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<journal-title>Quaderns de Psicologia</journal-title>
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<publisher-name>Universitat Aut&#x00F2;noma de Barcelona</publisher-name>
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<article-id pub-id-type="publisher-id">QPs.1875</article-id>
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<subject>Artigos</subject>
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<article-title>Programa Edu-Car para o desenvolvimento socioemocional e de carreira: Avalia&#x00E7;&#x00E3;o de processo</article-title>
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<trans-title xml:lang="en">Edu-Car Program for socio-emotional and career development: Process evaluation</trans-title>
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<contrib-id contrib-id-type="orcid">http://orcid.org/0000-0002-4989-8486</contrib-id>
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    <surname>de Souza Leal</surname>
<given-names>Mara</given-names>
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<bio><p>Psic&#x00F3;loga, Doutora em Psicologia pela Universidade de S&#x00E3;o Paulo, campus Ribeir&#x00E3;o Preto. &#x00C9; membro efetivo do Grupo de Trabalho da Associa&#x00E7;&#x00E3;o Estudos, P&#x00F3;s-gradua&#x00E7;&#x00E3;o e Investiga&#x00E7;&#x00E3;o em Psicologia (ANPEPP) intitulado Carreiras: informa&#x00E7;&#x00E3;o, orienta&#x00E7;&#x00E3;o e aconselhamento.</p></bio>
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<email>marasleal@alumni.usp.br</email>
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<contrib-id contrib-id-type="orcid">http://orcid.org/0000-0003-1762-8702</contrib-id>
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<surname>Taveira</surname>
<given-names>Maria do C&#x00E9;u</given-names>
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<bio><p>Doutora em Psicologia da Educa&#x00E7;&#x00E3;o, professora e investigadora da Escola de Psicologia da Universidade do Minho. &#x00C9; membro da Rede de Servi&#x00E7;os de Aconselhamento Psicol&#x00F3;gico no Ensino Superior (RESAPES-AP), da Associa&#x00E7;&#x00E3;o Portuguesa para o Desenvolvimento de Carreira (APDC) e da Associa&#x00E7;&#x00E3;o de Psicologia da Universidade do Minho (APsi-UMinho).</p></bio>
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<email>ceuta@psi.uminho.pt</email>
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<contrib-id contrib-id-type="orcid">http://orcid.org/0000-0002-5890-9896</contrib-id>
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<surname>Melo-Silva</surname>
<given-names>Lucy Leal</given-names>
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<bio><p>Doutora em Psicologia pela Universidade de S&#x00E3;o Paulo, Ribeir&#x00E3;o Preto. Professora Titular do Programa de P&#x00F3;s-gradua&#x00E7;&#x00E3;o em Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ci&#x00EA;ncias e Letras de Ribeir&#x00E3;o Preto da Universidade de S&#x00E3;o Paulo (FFCLRP/USP). Co-ordenadora do Carreira Lab, coeditora da Revista Brasileira de Orienta&#x00E7;&#x00E3;o Profissional e investigadora do CNPq.</p></bio>
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<email>lucileal@ffclrp.usp.br</email>
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<copyright-statement>&#x00A9; 2022 Els autors / The authors</copyright-statement>
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<license-p>Aquesta obra est&#x00E0; sota una llic&#x00E8;ncia internacional Creative Commons Reconeixement 4.0. CC BY</license-p>
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<abstract>
<title>Resumo</title>
<p>As demandas do mundo do trabalho contempor&#x00E2;neo requerem compet&#x00EA;ncias socioemocionais, cognitivas e t&#x00E9;cnicas. Investiga&#x00E7;&#x00F5;es mostram rela&#x00E7;&#x00F5;es positivas entre as compet&#x00EA;ncias socioemocionais e os resultados no trabalho, como melhores sal&#x00E1;rios, maior produtividade e satisfa&#x00E7;&#x00E3;o com a carreira. Este estudo objetivou avaliar um Programa de Educa&#x00E7;&#x00E3;o para a Carreira (Edu-Car), que visou a promover a aprendizagem socioemocional e de carreira em estudantes do primeiro ano do ensino m&#x00E9;dio, provenientes de duas escolas p&#x00FA;blicas de uma cidade do interior de S&#x00E3;o Paulo, Brasil. A interven&#x00E7;&#x00E3;o foi realizada com 44 jovens, em doze encontros, com base nos pressupostos da Educa&#x00E7;&#x00E3;o para a Carreira e da Teoria Big Five. Os dados foram registrados no di&#x00E1;rio de campo e em fichas de avalia&#x00E7;&#x00E3;o e avaliados por meio da an&#x00E1;lise de conte&#x00FA;do. Os resultados apontaram ganhos no desenvolvimento socioemocional e de carreira e a escola configurou-se como um local de prepara&#x00E7;&#x00E3;o para o trabalho e constru&#x00E7;&#x00E3;o da carreira.</p>
</abstract>
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<title>Abstract</title>
<p>The demands of the contemporary world of work require socio-emotional, cognitive and technical skills. Investigations show a positive relationship between socio-emotional skills and results at work, such as better wages, greater productivity and career satisfaction. This study aimed to evaluate the Career Education Program (Edu-Car), which aimed to promote socioemotional and career learning in first-year high school students from two public schools in a city in the interior of S&#x00E3;o Paulo, Brasil. The intervention was carried out with 44 young people, in twelve meetings, based on the assumptions of Career Education and the Big Five Theory. Data were recorded in a field diary and on evaluation sheets and analysed through content analysis. The results showed gains in socio-emotional and career development and the school was configured as a place of preparation for work and career construction.</p>
</trans-abstract>
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<title>Palavras-chave:</title>
<kwd><bold>Educa&#x00E7;&#x00E3;o</bold></kwd>
<kwd><bold>Estudos de Avalia&#x00E7;&#x00E3;o como Assunto</bold></kwd>
<kwd><bold>Ensino m&#x00E9;dio</bold></kwd>
<kwd><bold>Educa&#x00E7;&#x00E3;o para a Carreira</bold></kwd>
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<title>Keywords:</title>
<kwd><bold><italic>Education</italic></bold></kwd>
<kwd><bold><italic>Evaluation Studies as Topic</italic></bold></kwd>
<kwd><bold><italic>Education Secondary</italic></bold></kwd>
<kwd><bold><italic>Career Education</italic></bold></kwd>
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<institution>Funda&#x00E7;&#x00E3;o de Amparo &#x00E0; Pesquisa do Estado de S&#x00E3;o Paulo (FAPESP)</institution>
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<funding-statement>Processo n&#x00B0; 2015/12677-0, Funda&#x00E7;&#x00E3;o de Amparo &#x00E0; Pesquisa do Estado de S&#x00E3;o Paulo (FAPESP).</funding-statement>
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<sec id="sec-1-1875" sec-type="intro">
<title>I<sc>ntrodu&#x00E7;&#x00E3;o</sc></title>
<p>As velozes transforma&#x00E7;&#x00F5;es econ&#x00F4;micas, sociais e as incertezas em rela&#x00E7;&#x00E3;o ao futuro, podem gerar nos jovens, intensa sensa&#x00E7;&#x00E3;o de estresse. Esse estresse, de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="ref-10-1875">Maureen Kenny e Kelly A. Minor (2015)</xref>, pode provocar forte press&#x00E3;o pelo alcance de sucesso em um contexto de oportunidades cada vez mais diminutas, a falta de prop&#x00F3;sito de vida e a consequente evas&#x00E3;o escolar. A incerteza e a volatilidade do mundo do trabalho, aliadas &#x00E0;s injusti&#x00E7;as sociais e pol&#x00ED;ticas a que os jovens est&#x00E3;o expostos, podem atingir de forma mais dr&#x00E1;stica aqueles que se encontram &#x00E0; margem da sociedade, levando-os a se desvincular da escola e de um planejamento de carreira, por n&#x00E3;o acreditarem que obter&#x00E3;o sucesso, como apontam Belle <xref ref-type="bibr" rid="ref-15-1875">Liang et al. (2017)</xref>. Nesse sentido, <xref ref-type="bibr" rid="ref-9-1875">Maurren Kenny et al. (2019)</xref> salientam a import&#x00E2;ncia de envolver os jovens na prepara&#x00E7;&#x00E3;o de seu futuro, sobretudo, os mais marginalizados.</p>
