Quaderns de Psicologia | 2026, Vol. 28, Nro. 1, e2263 | ISSN: 0211-3481 | 
https://doi.org/10.5565/rev/qpsicologia.2263

Gender, Ageism, and Informality: The Work of Baggers Over 45 Years Old
Raquel Gomes Lopes Carneiro
Centro Universitário 7 de Setembro (Uni7)
Mateus Estevam Medeiros-Costa
Universidade de Fortaleza (Unifor)
Ana Izabel Oliveira Lima
Universidade Potiguar (UnP)
Alda Karoline Lima da Silva
Centro Universitário do Rio Grande do Norte (UNI-RN)
RESUMO
A informalidade, o ageísmo e as desigualdades de gênero no mercado de trabalho são desafios estruturais que refletem as dinâmicas excludentes do capitalismo. Diante desse cenário, e alinhado à perspectiva interseccional das opressões, este estudo busca analisar os fatores que levam mulheres acima de 45 anos a optar pelo trabalho de sacoleiras. Trata-se de pesquisa de natureza qualitativa, baseada na abordagem de história de vida. O material coletado por meio das entrevistas foi transcrito e analisado com base na análise crítica do discurso, priorizando os processos de subjetivação das participantes e a relação entre seus relatos e o contexto social e cultural. A informalidade, romantizada como empreendedorismo, é frequentemente uma estratégia de sobrevivência diante das barreiras do mercado formal e do ageísmo. A precariedade, sobrecarga doméstica e exclusão social emergem como aspectos centrais dessa realidade.
Palavras-chave: Setor informal; Equidade de gênero; Etarismo; Teoria da história de vida
ABSTRACT
Informality, ageism, and gender inequalities in the labor market are structural challenges that reflect the exclusionary dynamics of capitalism. Given this scenario, and in line with the intersectional perspective of oppression, this study seeks to analyze the factors that lead women over 45 to choose to work as baggers. This is a qualitative study based on a life history approach. The material collected through interviews was transcribed and analyzed based on critical discourse analysis, prioritizing the participants' processes of subjectivation and the relationship between their accounts and the social and cultural context. Informality, romanticized as entrepreneurship, is often a survival strategy in the face of barriers in the formal market and ageism. Precariousness, domestic overload, and social exclusion emerge as central aspects of this reality.
Keywords: Informal sector; Gender equity; Ageism; Life history traits
A informalidade, o ageísmo e as desigualdades de gênero no mercado de trabalho são desafios estruturais que refletem dinâmicas excludentes do capitalismo. Embora sejam temas centrais para compreender as novas configurações do trabalho, carecem de maior atenção da comunidade científica devido à priorização de questões mais amplas. Além disso, uma abordagem interseccional, que examina como diferentes formas de opressão se entrelaçam, ainda é subutilizada em estudos sobre o trabalho, limitando a análise de fatores estruturais que perpetuam essas desigualdades (Batista e Mota, 2014; Costa et al., 2022; Dias e Serra, 2018; Faria et al., 2017; Leão e Gíglio, 2002).
A discriminação etária, também conhecida como ageísmo, é amplamente documentada nas sociedades ocidentais. Introduzido por Robert Neil Butler (1969), o termo descreve preconceitos e práticas discriminatórias baseadas na idade, com pessoas idosas, crianças e adolescentes. Ele engloba “uma repulsa pessoal e aversão ao envelhecimento, à doença e à deficiência, além do medo da impotência, da ‘inutilidade’ e da morte” (p. 243). O ageísmo afeta principalmente idosos e crianças, grupos considerados mais vulneráveis a práticas preconceituosas e exclusão social (Couto et al., 2009). No contexto de trabalho, o ageísmo afeta especialmente os trabalhadores mais velhos, prejudicando sua contratação, permanência e reintegração no mercado formal, principalmente em períodos de restrição (França et al., 2017).
Esse problema é agravado pelo envelhecimento populacional brasileiro, que reconfigura o mercado de trabalho ao impor barreiras à inserção de profissionais com mais de 45 anos (Corrêa, 2023; Nascimento, 2013). Além disso, observa-se o crescimento do grupo de indivíduos que nem trabalham, nem procuram trabalho e não são aposentados, conhecidos como “nen-nens” mais velhos (Camarano e Carvalho, 2015), o que evidencia um cenário de exclusão que se sobrepõe a outras desigualdades.
