given-names></name> <name><surname>Franco</surname> <given-names>Samuel</given-names></name> <name><surname>Mendon&#x00E7;a</surname> <given-names>Roseane</given-names></name> <name><surname>Rosal&#x00E9;m</surname> <given-names>Andrezza</given-names></name> <name><surname>Scofano</surname> <given-names>Andr&#x00E9;</given-names></name> <name><surname>Tomas</surname> <given-names>Roberta</given-names></name></person-group> <year>2010</year> <source>Determinantes do desenvolvimento na primeira inf&#x00E2;ncia no Brasil</source> <publisher-name>Ipea.</publisher-name> <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_1478.pdf">https://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_1478.pdf</ext-link></element-citation>
<mixed-citation>Barros, Ricardo Paes; Lisa, Biron; Carvalho, Mirela de; Fandinho, Mariana; Franco, Samuel; Mendon&#x00E7;a, Roseane; Rosal&#x00E9;m, Andrezza; Scofano, Andr&#x00E9; &#x0026; Tomas, Roberta (2010). <italic>Determinantes do desenvolvimento na primeira inf&#x00E2;ncia no Brasil.</italic> Ipea. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_1478.pdf">https://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_1478.pdf</ext-link></mixed-citation></ref>
<ref id="ref-6-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Bicalho</surname> <given-names>Pedro Paulo Gastalho de</given-names></name></person-group> <year>2016</year> <chapter-title>Da execu&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0; constru&#x00E7;&#x00E3;o das leis: a psicologia jur&#x00ED;dica no legislativo brasileiro</chapter-title> <comment>Em</comment> <person-group person-group-type="author"><name><surname>Ponte Brand&#x00E3;o</surname> <given-names>Eduardo</given-names></name></person-group> <role>Org.</role> <source>Atualidades em Psicologia Jur&#x00ED;dica</source> <comment>pp.</comment> <fpage>17</fpage><lpage>34</lpage> <publisher-name>Nau.</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Bicalho, Pedro Paulo Gastalho de (2016). Da execu&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0; constru&#x00E7;&#x00E3;o das leis: a psicologia jur&#x00ED;dica no legislativo brasileiro. Em Eduardo Ponte Brand&#x00E3;o (Org.), <italic>Atualidades em Psicologia Jur&#x00ED;dica</italic> (pp. 17-34). Nau.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-7-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Bock</surname> <given-names>Ana Merc&#x00EA;s Bahia</given-names></name></person-group> <year>2009</year> <chapter-title>Psicologia e sua ideologia: 40 anos de compromisso com as elites</chapter-title> <comment>Em</comment> <person-group person-group-type="author"><name><surname>Bahia Bock</surname> <given-names>Ana Merc&#x00EA;s</given-names></name></person-group> <role>Org.</role> <source>Psicologia e o compromisso social</source> <comment>pp.</comment> <fpage>15</fpage><lpage>28</lpage> <publisher-name>Cortez</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Bock, Ana Merc&#x00EA;s Bahia (2009). Psicologia e sua ideologia: 40 anos de compromisso com as elites. Em Ana Merc&#x00EA;s Bahia Bock (Org.), <italic>Psicologia e o compromisso social</italic> (pp. 15-28). Cortez.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-8-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Brand&#x00E3;o</surname> <given-names>Eduardo Ponte</given-names></name></person-group> <year>2016</year> <chapter-title>Uma leitura da genealogia dos poderes sobre a per&#x00ED;cia psicol&#x00F3;gica e a crise atual na psicologia jur&#x00ED;dica</chapter-title> <comment>Em</comment> <person-group person-group-type="author"><name><surname>Brand&#x00E3;o</surname> <given-names>Eduardo Ponte</given-names></name></person-group> <role>Org.</role> <source>Atualidades em Psicologia Jur&#x00ED;dica</source> <comment>pp.</comment> <fpage>35</fpage><lpage>52</lpage> <publisher-name>Nau.</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Brand&#x00E3;o, Eduardo Ponte (2016). Uma leitura da genealogia dos poderes sobre a per&#x00ED;cia psicol&#x00F3;gica e a crise atual na psicologia jur&#x00ED;dica. Em Eduardo Ponte Brand&#x00E3;o (Org.), <italic>Atualidades em Psicologia Jur&#x00ED;dica</italic> (pp. 35-52). Nau.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-9-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Camino</surname> <given-names>Leoncio</given-names></name></person-group> <year>2000</year> <chapter-title>Direitos Humanos e Psicologia</chapter-title> <comment>Em</comment> <person-group person-group-type="author"><name><surname>Silva</surname> <given-names>Marcus Vin&#x00ED;cius de Oliveira</given-names></name></person-group> <role>Org.