Quaderns de Psicologia | 2022, Vol. 24, Nro. 1, e1798 | ISNN: 0211-3481 | 
https://doi.org/10.5565/rev/qpsicologia.1798

Handball excellence: the sport development process of world champion Brazilian athletes
Leilane Alves de Lima
Universidade Estadual de Campinas
Riller Silva Reverdito
Universidade do Estado de Mato Grosso
Alexandra Folle
Universidade Federal de Santa Catarina
Cristina Lopez de Subjana
Universidad Politécnica de Madrid
Larissa Rafaela Galatti
Universidade Estadual de Campinas
Resumo
O objetivo do estudo foi analisar o processo de desenvolvimento da carreira esportiva de atletas brasileiras campeãs do mundo de handebol. Estudo retrospectivo com foco nos principais episódios da iniciação ao esporte elite, na perspectiva das sete atletas. Os dados foram coletados através de entrevistas semiestruturadas individuais, e analisados pelo método da Análise Temática. Os resultados revelam que a carreira das atletas foi marcada por: iniciação diversificada no esporte; aumento de prática deliberada durante os anos de especialização; avanço precoce e rápido para os anos de investimento esportivo. Transições normativas e não normativas também foram identificadas, sendo mais evidentes a partir da transição para o esporte de elite. Além disso, o processo de desenvolvimento das atletas foi assistemático, expresso pela falta de organização e planejamento por parte de órgãos responsáveis pelo fomento da prática do handebol. Sendo o contexto escolar, um ambiente significativo para promover o acesso inicial ao handebol.
Palavras-chave: Handebol feminino; Desenvolvimento de atletas; Mulher; Desempenho
Abstract
The objective was to analyze the development process of the sports career of Brazilian athletes who are handball world champions. A retrospective study was carried out with seven athletes, focusing on the main episodes of the sports career, from initiation to elite sport. Data were collected through individual semi-structured interviews and was analyzed using the Thematic Analysis method. The results revealed that the athletes’ careers were marked by: diversified initiation in the sport; increase in deliberate practice during the years of specialization; early and rapid advance into the years of sports investment. Normative and non-normative transitions were also identified, being more evident from the transition to elite sport. In addition, the athletes’ development process was unsystematic, expressed by the lack of organization and planning by the bodies responsible for promoting handball practice. The school context represents a significant environment to promote access to handball.
Keywords: Female handball; Athletes’ development; Women; Efficiency
Carreira esportiva compreende um conjunto de atividades esportivas que se sucedem em estágios e transições desde a iniciação até o momento que atletas decidem encerrar a sua participação no esporte de maneira voluntária ou não, buscando atingir altos níveis de performance em um ou vários eventos esportivos (Stambulova e Wylleman, 2014). É um processo caracterizado por diferentes interferências (família, colegas, treinadores, contexto, atividade) e constantes mudanças, algumas possíveis de serem planejadas e organizadas previamente sem apresentar grandes riscos ou dificuldades para a carreira de atletas (transições normativas), ou que ocorrem de maneira inesperada e provocam problemas para lidar com essas situações – como lesões e mudanças de clube (transições não normativas) (Folle et al., 2016).
Em uma visão holística, compreende a carreira como “carreira de vida” (life career), que se desenvolve em fases (iniciação, especialização, investimento e manutenção), ao longo das quais atletas vivenciam experiências positivas e negativas que modelam sua carreira durante e após participação no esporte (Wylleman et al., 2004). Nessa perspectiva, são levados em consideração processos que visem o desenvolvimento da carreira do atleta e a interação com outras esferas de sua vida (domínio psicológico, psicossocial, acadêmico/vocacional), caracterizando um processo dinâmico e não-linear (Massa et al., 2010; Matos et al., 2011).
A carreira de atletas pode se desenvolver em diferentes contextos esportivos (regionais, nacionais e internacionais), tanto amadores quanto profissionais. O engajamento e permanência nesses contextos demandam de atletas a capacidade de lidar com diferentes níveis competitivos e de cobrança de performance, levando em consideração as suas características individuais e do contexto sociocultural (Baker e Horton, 2004). Especificamente no esporte de elite, as vagas para competir são reduzidas, sendo seleto o grupo de atletas que atingem o nível de excelência esportiva (Galatti et al., 2017). A definição de excelência esportiva ainda causa uma certa inquietação devido à complexidade relacionada aos indicadores pessoais, sociais e contextuais que podem influenciar no desempenho. Desta forma, a partir dos estudos de Joseph Baker et al. (2015), Joseph Baker e Sean Horton (2004) e Larissa Galatti et al., (2019), a excelência esportiva pode ser explicada através de três parâmetros: i) tempo de engajamento e comprometimento com a modalidade; ii) participação e bons resultados em competições internacionais; iii) reconhecimento social. Logo, investigar a trajetória de atletas rumo à excelência exige considerar diferentes elementos dinâmicos de seu desenvolvimento.
A preocupação em desvelar o processo de desenvolvimento de atletas e a revelação de atletas de excelência alavancou diferentes estudos, tanto no Brasil (Collet et al., 2018; Galatti et al., 2019; Mendes et al., 2018; Motta et al., 2021) quanto internacionalmente (Bloom, 1985; Côté, 1999; Stambulova, 1994), como sintetizam Natalia Stambulova et al. (2020). Nas últimas décadas as investigações relacionadas ao desenvolvimento de atletas e da carreira esportiva têm ampliado seu alcance para uma análise abrangente, incluindo como problemática de interesse a compreensão dos estágios e transições (atléticas e não-atléticas) de carreira visando observar diferentes fatores, como o papel da família na formação de jovens (Côté, 1999), as características para o desenvolvimento de talentos e sua relação contextual (Bloom, 1985), a identificação de crises (Stambulova, 1994), a influência dos componentes atléticos e não atléticos na carreira esportiva – modelo holístico (Wylleman e Rosier, 2016), e os fatores que interferem na aquisição e manutenção do desempenho esportivo (Durand-Bush e Salmela, 2002). Dentre os modelos desenvolvidos, situa-se o Modelo de Desenvolvimento da Participação Esportiva - DMSP (Côté, 1999; Côté et al., 2008).