As mulheres nessa faixa etária enfrentam desafios ainda maiores, pois carregam o peso das desigualdades de gênero somadas à discriminação etária. Conforme Marcel Maggion Maia (2022), são as principais vítimas das novas formas de trabalho atípicas, caracterizadas pela precarização e informalidade. A sobrecarga doméstica intensifica essas desigualdades, levando muitas mulheres a adotarem estratégias alternativas de subsistência, como o empreendedorismo por necessidade. Apesar de sua promessa de autonomia, tal empreendedorismo frequentemente mascara o desemprego e a precarização, deslocando para os indivíduos a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso (Salgado e Bakker, 2017; Secco e Kovaleski, 2022).
Nesse contexto, o trabalho de sacoleira se apresenta como uma ocupação que vai além do simples “empreender”, é, antes de tudo, uma estratégia de sobre-viver. Trata-se de uma atividade predominantemente feminina, situada na lógica da informalidade e centrada na comercialização de itens como confecções e bijuterias. Embora atenda às necessidades econômicas, sua complexidade e as condições enfrentadas pelas trabalhadoras demandam análise mais aprofundada (Araújo et al., 2017).
Muitas dessas mulheres residem em grandes centros urbanos ou precisam se deslocar até eles para adquirir e negociar peças, produtos e roupas (Coletto, 2010; Lima e Gomes, 2022; Pimentel et al., 2011). Entre as feiras de roupas e confecções, destacam-se as realizadas em Fortaleza, objeto de diversos estudos (Araújo et al., 2017; Buhamra et al., 2023; Carvalho et al., 2016, 2019, 2020; Maciel et al., 2014; Nascimento, 2013; Sousa, 2015, 2016).
O Centro de Fortaleza, com longa tradição no comércio formal e informal, tem uma história marcada por feiras e vendas ambulantes desde os anos 1990. A Feira da Sé, inicialmente organizada por artesãos, transformou-se na Feira da Madrugada, diversificando produtos e ocupando ruas como a José Avelino, conhecida pelas condições precárias de trabalho e pelos danos ao patrimônio histórico tombado. Para organizar o comércio informal, foi criado o Centro Fashion Fortaleza, inaugurado em 2017. Esse empreendimento, resultado de parcerias público-privadas, consolidou-se como um importante ponto de comércio, atraindo milhares de visitantes, especialmente em datas festivas, com clientes de comércio de todo o Ceará, Norte e Nordeste, além de outras regiões do Brasil (Buhamra et al., 2023).
Além disso, as cadeias comerciais se expandem globalmente, incluindo sacoleiras cabo-verdianas que operam no mercado informal brasileiro. Esses circuitos também envolvem a comercialização de roupas, calçados e bijuterias, muitas vezes oriundos de Fortaleza (Reis Silva, 2011), assim como o comércio entre São Paulo e Angola, liderado por sacoleiras africanas (Vaz, 2013).
Diante desse cenário, e alinhado à perspectiva interseccional das opressões, este estudo busca analisar os fatores que levam mulheres acima de 45 anos a optar pelo trabalho de sacoleiras, com foco no setor de confecção do Centro Fashion Fortaleza, em Fortaleza/CE. Busca-se investigar como as dinâmicas relacionadas ao etarismo, gênero e informalidade interagem para moldar as vivências de trabalho dessas mulheres.
Em termos metodológicos, é imprescindível reconhecer que o ponto de vista pessoal do pesquisador inevitavelmente influencia o desenvolvimento da pesquisa. A seleção do público-alvo, portanto, não foi arbitrária, mas guiada por afetações pessoais e identificação, evidenciando um compromisso com uma abordagem mais sensível e inclusiva (Lane, 1989).
A abordagem exploratória adotada nesta pesquisa mostrou-se fundamental para compreender as vivências profissionais das participantes (Hoffman e Oliveira, 2009). Optou-se pela história de vida, uma vertente das pesquisas biográficas de natureza qualitativa, como metodologia principal para investigar as trajetórias profissionais das mulheres estudadas (Silva et al., 2007). Além disso, este estudo caracteriza-se por um delineamento transversal.