</role> <source>Psicologia, &#x00C9;tica e Direitos Humanos</source> <edition>4a ed.</edition> <comment>pp.</comment> <fpage>41</fpage><lpage>65</lpage> <publisher-name>Casa do Psic&#x00F3;logo</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Camino, Leoncio (2000). Direitos Humanos e Psicologia. Em Marcus Vin&#x00ED;cius de Oliveira Silva (Org.), <italic>Psicologia, &#x00C9;tica e Direitos Humanos</italic> (4a ed., pp. 41-65). Casa do Psic&#x00F3;logo.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-10-1846"><element-citation publication-type="webpage"><person-group person-group-type="author"><collab>Conselho Regional de Psicologia de S&#x00E3;o Paulo [CRP-SP]</collab></person-group> <year>2011</year> <source>Exposi&#x00E7;&#x00E3;o 50 anos da psicologia no Brasil: A Hist&#x00F3;ria da Psicologia no Brasil</source> <publisher-name>Autor</publisher-name> <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.crpsp.org.br/portal/comunicacao/pdf/catalogo50anos.pdf">http://www.crpsp.org.br/portal/comunicacao/pdf/catalogo50anos.pdf</ext-link></element-citation>
<mixed-citation>Conselho Regional de Psicologia de S&#x00E3;o Paulo [CRP-SP] (2011)<italic>. Exposi&#x00E7;&#x00E3;o 50 anos da psicologia no Brasil: A Hist&#x00F3;ria da Psicologia no Brasil</italic>. Autor. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.crpsp.org.br/portal/comunicacao/pdf/catalogo50anos.pdf">http://www.crpsp.org.br/portal/comunicacao/pdf/catalogo50anos.pdf</ext-link></mixed-citation></ref>
<ref id="ref-11-1846"><element-citation publication-type="journal"><person-group person-group-type="author"><collab>Conselho Regional de Psicologia de S&#x00E3;o Paulo [CRP-SP]</collab></person-group> <year>2018</year> <article-title>O Conselho Regional de Psicologia de S&#x00E3;o Paulo e a defesa da prote&#x00E7;&#x00E3;o integral de crian&#x00E7;as e adolescentes: Uma breve aproxima&#x00E7;&#x00E3;o hist&#x00F3;rica de um percurso de lutas que criam</article-title> <source>Cadernos da Defensoria P&#x00FA;blica do Estado de S&#x00E3;o Paulo</source> <volume>3</volume><issue>19</issue> <fpage>110</fpage><lpage>123</lpage> <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.defensoria.sp.def.br/cadernos_defensoria/volume19.aspx">https://www.defensoria.sp.def.br/cadernos_defensoria/volume19.aspx</ext-link></element-citation>
<mixed-citation>Conselho Regional de Psicologia de S&#x00E3;o Paulo [CRP-SP] (2018). O Conselho Regional de Psicologia de S&#x00E3;o Paulo e a defesa da prote&#x00E7;&#x00E3;o integral de crian&#x00E7;as e adolescentes: Uma breve aproxima&#x00E7;&#x00E3;o hist&#x00F3;rica de um percurso de lutas que criam. <italic>Cadernos da Defensoria P&#x00FA;blica do Estado de S&#x00E3;o Paulo, 3</italic>(19), 110-123. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.defensoria.sp.def.br/cadernos_defensoria/volume19.aspx">https://www.defensoria.sp.def.br/cadernos_defensoria/volume19.aspx</ext-link></mixed-citation></ref>
<ref id="ref-12-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><collab>Costa, Ant&#x00F4;nio Carlos Gomes da</collab></person-group> <year>2018</year> <chapter-title>Coment&#x00E1;rio sobre o art. 6&#x00BA;</chapter-title> <comment>Em</comment> <person-group person-group-type="author"><name><surname>Veronese</surname> <given-names>Josiane Rose Petry</given-names></name> <name><surname>Silveira</surname> <given-names>Mayra</given-names></name> <name><surname>Cury</surname> <given-names>Munir</given-names></name></person-group> <role>Orgs.</role> <source>Estatuto da Crian&#x00E7;a e do Adolescente comentado &#x2013; Coment&#x00E1;rios jur&#x00ED;dicos e sociais</source> <edition>13th ed.</edition> <comment>pp.</comment> <fpage>95</fpage><lpage>97</lpage> <publisher-name>Malheiros</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Costa, Ant&#x00F4;nio Carlos Gomes da (2018). Coment&#x00E1;rio sobre o art. 6&#x00BA;. Em Josiane Rose Petry Veronese, Mayra Silveira &#x0026; Munir Cury (Orgs.), <italic>Estatuto da Crian&#x00E7;a e do Adolescente comentado &#x2013; Coment&#x00E1;rios jur&#x00ED;dicos e sociais</italic> (13th ed., pp. 95-97). Malheiros.