Quaderns de Psicologia | 2026, Vol. 28, Nro. 2, e2353 | ISSN: 0211-3481 | 
https://doi.org/10.5565/rev/qpsicologia.2353

What Drives Romantic Commitment? A Systematic Review and Meta-Analysis of Investment Model Variables
Iara do Nascimento Teixeira
Universidade do Minho
Felipe Alckmin-Carvalho
Universidade da Beira Interior
Guilherme Welter Wendt
Universidade Estadual do Oeste do Paraná
Sandra Elisa de Assis Freire
Universidade Federal do Delta do Parnaíba
RESUMO
Vínculos afetivos duradouros estão associados a diversos benefícios, sendo o compromisso um dos principais indicadores da qualidade relacional. Segundo o Modelo de Investimento nas Relações, os fatores centrais que influenciam o compromisso são satisfação, investimento e busca de alternativas. Embora amplamente investigados, esses construtos carecem de sistematizações que consolidem os achados recentes. Este estudo realizou uma revisão sistemática com meta-análise, seguindo as diretrizes PRISMA, para avaliar a associação entre esses três fatores e o nível de compromisso amoroso. Foram analisados 16 artigos publicados entre 2016 e 2020 nas bases Scopus, Web of Science, PubMed e PsycInfo, totalizando 10 644 participantes. Os resultados indicaram que a satisfação apresentou o maior impacto sobre o compromisso (r = 0,66), seguida do investimento (r = 0,51) e da busca de alternativas (r = –0,41). Os achados reforçam a validade do Modelo de Investimento, mesmo diante das transformações psicossociais que marcaram os relacionamentos nas últimas décadas.
Palavras-Chave: Satisfação; Relações interpessoais; Revisão sistemática; Psicologia clínica
ABSTRACT
Long-term affective bonds are associated with several benefits, with commitment being a key indicator of relationship quality. According to the Investment Model of Relationships, the main factors influencing commitment are satisfaction, investment, and availability of alternatives. Although widely studied, these constructs lack recent systematic syntheses. This study conducted a systematic review with meta-analysis, following PRISMA guidelines, to assess the association between these three factors and romantic commitment. Sixteen articles published between 2016 and 2020 were analyzed, selected from Scopus, Web of Science, PubMed, and PsycInfo databases, with a combined total of 10,644 participants. Results showed that satisfaction had the strongest association with commitment (r = 0.66), followed by investment (r = 0.51) and alternatives (r = –0.41). These findings support the continued validity of the Investment Model, even in light of the psychosocial changes that have shaped romantic relationships in recent decades.
Keywords: Satisfaction; Interpersonal relationships; Systematic review; Clinical psychology
A qualidade de uma relação íntima tem sido associada a diversos desfechos de saúde física e psíquica (Bokek-Cohen e Halamish-Leshem, 2024). O compromisso é um dos componentes centrais dos relacionamentos, pois está associado a comportamentos de cuidado e manutenção da relação, além de predizer sua estabilidade e qualidade (Dindia, 2000; Nascimento e Scorsolini-Comin, 2019). Compromisso pode ser definido como o desejo dos parceiros de investir na relação, tanto de forma objetiva quanto subjetiva, visando sua preservação (Eastwick e Joel, 2025; Surra e Hughes, 1997).
O processo que subjaz ao compromisso com relações amorosas é explicado na literatura por diferentes abordagens, baseadas, majoritariamente, na Teoria da Interdependência (Hare et al., 1959). A Teoria da Interdependência sugere que a decisão de manter ou terminar uma relação está relacionada ao quanto se depende dela. Segundo Caryl Rusbult e Paul Van Lange (1996), o surgimento desta interdependência está ligado a comportamentos favoráveis à relação e à evitação do prejuízo previsto, caso a relação termine. Como exemplos de modelos baseados nesta teoria, destacam-se: o Modelo de Coesão de George Levinger (1979), o Modelo Tripartido do Compromisso de Michael Johnson et al. (1999) e o Modelo de Investimento de Rusbult (1980), sendo este último modelo o arcabouço teórico investigado neste estudo.
O Modelo de Investimento (Rusbult, 1980) foi escolhido para a presente investigação pela sua robustez comprovada em mais de 30 anos de estudos aplicados a diversas áreas (Eastwick e Joel, 2025; Joel e Machia, 2024; Tran et al., 2019). Para este modelo, o compromisso possui três processos que influenciam os níveis de compromisso com a relação: satisfação, alternativas e investimento. A satisfação, muitas vezes, é tida na literatura como sinônimo de qualidade da relação (Rosado e Wagner, 2015). Etimologicamente, o termo deriva do latim: satis (“suficiente”) e facere (“fazer”), remetendo à ideia de prazer gerado pelo cumprimento de uma expectativa (Feijão e Morais, 2018). Para Shahla Nourani et al. (2019), a satisfação é um sentimento objetivo de prazer e contentamento experenciado pelo casal, acerca da sua relação, que engloba vários indicadores do convívio comum, como por exemplo, a sensação de sentir-se acompanhado e compreendido.