Ademais, vale destacar que toda pesquisa carrega um caráter interventivo, assim como toda intervenção requer pesquisa para se concretizar. Esse processo permite não apenas a coleta de informações sobre os trabalhadores e suas interações, mas também uma análise aprofundada dos componentes que integram esse complexo sistema de significados (Araujo e Santos, 2023).
As 10 entrevistadas tinham idades entre 45 e 66 anos, com média de 53 anos. Metade era casada e metade solteira, sendo que oito possuíam filhos, cujas idades variavam entre 9 e 37 anos. Quanto à escolaridade, observou-se uma diversidade que ia desde o ensino fundamental incompleto até o superior completo. Das entrevistadas, sete eram sacoleiras informais e três formais. A renda líquida mensal variou entre R$ 1.500,00 e R$ 12.000,00, embora as participantes tenham relatado dificuldade em calcular seus ganhos devido às oscilações e à falta de distinção entre faturamento e lucro (Tabela 1).
Tabela 1. Perfil sociodemográfico das entrevistadas
Entrevistada |
Idade |
Cor |
Escolaridade |
Estado civil |
Filhos |
Idade dos filhos |
Renda média |
Tempo no mercado trabalho |
Tempo no empreend. |
Tempo de negócio atual |
IDOM |
47 |
Parda |
Superior completo |
Casada |
3 |
09, 16, 25 |
12.000,00 |
20 anos |
4 |
4 |
IPS |
51 |
Parda |
Superior completo |
Solteira |
0 |
- |
4.000,00 |
28 anos |
3 |
4 |
VQR |
53 |
Parda |
Fundamental |
Casada |
3 |
31, 34, 35 |
6.000,00 |
34 anos |
4 |
4 |
CSV |
55 |
Parda |
Médio completo |
Casada |
2 |
17, 37 |
2.000,00 |
28 anos |
5 |
5 |
IDC |
58 |
Parda |
Meu |
Solteira |
2 |
28, 28 |
3.000,00 |
28 anos |
12 |
4 |
CM |
58 |
Parda |
Superior completo |
Casada |
3 |
31, 36 |
7.000,00 |
28 anos |
5 |
4 |
GSN |
45 |
Parda |
Superior incompleto |
Solteira |
3 |
15, 21, 23 |
4.000,00 |
10 anos |
3 |
4 |
FSS |
53 |
Parda |
Médio completo |
Casada |
1 |
17 |
2.000,00 |
17 anos |
17 |
5 |
BA |
57 |
Branca |
Superior completo |
Casada |
3 |
24, 27, 30 |
5.000,00 |
30 anos |
3 |
5 |
MBSR |
66 |
Negra |
Fundamental incompleto |
Solteira |
0 |
- |
2.000,00 |
30 anos |
17 |
5 |
O tempo de atuação na informalidade variou entre dois e 17 anos, e a permanência no Centro Fashion Fortaleza foi de um a cinco anos. A maioria se autodeclarou parda (oito), enquanto uma se identificou como branca e outra como negra. Para proteger a privacidade, as participantes foram identificadas apenas por suas iniciais (Tabela 1).
O número de participantes foi definido com base nos critérios de saturação dos dados. Essa saturação, entendida como o ponto em que a coleta não acrescenta novas informações relevantes para os objetivos do estudo, foi atingida após a 10ª entrevista, quando os dados passaram a apresentar padronizações temáticas suficientes para embasar as análises.
Essa técnica de história de vida fundamenta-se na narrativa como estratégia metodológica, possibilitando que as entrevistadas revisitem suas memórias de forma reflexiva, oferecendo-lhes um espaço para (re)significar suas experiências e compreender o momento presente de suas vidas. A escolha por essa abordagem é especialmente relevante devido à sua capacidade de captar nuances das trajetórias individuais, que poderiam ser perdidas em metodologias mais estruturadas ou menos focadas na subjetividade (Carreteiro e Barros, 2011).
Inspirada na técnica psicoterápica centrada na pessoa, de Carl Rogers, a entrevista foi definida pelo discurso livre das participantes e pela intervenção mínima do pesquisador, que atuou como facilitador, respeitando o ritmo e a direção dada por cada entrevistada. Essa metodologia garantiu a naturalidade das informações, evitando julgamentos de valor e acolhendo conteúdos que eventualmente extrapolassem o contexto da pesquisa (Hoffman e Oliveira, 2009).