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-13-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Dallari</surname> <given-names>Dalmo</given-names></name></person-group> <year>2018</year> <chapter-title>Coment&#x00E1;rio sobre o art. 4&#x00BA;</chapter-title> <comment>Em</comment> <person-group person-group-type="author"><name><surname>Veronese</surname> <given-names>Josiane Rose Petry</given-names></name> <name><surname>Silveira</surname> <given-names>Mayra</given-names></name> <name><surname>Cury</surname> <given-names>Munir</given-names></name></person-group> <role>Orgs.</role> <source>Estatuto da Crian&#x00E7;a e do Adolescente comentado &#x2013; Coment&#x00E1;rios jur&#x00ED;dicos e sociais</source> <edition>13a ed.</edition> <comment>pp.</comment> <fpage>66</fpage><lpage>75</lpage> <publisher-name>Malheiros</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Dallari, Dalmo (2018). Coment&#x00E1;rio sobre o art. 4&#x00BA;. Em Josiane Rose Petry Veronese, Mayra Silveira &#x0026; Munir Cury (Orgs.), <italic>Estatuto da Crian&#x00E7;a e do Adolescente comentado &#x2013; Coment&#x00E1;rios jur&#x00ED;dicos e sociais</italic> (13a ed., pp. 66-75). Malheiros.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-14-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Donzelot</surname> <given-names>Jacques</given-names></name></person-group> <year>1986</year> <source>A pol&#x00ED;cia das fam&#x00ED;lias</source> <publisher-name>Graal</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Donzelot, Jacques (1986). <italic>A pol&#x00ED;cia das fam&#x00ED;lias</italic>. Graal.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-15-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Faleiros</surname> <given-names>Vicente de Paula</given-names></name></person-group> <year>2011</year> <chapter-title>Inf&#x00E2;ncia e processo pol&#x00ED;tico no Brasil</chapter-title> <comment>Em</comment> <person-group person-group-type="author"><name><surname>Rizzini</surname> <given-names>Irene</given-names></name> <name><surname>Pilotti</surname> <given-names>Francisco</given-names></name></person-group> <role>Orgs.</role> <source>A arte de governar crian&#x00E7;as &#x2013; A hist&#x00F3;ria das pol&#x00ED;ticas sociais, da legisla&#x00E7;&#x00E3;o e da assist&#x00EA;ncia &#x00E0; inf&#x00E2;ncia no Brasil</source> <edition>3a ed.</edition> <comment>pp.</comment> <fpage>33</fpage><lpage>96</lpage> <publisher-name>Cortez</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Faleiros, Vicente de Paula (2011). Inf&#x00E2;ncia e processo pol&#x00ED;tico no Brasil. Em Irene Rizzini &#x0026; Francisco Pilotti (Orgs.), <italic>A arte de governar crian&#x00E7;as &#x2013; A hist&#x00F3;ria das pol&#x00ED;ticas sociais, da legisla&#x00E7;&#x00E3;o e da assist&#x00EA;ncia &#x00E0; inf&#x00E2;ncia no Brasil</italic> (3a ed., pp. 33-96). Cortez.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-16-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Foucault</surname> <given-names>Michel</given-names></name></person-group> <year>1973/2013</year> <source>A verdade e as formas jur&#x00ED;dicas</source> <publisher-name>Nau.</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Foucault, Michel (1973/2013). <italic>A verdade e as formas jur&#x00ED;dicas</italic>. Nau.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-17-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Foucault</surname> <given-names>Michel</given-names></name></person-group> <year>1987/2001</year> <source>Vigiar e punir</source> <publisher-name>Vozes</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Foucault, Michel (1987/2001). <italic>Vigiar e punir</italic>. Vozes.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-18-1846"><element-citation publication-type="webpage"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Fraga</surname> <given-names>&#x00C9;rica</given-names></name></person-group> <year>2020</year> <day>15</day> <comment>de</comment> <month>02</month> <article-title>Manter crian&#x00E7;as em abrigos, como faz Brasil, prejudica desenvolvimento</article-title> <source>Folha de S&#x00E3;o Paulo</source> <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2020/02/manter-criancas-em-abrigos-como-faz-brasil-prejudica-desenvolvimento.shtml">https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2020/02/manter-criancas-em-abrigos-como-faz-brasil-prejudica-desenvolvimento.shtml</ext-link></element-citation>