Em um relacionamento íntimo, a busca por alternativas pode refletir o desejo de encontrar maneiras diferentes de satisfazer necessidades, o que pode envolver considerar um novo relacionamento ou a possibilidade de ficar solteiro, caso o indivíduo acredite que suas demandas seriam melhor atendidas fora da dinâmica da relação em curso (Agnew, 2009; Eastwick e Joel, 2025; Joel et al., 2018). Assim, diz-se que o sujeito possui altos níveis de alternativas ao seu relacionamento; por outro lado, quando esta situação não ocorre e o sujeito satisfaz suas necessidades apenas dentro do relacionamento, ele possui baixos níveis de alternativas (Agnew, 2009). Logo, as alternativas disponíveis influenciam os níveis de compromisso porque afetam o quanto o sujeito depende da sua relação (Etcheverry e Agnew, 2004). Os níveis de investimento dizem respeito ao que cada parceiro investe na relação, seja este investimento intrínseco (ex. tempo gasto, emoções experienciadas, grau de autorrevelação) ou extrínseco (filhos juntos, conexões sociais, bens materiais conjuntos). Estes investimentos são uma forma de manter a relação, sendo que, quanto mais investimentos realizados, maior a probabilidade de continuação da relação (Arriaga e Agnew, 2001; Tan e Agnew, 2016).
Segundo o Modelo de Investimento (Rusbult, 1980), relações com alto compromisso são marcadas por elevada satisfação, baixo interesse por alternativas e alto investimento (Le e Agnew, 2003; Tran et al., 2019), que também atestam a eficácia da Escala do Modelo de Investimento (Rusbult et al., 1998). Por exemplo, Benjamin Le e Christopher Agnew (2003) realizaram uma meta-análise com mais de 50 mil participantes e identificaram que os componentes do modelo são preditores robustos do compromisso em diferentes faixas etárias, orientações sexuais e tipos de relacionamento. De modo mais recente, Tran et al. (2019) analisaram dados de casais em coabitação e casamentos em diversos países e encontraram que os efeitos do modelo se mantêm significativos mesmo quando controladas variáveis como duração do relacionamento, status de convivência e normas culturais.
Apesar de amplamente investigados em estudos transversais, esses construtos ainda carecem de sistematizações que consolidem os achados da área, ainda faltam revisões que sistematizem os principais achados e testem a robustez da teoria, tendo em vista todas as mudanças psicossociais na formação de parcerias amorosas verificadas nas últimas décadas. Entre essas mudanças estão o maior acesso a relações alternativas por meio de redes sociais e aplicativos, o crescimento das relações líquidas e não monogâmicas, e a indisposição do sujeito neoliberal, mais individualista, com os processos de construção amorosa (Becker et al., 2021).
A Escala do Modelo de Investimento (IMS), desenvolvida por Rusbult et al. (1998), tornou-se uma das formas mais estabelecidas de operacionalizar os conceitos do Modelo de Investimento. Essa medida foi desenvolvida para avaliar os quatro componentes centrais da teoria: satisfação, qualidade das alternativas, investimento e compromisso com o relacionamento. A escala é composta por itens autoaplicáveis, geralmente respondidos em formato Likert, e apresenta validação psicométrica em diversos contextos culturais, incluindo adaptações ao português (Rodrigues e Lopes, 2013).
Estudos demonstraram que a Escala do Modelo de Investimento apresenta bons indicadores de validade e consistência interna, sendo amplamente utilizada em pesquisas que visam compreender a dinâmica dos relacionamentos românticos em diferentes contextos relacionais, como uniões monogâmicas, não monogâmicas, heterossexuais e homossexuais (Joel et al., 2018; Tan e Agnew, 2016).
Para o presente estudo, foi realizada uma revisão sistemática de literatura acerca de associações entre os construtos do Modelo de Investimento (Rusbult et al., 1998). Realizamos uma meta-análise para avaliar a magnitude das correlações entre os construtos do modelo e o compromisso amoroso. A presente revisão sistemática incluiu estudos que utilizaram a Escala do Modelo de Investimento como ferramenta para medir os determinantes do nível de comprometimento em relacionamentos românticos. O recorte temporal da análise (2016–2020) teve como objetivo captar um retrato das dinâmicas relacionais anteriores à pandemia de COVID-19, oferecendo um ponto de referência para estudos futuros que investiguem possíveis transformações nas relações amorosas em contextos pós-pandêmicos.