<p>Nesse cen&#x00E1;rio, considera-se que a Educa&#x00E7;&#x00E3;o para a Carreira, modelo de interven&#x00E7;&#x00E3;o que articula educa&#x00E7;&#x00E3;o e trabalho (<xref ref-type="bibr" rid="ref-7-1875">Herr, 2001</xref>), pode ofertar uma estrat&#x00E9;gia &#x00FA;til para a elabora&#x00E7;&#x00E3;o de projetos de vida. A escola se apresenta como local apropriado para o desenvolvimento de h&#x00E1;bitos relativos ao trabalho, que devem ser introduzidos desde os primeiros anos escolares, ainda na pr&#x00E9;-escola e estendidos ao longo da vida. No que se refere &#x00E0; infus&#x00E3;o curricular, estimulase que os professores, devidamente preparados, intencionalmente proporcionem atividades pedag&#x00F3;gicas que desenvolvam conhecimentos, compet&#x00EA;ncias e atitudes de carreira, integrados no processo educativo e de forma transversal. Tais atividades possibilitam o aumento da motiva&#x00E7;&#x00E3;o para os estudos e a aprendizagem dos alunos, visto que agregam maior sentido aos conte&#x00FA;dos escolares, por meio do conhecimento da rela&#x00E7;&#x00E3;o das disciplinas com objetivos profissionais, sociais e a din&#x00E2;mica do mundo do trabalho (<xref ref-type="bibr" rid="ref-27-1875">Rodr&#x00ED;guez-Moreno, 2008</xref>). Sendo assim, enquanto modelo de interven&#x00E7;&#x00E3;o em &#x00E2;mbito escolar, a Educa&#x00E7;&#x00E3;o para a Carreira pode ser desenvolvida por meio de diferentes estrat&#x00E9;gias, nomeadamente, a extracurricular (e.g., fora do hor&#x00E1;rio regular de aula, no contraturno, com objetivos pontuais); a aditiva ou de disciplina pr&#x00F3;pria (e.g., como uma disciplina &#x00FA;nica no plano curricular); a mista ou integrada a uma disciplina geral (e.g., no curr&#x00ED;culo das disciplinas das &#x00E1;reas das ci&#x00EA;ncias sociais e humanas), e a infusiva (e.g., transversalmente ao conte&#x00FA;do escolar) (<xref ref-type="bibr" rid="ref-26-1875">Rodr&#x00ED;guez-Moreno, 1994</xref>).</p>
<p>No contexto brasileiro, a ideia de Educa&#x00E7;&#x00E3;o para a Carreira &#x00E9; recente (<xref ref-type="bibr" rid="ref-12-1875">Leal, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref-13-1875">Leal et al., 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref-20-1875">Munhoz, 2010</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref-21-1875">Munhoz e Melo-Silva, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref-22-1875">2012</xref>). Poucas s&#x00E3;o as a&#x00E7;&#x00F5;es, de alcance universal, com foco no desenvolvimento vocacional, quer seja no contexto escolar p&#x00FA;blico ou privado, como destacam <xref ref-type="bibr" rid="ref-17-1875">Lucy Melo-Silva et al. (2019)</xref>, e quando elas ocorriam, eram de forma pontual e n&#x00E3;o sistem&#x00E1;tica. Como apontaram Izildinha <xref ref-type="bibr" rid="ref-22-1875">Munhoz e Lucy Melo-Silva (2012)</xref>, Educa&#x00E7;&#x00E3;o para a carreira era um tema pouco abordado na literatura nacional. Em um estudo sobre as bases legais da prepara&#x00E7;&#x00E3;o para o trabalho no contexto escolar brasileiro, e as poss&#x00ED;veis contribui&#x00E7;&#x00F5;es da Educa&#x00E7;&#x00E3;o para a Carreira, as referidas autoras mostraram lacuna entre o que estabelecem os documentos legais e a pr&#x00E1;tica em rela&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0; prepara&#x00E7;&#x00E3;o para o trabalho dos alunos da educa&#x00E7;&#x00E3;o b&#x00E1;sica.</p>
<p>Estabelecer a vincula&#x00E7;&#x00E3;o entre trabalho, educa&#x00E7;&#x00E3;o escolar, pr&#x00E1;ticas sociais e aprendizagem ao longo da vida, pode auxiliar os alunos na forma&#x00E7;&#x00E3;o integral e na constru&#x00E7;&#x00E3;o de uma carreira sustent&#x00E1;vel. A forma&#x00E7;&#x00E3;o integral requer al&#x00E9;m das habilidades e compet&#x00EA;ncias cognitivas e t&#x00E9;cnicas, as socioemocionais. O desenvolvimento socioemocional tem sido associado a resultados positivos no dom&#x00ED;nio da carreira, como a autoefic&#x00E1;cia para as decis&#x00F5;es (<xref ref-type="bibr" rid="ref-28-1875">Santos et al., 2018</xref>), a autoefic&#x00E1;cia para a procura de emprego e a busca ativa de emprego (<xref ref-type="bibr" rid="ref-24-1875">Nieto-Flores et al., 2019</xref>), o envolvimento com o trabalho (<xref ref-type="bibr" rid="ref-30-1875">Yeh, 2021</xref>), e o sucesso na carreira (<xref ref-type="bibr" rid="ref-6-1875">Hennekam, 2015</xref>). Sendo assim, as habilidades socioemocionais podem ser consideradas componentes importantes para o desenvolvimento vocacional e a gest&#x00E3;o pessoal de carreira.</p>
<p>Como a educa&#x00E7;&#x00E3;o brasileira lida com esses temas? No cen&#x00E1;rio brasileiro, a legisla&#x00E7;&#x00E3;o relativa &#x00E0; educa&#x00E7;&#x00E3;o b&#x00E1;sica estabeleceu a orienta&#x00E7;&#x00E3;o profissional e/ou vocacional como uma das suas fun&#x00E7;&#x00F5;es, entre 1940 e 1980, por&#x00E9;m ela n&#x00E3;o foi universalmente implementada. Com a redemocratiza&#x00E7;&#x00E3;o do pa&#x00ED;s, a Constitui&#x00E7;&#x00E3;o Federal (Constitui&#x00E7;&#x00E3;o da Rep&#x00FA;blica Federativa do Brasil, 1988), no Art. 205, estabelece que a educa&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E9; um &#x201C;direito de todos e dever do Estado e da fam&#x00ED;lia, ser&#x00E1; promovida e incentivada com a colabora&#x00E7;&#x00E3;o da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exerc&#x00ED;cio da cidadania e sua qualifica&#x00E7;&#x00E3;o para o trabalho&#x201D;.</p>
<p>Na contemporaneidade, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (<xref ref-type="bibr" rid="ref-19-1875">Minist&#x00E9;rio da Educa&#x00E7;&#x00E3;o, 2017</xref>) estabelece um conjunto de conhecimentos e habilidades essenciais que cada estudante brasileiro tem o direito de aprender, em cada etapa da educa&#x00E7;&#x00E3;o b&#x00E1;sica. Isto, para se desenvolver como pessoa, para o exerc&#x00ED;cio ativo da cidadania e da democracia, e para dar continuidade aos estudos e se qualificar para o trabalho e o futuro. A BNCC estabelece 10 compet&#x00EA;nciaschave para o desenvolvimento integral do aluno, sinalizando uma adequada pol&#x00ED;tica p&#x00FA;blica brasileira, no que se refere &#x00E0; constru&#x00E7;&#x00E3;o da carreira. As 10 compet&#x00EA;ncias-chave s&#x00E3;o: (a) conhecimento, (b) pensamento cient&#x00ED;fico, cr&#x00ED;tico e criativo, (c) repert&#x00F3;rio cultural, (d) comunica&#x00E7;&#x00E3;o, (e) cultura digital, (f) trabalho e projeto de vida, (g) argumenta&#x00E7;&#x00E3;o, (h) autoconhecimento e autocuidado, (i) empatia e coopera&#x00E7;&#x00E3;o, e (j) responsabilidade e cidadania. A compet&#x00EA;ncia trabalho e projeto de vida, prevista na legisla&#x00E7;&#x00E3;o, est&#x00E1; em conson&#x00E2;ncia com os pressupostos da Educa&#x00E7;&#x00E3;o para a Carreira, uma das bases deste estudo, mesmo sem utilizar tal conceito. Parte das outras compet&#x00EA;ncias remetem ao desenvolvimento socioemocional.</p>
<p>Em um mundo vol&#x00E1;til incerto, complexo e amb&#x00ED;guo (Vuca, acr&#x00F4;nimo em ingl&#x00EA;s) e ao mesmo tempo fr&#x00E1;gil, ansioso, n&#x00E3;o linear e incompreens&#x00ED;vel (Bani, acr&#x00F4;nimo em ingl&#x00EA;s), comportamentos socialmente habilidosos favorecem a capacidade de adapta&#x00E7;&#x00E3;o de carreira. Assim, compet&#x00EA;ncias socioemocionais e de carreira, constituem o foco da interven&#x00E7;&#x00E3;o objeto deste estudo. Considera-se relevante a implementa&#x00E7;&#x00E3;o e tamb&#x00E9;m a avalia&#x00E7;&#x00E3;o de pr&#x00E1;ticas sistematizadas e aliadas aos avan&#x00E7;os da &#x00E1;rea, os quais podem encontrar-se tanto no que se refere &#x00E0; &#x00E1;rea da Psicologia de uma forma generalizada (<xref ref-type="bibr" rid="ref-4-1875">Durgante e Dell&#x0060; Aglio, 2018</xref>), quanto ao que se refere ao dom&#x00ED;nio da Orienta&#x00E7;&#x00E3;o Profissional (<xref ref-type="bibr" rid="ref-16-1875">Melo-Silva, 2011</xref>) e da Educa&#x00E7;&#x00E3;o para a carreira.</p>
<p>A avalia&#x00E7;&#x00E3;o do processo de interven&#x00E7;&#x00E3;o vocacional ainda &#x00E9; pouco explorada, apesar de sua fundamental import&#x00E2;ncia para a estrutura&#x00E7;&#x00E3;o de interven&#x00E7;&#x00F5;es baseadas em evid&#x00EA;ncias (<xref ref-type="bibr" rid="ref-5-1875">Faria, 2008</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref-16-1875">Melo-Silva, 2011</xref>). Assim sendo, este estudo objetiva apresentar os resultados da avalia&#x00E7;&#x00E3;o qualitativa do Programa Edu-Car, de facilita&#x00E7;&#x00E3;o de compet&#x00EA;ncias socioemocionais e de carreira, na perspectiva dos alunos. Esperase contribuir com reflex&#x00F5;es sobre pr&#x00E1;ticas em contextos educativos e de orienta&#x00E7;&#x00E3;o de carreira.</p>
</sec>
<sec id="sec-2-1875" sec-type="method">
<title>M<sc>&#x00E9;todo</sc></title>
<p>Este estudo &#x00E9; um recorte de uma pesquisa-a&#x00E7;&#x00E3;o, de delineamento quaseexperimental, com grupo de compara&#x00E7;&#x00E3;o n&#x00E3;o-equivalente. A abordagem de an&#x00E1;lise de dados adotada &#x00E9; a qualitativa, tipo de abordagem que considera o n&#x00ED;vel subjetivo e relacional da realidade investigada (<xref ref-type="bibr" rid="ref-18-1875">Minayo e Sanches, 1993</xref>). Essa abordagem faz-se, notadamente, mais importante, quando os dados quantitativos n&#x00E3;o permitem verificar a mudan&#x00E7;a esperada (<xref ref-type="bibr" rid="ref-1-1875">Antunes et al., 2016</xref>).</p>