<mixed-citation>Fraga, &#x00C9;rica (2020, 15 de fevereiro). Manter crian&#x00E7;as em abrigos, como faz Brasil, prejudica desenvolvimento. <italic>Folha de S&#x00E3;o Paulo</italic>. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2020/02/manter-criancas-em-abrigos-como-faz-brasil-prejudica-desenvolvimento.shtml">https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2020/02/manter-criancas-em-abrigos-como-faz-brasil-prejudica-desenvolvimento.shtml</ext-link></mixed-citation></ref>
<ref id="ref-19-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Gonz&#x00E1;lez Rey</surname> <given-names>Fernando</given-names></name></person-group> <year>2005</year> <source>Pesquisa qualitativa em Psicologia: Caminhos e desafios</source> <publisher-name>Pioneira Thomson Learning</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Gonz&#x00E1;lez Rey, Fernando (2005). <italic>Pesquisa qualitativa em Psicologia: Caminhos e desafios</italic>. Pioneira Thomson Learning.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-20-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>L&#x00E9;pore</surname> <given-names>Paulo Eduardo</given-names></name> <name><surname>Rossato</surname> <given-names>Luciano Alves</given-names></name> <name><surname>Cunha</surname> <given-names>Rog&#x00E9;rio Sanches</given-names></name></person-group> <year>2016</year> <source>Estatuto da Crian&#x00E7;a e do Adolescente &#x2013; Comentado artigo por artigo</source> <publisher-name>Saraiva</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>L&#x00E9;pore, Paulo Eduardo; Rossato, Luciano Alves &#x0026; Cunha, Rog&#x00E9;rio Sanches (2016). <italic>Estatuto da Crian&#x00E7;a e do Adolescente &#x2013; Comentado artigo por artigo</italic>. Saraiva.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-21-1846"><element-citation publication-type="journal"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Mendez</surname> <given-names>Emilio Garcia</given-names></name></person-group> <year>2020</year> <article-title>A defesa legal e a legitimidade dos sistemas de administra&#x00E7;&#x00E3;o da justi&#x00E7;a para a inf&#x00E2;ncia e juventude</article-title> <source>Boletim de Direitos da Crian&#x00E7;a e do Adolescente</source> <volume>8</volume> <fpage>6</fpage><lpage>10</lpage> </element-citation>
<mixed-citation>Mendez, Emilio Garcia (2020). A defesa legal e a legitimidade dos sistemas de administra&#x00E7;&#x00E3;o da justi&#x00E7;a para a inf&#x00E2;ncia e juventude. <italic>Boletim de Direitos da Crian&#x00E7;a e do Adolescente</italic>, <italic>8</italic>, 6-10. </mixed-citation></ref>
<ref id="ref-22-1846"><element-citation publication-type="journal"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Nakamura</surname> <given-names>Carlos Renato</given-names></name></person-group> <year>2019</year> <article-title>Crian&#x00E7;a e adolescente: Sujeito ou objeto da ado&#x00E7;&#x00E3;o? Reflex&#x00F5;es sobre menorismo e prote&#x00E7;&#x00E3;o integral</article-title> <source>Servi&#x00E7;o Social e Sociedade</source> <volume>134</volume> <fpage>179</fpage><lpage>197</lpage> <pub-id pub-id-type="doi">10.1590/0101-6628.172</pub-id></element-citation>
<mixed-citation>Nakamura, Carlos Renato (2019). Crian&#x00E7;a e adolescente: Sujeito ou objeto da ado&#x00E7;&#x00E3;o? Reflex&#x00F5;es sobre menorismo e prote&#x00E7;&#x00E3;o integral. <italic>Servi&#x00E7;o Social e Sociedade</italic>, <italic>134</italic>, 179-197. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.1590/0101-6628.172">https://doi.org/10.1590/0101-6628.172</ext-link></mixed-citation></ref>
<ref id="ref-23-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Paula</surname> <given-names>Paulo Afonso Garrido de</given-names></name></person-group> <year>2020</year> <chapter-title>ECA e suas mudan&#x00E7;as em 30 anos de vig&#x00EA;ncia</chapter-title> <comment>Em</comment> <person-group person-group-type="author"><name><surname>F&#x00E1;vero</surname> <given-names>Eunice Teresinha</given-names></name> <name><surname>Oliveira Pini</surname> <given-names>Francisca Rodrigues</given-names></name> <name><surname>Silva</surname> <given-names>Maria Lidu&#x00ED;na de Oliveira e</given-names></name></person-group> <role>Orgs.</role> <source>ECA e a prote&#x00E7;&#x00E3;o integral de crian&#x00E7;as e adolescentes</source> <comment>pp.