Trata-se de um estudo de revisão sistemática da literatura, com posterior meta-análise, em que foram selecionados artigos recentes que utilizaram a Escala do Modelo de Investimento de Rusbult (Rusbult et al., 1998) para avaliar os determinantes do nível de compromisso nas relações amorosas. A busca foi limitada ao período de publicação de 2016 até o primeiro semestre de 2020. Tal estratégia visou minimizar os vieses já documentados na literatura em relação à pandemia do coronavírus, especialmente no tocante às medidas de distanciamento social e o aumento do tempo de uso das redes sociais (Pietromonaco e Overall, 2021; Stanley e Markman, 2020).
Para a realização deste estudo, foram seguidas as recomendações do documento Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) (Moher et al., 2010), que tem por objetivo aumentar a validade interna do estudo e uniformizar os trabalhos de revisões sistemáticas. Neste trabalho, buscou-se responder a seguinte pergunta: “Qual é o tamanho de efeito das correlações entre os determinantes do Modelo de Investimento de Rusbult (1980) no nível de compromisso com a relação amorosa?”.
Na condução da investigação, foram estabelecidos critérios de inclusão e exclusão, que serviram como parâmetros para a seleção dos estudos contendo informações úteis para a análise proposta. Para a inclusão, além da delimitação temporal, estabeleceram-se critérios como a natureza da pesquisa (empírica), veículo (ou seja, que adotassem o método de revisão por pares) e idioma (redigidos em português, inglês ou espanhol), além de que tivessem adotado o Questionário do Modelo de Investimento de Rusbult (Rusbult et al., 1998), de forma completa e apresentasse correlação r de Pearson entre as variáveis do modelo. Foram excluídos os artigos em outras línguas, com impossibilidade de acesso ao texto completo, estudos não revisados por pares (teses, dissertações, apresentações, capítulos de livros e livros) e aqueles que usavam apenas uma subescala do modelo.
As buscas foram limitadas aos estudos publicados até julho de 2020 e incluíram as bases de dados Scopus, Web of Science, PsycInfo e PubMed. Essas bases de dados foram escolhidas pela sua relevância e confiabilidade científica, contendo estudos das áreas sociais e da saúde. A busca foi realizada em inglês com os termos: “investment model”, “investment AND anternatives AND satisfaction”; em português: “modelo de investimento”, “investimento AND alternativas AND satisfação”; e em espanhol: “modelo de inversión”, “inversión AND alternativas AND satisfacción”. Além destes, se pesquisou por “Rusbult 1980 OR Rusbult 1983” com o objetivo de recuperar todos os artigos que tenham citado os estudos originais de Rusbult acerca do modelo.
A seleção dos artigos, a extração dos dados e a análise dos principais resultados foram conduzidas por dois juízes independentes, considerando os critérios de inclusão e exclusão apresentados anteriormente. Foram excluídos os artigos que estavam indexados em mais de uma base de dados; em seguida, os resumos dos artigos selecionados na busca foram analisados e foram excluídos aqueles que não se encaixavam nos critérios de inclusão. Na terceira etapa, os artigos resultantes foram lidos de forma completa, o que resultou em mais algumas exclusões. Por fim, houve a verificação da concordância entre os juízes e o envio dos artigos em discordância para um terceiro juiz. As seguintes categorias de análise foram avaliadas: autoria do artigo, ano de publicação, país em que os dados foram coletados, principais resultados e conclusões.
Para a avaliação do tamanho do efeito das correlações entre os construtos da Teoria do Modelo de Investimento de Rusbult (1980), se utilizou o pacote MAJOR, via software Jamovi (v. 2.6.23). Também foi avaliado o viés de publicação utilizando o Gráfico de Funil como representação gráfica do Z de Fisher e a heterogeneidade através do I², representado pelo I², que indica a porcentagem de variação entre os estudos. Segundo Ambika Krishnakumar e Cheryl Buehler (2000), a heterogeneidade é considerada moderada se ela se encontra entre 50 e 75% e alta quando é acima de 75%.
A busca nas bases de dados resultou em um total de 1976 artigos, sendo eles 237 pertencentes ao PsycInfo, 1094 ao Scopus, 561 ao Web of Science e 84 ao PubMed. Destes, 596 foram excluídos por duplicidade entre as bases de dados e 1380 escolhidos para leitura do resumo. Após a leitura dos resumos, restaram 149 que foram selecionados para leitura completa por abordarem de alguma forma o modelo de investimento; entretanto, após a leitura destes, apenas 16 artigos foram incluídos para a meta-análise por terem usado toda a escala do modelo de investimento e apresentado correlações entre suas variáveis, como pode se observar na Figura 1.