As entrevistas foram conduzidas de forma flexível, com um roteiro semiestruturado que funcionou como guia, conferindo autonomia aos participantes para direcionarem suas narrativas (Viana e Machado, 2011). O procedimento buscou criar um ambiente em que as entrevistadas se sentissem à vontade para compartilhar suas histórias, com a seguinte questão norteadora: “Fale sobre sua história profissional a partir do seu primeiro trabalho até o momento atual”. Essa abordagem permitiu que emergissem narrativas espontâneas e reflexivas, fundamentais para atender aos objetivos do estudo (Kauark et al., 2010; Moura e Ferreira, 2005). As entrevistas presenciais também permitiram a construção de vínculos e a percepção de elementos não verbais, como expressões corporais, além de considerar o contexto e interferências externas.
Este estudo foi realizado no Centro Fashion Fortaleza, localizado na Avenida Philomeno Gomes, 430, bairro Jacarecanga, em Fortaleza/CE. As entrevistas ocorreram no shopping, uma vez que os participantes relataram indisponibilidade para encontros em outros locais, devido à falta de tempo ou à distância de suas residências. Embora o ambiente dos corredores do Centro Fashion Fortaleza possa ser considerado tumultuado, as entrevistas foram pré-agendadas, e a primeira autora buscou locais menos movimentados dentro das galerias, onde era possível sentar e garantir um mínimo de privacidade e conforto para as participantes.
O foco da pesquisa foram mulheres, caracterizadas por pequenos negócios gerenciados majoritariamente por proprietários próprios, sem funcionários. Os critérios de seleção incluíram o sexo feminino e a idade mínima de 45 anos, alinhados ao objetivo do estudo. Após a triagem inicial, as participantes foram abordadas com uma apresentação da pesquisa e um convite formal para participação. Foi utilizado como forma de registro a opção de gravação de voz com o auxílio do aplicativo notas de voz, do aparelho celular iPhone 11 Pro Max. O tempo médio de cada entrevista variou entre 45 minutos e 1h10min, permitindo que as participantes compartilhassem suas histórias de maneira mais detalhada e reflexiva.
A escolha pela abordagem qualitativa, em particular a história de vida, se deu pela busca de compreender as trajetórias individuais e subjetivas das participantes, aspectos que um instrumento quantitativo não conseguiria captar com a mesma profundidade.
As entrevistas foram transcritas e submetidas a uma análise crítica do discurso (Misoczky, 2005), priorizando os processos de subjetivação das participantes e a relação entre seus relatos e o contexto social e cultural. Esse processo incluiu a leitura sistemática e reiterada do material transcrito, com retornos às gravações para aprofundar a interpretação de trechos mais densos. Inicialmente, foram destacadas unidades de análise com base nas falas das entrevistadas. Após comparações entre os relatos, essas unidades foram refinadas, renomeadas e agrupadas, culminando em núcleos de sentidos (Viana e Machado, 2011).
Os núcleos de sentido foram definidos considerando três critérios principais: frequência das ideias centrais, relevância temática para os objetivos do estudo e representatividade do conjunto de narrativas. Essa estratégia foi fundamental para garantir que os resultados estivessem alinhados às questões centrais da pesquisa e possibilitassem reflexões mais profundas sobre as trajetórias das participantes.
A coleta de dados envolveu a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), seguida da realização de entrevistas gravadas e transcritas para garantir a integridade das informações. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Potiguar (UnP), em conformidade com a Resolução nº 510/2016, com parecer nº 5.786.992 e registro na Plataforma Brasil sob o CAAE 63923522.2.0000.5296.
A análise dos resultados revelou dois núcleos de sentido principais que evidenciam as interseções entre o trabalho, a vida familiar e as desigualdades enfrentadas pelas mulheres no mercado de trabalho: “Família e trabalho feminino: um fardo desigual” e “A informalidade como estratégia de sobre-vivência em meio às desigualdades”. Esses núcleos foram construídos com base nas narrativas das entrevistadas e na literatura revisada, permitindo compreender como as experiências das mulheres no mundo do trabalho são condicionadas por dinâmicas estruturais e contextuais que perpetuam desigualdades e vulnerabilidades.