O desenvolvimento da carreira esportiva na perspectiva do DMSP (Côté, 1999; Côté et al., 2008) se sustenta a partir de uma etapa inicial de formação ampla e diversificada, pressupondo que o desenvolvimento positivo de atletas é influenciado por seu engajamento e as relações estabelecidas no ambiente de prática desde a infância (Côté et al., 2016). A partir dessa etapa, o DMSP sugere trajetórias de participação, com destaque para participação ou esporte de elite. Neste estudo, tratamos da rota rumo à elite esportiva, compreendendo as etapas de iniciação, especialização, investimento e elite (Côté et al., 2007). Esta trajetória tem sido amplamente defendida como a mais adequada para estabelecer uma carreira esportiva segura, também na trajetória rumo à busca da melhor performance esportiva, reforçando principalmente o pressuposto de que durante os anos iniciais os atletas devem ter experiências motoras, afetivas e cognitivas variadas, para só depois partir para especialização em um conjunto pequeno de modalidades de interesse, até chegar na modalidade alvo (Côté et al., 2007; Côté e Vierimaa, 2014; Law et al., 2007). No entanto, seus postulados estão baseados, predominantemente, nas experiências de atletas provenientes do hemisfério norte, sendo importante observar como o fator cultural pode afetar nos resultados relativos ao percurso de atletas, principalmente aqueles oriundos do hemisfério sul.
Investigar a trajetória de atletas vem sendo uma alternativa para compreender os estágios, as fases e as transições em que estes se envolveram, e identificar as influências resultantes da interação pessoa-contexto. No âmbito da investigação científica no cenário brasileiro, encontramos alguns estudos que analisaram o desenvolvimento de atletas nas modalidades de atletismo (Vieira et al., 2003), natação (Vieira et al., 1999), basquete (Beneli et al., 2017; Cunha et al., 2017; Folle, 2014), ginástica artística (Schiavon, 2009), tênis (Copetti, 2001), voleibol (Collet, 2018), squash (Motta et al., 2021) e modalidades individuais e coletivas (Cafruni et al., 2006). No handebol, um dos poucos estudos com foco na carreira esportiva, foi realizado com atletas masculinos da seleção brasileira há mais de uma década (Mendonça et al., 2007).
Em estudo de revisão sistemática de Alexandra Folle e colaboradores (2015), no qual analisam a carreira esportiva em âmbito nacional e internacional, constataram que os estudos brasileiros se mostram incipientes e, especificamente, sobre o desenvolvimento de atletas de handebol feminino brasileiro nada foi encontrado. No cenário internacional, Johan Ekengren et al. (2020), investigando atletas do handebol de elite sueco, também apontaram para escassez de estudos relativos a essa população e o contexto de investigação.
O handebol feminino no contexto do esporte brasileiro apresenta características que podem ser consideradas desafiadoras, desde o micro ao macroambiente. Na dimensão macro, as políticas nacionais para o desenvolvimento esportivo demonstram um cenário instável, inicialmente pelo número reduzido de instalações destinado a prática esportiva (IBGE, 2003), e, posteriormente, na dificuldade de gestão e organização dos poucos centros especializados para o desenvolvimento de atletas, de modo que a existência desses espaços algumas vezes é desconhecida por atletas e treinadores (Antonelli, 2014; Böhme e Bastos, 2016). No microambiente a modalidade tem característica predominantemente amadora, com limitado acesso a estrutura para a prática (ginásio, quadras), poucas iniciativas e oportunidades de participação (diferentes níveis de competição, calendário de competição, competições em diferentes regiões) e acesso limitado a profissionais especializados (Lima, 2018, Böhme e Bastos, 2016).
Foi nessa realidade, no ano de 2013, que a Seleção Brasileira de Handebol Feminino sagrou-se campeã mundial, tornando-se a primeira equipe do continente americano e de todo hemisfério Sul a atingir o status de excelência no handebol. Como em um macroambiente tão desfavorável foi possível a essas atletas o desenvolvimento de carreira rumo à excelência esportiva? Buscando responder a essa pergunta, assim como em contribuir com a lacuna mais ampla de pouco conhecimento científico sobre a carreira de atletas da América do Sul, especialmente mulheres (Beneli et al., 2017; Bruner et al., 2010), o objetivo desse artigo foi analisar o processo de desenvolvimento de atletas de excelência da seleção brasileira de handebol, descrevendo os episódios presentes em cada etapa da carreira (iniciação, especialização, investimento e elite).
Estudo baseado em um desenho transversal exploratório qualitativo retrospectivo (Flick, 2009), realizado através de entrevistas semiestruturadas (Sampieri et al., 2013).
Participaram deste estudo sete (n = 7) atletas da Seleção Brasileira de Handebol feminino campeãs do mundo no Campeonato Mundial Sérvia de 2013, com idade média de 30,2 anos (SD = 5,62 anos), tendo média de 20 anos (SD = 4,62) dedicados à modalidade (tempo de experiência). No momento do estudo seis atletas permaneciam em atividade no esporte e uma havia recém encerrado sua carreira esportiva (Entrevistada 1). Essas atletas nasceram em quatro diferentes regiões brasileiras, a maioria procedentes de cidades de médio a grande porte.
Para coleta de dados foi utilizada uma entrevista semiestruturada com intuito de adentrar nos estágios e nos eventos presentes ao longo do desenvolvimento esportivo das atletas. A construção do roteiro de entrevista foi constituído por temas geradores, que correspondiam a dois eixos principais: 1) os estágios e as etapas da carreira esportiva, compreendendo as fases de iniciação, especialização, investimento, esporte de elite (Côté et al., 2008); e 2) os elementos dinâmicos: engajamento pessoal nas atividades, qualidade das relações e contextos apropriados (Côté et al., 2016). Salientamos que para o presente estudo, focamos na descrição das informações relativas ao ítem 1.