Figura 1. Fluxograma do processo de seleção dos artigos

A grande quantidade de artigos excluídos se explica pelo fato de a busca ter retornado muitos artigos sobre investimento nas áreas econômica e energética, além de compromisso no contexto organizacional. Os 16 restantes tiveram seus dados extraídos (Tabela 1).
Tabela 1. Caracterização dos estudos incluídos na meta-análise
Ref. e país |
Objetivo |
Resultados |
Barrantes et al. (2017) – EUA |
Examinar como a atitude negativa frente a homoafetivos, identidade sexual, abertura e discriminação no trabalho afeta os antecedentes do modelo de investimento: satisfação, qualidade de alternativas e investimento. |
A revelação da identidade sexual afeta positivamente a satisfação no relacionamento e o investimento; a homonegatividade internalizada afeta negativamente a satisfação do relacionamento e o investimento. Ainda, a discriminação no local de trabalho esteve negativamente associada à qualidade das alternativas nos relacionamentos. A satisfação do relacionamento e o investimento influenciaram o comprometimento, que foi preditor da persistência do relacionamento ao longo do tempo. |
Coy et al. (2019) – EUA |
Investigar a influência dos investimentos do parceiro no compromisso com a relação. |
Maiores investimentos de parceiros estiveram correlacionados a um maior comprometimento individual. Investimentos relatados pelos parceiros previram o compromisso de forma independente, distinto dos investimentos percebidos pelos parceiros. Os resultados demonstraram que os investimentos percebidos dos parceiros mediaram a relação entre o investimento manipulado do parceiro e o compromisso. Ademais, a duração do relacionamento teve um efeito mínimo na importância dos investimentos dos parceiros como preditor de comprometimento. |
Davis e Weigel (2020) – EUA |
Testar a hipótese de que a interdependência cognitiva é conectada com as expressões diárias de compromisso. |
Compromisso mais forte se correlacionou com pensamentos de relacionamento mais positivos, além de encontrar uma mediação entre comprometimento, interdependência cognitiva e a satisfação com o relacionamento. |
Hadden et al. (2019) – EUA |
Testar se o modelo de investimento consegue predizer as respostas individuais de categorização da relação no decorrer do tempo. |
Os resultados indicaram que a auto categorização do relacionamento se correlacionou com as variáveis do modelo de investimento e que mudanças na categorização do relacionamento estiveram associadas a mudanças simultâneas nos fatores do modelo de investimento. |
Joel et al. (2018) – EUA |
Examinar se o sentimento do parceiro tem poder na decisão de as pessoas permanecerem ou deixarem a relação. |
O estudo descobriu que o comprometimento percebido do parceiro reduz significativamente a probabilidade de pensamentos de separação. Ainda, razões de curto prazo para manter relacionamentos foram mais influentes do que razões de longo prazo. Aqueles que tinham menos probabilidade de se separar acreditavam que seu parceiro estava altamente comprometido. |
Lane et al. (2016) – EUA |
Explorar a relação entre as relações on line e co-geradas on line e a força das características da relação amorosa “offline”. |
Os achados mostraram que indivíduos que divulgam seu status de relacionamento no Facebook relataram maior satisfação e comprometimento do que aqueles que não divulgam. Ademais, relacionamentos divulgados estiveram associados à menor qualidade percebida das alternativas e a um maior investimento no relacionamento. |
Lemay (2016) – EUA |
Testar o modelo preditivo do compromisso com a relação. |
O estudo mostrou que a satisfação prevista foi preditora do compromisso com o relacionamento e do comportamento pró-relacionamento, bem como que a magnitude do investimento afeta inversamente a satisfação prevista. Por outro lado, a satisfação e a qualidade das alternativas não afetaram diretamente o compromisso. |
Pfund et al. (2020) – EUA |
Investigar a extensão do senso de propósito e sua associação com as variáveis desejadas em um relacionamento, como compromisso, satisfação, investimento e alternativas. |
O senso de propósito esteve correlacionado com a satisfação e o comprometimento do relacionamento. O tamanho do investimento esteve positivamente associado ao senso de propósito com a relação. |
Platt (2020) – EUA |
Investigar quais variáveis predizem o compromisso em uma amostra de mulheres cis em relacionamento com um parceiro transgênero. |
A satisfação mediou a relação entre resiliência, anos de relacionamento e comprometimento. Ainda, identificou-se que relacionamentos mais longos antes da transição de gênero foram aqueles que relataram menor satisfação e comprometimento. |
Reeder e Hart (2019) – EUA |
Usar a teoria da interdependência e o modelo de investimento para entender o impacto da intenção conjugal em casais que vivem juntos e namorados. |