<sec id="sec-3-1875">
<title>Delineamento do Programa Edu-Car</title>
<p>O Edu-Car (<xref ref-type="bibr" rid="ref-12-1875">Leal, 2019</xref>) foi delineado a partir do levantamento das necessidades de interven&#x00E7;&#x00E3;o apontadas na literatura e junto aos professores das escolas na qual a pesquisa-a&#x00E7;&#x00E3;o foi realizada. O programa foi delineado com base nos pressupostos da Educa&#x00E7;&#x00E3;o para a Carreira (<xref ref-type="bibr" rid="ref-20-1875">Munhoz, 2010</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref-23-1875">Munhoz et al., 2016</xref>), e elaborado para ativar o desenvolvimento de habilidades socioemocionais e das compet&#x00EA;ncias para a carreira em estudantes do ensino m&#x00E9;dio.</p>
<p>Um estudo piloto foi desenvolvido com os alunos do segundo ano do ensino m&#x00E9;dio de uma das escolas, o que permitiu verificar a necessidade de ajustes no planejamento. O programa objetivou promover reflex&#x00F5;es dos alunos quanto aos temas propostos e desenvolver estrat&#x00E9;gias para lidar com situa&#x00E7;&#x00F5;es de vida e de carreira, tendo em vista a aquisi&#x00E7;&#x00E3;o de comportamentos socioemocionais e de carreira mais habilidosos. Assim, o Programa foi organizado em 12 sess&#x00F5;es em grupo, e incluiu dois m&#x00F3;dulos. O primeiro m&#x00F3;dulo visou o desenvolvimento das compet&#x00EA;ncias socioemocionais. As atividades desenvolvidas se basearam nas vinhetas-&#x00E2;ncora do <italic>Social and Emotional or Non-cognitive Nationwide Assessment</italic> (SENNA) (<xref ref-type="bibr" rid="ref-29-1875">Santos e Primi, 2014</xref>). O SENNA &#x00E9; um instrumento brasileiro elaborado para a mensura&#x00E7;&#x00E3;o de compet&#x00EA;ncias socioemocionais em larga escala, no contexto escolar. A t&#x00E9;cnica conhecida como vinhetas-&#x00E2;ncora foi desenvolvida para tentar mensurar e corrigir respostas inconsistentes, no intuito de ter escores mais fidedignos nos resultados das investiga&#x00E7;&#x00F5;es. A t&#x00E9;cnica consiste em apresentar um conjunto com breves descri&#x00E7;&#x00F5;es de pessoas hipot&#x00E9;ticas que est&#x00E3;o em diferentes n&#x00ED;veis no construto avaliado (<xref ref-type="bibr" rid="ref-8-1875">Hopkins e King, 2010</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref-11-1875">King et al., 2004</xref>). As descri&#x00E7;&#x00F5;es de pessoas foram utilizadas como disparadores tem&#x00E1;ticos para estimular as reflex&#x00F5;es sobre as compet&#x00EA;ncias socioemocionais.</p>
<p>O segundo m&#x00F3;dulo do Edu-Car visou o desenvolvimento das compet&#x00EA;ncias de carreira. As atividades se basearam nos pressupostos da Educa&#x00E7;&#x00E3;o para a Carreira, com foco no autoconhecimento, conhecimento de oportunidades educacionais para a continuidade dos estudos e do mundo do trabalho, articulando interesses e compet&#x00EA;ncias desenvolvidas ou a desenvolver. As sess&#x00F5;es foram realizadas semanalmente e tiveram dura&#x00E7;&#x00E3;o de uma hora e quarenta minutos. A <xref ref-type="table" rid="tabw-1-1875">Tabela 1</xref> apresenta a estrutura do programa, por m&#x00F3;dulos, sess&#x00F5;es e temas/compet&#x00EA;ncias ativadas.</p>
<table-wrap id="tabw-1-1875">
<label>Tabela 1.</label>
<caption><title>Estrutura do Programa Edu-Car</title></caption>
<table id="tab-1-1875" frame="hsides" border="1" rules="all">
<col width="20%"/>
<col width="20%"/>
<col width="60%"/>
<thead>
<tr>
<th valign="top" align="center"><p>M&#x00F3;dulos</p></th>
<th valign="top" align="center"><p>Sess&#x00F5;es</p></th>
<th valign="top" align="center"><p>Temas/compet&#x00EA;ncias</p></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td valign="middle" align="center" rowspan="6"><p>M&#x00F3;dulo Compet&#x00EA;ncias Socioemocionais</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>1&#x00AA;</p></td>
<td valign="top" align="left"><p>Apresenta&#x00E7;&#x00E3;o dos objetivos da interven&#x00E7;&#x00E3;o, assim como, dos membros dos grupos e estabelecimento de regras</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"><p>2&#x00AA; e 3&#x00AA;</p></td>
<td valign="top" align="left"><p><italic>Estabilidade emocional</italic> (compet&#x00EA;ncia: autocontrole e gest&#x00E3;o das emo&#x00E7;&#x00F5;es)</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"><p>4&#x00AA;</p></td>
<td valign="top" align="left"><p><italic>Extrovers&#x00E3;o</italic> (compet&#x00EA;ncia: comunica&#x00E7;&#x00E3;o, sociabilidade e entusiasmo)</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"><p>5&#x00AA;</p></td>
<td valign="top" align="left"><p><italic>Amabilidade</italic> (compet&#x00EA;ncia: colabora&#x00E7;&#x00E3;o, respeito e cuidado com o outro)</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"><p>6&#x00AA;</p></td>
<td valign="top" align="left"><p><italic>Conscienciosidade/Autogest&#x00E3;o</italic> (compet&#x00EA;ncia: responsabilidade, estabelecimento e alcance dos objetivos)</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"><p>7&#x00AA;</p></td>
<td valign="top" align="left"><p><italic>Abertura a novas experi&#x00EA;ncias</italic> e e<italic>xplora&#x00E7;&#x00E3;o das profiss&#x00F5;es</italic></p>
<p>(compet&#x00EA;ncia: curiosidade, intelecto, neste estudo voltada para o mundo do trabalho)</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="middle" align="center" rowspan="5"><p>M&#x00F3;dulo Compet&#x00EA;ncias de Carreira</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>8&#x00AA;</p></td>
<td valign="top" align="left"><p><italic>Autoconhecimento</italic> (e perspectivas de futuro)</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"><p>9&#x00AA;</p></td>
<td valign="top" align="left"><p><italic>Explora&#x00E7;&#x00E3;o das oportunidades educacionais e mundo do trabalho</italic></p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"><p>10&#x00AA;</p></td>
<td valign="top" align="left"><p><italic>Autoconhecimento</italic> (viv&#x00EA;ncia no grupo)</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"><p>11&#x00AA;</p></td>
<td valign="top" align="left"><p><italic>Interesses profissionais e os fatores que influenciam na escolha</italic></p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="center"><p>12&#x00AA;</p></td>
<td valign="top" align="left"><p>Encerramento do processo, retomada dos temas, despedida do grupo</p></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</table-wrap>
</sec>
<sec id="sec-4-1875">
<title>Participantes e contexto da interven&#x00E7;&#x00E3;o</title>
<p>Participaram deste estudo 44 adolescentes, alunos do 1&#x00BA; ano do ensino m&#x00E9;dio regular, provenientes de duas escolas p&#x00FA;blicas, de uma cidade de grande porte do interior do Estado de S&#x00E3;o Paulo. A amostra, de conveni&#x00EA;ncia, foi constitu&#x00ED;da por 24 rapazes (55%) e 20 mo&#x00E7;as (45%), com idades entre 14 e 17 anos (M = 15,16; DP = 0,7). A escolha da escola &#x00E9; decorrente de contatos pr&#x00E9;vios com a universidade sede da investiga&#x00E7;&#x00E3;o e as turmas de alunos que participaram do Programa Edu-Car foram definidas pela escola.</p>
<p>Uma das escolas onde a interven&#x00E7;&#x00E3;o foi realizada, denominada de escola A, est&#x00E1; localizada pr&#x00F3;ximo &#x00E0; regi&#x00E3;o central e possui uma popula&#x00E7;&#x00E3;o heterog&#x00EA;nea, procedente de diversos bairros exatamente pela facilidade de acesso dos pais a caminho do trabalho. A escola participa de projetos de pr&#x00E1;ticas inovadoras no curr&#x00ED;culo escolar. A turma com a qual foi realizada a interven&#x00E7;&#x00E3;o foi caracterizada pelos professores como uma &#x201C;turma numerosa, indisciplinada, desinteressada, imatura, com dificuldades de aprendizagem e problemas de conviv&#x00EA;ncia&#x201D;. A outra escola, denominada escola B, localiza-se em um bairro popular. A turma participante da interven&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E9; numerosa e caracterizada, pela escola, por ser &#x201C;comprometida, interessada, participativa, educada, madura, din&#x00E2;mica, falante e que se destaca quanto ao desempenho escolar&#x201D;.</p>
</sec>
<sec id="sec-5-1875">
<title>Instrumentos</title>
<p>As respostas a dois instrumentos constitu&#x00ED;ram o corpus de an&#x00E1;lise: (a) a Ficha de Avalia&#x00E7;&#x00E3;o da Interven&#x00E7;&#x00E3;o na Perspectiva dos Alunos &#x2014; instrumento elaborado com itens que avaliam a qualidade das atividades desenvolvidas, a qualidade da participa&#x00E7;&#x00E3;o dos alunos no processo, as atividades que mais e menos gostaram na realiza&#x00E7;&#x00E3;o do programa, e sugest&#x00F5;es para futuras interven&#x00E7;&#x00F5;es; e (b) o di&#x00E1;rio de campo, com as transcri&#x00E7;&#x00F5;es dos &#x00E1;udios das sess&#x00F5;es.</p>
</sec>
<sec id="sec-6-1875">
<title>Procedimentos de coleta de dados</title>