A inserção das mulheres no mercado de trabalho tem representado tanto conquistas quanto desafios, uma vez que, mesmo ocupando novos espaços, elas continuam sobrecarregadas pelos cuidados domésticos e familiares. Isso reflete a permanência de um modelo patriarcal que dificulta a conciliação entre as atividades de trabalho e privadas, impactando negativamente a saúde e a qualidade de vida das mulheres.
Rosa Maria Godoy Serpa Fonseca (2005) destaca que essa sobrecarga, presente tanto na esfera produtiva quanto na doméstica, reforça a desvalorização do trabalho feminino, triplicando sua carga de trabalho. No entanto, este estudo avança ao evidenciar como a interseccionalidade de gênero, raça e classe amplifica essas desigualdades, especialmente para mulheres negras e de baixa renda, que enfrentam barreiras adicionais no acesso a políticas públicas e redes de apoio. A fala da entrevistada DBOM ilustra as dificuldades enfrentadas:
O problema é a partir do momento que você tem filho, que um filho seu adoece, que você tem que ir, eles não querem saber. […] É uma luta você deixar um filho doente em casa na mão de outra pessoa e ir trabalhar (DBOM, entrevista pessoal, julho de 2024).
Esse relato, assim como os de outras entrevistadas, evidencia como o trabalho formal não oferece flexibilidade suficiente para atender às demandas familiares. Essas atividades surgem como uma alternativa para mulheres que estão afastadas do mercado formal, oferecendo a possibilidade de realizar um trabalho mais flexível que pode ser conciliado com as responsabilidades domésticas (Maciel et al., 2024). Muitas mulheres, como VOB e FSS, recorrem à informalidade para conciliar as responsabilidades:
Com 16 anos, já tive minha primeira filha, e nunca deu para trabalhar de carteira assinada (VOB, entrevista pessoal, julho de 2024).
É a questão do tempo, de cuidar da casa, de cuidar da família (FSS, entrevista pessoal, julho de 2024).
Nesse cenário, as mulheres enfrentam uma dupla jornada de trabalho, combinando responsabilidades produtivas e domésticas. Para aliviar essa carga, recorrem frequentemente a redes de apoio formadas por familiares em situação de vulnerabilidade ou empregadas domésticas. Apesar de essenciais, essas redes mostram-se insuficientes, como evidenciam os relatos de CV, BA e CM:
Meu marido me ajudava muito. […] Minha filha mais velha também ajudava (CV, entrevista pessoal, julho de 2024).
Não foi difícil porque eu tinha uma pessoa que cuidava das meninas (BA, entrevista pessoal, julho de 2024).
Meu pai ajudava muito com os netos, além de termos contratado babás (CM, entrevista pessoal, julho de 2024).
As narrativas apresentadas corroboram os resultados da revisão realizada por Meiridiane Domingues de Deus et al. (2021), que evidenciam uma sobrecarga desproporcional enfrentada pelas mães em comparação aos pais no cuidado com os filhos e nas tarefas domésticas, o que contribui para níveis elevados de estresse. As mães dedicam-se mais tempo às responsabilidades relacionadas à criação dos filhos, especialmente durante a transição para a parentalidade, quando necessitam conciliar o trabalho remunerado e o cuidado infantil. Estratégias como a flexibilização de horários, o apoio familiar, a contratação de serviços pagos e a maior participação dos companheiros são apontadas como medidas essenciais para aliviar essa sobrecarga.
Um aspecto relevante identificado neste núcleo é a constatação de que as redes informais de cuidado, frequentemente compostas por outras mulheres em situação de vulnerabilidade, perpetuam ciclos de exploração e desigualdade, achado semelhante ao observado por Suzane Carvalho Domingos (2021). Reconhece-se a importância do cuidado para a reprodução social e o desenvolvimento econômico. Entretanto, a ausência de uma organização social do cuidado perpetua a sobrecarga imposta às mulheres. As políticas públicas devem priorizar a redistribuição das tarefas domésticas e do cuidado familiar, mas isso também exige mudanças culturais profundas, que promovam uma divisão mais equitativa entre os gêneros. Sem transformações na mentalidade coletiva, a implementação de políticas será limitada em seu alcance, restringindo avanços concretos à equidade de gênero (Garcia e Marcondes, 2022).