O estudo encontrou uma correlação positiva entre interdependência cognitiva e comprometimento. Especificamente, duas medidas de interdependência cognitiva — interconexão e centralidade do relacionamento — foram positivamente correlacionadas com o nível de comprometimento. A interconexão e a centralidade do relacionamento também foram positivamente correlacionadas com a satisfação do relacionamento e o tamanho do investimento. Todavia, a interconexão e a centralidade do relacionamento mostraram uma correlação negativa significativa com a qualidade percebida das alternativas. |
Rodrigues et al. (2016) – Portugal |
Estender a pesquisa sobre o suporte social, examinando suas associações com os relacionamentos amorosos durante a juventude. |
Verificou-se que o apoio percebido dos pais e dos amigos esteve correlacionado com indicadores de qualidade do relacionamento em ambas as faixas etárias da pesquisa. |
Rodrigues et al. (2018) – Portugal |
Estender o modelo de investimento ao integrar a coabitação e as fontes de suporte social e familiar como fatores que podem ajudar a entender as relações homoafetivas. |
Verificou-se que a coabitação está positivamente associada à percepção do apoio social de pais e amigos de gays e lésbicas. Indivíduos que coabitam relataram maior apoio dos pais e amigos, maior satisfação, maiores investimentos e maior comprometimento em comparação com indivíduos que não coabitam. |
Segal e Fraley (2016) – EUA |
Integrar o modelo de investimento com perspectivas contemporâneas sobre o apego e percepção de responsividade do parceiro. |
Indivíduos que percebiam seus parceiros como mais responsivos tendiam a ficar mais satisfeitos em seus relacionamentos, mais investidos e viam as alternativas como menos atraentes. Nas semanas em que os indivíduos perceberam que seus parceiros eram mais receptivos, eles relataram maior satisfação e investimento em seus relacionamentos, e perceberam as alternativas como menos atraentes. Ainda, nos níveis interpessoal e intrapessoal, a capacidade de resposta percebida do parceiro influenciou indiretamente o comprometimento do relacionamento por meio de seus efeitos na satisfação, no investimento e na qualidade das alternativas. |
Investigar se qualidade de alternativas, investimento e satisfação na relação virtual pode mediar a associação entre a intensidade do relacionamento on-line e o compromisso. |
A intensidade do namoro online foi associada positivamente a um maior compromisso com um parceiro, sendo mediada pela qualidade das alternativas, investimentos e satisfação com o relacionamento de namoro online. Também, a intensidade do namoro online previu positivamente a qualidade percebida das alternativas, mas isso, por sua vez, previu negativamente o compromisso. |
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Examinar a associação entre as expectativas românticas frustradas e as que se concretizaram usando um modelo estrutural do investimento. |
Expectativas românticas não atendidas com base em um relacionamento ideal foram significativamente associadas à menor satisfação e comprometimento com o relacionamento, estando associadas a um menor investimento no relacionamento. Os autores também reportaram que expectativas românticas não atendidas com base em um relacionamento alternativo potencial foram associadas a menor satisfação com o relacionamento, investimento e comprometimento. |
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Yuan e Weiser (2019) – EUA |
Investigar como atitudes frente ao divórcio são relacionadas com a decisão do divórcio usando o modelo de investimento. |
As variáveis gênero, renda pessoal, tipo de infidelidade, qualidade das alternativas, compromisso e atitudes de divórcio estiveram associados à decisão de permanecer ou sair de um relacionamento. Participantes com alternativas percebidas mais baixas ou maior comprometimento tiveram maior probabilidade de permanecer no casamento. Além disso, aqueles que viam o divórcio como mais estigmatizado demonstram maior probabilidade de ficar na relação. |
Como se pode observar, a grande maioria dos estudos teve como base os Estados Unidos (n = 14). Alguns destes possuíam parceria com coautores de outros países, a exemplo do Canadá e Austrália, mas o primeiro autor permanecia sendo americano. Além destes, surgiram estudos em Portugal (n = 2). Os artigos selecionados foram publicados entre 2016 e o primeiro semestre de 2020.
Após a extração dos principais dados dos artigos selecionados, procedeu-se com a meta-análise de cada antecedente do compromisso encontrado no Modelo de Investimento, sendo assim realizadas: a meta-análise para avaliar o tamanho de efeito da satisfação no compromisso, da qualidade das alternativas no compromisso e do tamanho de investimento no compromisso.