<p>O projeto foi aprovado pelo Comit&#x00EA; de &#x00C9;tica em Pesquisa da Faculdade de Filosofia, Ci&#x00EA;ncias e Letras de Ribeir&#x00E3;o Preto da Universidade de S&#x00E3;o Paulo (USP), CAAE n&#x00BA;46763915.5.0000.5407. A seguir, foram realizadas reuni&#x00F5;es com a equipe pedag&#x00F3;gica e com os professores para apresenta&#x00E7;&#x00E3;o da pesquisa nas duas escolas. Os alunos foram contatados em sala de aula e convidados a participar da pesquisa, quando foram explicitados os objetivos da pesquisa, as quest&#x00F5;es sobre o sigilo das informa&#x00E7;&#x00F5;es, a voluntariedade e n&#x00E3;o remunera&#x00E7;&#x00E3;o da participa&#x00E7;&#x00E3;o, a grava&#x00E7;&#x00E3;o das sess&#x00F5;es e a possibilidade de desist&#x00EA;ncia. Nesses encontros foram entregues os Termos de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) para levarem para casa e mostrarem aos seus pais ou respons&#x00E1;veis. Em caso de anu&#x00EA;ncia, eles deveriam traz&#x00EA;-los assinados. A seguir, os pr&#x00F3;prios alunos que concordaram com a participa&#x00E7;&#x00E3;o, deram ci&#x00EA;ncia no Termo de Assentimento Livre e Esclarecidos (TALE). A interven&#x00E7;&#x00E3;o foi desenvolvida pela psic&#x00F3;loga, primeira autora deste estudo, ent&#x00E3;o Mestre em Psicologia, com o aux&#x00ED;lio de membros do grupo de pesquisa para a coleta de dados e o registro das observa&#x00E7;&#x00F5;es em cada sess&#x00E3;o. A supervis&#x00E3;o da pesquisa-a&#x00E7;&#x00E3;o e da an&#x00E1;lise dos dados foi realizada pelas segunda e terceira autoras.</p>
</sec>
<sec id="sec-7-1875">
<title>Procedimentos de an&#x00E1;lise de dados</title>
<p>Para a an&#x00E1;lise dos dados relativos &#x00E0;s respostas na ficha avaliativa, foi utilizada estat&#x00ED;stica descritiva como a frequ&#x00EA;ncia absoluta e porcentagem. Para a avalia&#x00E7;&#x00E3;o do processo da interven&#x00E7;&#x00E3;o, foram utilizados os dados obtidos por meio dos registros de &#x00E1;udio, os quais foram transcritos e analisados por meio da an&#x00E1;lise do conte&#x00FA;do de <xref ref-type="bibr" rid="ref-2-1875">Laurence Bardin (1977)</xref>. O <italic>corpus</italic> de an&#x00E1;lise foi constitu&#x00ED;do pelo registro de 20 sess&#x00F5;es de interven&#x00E7;&#x00E3;o, 10 de cada grupo. As sess&#x00F5;es de apresenta&#x00E7;&#x00E3;o e de encerramento n&#x00E3;o foram analisadas. Delimitado o <italic>corpus</italic> de estudo, inicialmente realizou-se a pr&#x00E9;-an&#x00E1;lise do material, por meio da leitura flutuante das sess&#x00F5;es. Na fase de explora&#x00E7;&#x00E3;o do material, foi realizada a codifica&#x00E7;&#x00E3;o do material transcrito, com a escolha das unidades de contexto e de registro. A unidade de contexto considerada neste estudo foram os relatos espont&#x00E2;neos dos alunos durante as sess&#x00F5;es, e a unidade de registro foram as ideias enquanto unidade de significado. As sess&#x00F5;es de interven&#x00E7;&#x00E3;o s&#x00E3;o identificadas pela letra S, seguida pelo n&#x00FA;mero da sess&#x00E3;o, A ou B que identifica o grupo e o &#x00FA;ltimo n&#x00FA;mero corresponde &#x00E0; fala do aluno, por exemplo S4A_56, significa que &#x00E9; a sess&#x00E3;o 4 do grupo de interven&#x00E7;&#x00E3;o A, correspondendo &#x00E0; 56a ideia expressa por um aluno, na sess&#x00E3;o 4. Todas as falas dos participantes foram extra&#x00ED;das do Di&#x00E1;rio de campo, no ano da coleta de dados (2015). A seguir, os resultados s&#x00E3;o apresentados em duas se&#x00E7;&#x00F5;es: (a) avalia&#x00E7;&#x00E3;o da qualidade das atividades desenvolvidas e da participa&#x00E7;&#x00E3;o dos alunos; e (b) avalia&#x00E7;&#x00E3;o de processo nas sess&#x00F5;es de interven&#x00E7;&#x00E3;o, organizada em dois m&#x00F3;dulos: socioemocional e de carreira.</p>
</sec>
</sec>
<sec id="sec-8-1875" sec-type="results|discusion">
<title>R<sc>esultados e discuss&#x00E3;o</sc></title>
<p>Avalia&#x00E7;&#x00E3;o da qualidade das atividades desenvolvidas e da participa&#x00E7;&#x00E3;o dos alunos</p>
<p>Como mostra a <xref ref-type="table" rid="tabw-2-1875">Tabela 2</xref>, a maior parte dos alunos dos grupos interven&#x00E7;&#x00E3;o A (75%) classificaram como boa a qualidade das atividades desenvolvidas no programa. No grupo B, a maior parte dos alunos classificou a qualidade das atividades como excelente (52,2%). No que que se refere &#x00E0; amostra total, verificouse que mais da metade dos alunos (55,8%) considerou boa a qualidade das atividades, e 34,9% considerou excelente. Esses resultados mostram que a maioria dos alunos avaliou as atividades desenvolvidas entre os conceitos de qualidade boa e excelente, o que sugere que o Edu-Car alcan&#x00E7;ou aos seus objetivos.</p>
<table-wrap id="tabw-2-1875">
<label>Tabela 2.</label>
<caption><title>Qualidade das atividades e da participa&#x00E7;&#x00E3;o no programa, na perspectiva dos alunos dos dois grupos</title></caption>
<table id="tab-2-1875" frame="hsides" border="1" rules="all">
<col width="15%"/>
<col width="15%"/>
<col width="14%"/>
<col width="14%"/>
<col width="14%"/>
<col width="14%"/>
<col width="14%"/>
<thead>
<tr>
<th valign="top" align="center"><p>Avalia&#x00E7;&#x00E3;o</p></th>
<th valign="top" align="center" colspan="3"><p>Qualidade das atividades desenvolvidas no Edu-Car</p></th>
<th valign="top" align="center" colspan="3"><p>Autoavalia&#x00E7;&#x00E3;o da qualidade da participa&#x00E7;&#x00E3;o no Edu-Car</p></th>
</tr>
<tr>
<th valign="top" align="center"></th>
<th valign="top" align="center"><p>Grupo Interven&#x00E7;&#x00E3;o A (n=20)</p></th>
<th valign="top" align="center"><p>Grupo Interven&#x00E7;&#x00E3;o B (n=23)</p></th>
<th valign="top" align="center"><p>Amostra Total (n=43)</p></th>
<th valign="top" align="center"><p>Grupo Interven&#x00E7;&#x00E3;o A (n=20)</p></th>
<th valign="top" align="center"><p>Grupo Interven&#x00E7;&#x00E3;o B (n=23)</p></th>
<th valign="top" align="center"><p>Amostra Total (n=43)</p></th>
</tr>
<tr>
<th valign="top" align="center"></th>
<th valign="top" align="center"><p>F (%)</p></th>
<th valign="top" align="center"><p>F (%)</p></th>
<th valign="top" align="center"><p>F (%)</p></th>
<th valign="top" align="center"><p>F (%)</p></th>
<th valign="top" align="center"><p>F (%)</p></th>
<th valign="top" align="center"><p>F (%)</p></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td valign="top" align="left"><p>Excelente</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>3 (15%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>12 (52.2%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>15 (34,9%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>1 (5%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>6(26.1%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>7(16.3%)</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="left"><p>Boa</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>15 (75%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>9 (39.1%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>24 (55.8%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>6 (30%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>7(30.4%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>13(30.2%)</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="left"><p>Regular</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>2 (10%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>1 (4.3%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>3 (7%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>11 (55%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>4(17.4%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>15(34.9%)</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="left"><p>Ruim</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>0 (0%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>0 (0%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>0 (0%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>2 (10%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>1(4.3%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>3 (7%)</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="left"><p>P&#x00E9;ssima</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>0 (0%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>1 (4.3%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>1 (2,3%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>0 (0%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>5 (21.7%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>5 (11.6%)</p></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" align="left"><p>Total</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>20 (100%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>23 (100%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>43 (100%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>20 (100%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>23 (100%)</p></td>