Foi realizado um contato prévio com as atletas, via e-mail e telefone, explicitando os procedimentos e os objetivos da pesquisa. Foram realizadas sete entrevistas, uma com cada atleta, das quais seis ocorreram via Skype e uma presencialmente. Como a maioria das atletas vivia na Europa, a entrevista via Skype foi uma alternativa para adequação e realização do estudo. Todas foram gravadas (gravador sony icd px440 e/ou programa ifree recorder, utilizado como uma extensão para o Skype que permite a gravação das chamadas), conduzidas em ambientes escolhidos pelas atletas, tranquilos e sem interrupções. As entrevistas tiveram uma duração média de 94 minutos. A coleta de dados, transcrição e análise das entrevistas foram realizadas pela mesma pesquisadora.
Foi adotada a análise temática reflexiva (Braun e Clarke, 2020; Braun et al., 2016). Esse método é utilizado para identificar, descrever e interpretar padrões de significados em um conjunto de dados qualitativos, sendo realizada a partir de seis fases: 1. A familiarização com os dados; 2. A codificação; 3. Em busca dos temas; 4. Rever os temas; 5. Nomeação; e 6. escrita do relatório. Uma técnica analítica e reflexiva relativamente acessível, caracterizada por fornecer uma ferramenta de pesquisa flexível e útil, possibilitando uma análise rica, detalhada e mais complexa. Umas das vantagens da análise temática é justamente essa flexibilidade no tratamento dos dados, característica que permite a compreensão dos significados apresentados de forma implícita e explícita em narrativas. Essa flexibilidade não significa ausência de rigorosidade ou critérios que conduzem e garantem a qualidade da análise, mas um processo ativo em que os temas emergem a partir da interseção dos pressupostos teóricos, habilidades de pesquisa, conhecimentos, experiência do pesquisador e o conteúdo dos dados.
Neste estudo, a análise foi feita pela primeira autora e seu envolvimento com os dados ocorreu em nível latente (buscando compreender os significados e estruturas que sustentam as ideias declaradas explicitamente) e semântico (procurando e codificando ideias explicitamente declaradas), sendo a codificação realizada através do método indutivo e dedutivo, respondendo a seis etapas que compõem a análise temática:
1.A familiarização com os dados: nessa primeira etapa foi realizada uma leitura densa, buscando compreender o conjunto de dados e evitando o envolvimento apenas com informações isoladas. A leitura foi conduzida através das etapas de desenvolvimento de atletas apresentadas no Modelo de Desenvolvimento da Participação Esportiva (Côté, 1999; Côté et al., 2008). Assim, em cada etapa de formação, buscamos identificar trechos representativos que contribuíam para responder a pergunta do estudo. Através de um processo reflexivo, tomamos nota dos excertos que evidenciasse fatos e significados capazes de contribuir para compreensão do processo de desenvolvimento dessas atletas.
2.A codificação: as notas e os significados tomados a partir da fase anterior foram analisados a nível latente e semântico e, posteriormente, reduzidos e transformados em códigos.
3.Em busca dos temas: nessa fase os códigos criados anteriormente foram analisados e aqueles que possuíam similaridades foram organizados em temas provisórios.
4.Revisão dos temas: com os temas provisórios definidos, iniciou-se o processo de revisão. Nessa fase realizamos a leitura e um breve resumo de cada tema, para confirmar se representavam fidedignamente o conjunto de dados e verificar a força da codificação.
5. e 6.Nomeação e escrita do relatório: essas duas fases compreenderam a definição da nomenclatura utilizada para cada tema e a escrita do relatório, traduzindo e comprovando os resultados do estudo.
O envolvimento com os dados ocorreu através do método dedutivo e indutivo, no qual buscamos identificar os fatos presentes em cada etapa de desenvolvimento das atletas. A análise focou no significado dos eventos e não na frequência de citações, fazendo com que os dados pudessem contar a história referente ao envolvimento das atletas no esporte. Assim, os temas que emergiram ao final desse processo estiveram relacionados às etapas de desenvolvimento das atletas: iniciação, especialização, investimento, elite.
Na análise do desenvolvimento das atletas brasileiras campeãs mundiais de handebol, foi possível identificar dois grupos de carreiras esportivas, sendo um grupo composto por atletas com maior tempo de envolvimento na modalidade (Entrevistada 1, 3, 4, 7) e outro formado por atletas mais jovens (Entrevistada 2, 5, 6). A figura 1 sintetiza o percurso das sete atletas, reunindo as principais experiências da carreira em clubes e na seleção brasileira (de categorias de base e adulta, incluindo participação em Jogos Pan-Americano, Mundiais e Olímpicos) durante as fases de iniciação, especialização, investimento e elite. Essa representação foi orientada pela idade e a duração (em anos) de cada experiência esportiva. Para o alinhamento das carreiras, utilizamos como medida padrão o cálculo das médias para as idades, a quantidade de temporadas (seleção brasileira, estadual e clubes) e o número de participações em eventos internacionais (neste caso, além de apresentar a média, também foi incluído a quantidade de atletas presente nessas competições).

Figura 1. Representação das experiências esportivas ao longo tempo
As atletas investigadas nasceram em cidades de médio a grande porte (cidades entre 300.000 a 1.000.000 de habitantes) das regiões Sul, Sudeste e Nordeste, vivendo a infância em grandes capitais ou em municípios próximos (regiões metropolitanas). Mesmo crescendo em ambientes urbanizados, isso não impediu que fossem crianças ativas, participando de diversas atividades corporais realizadas essencialmente na rua. Entre as brincadeiras favoritas se destacavam: pique-esconde; pega-pega; polícia e ladrão; pique-bandeira; pular amarelinha; pião; soltar pipa; queimada; e futebol. Todas realizadas na companhia de amigos, primos e irmãos. Essa fase foi lembrada com muita alegria e satisfação, demonstrando que se engajavam nessas brincadeiras de maneira espontânea e por prazer, como pode ser verificado nas falas das atletas reunidas na tabela 1.