Para esta análise foram consideradas as correlações entre satisfação e compromisso apresentadas nos 16 artigos anteriormente citados. A magnitude da heterogeneidade dos estudos, ou seja, a variabilidade entre os estudos em relação à estimativa do tamanho de efeito, foi avaliada através do I², apresentando alta heterogeneidade (I² = 90,69). Através do índice Z de Fisher e representada através do Gráfico de Funil (funnel plot), se averiguou o possível viés de publicação (Figura 2).
Figura 2. Gráfico de Funil para a relação entre satisfação e compromisso

A assimetria exibida nos estudos por meio do gráfico de funil indica a presença de viés de publicação. Isso sugere que pesquisas de menor escala, com baixa prevalência ou resultados divergentes da teoria estabelecida, possivelmente não foram publicadas. Em seguida, apresenta-se o resultado da meta-análise em si, detalhando as correlações encontradas em cada estudo, o tamanho da amostra e o gráfico de floresta, que representa visualmente os resultados da análise (ver Figura 3).
Figura 3. Gráfico de Floresta para a relação entre satisfação e compromisso

Como é possível observar, o resultado sugere que o tamanho do efeito da satisfação no compromisso é moderado [r Meta-análise = 0,660 (IC 95% = 0,64 – 0,67); p < 0,001)]. Com a exceção de um estudo, as correlações entre satisfação e compromisso são de moderadas a altas, sendo o estudo de Samantha Joel et al. (2018) o de maior peso para a meta-análise (49,8), sendo um dos estudos que se igualou ao resultado da meta-análise, e o de menor peso o de Renzo Barrantes et al. (2017) com o peso de 8,43.
Assim como a meta-análise anterior, esta utilizou os mesmos 16 estudos e se utilizou do Z de Fisher para avaliação do viés de publicação representada na Figura 4, onde se pode observar a existência de viés de publicação pela assimetria no gráfico de funil.
Figura 4. Gráfico de Funil para a relação entre alternativas e compromisso

Para o tamanho do efeito da qualidade de alternativas que o sujeito possui e o compromisso, novamente surgiu uma relação moderada, desta vez negativa [r Meta-análise = -0,41 (IC 95% = 0,43 – 0,39); p < 0,001)]. A coleção de estudos que formam esta meta-análise apresentou alta heterogeneidade (I² = 89,16).
No que diz respeito ao peso dos estudos (ver Figura 5), o estudo de maior contributo foi o de Joel et al. (2018) com um valor de Z = -27,3. Nesta meta-análise, um estudo não foi significativo, o realizado por Liesel Sharabi e Elisabeth Timmermans (2020) com um p = 0,154. Além do valor de p, pode-se atestar a nulidade dos estudos ao observar a floresta no gráfico que mostra que o estudo corta a linha vertical no ponto zero.
Figura 5. Gráfico de Floresta para a relação entre alternativas e compromisso

Por fim, foi realizada a meta-análise com o objetivo de conhecer o tamanho do efeito das correlações entre o nível de investimento e o grau de compromisso com a relação amorosa. Nesta análise, a Heterogeneidade foi de I² = 92,19, demonstrando a maior heterogeneidade deste cálculo em comparação aos anteriores. Além disto, pode-se observar a presença de viés no gráfico de funil gerado a partir do Z de Fisher (Figura 6).
Figura 6. Gráfico de Funil para a relação entre investimento e compromisso

Quanto ao resultado da meta-análise (Figura 7), todos os estudos foram válidos para a análise, logo que nenhum deles cortou a linha vertical do ponto zero, apesar de o estudo de Lisa Platt (2020) ter sido o que mais se aproximou (p = 0,008) e o que menos contribuiu para a meta-análise (2,63).
Figura 7. Gráfico de Floresta para a relação entre investimento e compromisso

O estudo de maior peso foi, novamente, o de Joel et al. (2018), com o melhor intervalo de confiança e o resultado mais próximo da meta-análise que foi de [r Meta-análise = 0,51 (IC 95% = 0,49 – 0,52); p < 0,001)].
Este estudo teve por objetivo realizar uma revisão sistemática da literatura recente que usou a escala do Modelo de Investimento de Rusbult (Rusbult et al., 1998) e realizar um estudo meta-analítico do tamanho do efeito das correlações entre o nível de satisfação, de investimento e de busca por alternativas e o nível de compromisso com a relação amorosa. Foram selecionados 16 artigos, e todos eles foram incluídos na análise.