<td valign="top" align="center"><p>43 (100%)</p></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</table-wrap>
<p>Em rela&#x00E7;&#x00E3;o ao que mais gostaram no processo, as respostas foram categorizadas em tr&#x00EA;s conjuntos, incluindo respostas: (a) sobre as t&#x00E9;cnicas realizadas, (b) sobre os benef&#x00ED;cios da interven&#x00E7;&#x00E3;o e (c) sobre o conjunto das atividades. A maior parte das respostas (31.7%) se enquadram na categoria conjunto de atividades, sugerindo que, de modo geral, todas as atividades desenvolvidas na interven&#x00E7;&#x00E3;o tenham agradado aos alunos. A seguir, foram destacadas a possibilidade de expressar e discutir ideias (15.9%) e a possibilidade de intera&#x00E7;&#x00E3;o com outro (15.9%). Ou seja, evidenciam-se os benef&#x00ED;cios das habilidades de comunica&#x00E7;&#x00E3;o, que s&#x00E3;o essenciais para o mundo atual na vida e carreira no s&#x00E9;culo XXI, para o desenvolvimento de rela&#x00E7;&#x00F5;es saud&#x00E1;veis. Ainda dentre os benef&#x00ED;cios trazidos pela interven&#x00E7;&#x00E3;o, 7.9% dos alunos apontam maiores conhecimentos acerca de si mesmos e dos outros e dos assuntos abordados, o que sugere que a interven&#x00E7;&#x00E3;o propiciou um momento de reflex&#x00E3;o e conhecimento, elementos relevantes para o autodesenvolvimento, na vida e carreira. Quanto &#x00E0;s t&#x00E9;cnicas aplicadas, a maior parte dos alunos apontou o jogo e os v&#x00ED;deos utilizados na interven&#x00E7;&#x00E3;o (9.5%) como as atividades que mais gostaram, o que sugere que t&#x00E9;cnicas mais din&#x00E2;micas e de audiovisual sejam consideradas mais interessantes e adequadas para interven&#x00E7;&#x00F5;es com o p&#x00FA;blico dessa faixa-et&#x00E1;ria para este contexto de advento de novas tecnologias de informa&#x00E7;&#x00E3;o, comunica&#x00E7;&#x00E3;o e de entretenimento. Outras t&#x00E9;cnicas citadas, por&#x00E9;m, menos pontuadas, foram a t&#x00E9;cnica do cartaz e a t&#x00E9;cnica dos sonhos, mais relacionada com a utiliza&#x00E7;&#x00E3;o da imagina&#x00E7;&#x00E3;o criadora (4.8%), o que pode estar relacionado uma dificuldade de imaginar ou at&#x00E9; mesmo, de perspectivar o futuro. Quanto as atividades que os alunos menos gostaram, verificou-se que quase metade do grupo pontuou que gosta menos de responder aos question&#x00E1;rios da pesquisa (40.6%), resultado que pode ser um reflexo da natureza da atividade, que requer leitura e concentra&#x00E7;&#x00E3;o, e provavelmente da dificuldade de leitura decorrente de problemas de aprendizagem e de alfabetiza&#x00E7;&#x00E3;o de parte dos alunos, al&#x00E9;m da poss&#x00ED;vel associa&#x00E7;&#x00E3;o com provas e com medidas de avalia&#x00E7;&#x00E3;o da aprendizagem. Vale salientar, que o GIA &#x00E9; caracterizado pelos professores por possuir dificuldades no aprendizado, enquanto que, o GIB, apesar de, caracterizado como uma turma interessada nos estudos e com desempenho satisfat&#x00F3;rio, os dados do Ideb apontam que &#x00E9; muito baixo o n&#x00FA;mero de alunos daquela escola, que apresentam profici&#x00EA;ncia adequada em leitura e interpreta&#x00E7;&#x00E3;o de textos (15%). Algumas atividades foram desenvolvidas por meio da t&#x00E9;cnica &#x201C;Grupo de observa&#x00E7;&#x00E3;o e Grupo de verbaliza&#x00E7;&#x00E3;o&#x201D; (GO/GV), e elas foram mencionadas entre as que 24,3% n&#x00E3;o gostaram (9 alunos). As referidas atividades exigem reflex&#x00E3;o e uma sa&#x00ED;da da zona de conforto do participante, pois implica em expor suas opini&#x00F5;es, ouvir o outro e dialogar. Vale ressaltar, contudo, que a possibilidade de express&#x00E3;o para a maioria do grupo foi bem avaliada. Sendo assim, esse dado, pode ser decorrente da dificuldade para falar em grupo e dar opini&#x00E3;o relevante, timidez, receio de julgamento. Ap&#x00F3;s lidarem com esse tipo de desafio, e conseguirem se expressar, os participantes avaliam o resultado como eficaz, como um ganho para seu desenvolvimento. Observou-se tamb&#x00E9;m, que a porcentagem grande de alunos (35%) que responderam n&#x00E3;o ter nada que menos gostaram na interven&#x00E7;&#x00E3;o, pode ser considerado um indicativo de que gostaram da maioria das atividades.</p>
<p>Objetivando aprimorar o Edu-Car, na perspectiva dos participantes, um dos itens da Ficha de Avalia&#x00E7;&#x00E3;o cont&#x00E9;m espa&#x00E7;o para sugest&#x00F5;es dos alunos para o aperfei&#x00E7;oamento do programa. A maior parte dos alunos (28,0%) n&#x00E3;o apresentou sugest&#x00F5;es para uma pr&#x00F3;xima edi&#x00E7;&#x00E3;o do programa, 24,0% sugeriu mais atividades din&#x00E2;micas, como brincadeiras, 14,0% sugeriu mais v&#x00ED;deos, dados que corroboram os resultados das atividades preferidas pelos alunos. Al&#x00E9;m disso, 12,0% dos alunos pontuaram que os pr&#x00F3;ximos programas deveriam ter menos folhas para preencher, menos question&#x00E1;rios, dado que refor&#x00E7;a a resist&#x00EA;ncia com a utiliza&#x00E7;&#x00E3;o deste tipo de material. Verificou-se que alguns alunos (12,0%) sugeriram temas espec&#x00ED;ficos para as pr&#x00F3;ximas interven&#x00E7;&#x00F5;es como, &#x201C;aconselhamento sentimental&#x201D;, &#x201C;aceita&#x00E7;&#x00E3;o pessoal&#x201D;, &#x201C;escolhas e costumes&#x201D; e &#x201C;for&#x00E7;a de vontade&#x201D;, o que sugere demandas por mais atividades relacionadas ao autoconhecimento, aos afetos e &#x00E0;s compet&#x00EA;ncias socioemocionais. Um indicativo interessante se refere &#x00E0;s &#x201C;escolhas e costumes&#x201D;, em um ambiente hostil que se configura no Brasil e no mundo de retomada de pautas conservadoras e retr&#x00F3;gradas no que se refere aos costumes, quando a civiliza&#x00E7;&#x00E3;o avan&#x00E7;ava em direitos humanos a partir da segunda guerra mundial. Os costumes est&#x00E3;o em uma pauta incompat&#x00ED;vel com as demandas para o s&#x00E9;culo XXI. Provavelmente a tem&#x00E1;tica emergiu no grupo em decorr&#x00EA;ncia das dimens&#x00F5;es socioemocionais, entre elas a amabilidade, o respeito e cuidado com o outro (compet&#x00EA;ncia: colabora&#x00E7;&#x00E3;o), tratada na quinta sess&#x00E3;o com muita participa&#x00E7;&#x00E3;o dos alunos, evidenciando o valor dessa dimens&#x00E3;o a ser trabalhada. Como desenvolver essa tem&#x00E1;tica em escolas em um per&#x00ED;odo de acirrado ataque &#x00E0; educa&#x00E7;&#x00E3;o, aos professores, &#x00E0; ci&#x00EA;ncia e aos direitos humanos? &#x00C9; mais um desafio que se coloca em pauta e que tem implica&#x00E7;&#x00F5;es para as rela&#x00E7;&#x00F5;es humanas em diferentes cen&#x00E1;rios e contextos. Tais indaga&#x00E7;&#x00F5;es reafirmam a relev&#x00E2;ncia da aprendizagem socioemocional em contextos educativos.</p>
<p>A se&#x00E7;&#x00E3;o subsequente focaliza o processo de interven&#x00E7;&#x00E3;o, com foco na rela&#x00E7;&#x00E3;o psic&#x00F3;loga-participante e nas narrativas que emergiram. S&#x00E3;o apresentados alguns registros de rea&#x00E7;&#x00F5;es dos alunos nas sess&#x00F5;es de interven&#x00E7;&#x00E3;o. Os relatos est&#x00E3;o organizados em dois m&#x00F3;dulos: socioemocional e de carreira, conforme eixos do Edu-Car.</p>
</sec>
<sec id="sec-9-1875">
<title>Avalia&#x00E7;&#x00E3;o de Processo nas sess&#x00F5;es de interven&#x00E7;&#x00E3;o</title>
<sec id="sec-10-1875">
<title>M&#x00F3;dulo Socioemocional</title>
<p>Nas duas primeiras sess&#x00F5;es do m&#x00F3;dulo socioemocional, segunda e terceira sess&#x00F5;es da interven&#x00E7;&#x00E3;o, foi trabalhado o tema <italic>Estabilidade emocional</italic> (<italic>compet&#x00EA;ncia: autocontrole</italic>), por meio de uma atividade que objetivou despertar a reflex&#x00E3;o sobre os efeitos de comportamentos irritadi&#x00E7;os e inst&#x00E1;veis emocionalmente, nas pessoas e no ambiente, bem como, a identifica&#x00E7;&#x00E3;o de estrat&#x00E9;gias para lidar com esse tipo de comportamento. Os alunos destacaram os malef&#x00ED;cios de um comportamento irritado no ambiente, conforme as seguintes falas: &#x201C;com um desses o ar fica bem negativo, bem tenso&#x201D; (S2B_23); &#x201C;&#x00E0;s vezes gera inc&#x00F4;modo, pois tem pessoas que n&#x00E3;o conseguem se expressar de forma correta&#x201D; (S2B_68). Sobre esta &#x00FA;ltima fala, um dos alunos disse: &#x201C;a gente faz isso muito&#x201D; (S2B_69), o que permite identificar que o clima de inc&#x00F4;modo, mal-estar &#x00E9; recorrente na turma e causado por problemas de comunica&#x00E7;&#x00E3;o e intoler&#x00E2;ncia com opini&#x00F5;es diferentes, como mostram os trechos: &#x201C;o povo tem medo de se expressar&#x201D; (S3A_87), &#x201C;toda vez que vamos nos expressar nossos colegas riem da gente&#x201D; (S3B_61); &#x201C;a gente tem medo de falar as coisas e a&#x00ED; a pessoa vir debater com a gente&#x201D; (S3A_91); &#x201C;aqui cada um tem sua opini&#x00E3;o e n&#x00E3;o aceita a do outro&#x201D; (S3A_94). Dentre algumas estrat&#x00E9;gias identificadas para lidar com a irrita&#x00E7;&#x00E3;o e o estresse, os alunos pontuaram: &#x201C;contar at&#x00E9; dez&#x201D; (S2B_52); ficar sozinho&#x201D; (S2B_53); &#x201C;&#x00E9; bom quando a pessoa tem um saco daquele de bater&#x201D; (S2B_57); &#x201C;quando eu estou nervosa eu ponho o foninho, nem penso&#x201D; (S2B_74); &#x201C;quando minha m&#x00E3;e est&#x00E1; estressada ela l&#x00EA; livros&#x201D; (S2B_58). (Entradas de di&#x00E1;rio de campo, abril, 2015).</p>