Tema 1: Primeiros passos para excelência: experiências diversificadas na iniciação |
Descrição: O tema aborda as experiências iniciais das atletas. |
Subtema: Participação em atividades espontâneas e diversificadas Eu era aquela criança que o único lugar que você não podia me achar era dentro de casa. Estava sempre na rua, sempre jogando bola, sempre com todos meus primos, meus amigos […]. Eu brincava muito de polícia e ladrão, queimada, rouba bandeira, esconde-esconde, pulava amarelinha, era muita brincadeira de correr, corria muito, eu gostava muito. (Entrevistada 6, entrevista pessoal, novembro de 2017) Passados uns anos eu decidi pelo handebol, mas eu fiz tudo. Eu cheguei a jogar campeonato escolar jogar até dama, xadrez, tênis de mesa, basquete, handebol, futebol, tudo que tinha de correr. Salto em distância, salto em altura, 1500 (m). Eu fiz tudo. (Entrevistada 1, entrevista pessoal, janeiro de 2017) |
Subtema: Contexto escolar como principal ambiente de acesso ao handebol Umas das mais importantes, porque foi no colégio com os professores que consegui ter o contato com esporte e aí comecei a gostar muito e praticar cada vez mais. (Entrevistada 4, entrevista pessoal, agosto de 2017) E eu não tenho dúvidas assim, que eu sou profissional hoje, porque tive incentivos quando eu era criança. […] seriam as atividades na escola, […] a educação física no meu colégio por exemplo, meu Deus, eu adorava! Entendeu, tudo que tinha, os interclasses do colégio, foi ali que eu fui descobrindo o esporte, porque até aí eu só brincava na rua. (Entrevistada 6, entrevista pessoal, novembro de 2017) |
Subtema: Treinamentos básicos Na escola era básico, era defesa, ataque, corrida e não tinha muito tempo para treinar, porque a gente treinava depois da escola, terminava a escola a gente tinha mais uma horinha para poder ficar treinando com o técnico, então era uma coisa muito rápida, muito básica, básica de básica. E também com essa idade você não tem como estar aprendendo no caso a base do handebol, é só “você só pode andar com a bola três passos, depois tem que driblar, depois você tem que passar”, era o básico do básico. (Entrevistada 3, entrevista pessoal, agosto de 2017) Era uma quadra de cimento de sei lá, 10 metros dividida no meio com trave, meu Deus! Aquelas brancas que você bate e parece que o ferro vai sair, num ginásio pequeno que parecia que não tinha nem 20 metros, bolas que você arrancava as orelhinhas para passar, de velhas. Essas situações assim. (Entrevistada 7, entrevista pessoal, novembro de 2017) |
Tabela 1. Experiências na iniciação esportiva
A iniciação no handebol aconteceu entre os seis e 13 anos (média de 10,14 anos), e foi concomitante com outras práticas curriculares e extracurriculares, tanto individuais (remo, karatê, atletismo, ginástica olímpica, xadrez, tênis de mesa, capoeira) quanto coletivas (basquete, futebol e voleibol). Nesse período de diversificação, que durou entre seis e 24 meses, eram reconhecidas como destaque em suas escolas e incluiu competições de nível escolar e regional. Apenas uma das atletas competiu em nível estadual por outra modalidade. Somente a Entrevistada 7 vivenciou o handebol fora da escola, em um programa esportivo da prefeitura municipal. O contexto escolar foi reconhecido pelas atletas como local significativo e responsável por apresentar a modalidade, e por contribuir para o desenvolvimento das primeiras aprendizagens relativas à modalidade (observar falas das atletas na tabela 1).
No ambiente escolar os treinamentos foram considerados básicos. As atletas destacaram a realização de muitos exercícios de coordenação, flexibilidade, educativos de ataque e defesa, desenvolvidos com a frequência de 1 a 3 vezes na semana, e duração de 1h a 1h30. Em relação à qualidade estrutural desse contexto, notou-se a precariedade imanente, retratada desde problemas relacionados à disponibilidade de recursos até o local de treinamento.
Como já se destacavam esportivamente, as atletas começaram a receber convites ou serem indicadas para atuar em equipes fora do contexto escolar. Nesse momento, algumas mudaram de cidade, estado ou apenas migraram para equipes do próprio município. Quatro delas não se envolveram em nenhum outro esporte e iniciaram o processo de dedicação e especialização no handebol (anos de investimento).
As demais (Entrevistada 1, 4, 5) participaram concomitantemente de treinamentos em duas modalidades (handebol e basquete, handebol e atletismo, handebol e futsal) por um período de 12 a 24 meses. Essas atividades aconteciam em contextos diferenciados, mantendo ainda o vínculo com a escola e ampliando a prática para ambientes como clubes e prefeituras, ainda sem muitos recursos estruturais e financeiros. As competições disputadas eram regionais, mas duas delas (Entrevistada 4, 5) já participavam de campeonatos de abrangência estadual. Os treinamentos ainda eram predominantemente técnicos, com a inclusão de componentes táticos e, em menor proporção, o físico, como é possível de ser observado na tabela 2.