</comment> <fpage>25</fpage><lpage>40</lpage> <publisher-name>Cortez</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Paula, Paulo Afonso Garrido de (2020). ECA e suas mudan&#x00E7;as em 30 anos de vig&#x00EA;ncia. Em Eunice Teresinha F&#x00E1;vero, Francisca Rodrigues Oliveira Pini &#x0026; Maria Lidu&#x00ED;na de Oliveira e Silva (Orgs.), <italic>ECA e a prote&#x00E7;&#x00E3;o integral de crian&#x00E7;as e adolescentes</italic> (pp. 25-40). Cortez.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-24-1846"><element-citation publication-type="journal"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Penn</surname> <given-names>Helen</given-names></name></person-group> <year>2002</year> <article-title>Primeira inf&#x00E2;ncia: a vis&#x00E3;o do Banco Mundial</article-title> <source>Cadernos de Pesquisa</source> <volume>115</volume> <fpage>7</fpage><lpage>24</lpage> <pub-id pub-id-type="doi">10.1590/S0100-15742002000100001</pub-id></element-citation>
<mixed-citation>Penn, Helen (2002). Primeira inf&#x00E2;ncia: a vis&#x00E3;o do Banco Mundial. <italic>Cadernos de Pesquisa, 115</italic>, 7-24. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.1590/S0100-15742002000100001">https://doi.org/10.1590/S0100-15742002000100001</ext-link></mixed-citation></ref>
<ref id="ref-25-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><collab>Rede Nacional Primeira Inf&#x00E2;ncia</collab></person-group> <year>2010</year> <source>Plano Nacional pela Primeira Inf&#x00E2;ncia</source> <publisher-name>Autor</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Rede Nacional Primeira Inf&#x00E2;ncia (2010). <italic>Plano Nacional pela Primeira Inf&#x00E2;ncia</italic>. Autor.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-26-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Rizzini</surname> <given-names>Irene</given-names></name></person-group> <year>1993</year> <chapter-title>O elogio do cient&#x00ED;fico &#x2013; A constru&#x00E7;&#x00E3;o do &#x201C;menor&#x201D; na pr&#x00E1;tica jur&#x00ED;dica</chapter-title> <comment>Em</comment> <person-group person-group-type="author"><name><surname>Rizzini</surname> <given-names>Irene</given-names></name></person-group> <role>Org.</role> <source>A crian&#x00E7;a no Brasil hoje &#x2013; Desafio para o terceiro mil&#x00EA;nio</source> <comment>pp.</comment> <fpage>81</fpage><lpage>99</lpage> <publisher-name>Editora Universit&#x00E1;ria Santa &#x00DA;rsula</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Rizzini, Irene (1993). O elogio do cient&#x00ED;fico &#x2013; A constru&#x00E7;&#x00E3;o do &#x201C;menor&#x201D; na pr&#x00E1;tica jur&#x00ED;dica. Em Irene Rizzini (Org.), <italic>A crian&#x00E7;a no Brasil hoje &#x2013; Desafio para o terceiro mil&#x00EA;nio</italic> (pp. 81-99). Editora Universit&#x00E1;ria Santa &#x00DA;rsula.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-27-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Rizzini</surname> <given-names>Irene</given-names></name></person-group> <year>2011</year> <source>O s&#x00E9;culo perdido &#x2013; Ra&#x00ED;zes hist&#x00F3;ricas das pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas para inf&#x00E2;ncia no Brasil</source> <edition>3a. ed.</edition> <publisher-name>Cortez</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Rizzini, Irene (2011). <italic>O s&#x00E9;culo perdido &#x2013; Ra&#x00ED;zes hist&#x00F3;ricas das pol&#x00ED;ticas p&#x00FA;blicas para inf&#x00E2;ncia no Brasil</italic> (3a. ed.). Cortez.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-28-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Rizzini</surname> <given-names>Irene</given-names></name> <name><surname>Pilotti</surname> <given-names>Francisco</given-names></name></person-group> <year>2011</year> <chapter-title>A arte de governar crian&#x00E7;as &#x2013; Li&#x00E7;&#x00F5;es do passado, reflex&#x00F5;es para o presente</chapter-title> <comment>Em</comment> <person-group person-group-type="author"><name><surname>Rizzini</surname> <given-names>Irene</given-names></name> <name><surname>Pilotti</surname> <given-names>Francisco</given-names></name></person-group> <role>Orgs.</role> <source>A arte de governar crian&#x00E7;as &#x2013; A hist&#x00F3;ria das pol&#x00ED;ticas sociais, da legisla&#x00E7;&#x00E3;o e da assist&#x00EA;ncia &#x00E0; inf&#x00E2;ncia no Brasil</source> <edition>3rd ed.</edition> <comment>pp.