A maioria dos estudos publicados avaliaram as variáveis do Modelo de Investimento de Rusbult em participantes norte-americanos (14), e dois estudos avaliaram participantes portugueses. Embora haja indícios de usos tanto na Europa e na América do Sul, a predominância do modelo em publicações norte-americanas é notável. Tal fato pode ser compreendido ao analisar a trajetória de sua idealizadora e a posterior disseminação. Com efeito, Caryl Rusbult, pelo fato de ser norte-americana, possivelmente influenciou a maior adesão ao seu modelo por cientistas próximos.
O tamanho total da amostra dos estudos foi significativo, abrangendo 10.644 participantes no total. O estudo com o menor número de participantes foi o de Edward Lemay (2016), com 92 participantes, enquanto o estudo de Joel et al. (2018) apresentou a maior amostra, com expressivos 3.952 indivíduos. Assim, a grande quantidade de participantes no estudo de Joel et al. (2018) resultou em maior contribuição nos três cálculos meta-analíticos realizados. Além da considerável variabilidade entre os estudos em relação ao número de participantes, também se observou diversidade nos objetivos de cada estudo e, consequentemente, nos métodos de inclusão e exclusão de participantes. Essa variabilidade refletiu-se no resultado da análise de heterogeneidade, onde os três cálculos de meta-análise realizados apresentaram alta heterogeneidade.
Quanto ao resultado da meta-análise, pode-se observar que os três antecedentes apontados no modelo possuem um tamanho de efeito significativo sobre o compromisso. O resultado apontou uma meta-análise de 0,66 para a satisfação, —0,41 para alternativas e 0,51 para investimentos. Este resultado é congruente com as meta-análises previamente realizadas (Le e Agnew, 2003; Tran et al., 2019) e sugere confirmação da teoria, ao passo que indica que quanto mais satisfação e investimentos, maior o compromisso; e quanto mais alternativas, menor o compromisso (Rusbult, 1980).
A satisfação se apresenta como maior contribuinte para a variação do nível de compromisso, o que pode sugerir que fatores internos do sujeito são mais expressivos que fatores externos (como a existência de alternativas ou o quanto investiu) em sua influência (Le e Agnew, 2003). Outra explicação para este fato é a de que a satisfação é um dos fatores mais importantes para o sucesso de uma relação (Fowers e Olson, 1993). Com efeito, uma relação conjugal satisfatória proporciona ao casal apoio emocional, financeiro e material, além de mediar a interação dos indivíduos com o ambiente social, o que retroalimenta a tendência de que o investimento em relações tende a aumentar ao longo do tempo (Andrade e Egert, 2018; Joel e Machia, 2024).
Todavia, não se deve excluir a importância das alternativas e dos investimentos. Apesar de apresentar um coeficiente de correlação menor, a literatura aponta que os investimentos são capazes de manter os níveis de compromisso, uma vez que ao terminar a relação se perderia todo o investimento realizado. Desta forma, o sujeito prefere manter uma relação com baixa satisfação do que perder o que foi investido (Rusbult, 1983). Quanto às alternativas, uma opção mais atraente o suficiente pode levar o sujeito a deixar o seu relacionamento, assim como a ausência de qualquer alternativa pode levar o sujeito a se manter em uma relação pela inexistência de opções (Le e Agnew, 2003).
Esses resultados trazem importantes implicações teóricas para o avanço da compreensão do Modelo de Investimento. Ao reunir evidências empíricas recentes que empregaram a Escala do Modelo de Investimento (Rusbult et al., 1998), o presente estudo permite observar a consistência dos efeitos dos três antecedentes clássicos (satisfação, alternativas e investimento) sobre o compromisso ao longo do tempo e em diferentes contextos culturais e metodológicos. Essa estabilidade dos efeitos, mesmo diante da diversidade de amostras e delineamentos, reforça a robustez do modelo teórico proposto por Rusbult e a confiabilidade da escala enquanto ferramenta válida de mensuração. Além disso, ao delimitar o período pré-pandêmico, este trabalho fornece um ponto de referência teórico e empírico para futuras comparações que investiguem o impacto de mudanças culturais, tecnológicas e sociais sobre a validade e aplicabilidade do modelo. Em termos práticos, os achados também podem subsidiar intervenções em contextos clínicos e educacionais ao evidenciar que o fortalecimento da satisfação e a valorização de investimentos prévios são componentes-chave para a promoção da estabilidade relacional.
Embora nossos objetivos tenham sido alcançados, faz-se necessário apontar a existência de limitações em nosso estudo. Para atingir o objetivo de analisar artigos que correlacionam os quatro construtos do modelo de investimento, foram excluídos estudos que, apesar de utilizarem a escala, não apresentavam as correlações esperadas ou não a utilizaram integralmente. Recomenda-se, portanto, uma revisão sistemática mais abrangente, focada nas diversas formas de aplicação da escala, total ou parcial. A busca por trabalhos não publicados em repositórios e bibliotecas universitárias também é sugerida, pois pode mitigar o viés identificado ao incluir tais estudos na análise. Ademais, as análises subsequentes que considerem processos de mudança e estabilidade dos achados em razão da pandemia de Covid-19 (Pietromonaco e Overall, 2021; Stanley e Markman, 2020) poderão ser úteis para testar a robustez do modelo, além de sugerir possíveis adequações.