Tema 2: Experiências esportivas na etapa de especialização |
Descrição: O tema trata da etapa de transição entre a iniciação e o investimento apenas no handebol, apresentando as características dos contextos e treinamento, bem como, a prática concomitante em duas modalidades esportivas. |
Subtema: Participação concomitante em duas modalidades Essa época eu dividia o handebol com o basquete. (Entrevistada 1, entrevista pessoal, janeiro de 2017) |
Subtema: Recursos básicos e, suporte (financeiro e psicológico) da família Super simples, o colégio era bem simples. Era muito difícil conseguir uniforme, os dois colégios eram particulares, eles davam uniforme, a quantidade mínima de bolas, a gente quase não tinha dinheiro para viajar, muitas vezes a gente tinha que fazer ‘vaquinha’ entre a nós. (Entrevistada 4, entrevista pessoal, agosto de 2017) Então meus pais sempre foram muito preocupados com isso, eu fiz um trabalho psicológico nesse período entre meus 13 aos 16 anos. Algo a parte com minha família, não foi nada que o clube trouxe não, foi uma preocupação mesmo dos meus pais. (Entrevistada 5, entrevista pessoal, outubro de 2017) O primeiro ano que eu comecei a treinar, como a minha escola era um pouco mais perto de casa do que os treinos, eu pegava o meu passe, o meu vale transporte do colégio e deixava para os treinos. E depois desse primeiro ano que eu comecei a treinar, minha mãe comprou uma bicicleta para mim, aí então eu ia para os treinos de bicicleta. (Entrevistada 1, entrevista pessoal, janeiro de 2017) |
Subtema: Treinamento técnico, inclusão de componentes táticas e física (O treino) era a parte básica, parte técnica, nós treinamos bastante a parte técnica tanto o basquete quanto o handebol. Eu não tinha muito treinamento, praticamente não existia treinamento físico, a gente não tinha uma preparação física, era tudo voltada para parte técnica tática e tático também não tinha muita coisa. (Entrevistada 1, entrevista pessoal, janeiro de 2017) |
Tabela 2. Etapa de especialização esportiva
Quando todas as atletas passaram a se dedicar apenas ao handebol, quatro delas (Entrevistada 1, 3, 4, 6) tiveram oportunidade de jogar em equipes de outras cidades, com melhores estruturas e auxílio financeiro. A maioria das equipes (n = 6) tinham vínculos ou eram mantidas por prefeituras, oferecendo condições como estrutura física e materiais para treino, moradia, bolsa de estudos, transporte para treino e competições, além da ajuda de custo mensal. Aquelas que permaneceram na mesma cidade (Entrevistada 2, 5, 7) tiveram maiores dificuldades relacionadas ao suporte estrutural, financeiro e emocional (falas das atletas na tabela 3). Tanto as atletas que foram para grandes centros quanto as que permaneceram na sua região, relataram problemas estruturais e financeiros das equipes (disponibilidade e qualidade dos materiais para treino, pagamento de passagens, salários ou ajuda de custo).
Tema 3: Investimento apenas no handebol, adaptando-se a diferentes contextos |
Descrição: O tema aborda as experiências das atletas durante a fase de investimento no handebol, apresentando as condições estruturais dos contextos, dificuldades vivenciadas, incentivo recebido e as características do treinamento na modalidade. |
Subtema: Problemas estruturais e financeiros das equipes Sempre foi muito difícil porque a equipe nunca teve muito apoio de nada, então, sempre foi muito complicado em relação á material, porque o que a gente tinha, tinha que cuidar muito, porque nunca tivemos cola, tivemos, a gente sempre jogou com cera de depilação, eu lembro disso. (Entrevistada 5, entrevista pessoal, outubro de 2017). Era um clube que contava com academia, com ônibus para viagens, uma quadra oficial, as bolas, cola. […] E naquela época alguns lugares que eu passei ofereciam uma condição mínima para treinar e para se viajar para os campeonatos. […] Depois de ter estado na Europa e ver a estrutura lá - você vê crianças de 5,6,7 anos treinando com a mesma estrutura que os adultos e que os profissionais treinamentão você olha para trás e fala “nossa, era muito ruim a nossa estrutura”. (Entrevistada 1, entrevista pessoal, janeiro de 2017) |
Subtema: Dificuldades iniciais de adaptação a um novo contexto Quando eu jogava no meu estado natal todo mundo falava “ai você é muito boa”. Quando eu cheguei nesse novo estado, eu era só mais uma, sabe. (Entrevistada 3, entrevista pessoal, agosto de 2017) Nossa foi muito difícil, foi muito difícil, porque na equipe X eu era a melhor do time, e eu fui para a Equipe Y com outras meninas muito melhores, que já tinham jogado Copa do Brasil, Liga Nacional, que era da seleção Brasileira, tinha menina que tinha jogado Olimpíada. (Entrevistada 6, entrevista pessoal, novembro de 2017) |
Subtema: Conteúdos de treino A gente sempre treinava uma vez no dia […] fazia o físico antes […] e, depois treinava na quadra. (Entrevistada 3, entrevista pessoal, agosto de 2017) Aí a gente foi evoluindo, crescendo. Passando um tempo, aumentando a idade e, nós compreendíamos mais, então foi mais para o técnico, tático. (Entrevistada 2, entrevista pessoal, março de 2017) |
Tabela 3. Etapa de investimento no handebol
Foram relatadas dificuldades iniciais de adaptação a um novo contexto e morar em uma cidade e/ou estado distante de suas famílias. Lidar com o fato de que na nova equipe havia atletas com melhor desempenho do que o delas (o que não acontecia na equipe anterior), foi uma das situações citadas.
O conteúdo de treino também foi alterado, abrangendo novos e mais complexos componentes técnicos, táticos e físicos, sendo realizado com uma periodicidade maior (uma vez ao dia). A maioria das equipes não dispunham de uma comissão técnica multidisciplinar e suporte psicológico. Apenas duas atletas (Entrevistada 5, 6) tiveram acesso a esses serviços, uma de forma particular e a outra pela coincidência da auxiliar técnica ser psicóloga. Apesar da estrutura escassa as atletas demonstraram bom desempenho, ganhando notoriedade nas competições, o que resultou em convites para atuar em novas equipes e em categorias acima. Além disso, receberam o reconhecimento de seu desempenho por seus pares, sendo convocadas para seleção de base e ganhando premiações de destaque da federação (falas disponíveis na tabela 3).
Dentre os momentos significativos nessa etapa, as atletas destacaram o desejo de ser uma atleta profissional, sendo a vivência com jogadoras mais experientes e que atuavam fora do país um fator que auxiliou e apresentou a elas essa possibilidade para seu futuro. Em alguns casos esse processo foi acelerado ou precoce, considerando a maturidade e a responsabilidade para atender maiores exigências e novo estilo de vida nas grandes equipes. Além disso, o destaque nas competições que participavam e o fato de serem convocadas para seleção impactaram no sentimento de autoeficácia, como pode ser verificado nas falas das atletas reunidas na tabela 3.