</comment> <fpage>323</fpage><lpage>329</lpage> <publisher-name>Cortez</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Rizzini, Irene &#x0026; Pilotti, Francisco (2011). A arte de governar crian&#x00E7;as &#x2013; Li&#x00E7;&#x00F5;es do passado, reflex&#x00F5;es para o presente. Em Irene Rizzini &#x0026; Francisco Pilotti (Orgs.), <italic>A arte de governar crian&#x00E7;as &#x2013; A hist&#x00F3;ria das pol&#x00ED;ticas sociais, da legisla&#x00E7;&#x00E3;o e da assist&#x00EA;ncia &#x00E0; inf&#x00E2;ncia no Brasil</italic> (3rd ed., pp. 323-329). Cortez.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-29-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Rossetti-Ferreira</surname> <given-names>Maria Clotilde</given-names></name> <name><surname>Amorim</surname> <given-names>Katia Souza</given-names></name> <name><surname>Silva</surname> <given-names>Ana Paula Soares da</given-names></name> <name><surname>Carvalho</surname> <given-names>Ana Maria Almeida</given-names></name></person-group> <role>Orgs.</role> <year>2004</year> <source>Rede de significa&#x00E7;&#x00F5;es e o estudo do desenvolvimento humano</source> <publisher-name>Artmed</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Rossetti-Ferreira, Maria Clotilde; Amorim, Katia Souza; Silva, Ana Paula Soares da &#x0026; Carvalho, Ana Maria Almeida (Orgs.), (2004). <italic>Rede de significa&#x00E7;&#x00F5;es e o estudo do desenvolvimento humano</italic>. Artmed.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-30-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Santos</surname> <given-names>&#x00C9;rika Piedade da Silva</given-names></name></person-group> <year>2011</year> <chapter-title>Desconstruindo a menoridade: A Psicologia e a produ&#x00E7;&#x00E3;o da categoria menor</chapter-title> <comment>Em</comment> <person-group person-group-type="author"><name><surname>Gon&#x00E7;alves</surname> <given-names>Hebe Signorini</given-names></name> <name><surname>Brand&#x00E3;o</surname> <given-names>Eduardo Ponte</given-names></name></person-group> <role>Orgs.</role> <source>Psicologia Jur&#x00ED;dica no Brasil</source> <comment>pp.</comment> <fpage>43</fpage><lpage>72</lpage> <publisher-name>Nau.</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Santos, &#x00C9;rika Piedade da Silva (2011). Desconstruindo a menoridade: A Psicologia e a produ&#x00E7;&#x00E3;o da categoria menor. Em Hebe Signorini Gon&#x00E7;alves &#x0026; Eduardo Ponte Brand&#x00E3;o (Orgs.), <italic>Psicologia Jur&#x00ED;dica no Brasil</italic> (pp. 43-72). Nau.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-31-1846"><element-citation publication-type="journal"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Schweikert</surname> <given-names>Peter Gabriel Molinari</given-names></name> <name><surname>Nunes J&#x00FA;nior</surname> <given-names>Vidal Serrano</given-names></name></person-group> <year>2022</year> <article-title>Sequestro estatal de crian&#x00E7;as e a constru&#x00E7;&#x00E3;o de uma hermen&#x00EA;utica constitucional antimenorista: Limites e possibilidades diante do menorismo estrutural</article-title> <source>Revista de Direito Constitucional e Internacional</source> <volume>131</volume> <fpage>217</fpage><lpage>246</lpage> <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://revistadostribunais.com.br/maf/app/document?stid=st-rql&#x0026;marg=DTR-2022-9467">http://revistadostribunais.com.br/maf/app/document?stid=st-rql&#x0026;marg=DTR-2022-9467</ext-link></element-citation>
<mixed-citation>Schweikert, Peter Gabriel Molinari &#x0026; Nunes J&#x00FA;nior, Vidal Serrano (2022). Sequestro estatal de crian&#x00E7;as e a constru&#x00E7;&#x00E3;o de uma hermen&#x00EA;utica constitucional antimenorista: Limites e possibilidades diante do menorismo estrutural. <italic>Revista de Direito Constitucional e Internacional, 131</italic>, 217-246. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://revistadostribunais.com.br/maf/app/document?stid=st-rql&#x0026;marg=DTR-2022-9467">http://revistadostribunais.com.br/maf/app/document?stid=st-rql&#x0026;marg=DTR-2022-9467</ext-link></mixed-citation></ref>