No Brasil, a trajetória dos direitos das mulheres no trabalho pode ser dividida em três períodos. O primeiro, de transição entre proibição e proteção; o segundo, iniciado com a proteção e seguido pela promoção da igualdade, abrangendo o Estado Novo e o Congresso Constituinte; e o terceiro, a partir da Constituição de 1988, que consolida a igualdade de gênero no trabalho. O direito ao trabalho, como um direito fundamental, está garantido em documentos internacionais de proteção aos direitos humanos (Iora, 2016).
Contudo, para muitas mulheres, a informalidade representa menos uma escolha e mais uma estratégia de sobre-vivência diante das exigências familiares e das dificuldades impostas pelo mercado de trabalho. Fatores como baixa escolaridade, idade avançada e a necessidade de conciliar os cuidados com a casa e com os filhos contribuem para a entrada e permanência nesse setor. Segundo Virna Sancho Nascimento (2013), essas barreiras estruturais limitam as oportunidades no mercado formal, levando as mulheres a buscar alternativas mais compatíveis com suas realidades.
DBOM (entrevista pessoal, julho de 2024), por exemplo, relatou sua saída do trabalho formal após o nascimento do filho mais novo, destacando a discriminação por idade e maternidade: “Primeiro a idade, acima de 40 anos já é mais difícil. […] Entre quem tem filho e quem não tem, fica quem não tem”. A escolaridade também mostra um fator determinante.
A MESB (entrevista pessoal, julho de 2024) expressou o desejo de expandir seu trabalho, mas determinou as limitações impostas pela falta de qualificação: “Gostaria de expandir mais, ter outras coisas, saber como administrar, como lidar com funcionário”. GSN (entrevista pessoal, julho de 2024), por sua vez, revelou como as demandas dos familiares fizeram-na abandonar seus estudos, prejudicando suas chances de inserção no mercado formal: “Comecei a cuidar dos filhos, depois comecei a trabalhar. […] Ia voltar quando os filhos formados”.
Embora a informalidade ofereça alguma flexibilidade, ela também expõe as mulheres a condições precárias, renda instável e jornadas intensas. Apesar disso, alguns participantes apontaram vantagens pontuais, como a autonomia financeira e a possibilidade de obter rendimentos superiores ao mercado formal. MESB (entrevista pessoal, julho de 2024) comentou que gostava de ter dinheiro em mãos a qualquer momento, enquanto JFS (entrevista pessoal, julho de 2024) relatava que se sentia mais realizada trabalhando informalmente. Entretanto, essas aparentes vantagens não anulam a instabilidade vívida, como reflete o FSS (entrevista pessoal, julho de 2024): “Se eu não trabalhar, não entra dinheiro. […] A gente tem autonomia, mas precisa de disciplina”.
O discurso de “flexibilidade” do trabalho, longe de promover a autonomia, reforça a dependência das atividades historicamente femininas, restringindo a gestão do tempo e agravando a precarização. No contexto das redes informais de venda direta, os discursos institucionais promovem o empreendedorismo como empoderamento e desenvolvimento econômico, alinhando-se ao “novo espírito do capitalismo”. Contudo, esta retórica transfere os riscos e responsabilidades estruturais para as trabalhadoras, apresentando as condições desiguais sob uma aparente escolha individual (Rodrigues, 2022).
As desigualdades no mercado de trabalho brasileiro restringem a inserção das mulheres em empregos formais e as empurram para relações de trabalho precárias e informais. Além de políticas que promovam igualdade de oportunidades, é essencial compensar as bases estruturais que sustentam a informalidade, garantindo condições dignas de trabalho e proteção social para as mulheres que dependem desse setor. Avançar nessa direção exige não apenas enfrentar as barreiras estruturais do mercado, mas também investir em capacitação, assistência financeira e incentivos para transições mais seguras ao emprego formal (Mata et al., 2021; Olivera et al., 2021).