O grande marco da etapa relacionada ao esporte de elite foi o incremento da intensidade de treino e da qualidade das competições, em nível nacional e internacional (campeonatos estaduais, Copa do Brasil, brasileiro, copas e ligas nacionais), e intensas mudanças vivenciadas pelas atletas que migraram para equipes europeias, (Entrevistada 1, 2, 4, 6, 7). As condições de treinamento foram reconhecidas como bem melhores que as das etapas anteriores: bons ginásios, academia, bolas, cola e auxílio financeiro. No entanto, essas condições variaram de acordo com os recursos de cada equipe. A falta de patrocínios e a dependência dos recursos disponibilizados por prefeituras levou a situações de atraso de salários, prejudicou a participação em competições nacionais e fez com que duas atletas (Entrevistada 3 e 7) quase abandonassem a prática esportiva. As falas referentes a essa etapa podem ser observadas na tabela 4.
Tema 4: Lidando com o esporte de elite |
Descrição: Esse tema aborda as experiências das atletas relacionadas ao esporte de elite. A capacidade de lidar com transições não-normativas, a adaptação a treinamentos intensos, e a influência relacionada aos contextos mais e menos estruturados são características apontadas nessa fase. |
Subtema: Melhores condições para o desenvolvimento da carreira na Europa Foi muito boa, quando você me perguntou desse choque agora você me perguntando isso me deu um “clik” assim, eu cheguei eu tinha uma mala com todos uniformes, com tudo, eu tinha tênis, eu tinha blusa de frio, eu tinha jaqueta, eu tinha tudo, tudo, nessa parte tudo. […] Era muita coisa a estrutura era absurda assim coisa que eu não tinha no Brasil e aqui (Europa) tinha tudo no clube. (Entrevistada 5, entrevista pessoal, outubro de 2017) |
Subtema: Instabilidade na disponibilização de recursos nas equipes brasileiras Foi triste, na verdade eu saí da equipe porque, a gente era patrocinado, no caso a prefeitura que dava o dinheiro para gente, e depois de 3 anos a prefeitura, é claro quando tem a mudança de gestão acaba que tiraram o dinheiro, e a primeira parte que eles tiram dinheiro é a educação, saúde e esporte, não tem jeito e a gente foi afetado e não tinha mais dinheiro. E daí eu estou falando que 20 jogadoras, 20 meninas ficaram desempregadas sem lugar para ir, e de todas as jogadoras eu fui a única que consegui uma equipe. (Entrevistada 7, entrevista pessoal, novembro de 2017) Nossa foi muito difícil, foi muito difícil, foi difícil porque eu saí da equipe X (no brasil) com uma estrutura que eu te falei, enorme, de técnico, de preparador físico, de ginásio, de bola de tudo. E eu fui para Equipe Y (no Brasil) com uma estrutura que eles estavam querendo dar tudo para gente, fora de quadra a gente realmente tinha, o transporte. O ginásio, as bolas não eram assim realmente bons, entendeu. (Entrevistada 6, entrevista pessoal, novembro de 2017) |
Subtema: Transições não-normativas Eu tive um problema de saúde […] eu posso dizer que eu não levei as coisas muito a sério, sabe (risos). Eu sempre fui muito positiva e simplesmente eu coloquei na minha cabeça que iria voltar a jogar e isso me deu muita força, logico não só eu como todas as pessoas que estavam do meu lado, família, jogadoras que estiveram, que iam treinar no dia comigo, me deram muito apoio e devido tudo isso deu muito certo. (Entrevistada 4, entrevista pessoal, agosto de 2017) |
Subtema: Treinamentos mais intensos Estilo de treinamento era 3 vezes pior, mais forte. Então, não tem como se comparar, foi tudo muito novo, foi muito gostoso de treinar todo esse tempo, apesar de ter sido muito forte tudo. (Entrevistada 4, entrevista pessoal, agosto de 2017) |
Tabela 4. Esporte de elite
Devido à instabilidade das equipes de handebol brasileiro, seis atletas se transferiram para o contexto europeu. A principal motivação para essa mudança foi a possibilidade de melhorar o rendimento esportivo e estabelecer uma carreira profissional, uma vez que os clubes da Europa ofereciam estrutura física adequada para os treinamentos (ginásios, materiais), apoio institucional através do pagamento de planos de saúde, despesas pessoais (celular, moradia, transporte, jogo de uniforme completo, tênis) e um salário mensal. No momento da transferência cinco (Entrevistada 1, 4, 5, 6, 7) atletas disseram que estavam cursando a faculdade, a qual tiveram que interromper para ir para a Europa. As dificuldades enfrentadas naquele continente estiveram relacionadas com adaptação ao idioma, xenofobia e preconceito racial. Além disso, transições não normativas, como problemas de saúde, lesões e corte da seleção, acabaram afastando-as momentaneamente do esporte. Para superar, elas lidaram de forma positiva com essas situações e tiveram auxílio da família e dos amigos (falas destacadas na tabela 4).
Em relação ao treinamento, as atletas destacaram a necessidade de se adaptar a uma rotina mais intensa, com treinos duas vezes ao dia e grau de exigência e dedicação bem maior. Na Europa participaram das principais competições nacionais e europeias, sendo que três atletas conquistaram medalhas na European Handball Federation Champions League (EHF) e a Copa EHF. Duas atletas (Entrevistada 2 e 7) passaram por lesões que quase interromperam suas carreiras. Inclusive a Entrevistada 7 teve que se transferir para outra equipe, já que o clube anterior alegou não possuir condições para financiar a cirurgia, como pode ser observado ainda na tabela 4.
Na figura 2, é possível observar os principais fatos presentes na carreira das atletas em cada estágio de desenvolvimento.