<p>Devido &#x00E0; emerg&#x00EA;ncia da comunica&#x00E7;&#x00E3;o como uma quest&#x00E3;o a ser trabalhada em ambas as turmas, na sess&#x00E3;o subsequente, a quarta, foi trabalhado o tema <italic>Extrovers&#x00E3;o</italic> (<italic>compet&#x00EA;ncia: comunica&#x00E7;&#x00E3;o</italic>), buscando tratar sobre a import&#x00E2;ncia em se reconhecer os diferentes pontos de vista e ampliar o olhar para as situa&#x00E7;&#x00F5;es e para os colegas. Verificou-se que os alunos alcan&#x00E7;aram esse objetivo conforme mostram as falas: &#x201C;Todos veem as mesmas coisas de modo diferente&#x201D; (S4B_35); &#x201C;A gente tem que ver o olhar dos outros. Porque aquele grupo viu um buraco (atividade sobre observa&#x00E7;&#x00E3;o do globo terrestre em diferentes perspectivas, a depender do lugar de observa&#x00E7;&#x00E3;o) e eu n&#x00E3;o vi. Eu poderia falar: mas n&#x00E3;o tem buraco nenhum. Por isto tem que aprender a ver pelo olhar do outro&#x201D; (S4A_95) (Entradas de di&#x00E1;rio de campo, 2015). Assim, durante essa sess&#x00E3;o foram realizadas atividades em grupos que permitiram aos alunos a oportunidade de interagir e de se conhecer melhor. Observou-se que os alunos gostaram de se abrir para novos relacionamentos e conversar com pessoas diferentes de seu subgrupo de rotina, como mostram os trechos a seguir. &#x201C;Foi legal por que tem pessoas que n&#x00E3;o conversam muito na sala e fizeram um grupo. Foi meio que n&#x00E3;o esperado. Acho que cada um tem uma qualidade, voc&#x00EA; tem algo para falar para a pessoa e n&#x00E3;o fala, aqui pode falar&#x201D; (S4B_21). &#x201C;Foi uma oportunidade de escrever para algu&#x00E9;m que n&#x00E3;o converso muito&#x201D; (S4B_27) (Entradas de di&#x00E1;rio de campo, abril, 2015).</p>
<p>Na sess&#x00E3;o subsequente, a quinta, o tema <italic>Amabilidade</italic> (<italic>compet&#x00EA;ncia: colabora&#x00E7;&#x00E3;o</italic>) foi trabalhado, por meio de atividades que estimulavam o trabalho em equipe. Conforme sess&#x00E3;o anterior, os relatos apontaram o trabalho em grupo como uma atividade interessante para os jovens e uma oportunidade de conhecer melhor os colegas da turma e ampliar seus relacionamentos e discuss&#x00F5;es, o que parecer fazer falta para os alunos, como mostram as falas a seguir. &#x201C;Gostei de fazer grupo, continuem assim!&#x201D; (S5B_25). &#x201C;Eu nunca tinha falado com duas pessoas, foi uma oportunidade&#x201D; (S5B_27). &#x201C;Discutimos ideias e interagimos com o grupo&#x201D; (S5B_30). &#x201C;Pudemos nos conhecer mais&#x201D; (S5B_31), &#x201C;t&#x00E1; sendo interativo, eu t&#x00F4; participando&#x201D; (S5B_62), &#x201C;conhecer as pessoas n&#x00E3;o ficar s&#x00F3; no nosso grupinho&#x201D; (S5B_45). &#x201C;Uma experi&#x00EA;ncia para conhecer os outros&#x201D; (S5B_63). A colabora&#x00E7;&#x00E3;o foi destaca como uma atividade importante para a sociedade, a qualidade do trabalho e como uma a&#x00E7;&#x00E3;o altru&#x00ED;sta, como mostra a fala a seguir. &#x201C;Tem que colaborar com a pessoa. Tudo que fazemos dependemos das pessoas. Que todos t&#x00EA;m que colaborar uns com os outros, que na maioria das coisa que vamos fazer dependemos da outra pessoa. E quando as pessoas colaboram as coisas ficam melhor&#x201D; (S5A_47). &#x201C;Devemos colaborar mais com as coisas, pois n&#x00E3;o ajudam s&#x00F3; a gente mas as outras pessoas tamb&#x00E9;m&#x201D; (S5A_60) (Entradas de di&#x00E1;rio de campo, abril, 2015).</p>
<p>Nesse encontro, o processo interventivo foi apontado como uma experi&#x00EA;ncia inovadora, com sentido para os participantes e capaz de produzir efeitos terap&#x00EA;uticos, como mostram as falas a seguir. &#x201C;Uma nova experi&#x00EA;ncia&#x201D; (S5B_36). &#x201C;T&#x00E1; ocupando a nossa cabe&#x00E7;a, melhor ficar aqui fazendo algo, do que ficar na sala sem fazer nada&#x201D; (S5B_35). Acho que parece que estamos passando com o psic&#x00F3;logo&#x201D; (S5B_51). &#x201C;Tamb&#x00E9;m acho, eu&#x201D; (S5B_52). &#x201C;T&#x00E1; mexendo com o nosso psicol&#x00F3;gico&#x201D; (S5B_53) (Entradas de di&#x00E1;rio de campo, abril, 2015). A interven&#x00E7;&#x00E3;o, assim, foi apontada neste momento do processo como uma oportunidade de autoconhecimento, aprendizagem fundamental nesta fase de forma&#x00E7;&#x00E3;o da identidade e de express&#x00E3;o, como mostram as narrativas a seguir. &#x201C;&#x00C9; uma experi&#x00EA;ncia boa falar sobre quem a gente &#x00E9; e o que os outros acham da gente&#x201D; (S5B_54). &#x201C;&#x00C9; uma maneira da gente se conhecer, mostrar quem somos por fora e por dentro&#x201D; (S5B_61). &#x201C;&#x00C9; interessante essa experi&#x00EA;ncia nova, essa discuss&#x00E3;o que cada um d&#x00E1; o seu ponto de vista&#x201D; (S5B_57). &#x201C;Temos a oportunidade de falar, s&#x00F3; n&#x00E3;o fala quem n&#x00E3;o quer&#x201D; (S5B_46) (Entradas de di&#x00E1;rio de campo, abril, 2015).</p>
<p>Assim, os conte&#x00FA;dos trabalhados na interven&#x00E7;&#x00E3;o tamb&#x00E9;m foram percebidos pelos jovens como uma forma de ampliar o aprendizado, conforme j&#x00E1; destacado na literatura &#x2014; o desenvolvimento socioemocional relaciona-se a uma maior aprendizagem e os estudantes consideraram os conte&#x00FA;dos aprendidos como importantes para a vida, para o desenvolvimento de sua maturidade, como mostram as falas a seguir. &#x201C;Nos fazem aprender mais. &#x00C9; uma coisa assim, que n&#x00E3;o est&#x00E1; na mat&#x00E9;ria, que sai do foco da escola. N&#x00E3;o est&#x00E1; na mat&#x00E9;ria da escola, mas tem a ver com a mat&#x00E9;ria da escola&#x201D; (S5A_70). &#x201C;Tem a ver com a vida&#x201D; (S5A_71). &#x201C;A gente aprende na escola coisa de mat&#x00E9;ria escolar, aqui a gente aprende coisas para a vida, saber viver&#x201D; (S5A_72). (Entradas de di&#x00E1;rio de campo, abril, 2015). As narrativas corroboram os estudos que evidenciam as habilidades/compet&#x00EA;ncias socioemocionais como facilitadoras das habilidades cognitivas e t&#x00E9;cnicas, ou seja, para a vida e carreira.</p>
<p>Na sexta sess&#x00E3;o do m&#x00F3;dulo socioemocional, foi trabalhado o tema <italic>Conscienciosidade</italic> (<italic>compet&#x00EA;ncia: responsabilidade</italic>), as atividades desenvolvidas tiveram como objetivo refletir sobre o significado de ser respons&#x00E1;vel e consciencioso, sobre como os alunos utilizam o seu tempo e organizam a sua vida escolar. Verificou-se que o significado de responsabilidade esteve atrelado ao cumprimento de obriga&#x00E7;&#x00F5;es e ao desenvolvimento da maturidade, como mostram os trechos a seguir. &#x201C;Responsabilidade &#x00E9; quando temos uma tarefa e devemos cumprir em um determinado tempo. Temos responsabilidade na escola&#x2026; em casa. Na escola &#x00E9; estudar&#x201D; (S6A_38). &#x201C;&#x00C9; respons&#x00E1;vel quando se cria uma maturidade&#x201D; (S6A_49) (Entradas de di&#x00E1;rio de campo, abril, 2015). Ademais, por meio das atividades realizadas, a maioria dos participantes concluiu que passa grande parte de seu dia livre, sem a realiza&#x00E7;&#x00E3;o de atividades produtivas, como mostram os excertos a seguir. &#x201C;Vi que eu s&#x00F3; como e durmo&#x201D; (S6B_46). &#x201C;Percebi que eu passo muito tempo sem fazer nada&#x201D; (S6B_47). &#x201C;Vejo que tem bastante horas que passo sem fazer nada e podia fazer um monte de coisas&#x201D; (S6B_48). (Entradas de di&#x00E1;rio de campo, abril, 2015). Assim, a discuss&#x00E3;o sobre a utiliza&#x00E7;&#x00E3;o de pouco tempo com os estudos incidiu na reflex&#x00E3;o sobre a import&#x00E2;ncia do mesmo para a constru&#x00E7;&#x00E3;o de um futuro melhor, como perspectiva de progress&#x00E3;o nos estudos e de trabalho, como apontam os trechos a seguir. &#x201C;D&#x00E1; pra mudar de vida&#x201D; (S6B_90). &#x201C;Ah se a gente estudar pode prestar vestibular, fazer faculdade, mestrado, doutorado, essas coisas&#x201D; (S6B_91) (Entradas de di&#x00E1;rio de campo, abril, 2015). Ainda nessa sess&#x00E3;o, os alunos conclu&#x00ED;ram que a escola &#x00E9; um lugar de prepara&#x00E7;&#x00E3;o para o trabalho. As falas, a seguir, corroboram esses pressupostos. &#x201C;Se voc&#x00EA; n&#x00E3;o &#x00E9; respons&#x00E1;vel na escola, voc&#x00EA; n&#x00E3;o &#x00E9; em nenhum lugar na sua vida, nem no trabalho, nem em nada&#x201D; (S6B_85). &#x201C;A escola &#x00E9; um lugar de aprendizado para voc&#x00EA; trabalhar mais tarde&#x201D; (S6B_86). &#x201C;&#x00C9; como se fosse um emprego, mais um emprego sem sal&#x00E1;rio&#x201D; (S6B_87) (Entradas de di&#x00E1;rio de campo, abril, 2015). Assim, a escola &#x00E9; compreendida, tamb&#x00E9;m pelos alunos, como um lugar de trabalho, n&#x00E3;o remunerado, conforme princ&#x00ED;pios da Educa&#x00E7;&#x00E3;o para a Carreira (<xref ref-type="bibr" rid="ref-20-1875">Munhoz, 2010</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref-23-1875">Munhoz et al., 2016</xref>). Observa-se que a macrocompet&#x00EA;ncia conscienciosidade (determina&#x00E7;&#x00E3;o, organiza&#x00E7;&#x00E3;o, foco, persist&#x00EA;ncia e responsabilidade) se relaciona com os pressupostos da Educa&#x00E7;&#x00E3;o para a Carreira, o que justificou a interven&#x00E7;&#x00E3;o com o Edu-Car e este estudo avaliativo.</p>