Este estudo avança ao demonstrar como a informalidade não é apenas uma resposta às limitações do mercado formal, mas também um espaço paradoxal de autonomia e precariedade. Por um lado, oferece flexibilidade para conciliar trabalho e cuidados familiares; por outro, expõe as mulheres a condições de trabalho instáveis e desprotegidas. Assim, os núcleos de sentido organizam a análise e sustentam o objetivo do estudo, permitindo compreender como as dinâmicas de trabalho e família estão interligadas e como as desigualdades de gênero perpetuam essas condições. A partir dessa análise, o estudo visa contribuir para o desenvolvimento de políticas que possam mitigar essas desigualdades e promover maior equidade no mercado de trabalho.
Este estudo expõe múltiplas camadas de desigualdade enfrentadas por mulheres com mais de 45 anos que atuam como sacoleiras no Centro Fashion Fortaleza. Sob uma perspectiva interseccional, foi possível observar como os marcadores de idade, gênero e informalidade interagem para moldar as experiências dessas mulheres, evidenciando um cenário marcado pela precariedade.
O trabalho de sacoleira, embora muitas vezes romantizado como empreendedorismo, surge como uma resposta às lacunas deixadas pelo mercado formal. Para essas mulheres, especialmente as que enfrentam barreiras adicionais como o ageísmo e a sobrecarga do trabalho doméstico, a informalidade representa menos uma escolha e mais uma estratégia de sobrevivência. Essa realidade reforça a necessidade de políticas públicas que promovam a equidade no mercado de trabalho, com atenção às especificidades dessas situações vulneráveis.
Apesar das contribuições apresentadas, o estudo possui algumas limitações que merecem destaque. A amostra utilizada pode não refletir toda a diversidade das populações ou contextos relacionados ao tema, limitando a generalização dos resultados. Além disso, fatores metodológicos, como o desenho transversal da pesquisa, restringem a possibilidade de estabelecer relações causais. É importante considerar também o possível impacto de vieses relacionados à coleta de dados, como os vieses de memória ou de desejabilidade social, que podem ter influenciado as respostas das participantes.
Diante disso, sugere-se a realização de novos estudos, com metodologias complementares, como abordagens longitudinais ou pesquisas qualitativas realizadas em grupo, e em contextos diferentes, a fim de aprofundar a compreensão sobre o tema. Estudos de levantamento quantitativo também podem ampliar a validade e aplicabilidade dos resultados, contribuindo para avanços teóricos e práticos na área.
Para tanto, os resultados deste estudo reforçam a urgência de incorporar análises interseccionais em pesquisas sobre trabalho e desigualdades. Mais do que descrever realidades, é preciso questionar os fatores estruturais que perpetuam a exclusão e a precarização. Só assim será possível promover um mercado de trabalho mais inclusivo e sustentável para a classe trabalhadora, principalmente para aqueles que estão nas margens da formalidade.
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RAQUEL GOMES LOPES CARNEIRO
Mestra em Psicologia pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Potiguar (UnP). Atualmente, é docente e coordenadora do curso de Psicologia do UNI7.
raquelglcarneiro@gmail.com
https://orcid.org/0000-0003-2895-7157
MATEUS ESTEVAM MEDEIROS-COSTA
Doutor em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Docente do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Unifor.
mateusestevam@gmail.com
https://orcid.org/0000-0003-2242-6259
ANA IZABEL OLIVEIRA LIMA
Doutora em Psicologia pela UFRN. Docente do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Potiguar (UnP).
anaizabel.psi@gmail.com
https://orcid.org/0000-0001-6755-5164
ALDA KAROLINE LIMA DA SILVA
Doutora em Psicologia pela UFRN. Docente do curso de Psicologia do Centro Universitário do Rio Grande do Norte (UNI-RN).
aldakarolinel@yahoo.com.br
https://orcid.org/0000-0001-7548-8897
FORMATO DE CITAÇÃO
Carneiro, Raquel Gomes Lopes; Medeiros-Costa, Mateus Estevam; Lima, Ana Izabel Oliveira, & Silva, Alda Karoline Lima da. (2026). Gênero, etarismo e informalidade: o trabalho de sacoleiras acima de 45 anos. Quaderns de Psicologia, 28(1), e2263. https://doi.org/10.5565/rev/qpsicologia.2263
HISTÓRIA EDITORIAL
Recebido: 3-1-2025
1ª revisão: 20-3-2025
Aceito: 23-3-2025
Publicado: 25-04-2026