Figura 2. Descrição do processo de desenvolvimento das atletas ao longo de cada estágio da carreira esportiva
A finalidade deste estudo foi apresentar o processo de desenvolvimento de atletas de excelência no handebol, elucidando aspectos relevantes ao longo de diferentes etapas — iniciação, especialização, investimento, elite. Notamos que as experiências vivenciadas pelas atletas se apresentaram como um elemento importante para o desenvolvimento da performance, principalmente pela possibilidade de participar de diferentes contextos (treinamento e competitivo). Assim como em outros estudos, as atletas puderam desfrutar da participação em atividades diversificadas, caracterizada pela prática espontânea em ambientes públicos durante a infância e atividades esportivas sistematizadas na escola (Fraser-Thomas et al., 2008; Law et al., 2007; Marques et al., 2014; Nascimento, 2000; Ryba et al., 2015; Vierimaa et al., 2018). Portanto, as brasileiras campeãs mundiais de handebol não foram especializadas precocemente na modalidade.
A idade de início na prática esportiva das atletas campeãs mundiais de handebol não diferiu do encontrado em outros estudos com modalidades coletivas de diferentes níveis competitivos nacionais (Beneli et al., 2017; Santana et al., 2007) e internacionais (Côté et al., 2007; Ekengren et al, 2020; Lopez de Subijana et al., 2020; Wylleman et al., 2004). Investigações nacionais realizadas com atletas de handebol, basquete e futsal, constataram que a idade de início da prática nessas modalidades ocorria em média entre os nove e 11 anos (Beneli et al., 2017; Santana et al., 2007). Em outras modalidades coletivas (vôlei e basquete), essa iniciação aconteceu um a dois anos mais tarde que no handebol (Bojikian et al., 2007; Cunha et al., 2017; Marques et al., 2014). O intervalo entre a etapa de iniciação e o esporte federado em relação a outras modalidades também se mostrou mais longo (média de 4 anos), superando o tempo de um a três anos do observado nos estudos de Renato Marques et al. (2014), João Bojikian et al. (2007) e Wilton Santana et al., (2007). Logo, se solidificam evidências que podem orientar as etapas iniciais em programas esportivos e políticas públicas e privadas para o desenvolvimento de atletas de modalidades coletivas, quais sejam: estimular a vivência de múltiplas modalidades nos primeiros anos de práticas e a experimentação de mais de uma modalidade coletiva antes de focar na modalidade alvo.
Até aqui atletas apresentaram uma carreira primordialmente com transições normativas, sendo que nos anos de formação não apresentaram problemas de ordem pessoal (psicológico, físico) que pudessem afetar seu envolvimento no esporte, sendo os principais desafios atrelados às condições estruturais. Realidade que também foi evidenciada por atletas de outras modalidades no Brasil (Ferreira et al., 2012; Schiavon e Paes, 2012).
As transições não-normativas foram vivenciadas no avanço ao esporte de elite, em que as atletas relataram lesões, problemas psicológicos e de saúde. Cansaço mental e físico, doenças, lesões, são apontadas como um dos principais motivos que podem ter como consequência o encerramento da carreira esportiva (Lopez de Subijana et al., 2016; Melo e Rubio, 2017). A capacidade de lidar de maneira positiva com situações de crise, o apoio de familiares, colegas e treinadores, e, no caso das lesões, a realização de intervenção cirúrgica e apoio da equipe médica (principalmente no contexto europeu), foram elementos importantes para enfrentar essas adversidades (Stambulova et al., 2009; Stambulova e Wylleman, 2014; Wylleman et al., 2004). Segundo Dave Collins et al. (2016) atletas bem-sucedidos enfrentam de maneira eficaz as dificuldades ao longo da carreira do que atletas menos-sucedidos. O sucesso dessas estratégias psicológicas (coping) também foi identificado nos estudos de Daniel Gould et al. (2002) e Áine Macnamara et al. (2010), os quais investigaram atletas de nível mundial, participantes de campeonatos mundiais e olimpíadas, em diferentes modalidades esportivas (individuais e coletivas).
No que concerne aos contextos de desenvolvimento, é reforçada uma especificidade do cenário nacional: nascer em cidade de médio a grande porte favorece o desenvolvimento da carreira esportiva, a exemplo do identificado em atletas medalhistas olímpicos (Tozetto et al., 2017). Estudos internacionais identificaram as cidades menores como mais favoráveis ao desenvolvimento esportivos (Bruner et al., 2011; MacDonald, Cheung et al., 2009; MacDonald, King et al., 2009). Isso pode estar associado a uma melhor estrutura de instalações esportivas mesmo em cidades pequenas em outros países (como Canadá, Espanha e Estados Unidos), enquanto no Brasil equipamentos esportivos tendem a estar concentrados em cidades de médio a grande porte e mais estruturados (Tozetto et al., 2017).
Diferente de outras investigações (Beneli et al., 2017; Cunha et al., 2017; González et al., 2016; Marques e Samulsky, 2009), o principal espaço responsável e que permitiu o acesso ao handebol foi a escola, seguido da atuação das prefeituras durante as fases de especialização, investimento e elite, o que parece ser tendência no esporte feminino no Brasil, menos exposto a patrocínios privados (Leonardi et al., 2021; Morales Júnior et al., 2017), e pouco explorado por parte de clubes esportivos que acabam privilegiando e oportunizando o desenvolvimento do esporte masculino, ficando a cargo das escolas, prefeituras e ONGs1 a responsabilidade pela ampliação da participação esportiva para este público (Galatti et al., 2021). Percebemos que esses ambientes (escolas e prefeituras) se mostraram fundamentais para fomentar a prática esportiva, possibilitando a continuidade no esporte. Porém, não ofereceram uma estrutura adequada para desenvolvimento das atletas. Fato que não interferiu durante as fases iniciais (iniciação e especialização), sendo supridas pelas relações sociais positivas. Porém, nos demais estágios se apresentaram enquanto fatores que ameaçavam a continuidade da carreira esportiva. Portanto, é preciso que o poder público oriente políticas específicas para o desenvolvimento de atletas mulheres; do contrário, é possível que esse grupo de brasileiras campeãs do mundo sigam sendo a exceção.