<p>O tema <italic>Abertura a novas experi&#x00EA;ncias</italic> (<italic>compet&#x00EA;ncia: curiosidade</italic>) e o tema <italic>explora&#x00E7;&#x00E3;o das profiss&#x00F5;es</italic> foram trabalhados na &#x00FA;ltima sess&#x00E3;o do m&#x00F3;dulo socioemocional (a s&#x00E9;tima do processo), integrando de modo intencional e planejado a compet&#x00EA;ncia sociemocional (curiosidade) com a compet&#x00EA;ncia de carreira (explora&#x00E7;&#x00E3;o do mundo do trabalho), quest&#x00E3;o emergente da sess&#x00E3;o anterior, como mostram as falas. As atividades realizadas objetivaram perspectivar o futuro e explorar as profiss&#x00F5;es. Os relatos mostram que os adolescentes tiveram dificuldade em se projetarem no futuro, o que pode se configurar como um fator limitante para o desenvolvimento de projetos de vida/carreira, conforme mostra a fala: &#x201C;eu n&#x00E3;o sei qual &#x00E9; o meu sonho&#x201D; (S7B_4). (Entrada de di&#x00E1;rio de campo, abril, 2015). Ainda nessa sess&#x00E3;o foi realizado o Jogo das Profiss&#x00F5;es: Quem &#x00E9; quem? (<xref ref-type="bibr" rid="ref-12-1875">Leal, 2019</xref>), durante o qual observou-se a falta de conhecimento dos jovens sobre as carreiras e possibilidades de atua&#x00E7;&#x00E3;o no mundo profissional. A seguir, apresentam-se os registros de rea&#x00E7;&#x00F5;es dos alunos durante as sess&#x00F5;es relativas ao m&#x00F3;dulo de carreira.</p>
</sec>
<sec id="sec-11-1875">
<title>M&#x00F3;dulo de Carreira</title>
<p>A primeira sess&#x00E3;o do m&#x00F3;dulo de compet&#x00EA;ncias de carreira, oitava sess&#x00E3;o do Edu-Car, objetivou trabalhar o autoconhecimento voltado para a identifica&#x00E7;&#x00E3;o de interesses e habilidades. Durante essa sess&#x00E3;o, observou-se que os alunos tiveram dificuldades em identificar seus interesses, em termos de carreira e suas habilidades, o que sugere, que at&#x00E9; aquele momento, tais quest&#x00F5;es n&#x00E3;o haviam sido pensadas ou pouco exploradas. Resultado que salienta a necessidade de se trabalhar o autoconhecimento, com foco nos interesses, com esta popula&#x00E7;&#x00E3;o.</p>
<p>Na sequ&#x00EA;ncia, trabalhou-se o tema <italic>Explora&#x00E7;&#x00E3;o das oportunidades educacionais e mundo do trabalho</italic>, assim a nona sess&#x00E3;o realizada teve car&#x00E1;ter informativo. Foi realizada uma palestra sobre as oportunidades educacionais e as possibilidades profissionais explorados por meio do Guia do Estudante, da Abril Cultural. Observou-se que a maior parte dos alunos desconheciam as op&#x00E7;&#x00F5;es educacionais dispon&#x00ED;veis na regi&#x00E3;o, bem como, os meios de ingresso e pol&#x00ED;ticas de perman&#x00EA;ncia em sistemas de ensino t&#x00E9;cnico e superior. Os alunos ficaram bem atentos durante a palestra e muito empenhados na consulta aos guias do estudante.</p>
<p>Tendo em vista que a demanda por autoconhecimento ainda era emergente, o terceiro encontro do m&#x00F3;dulo de carreira, d&#x00E9;cimo encontro do processo de interven&#x00E7;&#x00E3;o, a tem&#x00E1;tica do <italic>Autoconhecimento</italic> voltado para reflex&#x00F5;es sobre a hist&#x00F3;ria pessoal foi retomada. Tamb&#x00E9;m, foi trabalhada a experi&#x00EA;ncia vivida at&#x00E9; aquele momento da interven&#x00E7;&#x00E3;o, como uma estrat&#x00E9;gia de avalia&#x00E7;&#x00E3;o processual. Verificou-se que os alunos come&#x00E7;aram a vislumbrar o futuro, superando uma poss&#x00ED;vel dificuldade evidenciada na s&#x00E9;tima sess&#x00E3;o, conforme mostra a fala: &#x201C;aqui comecei a pensar no futuro&#x2026; eu coloquei brilhante&#x201D; (S10A_10) (Entrada de di&#x00E1;rio de campo, junho, 2015).</p>
<p>Ao retomar as experi&#x00EA;ncias vividas na interven&#x00E7;&#x00E3;o, foi poss&#x00ED;vel obter um <italic>feedback</italic> sobre o processo interventivo. Por meio dos relatos dos alunos, verificouse a adequa&#x00E7;&#x00E3;o das atividades, o que eles mais gostaram durante o processo. Mesmo na atividade que eles pontuaram ser uma das que menos gostaram, a t&#x00E9;cnica Grupo de Observa&#x00E7;&#x00E3;o / Grupo de Verbaliza&#x00E7;&#x00E3;o (em nove avalia&#x00E7;&#x00F5;es em uma amostra de 44 participantes), observou-se que eles conseguiram apreender a sua import&#x00E2;ncia ao transmitir valores de respeito ao pr&#x00F3;ximo, como mostram alguns trechos: &#x201C;Aquele joguinho l&#x00E1; eu gostei, voc&#x00EA; passa a folha para eu tirar um xerox?&#x201D; (S10A_12) (Entrada de di&#x00E1;rio de campo, junho, 2015), sobre o Jogo das Profiss&#x00F5;es &#x2014; Quem &#x00E9; quem, elaborado pela primeira autora &#x201C;Cada um mandava uma mensagem para voc&#x00EA;, achei bem legal!&#x201D; (S10B_13) (Entrada de di&#x00E1;rio de campo, junho, 2015), sobre uma atividade realizada na sess&#x00E3;o com tema extrovers&#x00E3;o. &#x201C;Eu conheci umas carreiras da hora&#x201D; (S10A_13) (Entrada de di&#x00E1;rio de campo, 2015). &#x201C;Aprendemos sobre a faculdade, sobre os trabalhos&#x201D; (S10B_19). &#x201C;Come&#x00E7;ar a pensar no futuro&#x201D; (S10B_29) &#x201C;o que eu quero ser&#x201D; (S10B_25). (Entradas de di&#x00E1;rio de campo, junho, 2015). Sobre os relacionamentos interpessoais disseram: &#x201C;conhecemos outro lado da gente, das pessoas&#x2026; tivemos oportunidade de conhecer mais o pr&#x00F3;ximo&#x201D; (S10B_25); &#x201C;mesmo nervoso, n&#x00E3;o devemos descontar nos outros&#x201D; (S10B_33) (Entradas de di&#x00E1;rio de campo, junho, 2015). Sobre a din&#x00E2;mica do processo grupal foi dito: &#x201C;a import&#x00E2;ncia da roda, e de respeitar a opini&#x00E3;o dos outros, porque nem sempre temos as mesmas opini&#x00F5;es e por isso devemos respeitar&#x201D; (S10B_33) (Entradas de di&#x00E1;rio de campo, junho, 2015). Em s&#x00ED;ntese, foram observados os efeitos do Edu-Car no autoconhecimento, na abertura e disponibilidade para o outro e respeito ao pr&#x00F3;ximo, na necessidade do autocontrole e gest&#x00E3;o das emo&#x00E7;&#x00F5;es, na explora&#x00E7;&#x00E3;o do universo das profiss&#x00F5;es e do mundo do trabalho, na constru&#x00E7;&#x00E3;o de projetos de vida/carreira, perspectivando o futuro.</p>
<p>Por fim, na d&#x00E9;cima primeira sess&#x00E3;o, foi trabalhado o tema <italic>Interesses profissionais e fatores que influenciam na escolha</italic>. V&#x00E1;rios fatores que influenciam na escolha da profiss&#x00E3;o foram identificados pelos alunos, tais como: preconceitos de g&#x00EA;nero, status da profiss&#x00E3;o, quest&#x00F5;es salariais, influ&#x00EA;ncia dos pais e os pr&#x00F3;prios interesses, como verifica-se nos relatos a seguir. &#x201C;Algumas profiss&#x00F5;es t&#x00EA;m preconceito com mulher&#x201D; (S11B_53). &#x201C;O lugar, a faculdade, o futuro que essa profiss&#x00E3;o pode ter para ele, o dinheiro&#x201D; (S11A_37). &#x201C;Que os pais deles querem que eles sigam as profiss&#x00F5;es que os pais queriam ser na &#x00E9;poca em que eles estavam prestando vestibular&#x201D; (S11A_38) (Entradas de di&#x00E1;rio de campo, junho, 2015).</p>
<p>Os alunos tamb&#x00E9;m refletiram sobre a import&#x00E2;ncia de fazer uma escolha consciente e as consequ&#x00EA;ncias de uma decis&#x00E3;o pouco pensada, como verifica-se em alguns trechos. &#x201C;N&#x00E3;o d&#x00E1; para saber a profiss&#x00E3;o sem antes pesquisar. Eu gosto disso e vou fazer tal coisa que parece com isso, precisamos pesquisar mais para entender e ver se gosta ou n&#x00E3;o&#x201D; (S11A_34). &#x201C;A&#x00ED; a pessoa acaba n&#x00E3;o desenvolvendo bem nesse trabalho porque a&#x00ED; ela n&#x00E3;o gosta&#x201D; (S11B_57) (Entradas de di&#x00E1;rio de campo, junho, 2015).</p>