<ref id="ref-32-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>S&#x00EA;da</surname> <given-names>Edson</given-names></name></person-group> <year>1999</year> <source>A crian&#x00E7;a e sua Conven&#x00E7;&#x00E3;o no Brasil &#x2013; Pequeno manual</source> <publisher-name>Conselho Regional de Psicologia de S&#x00E3;o Paulo</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>S&#x00EA;da, Edson (1999). <italic>A crian&#x00E7;a e sua Conven&#x00E7;&#x00E3;o no Brasil &#x2013; Pequeno manual</italic>. Conselho Regional de Psicologia de S&#x00E3;o Paulo.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-33-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Souza</surname> <given-names>Ana Paula Hachich de</given-names></name> <name><surname>Bernardi</surname> <given-names>Dayse C&#x00E9;sar Franco</given-names></name></person-group> <year>2019</year> <chapter-title>Psicologia e poder</chapter-title> <comment>Em</comment> <person-group person-group-type="author"><name><surname>Medeiros</surname> <given-names>Alessandra</given-names></name> <name><surname>Moraes Borges</surname> <given-names>Susana de Souza</given-names></name></person-group> <role>Orgs.</role> <source>Psicologia e Servi&#x00E7;o Social &#x2013; Refer&#x00EA;ncias para o trabalho no judici&#x00E1;rio</source> <comment>pp.</comment> <fpage>323</fpage><lpage>351</lpage> <publisher-name>Nova Pr&#x00E1;xis Editorial</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Souza, Ana Paula Hachich de &#x0026; Bernardi, Dayse C&#x00E9;sar Franco (2019). Psicologia e poder. Em Alessandra Medeiros e Susana de Souza Moraes Borges (Orgs.), <italic>Psicologia e Servi&#x00E7;o Social &#x2013; Refer&#x00EA;ncias para o trabalho no judici&#x00E1;rio</italic> (pp. 323-351). Nova Pr&#x00E1;xis Editorial.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-34-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Valente</surname> <given-names>Jane</given-names></name></person-group> <year>2018</year> <month>02</month> <source>Apresenta&#x00E7;&#x00E3;o na audi&#x00EA;ncia p&#x00FA;blica ado&#x00E7;&#x00E3;o &#x2013; Uma medida de prote&#x00E7;&#x00E3;o integral a ser defendida no ECA</source> <conf-name>Beth Sah&#x00E3;o (presidente). Audi&#x00EA;ncia p&#x00FA;blica realizada na Assembleia Legislativa de S&#x00E3;o Paulo</conf-name> <conf-loc>S&#x00E3;o Paulo, SP.</conf-loc></element-citation>
<mixed-citation>Valente, Jane (2018, fevereiro). <italic>Apresenta&#x00E7;&#x00E3;o na audi&#x00EA;ncia p&#x00FA;blica ado&#x00E7;&#x00E3;o &#x2013; Uma medida de prote&#x00E7;&#x00E3;o integral a ser defendida no ECA</italic>. Beth Sah&#x00E3;o (presidente). Audi&#x00EA;ncia p&#x00FA;blica realizada na Assembleia Legislativa de S&#x00E3;o Paulo, S&#x00E3;o Paulo, SP.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-35-1846"><element-citation publication-type="journal"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Venancio</surname> <given-names>Sonia Isoyama</given-names></name></person-group> <year>2020</year> <article-title>Por que investir na primeira inf&#x00E2;ncia?</article-title> <source>Revista Latino-Americana de Enfermagem</source> <volume>28</volume> <elocation-id>e3253</elocation-id> <pub-id pub-id-type="doi">10.1590/1518-8345.0000-3253</pub-id></element-citation>
<mixed-citation>Venancio, Sonia Isoyama (2020). Por que investir na primeira inf&#x00E2;ncia? <italic>Revista Latino-Americana de Enfermagem, 28</italic>, e3253. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.1590/1518-8345.0000-3253">https://doi.org/10.1590/1518-8345.0000-3253</ext-link></mixed-citation></ref>
<ref id="ref-36-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Vercelone</surname> <given-names>Paolo</given-names></name></person-group> <year>2018</year> <chapter-title>Coment&#x00E1;rio sobre o art. 3&#x00BA;</chapter-title> <comment>Em</comment> <person-group person-group-type="author"><name><surname>Veronese</surname> <given-names>Josiane Rose Petry</given-names></name> <name><surname>Silveira</surname> <given-names>Mayra</given-names></name> <name><surname>Cury</surname> <given-names>Munir</given-names></name></person-group> <role>Orgs.</role> <source>Estatuto da Crian&#x00E7;a e do Adolescente comentado &#x2013; Coment&#x00E1;rios jur&#x00ED;dicos e sociais</source> <edition>13th ed.</edition> <comment>pp.</comment> <fpage>58</fpage><lpage>62</lpage> <publisher-name>Malheiros</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Vercelone, Paolo (2018). Coment&#x00E1;rio sobre o art. 3&#x00BA;. Em Josiane Rose Petry Veronese, Mayra Silveira &#x0026; Munir Cury (Orgs.), <italic>Estatuto da Crian&#x00E7;a e do Adolescente comentado &#x2013; Coment&#x00E1;rios jur&#x00ED;dicos e sociais</italic> (13th ed., pp. 58-62). Malheiros.