Além disso, todos os estudos selecionados analisaram as variáveis de interesse em países desenvolvidos do hemisfério norte, em indivíduos heterossexuais, brancos, monogâmicos e orientados por princípios do cristianismo. Portanto, generalizações de nossos resultados devem ser analisadas com cautela, considerando as especificidades dos participantes dos estudos selecionados. Nesse sentido, recomendamos estudos futuros em que o Modelo de Investimento de Rusbult (1980) seja testado na população LGBTT, em outras representações étnico-raciais e em participantes de países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento.
Por fim, embora este estudo tenha identificado alta heterogeneidade nas análises (I² > 89%), essa variabilidade pode refletir não apenas diferenças no tamanho amostral ou nos delineamentos metodológicos, mas também fatores como a idade média dos participantes, o tempo de relacionamento e o contexto sociocultural (por exemplo, diferença entre países). Futuras meta-análises poderão empregar análises de moderadores para testar formalmente essas hipóteses. Além disso, a predominância de estudos com participantes ocidentais, brancos, heterossexuais e monogâmicos delimita claramente o escopo empírico da presente revisão. Nesse sentido, os achados aqui relatados confirmam de forma robusta a adequação do Modelo de Investimento dentro desse perfil populacional específico, ao mesmo tempo em que reforçam a urgência de sua testagem em populações com maior diversidade étnico-racial, sexual e sociocultural, contribuindo para o refinamento e expansão teórica do modelo.
Nossos principais resultados indicaram, com base na análise conjunta de resultados de 16 estudos que utilizaram a Escala de Investimento nas Relações em mais de dez mil participantes, correlações positivas e significativas entre o nível de satisfação e investimento na relação amorosa e o nível de compromisso. Indicaram também correlações negativas e significativas entre a busca de alternativas à relação e o nível de compromisso. Nossos achados corroboraram estudos de revisão sistemática e meta-análises anteriores, o que indica que, para o perfil de participantes avaliados, mesmo com todas as mudanças psicossociais na formação de parcerias amorosas verificadas nas últimas décadas, a Teoria do Modelo de Investimento nas Relações permanece adequada como construto teórico.
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IARA DO NASCIMENTO TEIXEIRA
Psicóloga e mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Atualmente, é doutoranda em Psicologia Aplicada pela Universidade do Minho.
iarateixeiraint@gmail.com
https://orcid.org/0000-0001-7931-4237
FELIPE ALCKMIN-CARVALHO
Psicólogo formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2011) em São Paulo, Brasil. Possui mestrado (2012) e doutorado (2018) em Psicologia Clínica pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP). Atualmente, é professor visitante no Departamento de Psicologia e Educação da Universidade da Beira Interior (UBI), Covilhã, Portugal.
felipealckminc@gmail.com
https://orcid.org/0000-0002-0203-2650
GUILHERME WELTER WENDT
Psicólogo (PUCRS), mestre em Psicologia Clínica (UNISINOS) e doutor em Psicologia (Universidade de Londres), com pós-doutorado em Psicologia do Desenvolvimento e da Personalidade (UFRGS). Docente e pesquisador na Universidade Estadual do Oeste do Paraná, onde lidera o LAPEDI. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq.
guilhermewwendt@gmail.com
https://orcid.org/0000-0002-9014-6120
SANDRA ELISA DE ASSIS FREIRE
Psicóloga, doutora em Psicologia Social pela UFPB, é professora associada da Universidade Federal do Delta do Parnaíba e pesquisadora do mestrado em Psicologia da UFDPar.
sandraelisafreire@gmail.com
https://orcid.org/0000-0003-1083-6963
FORMATO DE CITACIÓN
Teixeira, Iara do Nascimento; Alckmin-Carvalho, Felipe; Wendt Guilherme, Welter, & Freire, Sandra Elisa de Assis. (2026). O que determina o compromisso amoroso? Revisão sistemática e meta-análise dos fatores do Modelo de Investimento. Quaderns de Psicologia, 28(2), e2353. https://doi.org/10.5565/rev/qpsicologia.2353
HISTORIA EDITORIAL
Recibido: 2025-06-26
1ª revisión: 2025-07-23
Aceptado: 2025-07-26
Publicado: 2026-08-17