O percurso das atletas no esporte foi marcado por atividades diversificadas na iniciação, seguido do aumento da prática deliberada na especialização e a transição precoce para a fase de investimento no handebol. Observamos que as atletas percorreram um processo assistemático, não organizado intencionalmente ou amparado por políticas esportivas, sendo consequência de iniciativas individuais. Em relação à literatura, o tamanho das cidades de origem das atletas e as etapas vivenciadas não coincidem com a literatura internacional (Collet, 2018; Galatti et al., 2019; Motta et al., 2021; Tozetto et al., 2017).
O suporte, estrutura e cultura esportiva dos países do hemisfério sul possuem características e desafios socioculturais diferentes, quando comparados aos países nórdicos. Isso demonstra que para compreender e analisar o processo de desenvolvimento de atletas, elementos culturais precisam ser considerados (Stambulova et al., 2020). Como sugestão para o contexto brasileiro, uma contribuição importante pode ser um estudo de revisão que reúna evidências nacionais de diferentes modalidades, indicando tendências locais.
Compreender o percurso de atletas de elite é importante para identificar os fatores que interferiram em seu rendimento. No entanto, o recorte retrospectivo nos limita aos acontecimentos relatados em um tempo passado. A partir disso, se torna relevante o desenvolvimento de estudos longitudinais, capazes de acompanhar e compreender os fatores que interferem no processo de desenvolvimento de atletas. Informações sobre esses fatores poderão contribuir com indicadores para elaboração de políticas intersetoriais para formação de atletas e para atuação do(a) treinador(a), com a finalidade de minimizar as experiências negativas e potencializar o acesso de qualidade à prática esportiva.
O papel da escola como ambiente capaz de possibilitar o acesso a uma prática esportiva sistematizada, ainda precisa ser melhor explorado através de estudos com intervenção in loco. Em contextos em que o acesso ao esporte acontece fora dos clubes esportivos, exige maior participação das instituições públicas para promover políticas intersetoriais e garantir a continuidade das ações. O desenvolvimento do esporte na escola é uma importante linha de investigação, especialmente nos países em desenvolvimento.
Especialmente no esporte para meninas e mulheres no Brasil, políticas públicas específicas são necessárias, além de estímulos a organizações privadas na oferta da prática para este público. É relevante, ainda, observar as estruturas disponíveis por cidades de pequeno, médio e grande porte, estabelecendo estratégias específicas de fomento a instalações esportivas.
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Wylleman, Paul & Rosier, Nathalie (2016). Holistic perspective on the development of elite athletes. In Markus Raab, Paul Wylleman, Roland Seiler, Annie-Marie Elbe & Antonis Hatzigeorgiadis (Eds.), Sport and exercise psychology research: From theory to practice (pp. 269–288). Elsevier Academic Press. https://doi.org/10.1016/B978-0-12-803634-1.00013-3
Wylleman, Paul; Alfermann, Dorothee & Lavallee, David (2004). Career transitions in sport: European perspectives. Psychology of sport and exercise, 5(1), 7-20. https://doi.org/10.1016/s1469-0292(02)00049-3

LEILANE ALVES DE LIMA
Doutoranda em Educação Física pela Faculdade de Educação Física – FEF/UNICAMP. Professora de Educação Física na rede estadual de ensino do estado de Mato Grosso. Desenvolve pesquisas na área de Educação Física e Esporte, com Estudos Aplicados em Pedagogia do Esporte e Desenvolvimento de Atletas.
leilane.alima@gmail.com
https://orcid.org/0000-0002-7866-4152
RILLER SILVA REVERDITO
Doutor em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Docente na Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) e docente-colaborador na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Atua na área de Educação Física e Esporte, com ênfase em Pedagogia do Esporte e Percurso de Desenvolvimento dos Jovens no Esporte.
rsreverdito@unemat.br
https://orcid.org/orcid.org/0000-0003-0556-9151
ALEXANDRA FOLLE
Doutora pela Universidade Federal de Santa Catarina. Docente do Centro de Ciências da Saúde e do Esporte da Universidade do Estado de Santa Catarina. Atua principalmente nos seguintes temas: Estágio Curricular Supervisionado, carreira docente, desenvolvimento profissional, satisfação profissional, qualidade de vida, iniciação esportiva, avaliação do desempenho, treinamento técnico-tático.
afolle_12@hotmail.com
https://orcid.org/0000-0001-8972-6075
CRISTINA LOPEZ DE SUBJANA
Doutora. Docente da Faculdade de Ciências do Esporte - Universidad Politécnica de Madrid (UPM). Departamento de Ciências Sociais da Atividade Física, Esporte e Lazer. Suas pesquisas são centradas no Legado de eventos esportivos, Carreira dupla (esporte + estudos / trabalho), Transição do esporte para o mercado de trabalho.
c.lopezdesubijana@upm.es
https://orcid.org/0000-0002-2968-9572
LARISSA RAFAELA GALATTI
Doutora. Pesquisadora do LEPE, docente do Curso de Ciências do Esporte da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas (FCA/UNICAMP) e Programa de Pós-Graduação da FEF/UNICAMP. Suas pesquisas são centradas na Pedagogia do Esporte, desenvolvimento de atletas e de treinadoras e treinadores esportivos.
larissa.galatti@fca.unicamp.br
https://orcid.org/0000-0003-1743-6356
FINANCIAMENTO
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico-CNPq, Bolsa de Estudos.
FORMATO DE CITACIÓN
Lima, Leilane Alves; Reverdito, Riller Silva; Folle, Alexandra; Lopez de Subjana, Cristina & Galatti, Larissa Rafaela (2022). Excelência no Handebol: o processo de desenvolvimento esportivo de atletas brasileiras campeãs do mundo. Quaderns de Psicologia, 24(1), e1798. https://doi.org/10.5565/rev/qpsicologia.1798
HISTORIA EDITORIAL
Recibido: 17-02-2021
1ª revisión: 03-09-2021
Aceptado: 13-01-2022
Publicado: 26-04-2022
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1 ONGS: Organização Não Governamental