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-37-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Veronese</surname> <given-names>Josiane Rose Petry</given-names></name></person-group> <year>2018</year> <source>Conven&#x00E7;&#x00E3;o sobre os Direitos da Crian&#x00E7;a, 30 anos &#x2013; Sua incid&#x00EA;ncia no Estatuto da Crian&#x00E7;a e do Adolescente</source> <publisher-name>JusPodivum</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Veronese, Josiane Rose Petry (2018). <italic>Conven&#x00E7;&#x00E3;o sobre os Direitos da Crian&#x00E7;a, 30 anos &#x2013; Sua incid&#x00EA;ncia no Estatuto da Crian&#x00E7;a e do Adolescente</italic>. JusPodivum.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-38-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Vogel</surname> <given-names>Arno</given-names></name></person-group> <year>2011</year> <chapter-title>Do Estado ao Estatuto &#x2013; Propostas e vicissitudes da pol&#x00ED;tica de atendimento &#x00E0; inf&#x00E2;ncia e adolesc&#x00EA;ncia no Brasil contempor&#x00E2;neo</chapter-title> <comment>Em</comment> <person-group person-group-type="author"><name><surname>Rizzini</surname> <given-names>Irene</given-names></name> <name><surname>Pilotti.</surname> <given-names>Francisco</given-names></name></person-group> <role>Orgs.</role> <source>A arte de governar crian&#x00E7;as &#x2013; A hist&#x00F3;ria das pol&#x00ED;ticas sociais, da legisla&#x00E7;&#x00E3;o e da assist&#x00EA;ncia &#x00E0; inf&#x00E2;ncia no Brasil</source> <edition>3a ed.</edition> <comment>pp.</comment> <fpage>287</fpage><lpage>321</lpage> <publisher-name>Cortez</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Vogel, Arno (2011). Do Estado ao Estatuto &#x2013; Propostas e vicissitudes da pol&#x00ED;tica de atendimento &#x00E0; inf&#x00E2;ncia e adolesc&#x00EA;ncia no Brasil contempor&#x00E2;neo. Em Irene Rizzini &#x0026; Francisco Pilotti. (Orgs.), <italic>A arte de governar crian&#x00E7;as &#x2013; A hist&#x00F3;ria das pol&#x00ED;ticas sociais, da legisla&#x00E7;&#x00E3;o e da assist&#x00EA;ncia &#x00E0; inf&#x00E2;ncia no Brasil</italic> (3a ed., pp. 287-321). Cortez.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-39-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Volpi</surname> <given-names>M&#x00E1;rio</given-names></name></person-group> <year>1997</year> <source>O adolescente e o ato infracional</source> <publisher-name>Cortez</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Volpi, M&#x00E1;rio (1997). <italic>O adolescente e o ato infracional</italic>. Cortez.</mixed-citation></ref>
<ref id="ref-40-1846"><element-citation publication-type="webpage"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Westin</surname> <given-names>Ricardo</given-names></name></person-group> <year>2015</year> <day>07</day> <comment>de</comment> <month>07</month> <article-title>Crian&#x00E7;as iam para a cadeia no Brasil at&#x00E9; a d&#x00E9;cada de 1920</article-title> <source>Senado Not&#x00ED;cias</source> <comment>Se&#x00E7;&#x00E3;o &#x201C;Especial&#x201D;</comment> <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2015/07/07/criancas-iam-para-a-cadeia-no-brasil-ate-a-decada-de-1920">https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2015/07/07/criancas-iam-para-a-cadeia-no-brasil-ate-a-decada-de-1920</ext-link></element-citation>
<mixed-citation>Westin, Ricardo (2015, 07 de julho). Crian&#x00E7;as iam para a cadeia no Brasil at&#x00E9; a d&#x00E9;cada de 1920. <italic>Senado Not&#x00ED;cias</italic>. Se&#x00E7;&#x00E3;o &#x201C;Especial&#x201D;. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2015/07/07/criancas-iam-para-a-cadeia-no-brasil-ate-a-decada-de-1920">https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2015/07/07/criancas-iam-para-a-cadeia-no-brasil-ate-a-decada-de-1920</ext-link></mixed-citation></ref>
<ref id="ref-41-1846"><element-citation publication-type="book"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Whitaker</surname> <given-names>Christiane</given-names></name></person-group> <year>2010</year> <source>O campo infracional &#x2013; Sistema de justi&#x00E7;a e a pr&#x00E1;tica judici&#x00E1;ria &#x00E0; luz da psican&#x00E1;lise</source> <publisher-name>Casa do Psic&#x00F3;logo</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Whitaker, Christiane (2010). <italic>O campo infracional &#x2013; Sistema de justi&#x00E7;a e a pr&#x00E1;tica judici&#x00E1;ria &#x00E0; luz da psican&#x00E1;lise</italic>. Casa do Psic&#x00F3;logo.</mixed-citation></ref>
</ref-list>
</back>
</article>