<p>Como observado anteriormente, a pesquisa sobre as profiss&#x00F5;es foi destacada como um meio fundamental para se conhecer as carreiras de interesse e poder realizar uma escolha mais assertiva. As escolhas realizadas de forma pouco reflexivas foram relacionadas &#x00E0; baixa produtividade na carreira.</p>
<p>Em s&#x00ED;ntese, a an&#x00E1;lise qualitativa do processo permitiu apontar a adequabilidade das atividades realizadas e o envolvimento dos alunos com a interven&#x00E7;&#x00E3;o. Por meio dos relatos, foi poss&#x00ED;vel identificar que a interven&#x00E7;&#x00E3;o propiciou maior integra&#x00E7;&#x00E3;o entre o grupo de alunos e a amplia&#x00E7;&#x00E3;o dos relacionamentos com os pares. A amplia&#x00E7;&#x00E3;o dos conhecimentos sobre si e sobre o mundo do trabalho tamb&#x00E9;m ficaram evidentes. Observou-se uma ressignifica&#x00E7;&#x00E3;o do papel da escola, dos estudos que, <italic>a priori</italic>, eram percebidos como sem sentido. Ao final do processo do Edu-Car a escola foi destacada como espa&#x00E7;o de oportunidade de prepara&#x00E7;&#x00E3;o para o trabalho, conforme prop&#x00F5;e os pressupostos da Educa&#x00E7;&#x00E3;o para a Carreira.</p>
</sec>
</sec>
<sec id="sec-12-1875">
<title>C<sc>onsidera&#x00E7;&#x00F5;es finais</sc></title>
<p>Este estudo teve como objetivo avaliar qualitativamente um processo de interven&#x00E7;&#x00E3;o psicoeducacional delineado para promover o desenvolvimento de compet&#x00EA;ncias socioemocionais e de carreira em alunos do ensino m&#x00E9;dio. A interven&#x00E7;&#x00E3;o foi feita por meio do Programa Edu-Car, criado para este fim. A avalia&#x00E7;&#x00E3;o do processo mostrou que as atividades desenvolvidas durante a interven&#x00E7;&#x00E3;o, foram consideradas boas pelos participantes, o que refor&#x00E7;a a import&#x00E2;ncia da implanta&#x00E7;&#x00E3;o de programas desta natrureza e, sobretudo, da avalia&#x00E7;&#x00E3;o de processos e resultados, uma linha de pesquisa promissora que visa analisar pr&#x00E1;ticas baseadas em evid&#x00EA;ncia. &#x00C9;, nessa dire&#x00E7;&#x00E3;o que este estudo contribui para a produ&#x00E7;&#x00E3;o do conhecimento.</p>
<p>No que se refere ao Programa Edu-Car, os achados evidenciaram que a proposta atingiu seus objetivos no que se refere &#x00E0; aprendizagem socioemocional e de carreira para a vida/carreira no s&#x00E9;culo XXI, em um mundo vol&#x00E1;til, incerto, complexo e amb&#x00ED;guo (VUCA, acr&#x00F4;nimo em ingl&#x00EA;s) e, ao mesmo tempo, fr&#x00E1;gil, ansioso, n&#x00E3;o linear e incompreens&#x00ED;vel (BANI, acr&#x00F4;nimo em ingl&#x00EA;s). Sobre o tipo de atividades desenvolvidas, registra-se a prefer&#x00EA;ncia por atividades mais din&#x00E2;micas e interativas, como se espera em rela&#x00E7;&#x00E3;o aos jovens que j&#x00E1; lidam com os desafios altamente tecnol&#x00F3;gicos.</p>
<p>Sobre as tem&#x00E1;ticas que se destacaram ao longo do processo, &#x00E9; interessante salientar a ressignifica&#x00E7;&#x00E3;o do papel da escola, antes desprovida de sentido pelos alunos e ao final da interven&#x00E7;&#x00E3;o ressignificada como um lugar de prepara&#x00E7;&#x00E3;o para o futuro, onde se aprende a conviver e a se responsabilizar pela vida de estudante, qualidades essenciais para o mundo laboral. Esse resultado se mostra como um dos mais importantes do processo interventivo, pois compreende os pressupostos da Educa&#x00E7;&#x00E3;o para a Carreira, segundo aos quais a escola deve preparar os alunos para o mundo do trabalho ajudando-os no desenvolvimento de compet&#x00EA;ncias para a vida/carreira. Como sugest&#x00E3;o para novas interven&#x00E7;&#x00F5;es, a emerg&#x00EA;ncia do tema &#x201C;escolha e costumes&#x201D; retrata o ambiente hostil da contemporaneidade e a necessidade de tratar este assunto, provavelmente com isen&#x00E7;&#x00E3;o, como se espera em um ambiente educativo. S&#x00E3;o as novas gera&#x00E7;&#x00F5;es com suas demandas, mais retr&#x00F3;gradas ou progressistas.</p>
<p>De modo geral, a avalia&#x00E7;&#x00E3;o do processo, por meio da an&#x00E1;lise das transcri&#x00E7;&#x00F5;es, permitiu verificar que em quase todas as sess&#x00F5;es, em maior ou menor propor&#x00E7;&#x00E3;o, houve ganhos em termo do autoconhecimento, respeito ao pr&#x00F3;ximo, do conhecimento de fontes de informa&#x00E7;&#x00E3;o profissionais, e de fatores influenciadores no processo da escolha profissional. Sendo assim, considera-se que este estudo contribui para a produ&#x00E7;&#x00E3;o do conhecimento no dom&#x00ED;nio da avalia&#x00E7;&#x00E3;o de processos de interven&#x00E7;&#x00E3;o. Esse tipo de avalia&#x00E7;&#x00E3;o permite coletar informa&#x00E7;&#x00F5;es relevantes sobre a interven&#x00E7;&#x00E3;o e a avalia&#x00E7;&#x00E3;o dos resultados, sendo muito importante em estudos sobre interven&#x00E7;&#x00E3;o de carreira, interven&#x00E7;&#x00F5;es que visam avaliar programas direcionados ao desenvolvimento de compet&#x00EA;ncias socioemocionais, e, sobretudo, programas que combinam as duas dimens&#x00F5;es (sociemocional e carreira), in&#x00E9;dito no contexto brasileiro e estrangeiro.</p>
<p>No que se refere &#x00E0; oferta de programas desta natureza, eles podem ser ofertadas por meio de diferentes estrat&#x00E9;gias: a extracurricular; a aditiva ou de disciplina pr&#x00F3;pria; a mista ou integrada a uma disciplina geral; ou infusiva, transversalmente ao conte&#x00FA;do escolar, como aponta <xref ref-type="bibr" rid="ref-26-1875">Lu&#x00ED;sa Rodr&#x00ED;guez-Moreno (1994)</xref>. Para qualquer das estrat&#x00E9;gias &#x00E9; necess&#x00E1;rio pol&#x00ED;tica p&#x00FA;blica, capacita&#x00E7;&#x00E3;o e profissionais, implanta&#x00E7;&#x00E3;o de servi&#x00E7;os, avalia&#x00E7;&#x00E3;o e acompanhamento das pr&#x00E1;ticas. No Brasil, uma das possibilidades surge com a <xref ref-type="bibr" rid="ref-14-1875">Lei 13.935/2019</xref> que estabelece a presen&#x00E7;a do psic&#x00F3;logo e tamb&#x00E9;m, do assistente social nas escolas da rede p&#x00FA;blica (<xref ref-type="bibr" rid="ref-17-1875">Melo-Silva et al., 2019</xref>) e, com a BNCC (<xref ref-type="bibr" rid="ref-19-1875">Minist&#x00E9;rio da Educa&#x00E7;&#x00E3;o 2017</xref>).</p>
<p>Especificamente no que se refere &#x00E0;s motiva&#x00E7;&#x00F5;es dos alunos, explicitadas nas respostas sobre a qualidade da participa&#x00E7;&#x00E3;o no processo de interven&#x00E7;&#x00E3;o, os participantes a consideraram &#x201C;regular&#x201D;, o que permite questionar sobre quais</p>
<p>seriam as hip&#x00F3;teses da baixa participa&#x00E7;&#x00E3;o. Algumas quest&#x00F5;es podem ser formuladas. Seria decorrente de um padr&#x00E3;o de conduta esperado no contexto escolar? Seria baixa motiva&#x00E7;&#x00E3;o a qualquer proposta no contexto educativo? Seriam baixas as expectativas em rela&#x00E7;&#x00E3;o ao Edu-Car? Seriam baixas as expectativas em rela&#x00E7;&#x00E3;o ao futuro? Seria desalento? Essas s&#x00E3;o algumas indaga&#x00E7;&#x00F5;es que podem estimular novas investiga&#x00E7;&#x00F5;es. Muitos s&#x00E3;o os desafios para a implanta&#x00E7;&#x00E3;o de programas e servi&#x00E7;os universais, a avalia&#x00E7;&#x00E3;o e a continuidade das interven&#x00E7;&#x00F5;es. Finalizando, os autores esperam contribuir para o debate e a busca de solu&#x00E7;&#x00F5;es na constru&#x00E7;&#x00E3;o do futuro das novas gera&#x00E7;&#x00F5;es alinhadas aos complexos desafios, tanto em contextos educativos quanto de trabalho.</p>
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<fn fn-type="financial-disclosure">
<p>Financiamento</p>
<p>Processo n&#x00B0; 2015/12677-0, Funda&#x00E7;&#x00E3;o de Amparo &#x00E0; Pesquisa do Estado de S&#x00E3;o Paulo (FAPESP).</p></fn>
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<title>R<sc>efer&#x00EA;ncias</sc></title>
<ref id="ref-1-1875"><element-citation publication-type="journal"><person-group person-group-type="author"><name><surname>Antunes</surname> <given-names>Ana P.</given-names></name> <name><surname>Xavier</surname> <given-names>Joana O.</given-names></name> <name><surname>Boreges</surname> <given-names>Africa</given-names></name> <name><surname>Rord&#x00ED;guez-Dorta</surname> <given-names>Manuela</given-names></name> <name><surname>Rodr&#x00ED;guez-Naveiras</surname> <given-names>Elena</given-names></name> <name><surname>Cadenas</surname> <given-names>Maria</given-names></name> <name><surname>Almeida</surname> <given-names>Ana T.</given-names></name> <name><surname>Miranda</surname> <given-names>Claudia</given-names></name></person-group> <year>2016</year> <source><italic>O Enfoque Qualitativo na Avalia&#x00E7;&#x00E3;o de Programas Psicoeducativos: Aplica&#x00E7;&#x00F5;es e Contributos da Metodologia Qualitativa</italic></source> <article-title>5&#x00BA; congresso Ibero Americano em Investiga&#x00E7;&#x00E3;o Qualitativa. Atas CIAIQ2016</article-title> <volume>v. 3</volume> <fpage>524</fpage><lpage>533</lpage></element-citation>
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